{"id":68330,"date":"2014-08-01T16:39:00","date_gmt":"2014-08-01T16:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/08\/01\/mais-cansado-que-nunca\/"},"modified":"2014-08-01T16:39:00","modified_gmt":"2014-08-01T16:39:00","slug":"mais-cansado-que-nunca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mais-cansado-que-nunca\/","title":{"rendered":"Mais cansado que nunca"},"content":{"rendered":"<p>Editorial &#8211; Jo\u00e3o Aguiar Campos <!--more--> <\/p>\n<p> \tApresso-me a prevenir os leitores: n&atilde;o vou escrever sobre des&acirc;nimo, descren&ccedil;a ou abulia. N&atilde;o o quero fazer, embora pudesse encontrar pretextos nas dificuldades di&aacute;rias. O t&iacute;tulo destas linhas quer ser uma simples preven&ccedil;&atilde;o, a pensar nas f&eacute;rias. N&atilde;o &eacute;, de facto, t&atilde;o raro quanto isso que, ao fim de uns dias ou semanas ausentes do trabalho, regressemos &agrave;s ocupa&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias mais cansados que no momento em que as suspendemos. J&aacute; um velho professor meu &ndash; o c&oacute;nego Arlindo Ribeiro da Cunha &ndash; nos dizia, aos jovens seminaristas, &agrave; segunda-feira: &ldquo;Depois de um domingo ou feriado nunca se deveria trabalhar. &Eacute; que a gente tamb&eacute;m precisa de descanso!&#8230;&quot;<\/p>\n<p> \tImporta, pois, estar de sobreaviso contra esta eventualidade.<\/p>\n<p> \tEu pr&oacute;prio &ndash; que j&aacute; tive a ousadia de me auto propor para o rol dos sensatos &ndash; tenho de confessar que isso me aconteceu: acampei, entrei no comboio &agrave; noite e saltei dele na madrugada; carreguei mochilas pesadas e carteira vazia; comi em andamento e bebi nas fontes; coleccionei postais e tentativas de entrar de borla em museus e espect&aacute;culos; espreitei noitadas e contei as horas rabujando no saco cama que n&atilde;o amaciava o ch&atilde;o das esta&ccedil;&otilde;es&hellip;<\/p>\n<p> \tGanhei alguma coisa com isso? Ganhei bastante. Mas tamb&eacute;m perdi muito: a sofreguid&atilde;o nem sempre me deixou saborear; os roteiros alguma vez me distra&iacute;ram da verdade que estava mesmo diante dos olhos; a foto r&aacute;pida frequentemente me criou a ilus&atilde;o de que tinha visto a s&eacute;rio o que, afinal, apenas fotografara. Mas, sobretudo, por diversas ocasi&otilde;es me aconteceu o que acima apontei: voltei ao trabalho mais cansado que nunca e &ndash; o que agora me parece mais penalizador &#8212; com uma subtil ou inc&oacute;moda sensa&ccedil;&atilde;o de desperd&iacute;cio.<\/p>\n<p> \tHoje gostaria, por isso, de poder regressar a muitos s&iacute;tios, para pedir desculpa de ali haver passado a correr. Gostaria de sentar-me em muitas catedrais, igrejas, galerias de arte &#8212; ou mesmo esplanadas &#8212; sem a sofreguid&atilde;o de estar noutro lugar no minuto seguinte. Realmente, nem tudo tem a paci&ecirc;ncia do livro que nos espera ap&oacute;s cada abandono, passem-se escassas horas ou um m&ecirc;s de poisio&hellip;<\/p>\n<p> \tSim, hoje reconhe&ccedil;o que h&aacute; instantes que poderiam ser profundos ou continuados se n&atilde;o me tivesse resignado &agrave; sua aparente instantaneidade.<\/p>\n<p> \tAs f&eacute;rias que alguns de n&oacute;s (ainda) podem ter n&atilde;o s&atilde;o uma esp&eacute;cie de &ldquo;dinheirinho extra&rdquo; que nos veio de uma surpresa e, por isso, &eacute; tentadoramente aceit&aacute;vel gastar levianamente. Mais que um tempo extra, as f&eacute;rias podem\/devem ser um tempo extraordin&aacute;rio. S&ecirc;-lo-&atilde;o, por&eacute;m, apenas se nos proporcionarem a oportunidade para o essencial. &nbsp;<\/p>\n<p> \tMas como defini-lo? &ndash; perguntam.<\/p>\n<p> \tNuma resposta simples, entendo que na lista do &ldquo;essencial&rdquo; podemos inscrever grande parte das coisas que sempre dizemos n&atilde;o fazer &ldquo;com muita pena&rdquo;, por &ldquo;falta de tempo&rdquo;. H&aacute;, de facto, desculpas mais frequentes que estas: &ldquo;N&atilde;o tive tempo&rdquo;, &ldquo;n&atilde;o tenho tempo&rdquo;, &ldquo;n&atilde;o sei se terei tempo&rdquo;?.. Apresentamo-las aos amigos e &agrave; fam&iacute;lia; apresent&aacute;mo-las a Deus e a n&oacute;s mesmos. E o pior &eacute; que o fazemos com grande convic&ccedil;&atilde;o, t&atilde;o habituados que estamos a gerir mal e a n&atilde;o joeirar, quantas vezes imersos em contradi&ccedil;&otilde;es: n&atilde;o tempos tempo e desbaratamo-lo; n&atilde;o temos sa&uacute;de e descuidamo-la; cansamo-nos a descansar&hellip;<\/p>\n<p> \tJo&atilde;o Aguiar Campos<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editorial &#8211; Jo\u00e3o Aguiar Campos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[182],"class_list":["post-68330","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-diocese-de-viana-do-castelo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68330","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68330"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68330\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}