{"id":688,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/politica-da-ue-para-a-migracao-nao-pode-ser-restritiva\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"politica-da-ue-para-a-migracao-nao-pode-ser-restritiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/politica-da-ue-para-a-migracao-nao-pode-ser-restritiva\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica da UE para a migra\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser restritiva"},"content":{"rendered":"<p>Felix Leinemann, respons\u00e1vel pelo grupo de trabalho sobre migra\u00e7\u00e3o da COMECE <!--more--> Os actuais problemas relacionados com a migra\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o escapam \u00e0 aten\u00e7\u00e3o da Igreja do continente. Felix Leinemann, o respons\u00e1vel pelo grupo de trabalho sobre migra\u00e7\u00e3o da COMECE, explicou \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA as principais preocupa\u00e7\u00f5es do momento actual: uma pol\u00edtica comum para a migra\u00e7\u00e3o e os refugiados, a reunifica\u00e7\u00e3o familiar e as situa\u00e7\u00f5es irregulares da imigra\u00e7\u00e3o.  Ag\u00eancia Ecclesia \u2013 Os problemas da imigra\u00e7\u00e3o na UE resolvem-se fechando os Estados \u00e0 chegada de novos imigrantes? Felix Leinemann \u2013 O que n\u00f3s advogamos, em primeiro lugar, \u00e9 que a imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno integrante do que \u00e9 ser homem e mulher, as pessoas sempre migraram, em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o negamos que se devem encontrar regras para regular estes fluxos, mas se olharmos para iniciativas como as que a Comiss\u00e3o Europeia tomou em 1999 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reunifica\u00e7\u00e3o familiar, que n\u00f3s pr\u00f3prios apoiamos por nos parecerem bastante progressivas, vemos que hoje ela j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 entendida como um direito: a prioridade foi dada ao controlo das fronteiras, \u00e0 pol\u00edtica comum de repatriamento dos imigrantes ilegais. Nesse sentido, sinto que desde os atentados de 11 de Setembro as pol\u00edticas t\u00eam vindo a tornar-se mais restritivas, lamentavelmente.  AE \u2013H\u00e1 desilus\u00e3o no seio das organiza\u00e7\u00f5es crist\u00e3s no que diz respeito \u00e0 harmoniza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica da UE sobre a migra\u00e7\u00e3o e os refugiados? FL \u2013 O processo para legislar sobre estas mat\u00e9rias \u00e9 complicado: a Comiss\u00e3o Europeia lan\u00e7a a proposta, o Conselho de Ministros da \u201cjusti\u00e7a e assuntos internos\u201d (justice and home affairs) decide e o Parlamento Europeu \u00e9 consultado. Ainda nestes dias tivemos a primeira Directiva da UE sobre os assuntos da migra\u00e7\u00e3o, mais especificamente sobre a reunifica\u00e7\u00e3o familiar, e ficou claro que os Estados-membros t\u00eam falhado na implementa\u00e7\u00e3o de uma base comum para a defesa dos direitos humanos neste processo de harmoniza\u00e7\u00e3o legislativa. J\u00e1 desde 1999 t\u00eam existido negocia\u00e7\u00f5es e propostas que est\u00e3o a ser discutidas e receamos que no contexto actual a legisla\u00e7\u00e3o europeia seja nivelada pelo m\u00ednimo indispens\u00e1vel. Esperamos que, ainda assim, alguns Estados da Uni\u00e3o adoptem o que n\u00f3s julgamos ser a melhor pol\u00edtica para estas \u00e1reas.  AE \u2013 Quais seriam, ent\u00e3o, as melhores pol\u00edticas para estas \u00e1reas? FL \u2013 Temos defendido uma solu\u00e7\u00e3o que tenha em conta todos os elementos do problema, a come\u00e7ar pelos pa\u00edses de origem dos migrantes e refugiados. A coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento dos pa\u00edses mais pobres seria, sem d\u00favida, a melhor aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o: as pessoas chegam at\u00e9 n\u00f3s porque v\u00eam em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, sejam elas refugiados ou imigrantes. O aspecto econ\u00f3mico n\u00e3o pode ser negligenciado: eles s\u00e3o pobres, vivem em condi\u00e7\u00f5es extremamente desfavor\u00e1veis e n\u00e3o podemos esquecer nunca esse facto. No que diz respeito ao acolhimento dos imigrantes, \u00e9 preciso ter muito claro que as leis sobre a imigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o um dado absoluto, mas um meio de nos aproximarmos da quest\u00e3o. Pensamos que em muitos pa\u00edses falta essa legisla\u00e7\u00e3o clara, mas sobretudo, falta um combate claro \u00e0s redes de tr\u00e1fico e prostitui\u00e7\u00e3o, que trazem consigo in\u00fameros problemas; j\u00e1 \u00e9 tempo de atacar as causas e n\u00e3o os efeitos dessas redes.  AE \u2013 Qual \u00e9 o papel da Igreja Cat\u00f3lica nestes campos da migra\u00e7\u00e3o e refugiados? FL \u2013 Eu n\u00e3o diria que a Igreja tem um papel, mas muitos pap\u00e9is a desempenhar nesta \u00e1rea. Em primeiro lugar, tornar claro que n\u00e3o se deve cultivar o \u201cmedo\u201d ao estrangeiro, mas que essas pessoas devem ser ajudadas. Depois, no contexto pol\u00edtico, \u00e9 importante dizer aos pol\u00edticos que devem olhar para al\u00e9m das suas fronteiras, que n\u00e3o podem ignorar os problemas dos outros. Finalmente, no contacto directo com os imigrantes e os refugiados, h\u00e1 uma enorme tarefa diante da Igreja Cat\u00f3lica, no sentido de receber essas pessoas e integr\u00e1-las na sociedade e no mundo do trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Felix Leinemann, respons\u00e1vel pelo grupo de trabalho sobre migra\u00e7\u00e3o da COMECE<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[189,291],"class_list":["post-688","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-direitos-humanos","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=688"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/688\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}