{"id":68811,"date":"2014-09-12T10:21:00","date_gmt":"2014-09-12T10:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/09\/12\/madeira-500-anos-de-uma-diocese-global-evangelizadora-e-de-participacao\/"},"modified":"2014-09-12T10:21:00","modified_gmt":"2014-09-12T10:21:00","slug":"madeira-500-anos-de-uma-diocese-global-evangelizadora-e-de-participacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/madeira-500-anos-de-uma-diocese-global-evangelizadora-e-de-participacao\/","title":{"rendered":"Madeira: 500 anos de uma diocese global, evangelizadora e de participa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Carrilho, bispo do Funchal, passa em revista as comemora\u00e7\u00f5es deste anivers\u00e1rio e projeta futuro da Igreja na regi\u00e3o <!--more--> <\/p>\n<p> \t<em>Que Balan&ccedil;o &eacute; que faz das celebra&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m decorrido por ocasi&atilde;o dos 500 anos da constitui&ccedil;&atilde;o da Diocese do Funchal?<\/em><\/p>\n<p> \tD. Ant&oacute;nio Carrilho &ndash; A aprecia&ccedil;&atilde;o que nos chega &eacute; bastante positiva nos diversos &acirc;mbitos e setores tanto da parte de muitos sacerdotes, como da parte dos bispos que aqui estiveram e partiram e deixaram uma palavra de mensagem, como da parte da nossa gente que se cruzando connosco se aproxima, felicita e alegra pelo modo como tudo decorreu.<\/p>\n<p> \tEu alegro-me e dou gra&ccedil;as a Deus por aquilo que foram estas comemora&ccedil;&otilde;es e at&eacute; por aquilo que elas significaram em termos p&uacute;blicos e sociais. Foram comemora&ccedil;&otilde;es que tiveram tr&ecirc;s celebra&ccedil;&otilde;es religiosas realmente marcantes, o Pentecostes, o dia 12 de junho, dia da assinatura da bula (&lsquo;Pro Excelenti Praeminentia&rsquo; do Papa Le&atilde;o X) da diocese, como no dia 15 a grande assembleia jubilar. Portanto, foram tr&ecirc;s assembleias, tr&ecirc;s celebra&ccedil;&otilde;es nucleares e muito participadas.<\/p>\n<p> \tDepois a preocupa&ccedil;&atilde;o de ser presen&ccedil;a social e cultural. Fizemos tr&ecirc;s concertos com muita qualidade e muita mensagem, a publica&ccedil;&atilde;o de um livro que sobre a diocese, a edi&ccedil;&atilde;o filat&eacute;lica com seis selos, em parceria com os Correios de Portugal (CTT), que ficam a assinalar esta data em aspetos importantes porque as imagens que foram escolhidas s&atilde;o integradas nestes 500 anos desde o seu in&iacute;cio, como a Bula ou a vinda do Papa Jo&atilde;o Paulo II, que foi um grande momento hist&oacute;rico e eclesial da nossa diocese.<\/p>\n<p> \tNestes diversos aspetos, como na exposi&ccedil;&atilde;o de arte sacra tamb&eacute;m quisemos trazer 500 anos de hist&oacute;ria em 56 pe&ccedil;as selecionadas com muito cuidado e que fossem significativas do desenvolvimento da f&eacute; da nossa gente ao longo deste tempo, assim expresso com amor, dedica&ccedil;&atilde;o e generosidade em obras e arte que espelham aquilo que foi o crescimento da f&eacute;, das devo&ccedil;&otilde;es e da viv&ecirc;ncia das pr&oacute;prias comunidades.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>Foi uma oportunidade de a diocese se dar a conhece melhor &agrave; sociedade?<\/em><\/p>\n<p> \tD. Ant&oacute;nio Carrilho &#8211; Em parte sim, porque n&atilde;o ocultamos nada e procuramos ser uma presen&ccedil;a ativa e interventiva na sociedade, com as pessoas a intervirem, cada uma aos seus diferentes n&iacute;veis, nas suas diferentes posi&ccedil;&otilde;es. Um dos meus lemas das preocupa&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios pastorais &eacute; o da corresponsabilidade e participa&ccedil;&atilde;o, esta consci&ecirc;ncia que o bispo n&atilde;o &eacute; tudo. N&atilde;o &eacute; o bispo com os padres e com religiosos, a Igreja somos todos n&oacute;s e por isso mesmo, cada um no seu posto tem de assumir as suas responsabilidades. O bispo tem responsabilidades que s&atilde;o dele, que as assuma, os sacerdotes t&ecirc;m responsabilidades que s&atilde;o deles, que as assumam mas n&atilde;o podemos prescindir nem dos religiosos nas suas posi&ccedil;&otilde;es, nem sobretudo dos leigos nesta presen&ccedil;a social.<\/p>\n<p> \tO Papa Francisco, na linha do que vinha de tr&aacute;s, com a autoridade que tem, diz que &eacute; preciso que cada um assuma as responsabilidades nas pr&oacute;prias fam&iacute;lias, nos grupos, na sociedade, na a&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica. Quer dizer, o crist&atilde;o onde est&aacute; tem de ser crist&atilde;o e a Igreja est&aacute; com ele e ele est&aacute; na Igreja, assim realmente se reflita a grande mensagem da Igreja que &eacute; a sua mensagem social. Gosto de sublinhar este aspeto porque muitas vezes olha-se a mensagem da Igreja como o catecismo doutrina mas h&aacute; um segundo catecismo, consequ&ecirc;ncias sociais da doutrina que &eacute; exatamente o catecismo social. Os princ&iacute;pios de ordem humana, os valores da &eacute;tica e o compromisso social s&atilde;o princ&iacute;pios essenciais e que tornam a Igreja presente atrav&eacute;s da totalidade e das diversas responsabilidades dos seus membros.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>Na semana jubilar contaram sempre com entidades pol&iacute;ticas, culturais, no fundo representantes da sociedade civil. Esta presen&ccedil;a &eacute; fruto das boas rela&ccedil;&otilde;es que se estabelece entre Igreja e Estado, Igreja e a Cultura e a Igreja e a Sociedade?<\/em><\/p>\n<p> \tD. Ant&oacute;nio Carrilho &ndash; Existe um princ&iacute;pio que sempre defendi e na minha entrada afirmei, que foi o princ&iacute;pio da autonomia e da coopera&ccedil;&atilde;o. Autonomia em rela&ccedil;&atilde;o a todas as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas que n&oacute;s temos de respeitar uns aos outros na nossa natureza, nos nossos objetivos ma quando est&aacute; em causa o bem-comum temos de cooperar. A boa articula&ccedil;&atilde;o e a boa coopera&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m de fazer-se com todos na linha do bem-comum e por isso mesmo n&oacute; tivemos desta vez como sempre a preocupa&ccedil;&atilde;o de criar espa&ccedil;o e abertura precisamente para quem quiser participar. Evidentemente, n&atilde;o podemos esquecer a responsabilidade daqueles que tendo sido eleitos t&ecirc;m uma especial representatividade do pr&oacute;prio povo e respeitando-nos uns aos outros, nos nossos objetivos, e na nossa natureza damos as m&atilde;os e queremos d&aacute;-las com todos para bem dom nosso povo.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>Qual &eacute; o papel do bispo nestes novos tempos, no s&eacute;culo XXI?<\/em><\/p>\n<p> \tD. Ant&oacute;nio Carrilho &ndash; &Eacute; ser pastor, sendo muito direto. O bispo tem de ser pastor que significa, olhando para Cristo o bom pastor ser aquele que torna Jesus pr&oacute;ximo de todos como Ele esteve pr&oacute;ximo. Diz que Ele conhecia as suas ovelhas e que elas que o Conheciam, que estava disposto a dar a vida por elas, e aquilo que tinha para lhes dar era corresponder &agrave;s suas necessidades fundamentais, satisfazer as suas sedes, satisfazer a necessidade de alimento para prosseguir um caminho de vida com aquela for&ccedil;a espiritual eu naturalmente ter&aacute; que poder usufruir. Portanto, a presen&ccedil;a de um bispo numa diocese, e o Papa Francisco tem falado nisso muitas vezes, &eacute; exatamente o ser pastor atento, o ser pastor que acompanha, que se d&aacute; conta das necessidades, que n&atilde;o prescinde de anunciar os valores que s&atilde;o aqueles que brotam do Evangelho de Jesus, ali&aacute;s, Ele sempre o fez, nunca calou aquilo que tinha para dizer, tinha princ&iacute;pios, valores a anunciar e dava-se por eles.<\/p>\n<p> \tA responsabilidade de um bispo &eacute; fundamentalmente esta, por isso &eacute; importante um bispo pr&oacute;ximo, as pessoas v&ecirc;m isso no Papa e alegram-se com essa proximidade. N&oacute;s queremos estar pr&oacute;ximos com uma palavra acess&iacute;vel, uma palavra de resposta, mas que se assuma exatamente naquilo que &eacute; espec&iacute;fico e &eacute; pr&oacute;prio. As responsabilidades s&atilde;o participadas e partilhadas, evidentemente que o bispo n&atilde;o poder&aacute; fazer tudo nem a Igreja se deve confundir com o bispo. O lugar do pastor &eacute; de pastor mas h&aacute; lugar daqueles que acolhendo a palavra, deixando-se conduzir por ela tamb&eacute;m com o bispo v&atilde;o dando a vida e &eacute; nesta comunh&atilde;o como corpo que &eacute; a Igreja que a nossa miss&atilde;o se vai realizando.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>Qual a import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; das comunidades madeirenses?<\/em><\/p>\n<p> \tD. Ant&oacute;nio Carrilho &#8211; A quest&atilde;o da pastoral, da forma&ccedil;&atilde;o, do esclarecimento, aprofundamento e transmiss&atilde;o da f&eacute; e aqui na Madeira &eacute; fundamental porque estamos numa sociedade n&atilde;o s&oacute; pluricultural mas multicultural e religiosa pela circunst&acirc;ncia at&eacute; de um turismo que cria mobilidade e traz por aqui milhares e milhares de pessoas e a nossa gente est&aacute; constantemente em rela&ccedil;&atilde;o com outras ideias, costumes e perspetivas de vida. E, portanto, queremos pessoas que tenham os seus pr&oacute;prios crit&eacute;rios, que tenham a sua forma&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria porque hoje as pessoas t&ecirc;m de agir em termos religiosos numa linha de f&eacute;, como algu&eacute;m que tem raz&otilde;es da sua f&eacute; e da sua esperan&ccedil;a e cr&ecirc; conscientemente. N&atilde;o &eacute; uma raz&atilde;o de costumes somente, embora as tradi&ccedil;&otilde;es tenham muita for&ccedil;a e n&atilde;o deixem de ter de um momento para o outro, e &eacute; bom que as tradi&ccedil;&otilde;es continuem a aflorar valores e a ajud&aacute;-los at&eacute; a repensar. Sem d&uacute;vida nenhuma que queremos que cada um assuma conscientemente as suas pr&oacute;prias posi&ccedil;&otilde;es, o testemunho da sua f&eacute; porque s&oacute; isso &eacute; que se pode tornar positivo. N&atilde;o &eacute; por costume, n&atilde;o &eacute; por tradi&ccedil;&atilde;o mas &eacute; porque creio e assim o testemunho.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>&Eacute; uma educa&ccedil;&atilde;o na f&eacute; da pr&oacute;pria religiosidade popular?<\/em><\/p>\n<p> \tAC &ndash; Sem d&uacute;vida nenhuma que temos de partir daquilo que temos e esclarecer e enriquecer em termos de projeto de vida crist&atilde; o que nos chega como tradi&ccedil;&atilde;o. Existem tradi&ccedil;&otilde;es muito bonitas, que podem ser enriquecidas e temos responsabilidade de o fazer mas em toda a Igreja esta preocupa&ccedil;&atilde;o existe ou deve existir porque a tradi&ccedil;&atilde;o forma-se ao longo dos tempos, entra numa pr&aacute;tica que pode em algumas situa&ccedil;&otilde;es tornar-se rotineira, porque &eacute; o costume, &eacute; o que se faz, mas dar o sentido daquilo que se faz e porque &eacute; que se faz em termos pr&aacute;ticos e concretos das nossas tradi&ccedil;&otilde;es &eacute; fundamental. O esclarecimento, o aprofundamento e a transmiss&atilde;o da f&eacute; &eacute; exatamente nesta linha.<\/p>\n<p> \tDepois, &eacute; evidente que gostaria de chegar com muito empenho &agrave;s fam&iacute;lias para que possam qu&ecirc;s e possam apresentar como verdadeiras fam&iacute;lias crist&atilde;s dentro do projeto da Igreja. Portanto, unidos pelo sacramento do matrim&oacute;nio, com as gra&ccedil;as pr&oacute;prias desse sacramento e caminharem para a comunh&atilde;o de vidas ao servi&ccedil;o da vida mas ao servi&ccedil;o da felicidade das pr&oacute;prias pessoas. Eu costumo dizer que sobre a fam&iacute;lia muito j&aacute; est&aacute; escrito mas espero que muito mais se venha a escrever atrav&eacute;s do s&iacute;nodo dos bispos, em outubro.<\/p>\n<p> \tEm rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia n&oacute;s temos a preocupa&ccedil;&atilde;o de olhar a nossa realidade, do pa&iacute;s e a din&acirc;mica da Igreja universal, portanto existem princ&iacute;pios que assumimos, mas sem nos deligarmos do que s&atilde;o os dinamismos, seja um projeto da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa ou um projeto a partir do Papa.<\/p>\n<p> \tUma quest&atilde;o fundamental &eacute; a vertente social. N&oacute;s felizmente temos em grupos organizados, e n&atilde;o corresponde a toda a pastoral social porque existe muita atividade de presen&ccedil;a, de apoio, de caridade e servi&ccedil;o fraterno que s&oacute; Deus conhece porque as pessoas na sua simplicidade e descri&ccedil;&atilde;o v&atilde;o procurando fazer o bem a quem podem e h&aacute; muito bem que se faz e que n&atilde;o conhece mas Deus conhece. Em grupos organizados temos confer&ecirc;ncias vicentinas em mais de 50 por cento das par&oacute;quias e temos a C&aacute;ritas Diocesana procurando estar sobre as situa&ccedil;&otilde;es mais criticas, sobre as dificuldades maiores e numa situa&ccedil;&atilde;o de crise &eacute; um alerta e uma preocupa&ccedil;&atilde;o constante de ajudar, dentro de uma orienta&ccedil;&atilde;o, mas de aten&ccedil;&atilde;o e procurando caridade.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>A quest&atilde;o da solidariedade, da caridade &eacute; cada vez mais uma parte importante do plano pastoral da Igreja?<\/em><\/p>\n<p> \tD. Ant&oacute;nio Carrilho &ndash; &Eacute; uma consequ&ecirc;ncia necess&aacute;ria dos esp&iacute;rito crist&atilde;o que &eacute; esp&iacute;rito de fraternidade. S&atilde;o Tiago diz que &ldquo;a f&eacute; sem obras &eacute; morta, as obras da f&eacute; s&atilde;o as obras do amor, as obras da caridade&rdquo; e mais do que solidariedade gosto de dizer fraternidade para dar o sentido de comunh&atilde;o de irm&atilde;os que brota desta rela&ccedil;&atilde;o de filhos de Deus. N&atilde;o tiro nada &agrave; solidariedade apenas acrescento esta dimens&atilde;o de uma exig&ecirc;ncia de f&eacute; de quem cr&ecirc; realmente nesta rela&ccedil;&atilde;o filial com Deus e na rela&ccedil;&atilde;o fraterna com os outros.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida nenhuma que &eacute; uma exig&ecirc;ncia de sempre e numa exig&ecirc;ncia de crise, pode em certas situa&ccedil;&otilde;es tornar mais exigente e ser necess&aacute;rio uma resposta mais generosa, mais delicada, mais pronta, mais pr&oacute;xima. &Eacute; verdade mas &eacute; uma exig&ecirc;ncia de sempre porque &ldquo;a f&eacute; sem obras &eacute; morta&rdquo; e o amor, caridade tem de se traduzir na proximidade.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>De 17 a 20 de setembro vai realizar-se o congresso internacional &lsquo;Diocese do Funchal, a Primeira Diocese Global &ndash; Hist&oacute;ria, Cultura e Espiritualidades&rdquo;. Este evento inserido nas comemora&ccedil;&otilde;es dos 500 anos da cria&ccedil;&atilde;o da Diocese do Funchal vai ser um momento importante?<\/em><\/p>\n<p> \tD. Ant&oacute;nio Carrilho &#8211; A nossa programa&ccedil;&atilde;o teve um crescente em diversas &aacute;reas. O aspeto pastoral praticamente, ao longo destes tr&ecirc;s anos, em cada um tivemos um lema e um conjunto de objetivos que analisados levaram-nos a rever quase toda a a&ccedil;&atilde;o pastoral na nossa diocese e diante de um princ&iacute;pio que a par&oacute;quia deve fazer as suas op&ccedil;&otilde;es mediante as suas necessidades, os arciprestados devem tamb&eacute;m fazer as suas e a diocese tamb&eacute;m deve ter as suas organiza&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> \tAo longo de tr&ecirc;s anos caminhamos assim procurando tocar aspetos da liturgia, da religi&atilde;o, das manifesta&ccedil;&otilde;es e express&otilde;es cultuais mas tamb&eacute;m na linha dam cultura, do patrim&oacute;nio que s&atilde;o aspetos que nunca estiveram desligados e tudo foi convergindo para a hip&oacute;tese de um grande congresso porque queremos conhecer melhor a nossa realidade, queremos aprofundar esse conhecimento de um modo cient&iacute;fico numa linha muito aberta sem ocultar ou relevar aspetos. N&oacute;s queremos com simplicidade assumir as nossas realidades, aquilo que &eacute; o nosso passado, interpret&aacute;-lo no seu contexto, porque &eacute; extremamente importante que n&atilde;o se fa&ccedil;a com os olhos do presente porque interpretamos mal, num contexto desligado. Por isso conhecer a realidade, procurar aprofund&aacute;-la no seu contexto espec&iacute;fico, pr&oacute;prio, de ocasi&atilde;o e depois tentar ver atrav&eacute;s disso os dinamismos que presentes na identidade da nossa gente, como tamb&eacute;m nas exig&ecirc;ncias daquilo que o futuro apresenta.<\/p>\n<p> \tTem sido importante para a Igreja, e certamente que vamos profundar no congresso, verificar como a sementeira de valores humanos, dos valores da solidariedade e da fraternidade e outros valores evang&eacute;licos, forma moldando o perfil do homem e da mulher madeirenses. Quer queiramos, quer n&atilde;o queiramos, as marcas ficaram e foi dentro deste contexto que desenvolvendo toda uma a&ccedil;&atilde;o cultural queremos ao mesmo tempo verificar que os dinamismos que brotam do nosso passado se podem interpretar hoje, no seu significado mais aut&ecirc;ntico. Este trabalho implica muita pesquisa que n&atilde;o estar&aacute; ao alcance de todos faz&ecirc;-lo mas poderemos contar com muita gente apta, capaz para efetivamente o fazer.<\/p>\n<p> \tQueremos ir mais longe tanto na linha humanista, esta aposta na pessoa humana que marca a a&ccedil;&atilde;o da Igreja na nossa terra: Os hospitais que se fizeram, a resposta aos problemas da peste, a presen&ccedil;a junto de crian&ccedil;as, jovens e idosos. Tudo isso &eacute; evidentemente a aposta na pessoa mas n&atilde;o apenas nos aspetos humanos e sociais mas naquilo que &eacute; mais intimo e profundo em termos de aspira&ccedil;&otilde;es, em termos de projetos e h&aacute; princ&iacute;pios fundamentais que brotam do Evangelho e que penso que realmente abrem caminho a quer viver e ser feliz.<\/p>\n<p> \tJesus disse &ldquo;eu sou caminho verdade e a vida, quem vai por mim vai bem&rdquo;, e eu queria que pud&eacute;ssemos, aprofundando aquilo que somos, descobrindo mais profundamente dinamismo que nos podem relan&ccedil;ar ou lan&ccedil;ar para o futuro e depois abrir caminhos de felicidade para as pessoas.<\/p>\n<p> \tQue as pessoas sejam felizes com Deus e a Igreja possa ser um instrumento a que n&oacute;s nos comprometemos, o bispo como pastor e a Igreja toda com o bispo nesta comunh&atilde;o procurando servir amando.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>Celebrar 500 anos tamb&eacute;m &eacute; olhar o futuro. Quais s&atilde;o os grandes desafios para esta Igreja madeirense?<\/em><\/p>\n<p> \tD. Ant&oacute;nio Carrilho &#8211; Em termos de princ&iacute;pios, repito aqueles que nortearam &agrave; chegada. Quero contar com as pessoas e digo &agrave;s pessoas que contem comigo e esta ideia de corpo e comunh&atilde;o &eacute; fundamental como motor de qualquer a&ccedil;&atilde;o pastoral. O da autonomia e da coopera&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; fundamental. Depois, a corresponsabilidade e participa&ccedil;&atilde;o, o bispo n&atilde;o &eacute; tudo, nem as suas inst&acirc;ncias, nem os seus &oacute;rg&atilde;os s&atilde;o absolutos. Nesse sentido, queremos pensar naquilo que podemos pensar juntos, delinear juntos as respostas que t&ecirc;m de ser dadas e assumirmos conjuntamente, cada um com a sua parte, por isso &eacute; participa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tA continuidade e a criatividade pastoral s&atilde;o fundamentais. Eu n&atilde;o posso criar descontinuidade, eu tenho de saber de onde venho, o que tenho e para onde devo partir mas n&atilde;o posso parar diante de um passado ou de um presente, eu tenho de abrir os olhos e responder aquilo que s&atilde;o as novas quest&otilde;es, as exig&ecirc;ncias de um futuro. Nesse sentido, considero que dentro desta base n&atilde;o t&iacute;nhamos mais a fazer do que procurarmos generosamente discernir a realidade, para podermos prosseguir segundo as nossas responsabilidades.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>A entrevista, publicada no Seman&aacute;rio ECCLESIA, resulta de uma colabora&ccedil;&atilde;o entre o Centro de Literaturas e Culturas Lus&oacute;fonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (CLEPUL) e a ECCLESIA, que incluiu a produ&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de document&aacute;rios televisivos sobre os 500 anos da Diocese do Funchal.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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