{"id":6885,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/pessoa-e-estado\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"pessoa-e-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pessoa-e-estado\/","title":{"rendered":"Pessoa e Estado"},"content":{"rendered":"<p>P\u00fablico, privado, colectivo, individual, na\u00e7\u00e3o, povo, sujeito e objecto de governa\u00e7\u00e3o. Para este todo, em segmentos, se constitui um governo que, teoricamente, o povo escolheu. Como tamb\u00e9m escolheu oposi\u00e7\u00e3o tem, assim, pelouro nos dois minist\u00e9rios e de si mesmo tanto pode falar bem como criticar-se com \u00e1spera pedra no peito. Assim se faz a democracia que, conforme se diz, \u00e9 a maneira menos imperfeita de a comunidade se organizar. Mas quando os partidos se agrupam em fam\u00edlias pol\u00edticas, inspiram-se em divergentes ideologias e comprometem-se a privilegiar determinadas \u00f3pticas. Quando aparece a palavra \u201csocial\u201d afirma-se claramente a prioridade da pessoa sobre a m\u00e1quina, o apelo ao todo para repartir com cada um, a aten\u00e7\u00e3o particular aos que est\u00e3o no extremo da mesa e que t\u00eam igual direito ao bem comum que envolve um conjunto de elementos essenciais \u00e0 dignidade da pessoa humana. Assim sendo, o trabalho \u00e9 mais importante que o capital, a casa mais urgente que a auto-estrada, a sa\u00fade mais imperiosa que o pacto de estabilidade, a educa\u00e7\u00e3o tem prioridade sobre a constru\u00e7\u00e3o de qualquer casino. Nos nossos dias isto \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvio que lembrar pode parecer pura redund\u00e2ncia ou lugar comum. Mas n\u00e3o \u00e9: a palavra Finan\u00e7as foi a mais sacralizada dos \u00faltimos tempos, sacrificando tudo, inclusive o governo; as reformas mais baixas, as baixas moralizadas em benef\u00edcio dos empregadores, a sa\u00fade convertida em empresa com sacrif\u00edcio dos seus principais agentes, os m\u00e9dicos, o cidad\u00e3o comum mais apertado nos impostos em favor de um te\u00f3rico equil\u00edbrio financeiro, o desemprego como inevitabilidade. Por isso, pouco sabendo de pol\u00edtica e nada me interessando por jogos partid\u00e1rios \u2013 prefiro os de futebol \u2013 atrevo-me a sugerir que os minist\u00e9rios que estiverem do lado do povo real, das pessoas concretas, batalhem at\u00e9 ao imposs\u00edvel para se n\u00e3o deixarem submergir pelos burocratas e contabilistas que adoram n\u00fameros e ignoram as pessoas. Desumanizar a pol\u00edtica \u00e9 fugir da cidade dos homens para um universo fantas-mag\u00f3rico de abstractos. Sei que exagero o desprezo pelos n\u00fameros. Seja para equilibrar o obsceno desprezo que temos observado pelas pessoas em tantas decis\u00f5es puramente tecnocr\u00e1ticas. Na tomada de posse do novo governo uma \u00fanica cena me tocou: a forma como os filhos do primeiro-ministro abra\u00e7aram e foram abra\u00e7ados pelo pai. Cada portugu\u00eas, pensei, merece esse carinho. Portugal n\u00e3o \u00e9 uma reparti\u00e7\u00e3o para envio de relat\u00f3rios para Bruxelas. Somos pessoas, um povo, antes, muito antes, de ser Estado.  Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00fablico, privado, colectivo, individual, na\u00e7\u00e3o, povo, sujeito e objecto de governa\u00e7\u00e3o. Para este todo, em segmentos, se constitui um governo que, teoricamente, o povo escolheu. Como tamb\u00e9m escolheu oposi\u00e7\u00e3o tem, assim, pelouro nos dois minist\u00e9rios e de si mesmo tanto pode falar bem como criticar-se com \u00e1spera pedra no peito. 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