{"id":685,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/uma-breve-historia-do-rosario-da-virgem-maria\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"uma-breve-historia-do-rosario-da-virgem-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-breve-historia-do-rosario-da-virgem-maria\/","title":{"rendered":"Uma breve hist\u00f3ria do Ros\u00e1rio da Virgem Maria"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves &#8211; Professor UCP <!--more--> Uma breve hist\u00f3ria do Ros\u00e1rio da Virgem Maria O Papa Jo\u00e3o Paulo II decidiu celebrar as suas bodas de prata papais com uma ora\u00e7\u00e3o, o Ros\u00e1rio da Virgem Maria. Dado que \u00e9 apenas a quarta vez na Hist\u00f3ria que a Igreja celebra os 25 anos de um pontificado, (depois de S. Pedro, que foi Papa do ano 32 a 67, do beato Pio IX, Papa de 16 de Junho de 1846 a 7 de Fevereiro de 1878 e do seu sucessor Le\u00e3o XIII, Papa de 20 de Fevereiro de 1878 a 20 de Julho de 1903), esta decis\u00e3o tem grande relevo hist\u00f3rico e prof\u00e9tico.  1- O Nascimento do Ros\u00e1rio O Ros\u00e1rio \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o cuja origem se perde nos tempos. A tradi\u00e7\u00e3o diz que foi revelado a S. Domingos de Gusm\u00e3o (1170-1221), numa apari\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, quando ele se preparava para enfrentar a heresia albigense. Parece n\u00e3o haver muitas d\u00favidas de que o Ros\u00e1rio nasceu para resolver um problema importante dos novos frades mendicantes. De facto, os franciscanos e dominicanos estavam a introduzir um novo tipo de ordem religiosa no s\u00e9culo XII, em alternativa aos antigos monges, sobretudo Beneditinos e Agostinhos. Estes, nos seus mosteiros, rezavam todos os dias os 150 salmos do Salt\u00e9rio. Mas os mendicantes n\u00e3o o podiam fazer, n\u00e3o s\u00f3 por causa da sua pobreza e estilo de vida, mas tamb\u00e9m porque em grande parte eram analfabetos.  Assim nasceu, nos dominicanos, o Ros\u00e1rio, o \u201csalt\u00e9rio de Nossa Senhora\u201d, a \u201cB\u00edblia dos pobres\u201d, com 150 Av\u00e9-Marias. Um pouco mais tarde, em 1422, pelas mesmas raz\u00f5es, os franciscanos criaram a Coroa Ser\u00e1fica, uma ora\u00e7\u00e3o muito parecida, mas com estrutura ligeiramente diferente (tem sete mist\u00e9rios, em honra das sete alegrias da Virgem, os mist\u00e9rios Gozosos, trocando a Apresenta\u00e7\u00e3o no Templo pela Adora\u00e7\u00e3o dos Magos e os dois \u00faltimos Gloriosos, acrescentando mais duas Av\u00e9-Marias em honra dos 72 anos da vida de Nossa Senhora na Terra). Mas \u00e9 preciso dizer que, nessa altura, n\u00e3o havia ainda a Ave Maria. J\u00e1 desde o s\u00e9culo IV se usava a sauda\u00e7\u00e3o do arcanjo S. Gabriel (Lc 1, 28) como forma de ora\u00e7\u00e3o, mas s\u00f3 no s\u00e9culo VII ela aparece na liturgia da festa da Anuncia\u00e7\u00e3o como ant\u00edfona do Ofert\u00f3rio. No s\u00e9culo XII, precisamente com o Ros\u00e1rio, juntam-se as duas sauda\u00e7\u00f5es a Maria, a de S. Gabriel e a de S. Isabel (Lc 1, 42), tornando-se uma forma habitual de rezar. Em 1262 o Papa Urbano IV (papa de 1261-1264) acrescenta-lhes a palavra \u201cJesus\u201d no fim, criando assim a primeira parte da nossa Ave Maria.  S\u00f3 no s\u00e9culo XV se acrescenta a segunda parte de s\u00faplica, tirada de uma ant\u00edfona medieval. Esta f\u00f3rmula, que \u00e9 a actual, torna-se oficial com o Papa Pio V (1566-1572). Grande reformador no esp\u00edrito do conc\u00edlio de Trento (1545-1563), S. Pio V \u00e9 o respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o do Catecismo, Missal e Brevi\u00e1rio Romanos surgidos do Conc\u00edlio, que renovam toda a vida a Igreja. Foi precisamente no Brevi\u00e1rio Romano, em 1568, que aparece pela primeira vez na ora\u00e7\u00e3o oficial da Igreja a Av\u00e9-Maria.   2- A Batalha de Lepanto e a festa de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio O contributo de S. Pio V, um antigo dominicano, para a hist\u00f3ria do Ros\u00e1rio n\u00e3o se fica por aqui. O grande reformador criou tamb\u00e9m o \u00faltimo grande momento da antiga Cristandade, a unidade dos reinos crist\u00e3os \u00e0 volta do Papa. Os turcos otomanos, depois do cerco e queda de Constantinopla em 1453, o fim oficial da Idade M\u00e9dia, e das conquistas de Suleiman, o Magn\u00edfico (1494-1566, sult\u00e3o desde 1520), estavam \u00e0s portas da Europa. Dividida nas terr\u00edveis guerras entre cat\u00f3licos e protestantes, a velha Europa n\u00e3o estava em condi\u00e7\u00f5es de resistir. O perigo era enorme. Al\u00e9m de apelar \u00e0s na\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas para defender a Cristandade, o Papa estabeleceu que o Santo Ros\u00e1rio fosse rezado por todos os crist\u00e3os, pedindo a ajuda da M\u00e3e de Deus, nessa hora decisiva. Em resposta, houve um intenso movimento de ora\u00e7\u00e3o por toda a Europa. Finalmente, a 7 de Outubro de 1571 a frota ocidental, comandada por D. Jo\u00e3o de \u00c1ustria (1545-1578), teve uma retumbante vit\u00f3ria na batalha naval de Lepanto, ao largo da Gr\u00e9cia. Conta-se que nesse mesmo dia, a meio de uma reuni\u00e3o com os cardeais, o Papa levantou-se, abriu a janela e disse \u201cInterrompamos o nosso trabalho; a nossa grande tarefa neste momento \u00e9 a de agradecer a Deus pela vit\u00f3ria que ele acabou de dar ao ex\u00e9rcito crist\u00e3o\u201d. A amea\u00e7a fora vencida. Este foi o \u00faltimo grande feito da Cristandade. Mas o Papa sabia bem quem tinha ganho a batalha. Para louvar a Vitoriosa, ele instituiu a festa lit\u00fargica de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as a Nossa Senhora das Vit\u00f3rias no primeiro domingo de Outubro. Hoje ainda se celebra essa festa, com o nome de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, no memor\u00e1vel dia de 7 de Outubro.  3 &#8211; O ros\u00e1rio at\u00e9 Jo\u00e3o Paulo II A partir de ent\u00e3o, o Ros\u00e1rio aparece em m\u00faltiplos momentos da vida da Igreja. J\u00e1 no fresco do Ju\u00edzo Final, pintado por Miguel \u00c2ngelo (1475-1564) na Capela Sistina do Vaticano de 1536 a 1541, est\u00e3o representadas duas almas a serem puxada para o c\u00e9u por um Ter\u00e7o. S\u00e3o as almas de um africano e de um asi\u00e1tico, mostrando a universalidade mission\u00e1ria da ora\u00e7\u00e3o. A 12 de Outubro de 1717, foi retirada do rio Para\u00edba uma imagem de Nossa Senhora com um Ter\u00e7o ao pesco\u00e7o por tr\u00eas humildes pescadores, Domingos Martins Garcia, Jo\u00e3o Alves e Felipe Pedroso, em Guaratinguet\u00e1, S\u00e3o Paulo. Essa est\u00e1tua, de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o Aparecida, foi declarada em 1929 Rainha e Padroeira do Brasil.  A Imaculada Concei\u00e7\u00e3o rezou o Ter\u00e7o com Bernadette Soubirous (1844-1879) nas apari\u00e7\u00f5es de Lourdes em 1858. O Papa Le\u00e3o XIII, \u201cPapa do Ros\u00e1rio\u201d, como lhe chama a recente Carta Apost\u00f3lica do Papa (n.\u00ba 8) dedicou mais de 20 documentos s\u00f3 ao estudo desta ora\u00e7\u00e3o, incluindo 11 enc\u00edclicas.  Tamb\u00e9m o Beato B\u00e1rtolo Longo (1841-1926) \u00e9 um os grandes divulgadores do Ros\u00e1rio, como o refere a recente Carta Apost\u00f3lica (n.\u00ba 8, 15, 16, 36, 43). Antigo ateu, esp\u00edrita e sacerdote sat\u00e2nico, depois da sua convers\u00e3o viu na intercess\u00e3o de Nossa Senhora a sua \u00fanica hip\u00f3tese de salva\u00e7\u00e3o. Sendo advogado, em 1872 deslocou-se \u00e0 regi\u00e3o de Pompeia por motivos profissionais e ficou chocado com a pobreza, ignor\u00e2ncia, supersti\u00e7\u00e3o e imoralidade dos habitantes dos p\u00e2ntanos. Entregou-se a eles para o resto da vida. Arranjou um quadro da Senhora do Ros\u00e1rio, que fez v\u00e1rios milagres e criou em 1873 a festa anual do Ros\u00e1rio, com m\u00fasica, corridas, fogo de artif\u00edcio. Construiu uma igreja para essa imagem, que se veio a tornar no Santu\u00e1rio de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de Pompeia. Fundou uma congrega\u00e7\u00e3o de freiras dominicanas para educar os \u00f3rf\u00e3os da cidade, escreveu livros sobre o Ros\u00e1rio e divulgou a devo\u00e7\u00e3o dos \u00abQuinze S\u00e1bados\u00bb de medita\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios. Outro grande momento da divulga\u00e7\u00e3o do Ter\u00e7o \u00e9, sem d\u00favida, F\u00e1tima. \u201cRezar o Ter\u00e7o todos os dias\u201d \u00e9 a \u00fanica coisa que a Senhora referiu em todas as suas seis apari\u00e7\u00f5es. A frase repete-se sucessivamente, quase como uma ladainha, manifestando bem a sua urg\u00eancia e import\u00e2ncia. Na carta do Dr. Carlos de Azevedo Mendes, num dos primeiros documentos escritos sobre F\u00e1tima, afirma-se \u201cComo te disse examinei ou antes interroguei os tr\u00eas em separado. Todos dizem o mesmo sem a mais pequena altera\u00e7\u00e3o. A base principal que de tudo, o que me dizem, deduzi \u00e9 \u00abque a apari\u00e7\u00e3o quer que se espalhe a devo\u00e7\u00e3o do Ter\u00e7o\u00bb\u201d A hist\u00f3ria do Ros\u00e1rio n\u00e3o pode terminar sem referir um momento decisivo desta evolu\u00e7\u00e3o. A escolha do Papa Jo\u00e3o Paulo II de celebrar as suas bodas de prata pontif\u00edcias com o Ros\u00e1rio, acrescentando-lhe os cinco mist\u00e9rios luminosos, \u00e9 um marco importante na devo\u00e7\u00e3o. Mas a liga\u00e7\u00e3o do Papa a esta ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de hoje, como ele mesmo diz na Carta: \u201cVinte e quatro anos atr\u00e1s, no dia 29 de Outubro de 1978, apenas duas semanas depois da minha elei\u00e7\u00e3o para a S\u00e9 de Pedro, quase numa confid\u00eancia, assim me exprimia: \u00abO Ros\u00e1rio \u00e9 a minha ora\u00e7\u00e3o predilecta. Ora\u00e7\u00e3o maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade.\u00bb\u201d(n.\u00ba 2) Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves Professor UCP   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves &#8211; Professor UCP<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[122,190,203,207,213,231,237,246,316,321],"class_list":["post-685","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-brasil","tag-dominicanos","tag-europa","tag-fatima","tag-franciscanos","tag-imaculada-conceicao","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-terco","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/685","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=685"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/685\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=685"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=685"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}