{"id":68299,"date":"2014-07-29T13:22:00","date_gmt":"2014-07-29T13:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/07\/29\/entre-a-serra-e-o-mar\/"},"modified":"2014-07-29T13:22:00","modified_gmt":"2014-07-29T13:22:00","slug":"entre-a-serra-e-o-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entre-a-serra-e-o-mar\/","title":{"rendered":"Entre a serra e o mar"},"content":{"rendered":"<p>D. Manuel Quintas \u00e9 bispo da Diocese do Algarve deste 2004. Evangelizar e criar respostas sociais e pastorais que respondam \u00e0s necessidades de quem permanece e de quem passa pelo sul de Portugal \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o da Diocese. <!--more--> <\/p>\n<p> \t<em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia (AE) &ndash; D. Manuel Quintas est&aacute; a completar 10 anos de presen&ccedil;a no Algarve, &agrave; frente desta diocese. Que balan&ccedil;o faz?<\/em><\/p>\n<p> \tD. Manuel Quintas (MQ) &ndash; Foram 10 anos muito desafiantes e estimulantes. Desafiantes porque quem tem na Igreja a voca&ccedil;&atilde;o e a miss&atilde;o de anunciar o Evangelho e testemunhar Cristo, cada dia, &eacute; sempre vivido como um desafio de anunciar sem cessar a pessoa de Cristo e o Evangelho; e estimulantes pelo testemunho, quer dos padres quer dos leigos mais comprometidos e envolvidos &#8211; e s&atilde;o tantos felizmente &ndash; constituem a for&ccedil;a, o est&iacute;mulo que o bispo recebe para realizar a sua miss&atilde;o.<\/p>\n<p> \tForam 10 anos bonitos, posso dizer assim, muito preenchidos, muito cheios.<\/p>\n<p> \t&Eacute; curioso que quando saiu a minha nomea&ccedil;&atilde;o para o Algarve, no ano 2000 (primeiro estive como bispo auxiliar quatro anos de D. Manuel, l&aacute; na minha aldeia, no nordeste transmontano, a primeira vez que fui l&aacute; disseram-me: &ldquo;Para o Algarve, que bom, vais passar sempre o tempo em f&eacute;rias. Vais ter f&eacute;rias sempre.&rdquo; Porque l&aacute; a ideia que se faz, no norte, quando se fala em Algarve &eacute; f&eacute;rias. Portanto, o bispo vem para c&aacute; em f&eacute;rias.<\/p>\n<p> \tFoi um tempo muito gratificante, um tempo muito preenchido, como eu dizia, tamb&eacute;m com algum tempo de repouso necessariamente mas foi muito preenchido, muito gratificante.<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Quais s&atilde;o os desafios que identifica no exerc&iacute;cio do seu Minist&eacute;rio?<\/em><\/p>\n<p> \tMQ &ndash; O desafio primeiro &eacute; sempre o an&uacute;ncio do Evangelho.<\/p>\n<p> \tEu nunca tive a curiosidade de ir ver a raz&atilde;o porque &eacute; que foi fundada a &ldquo;Folha de Domingo&rdquo; (jornal da diocese), ver o primeiro editorial. E fui nestes dias, para ver o que &eacute; que estaria na origem disso e o primeiro editorial certamente dizia isso. E fiquei muito feliz quando vi l&aacute; que a raz&atilde;o e a motiva&ccedil;&atilde;o primeira foi precisamente o an&uacute;ncio do Evangelho, a realiza&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o da Igreja que &eacute; de sempre, que &eacute; de cada dia, &eacute; de cada crist&atilde;o. E esse &eacute; o desafio nos dias de hoje.<\/p>\n<p> \tNo atual quinqu&eacute;nio de atividade e a&ccedil;&atilde;o pastoral n&oacute;s fomos inspirados pelo &ldquo;ide e anunciai o Evangelho&rdquo;. Esse apelo de Cristo, esse mandato de Cristo &eacute; sempre atual, nunca passa. E o Papa Paulo VI sintetizou muito bem a miss&atilde;o da Igreja quando disse que a Igreja existe para evangelizar e &eacute; essa a sua raz&atilde;o de ser, faz parte da sua identidade mais profunda, como dizemos n&oacute;s hoje, do seu ADN. Ao dizermos a Igreja, dizemos cada crist&atilde;o, cada batizado e naturalmente cada bispo, cada diocese, cada Igreja diocesana.<\/p>\n<p> \t&ldquo;Ide e anunciai o Evangelho&rdquo; &eacute; um mandato renovado. Queremos por todos os nossos crist&atilde;os em movimento, em a&ccedil;&atilde;o. E este &eacute; o apelo do Papa Francisco quando ele &#8211; e muito bem &#8211; diz na sua exorta&ccedil;&atilde;o &ldquo;n&atilde;o deixemos que nos roubem o sonho mission&aacute;rio&rdquo;. Porque, de facto, no dia que a Igreja deixar de ser mission&aacute;ria deixa de ser Igreja.<\/p>\n<p> \tO segundo desafio &eacute; a dificuldade em adequar a nossa vida de todos os dias, a vida pessoal, a vida familiar, a vida profissional, aos valores do Evangelho. Ou seja, situa-se no &ldquo;div&oacute;rcio&rdquo; entre a f&eacute; e a vida.<\/p>\n<p> \tSabemos que isto &eacute; um percurso de toda a vida e de cada dia. A dificuldade de adequar a f&eacute; que professamos &agrave; vida que vivemos, iluminar a vida com a f&eacute; e vice-versa &eacute; um desafio envolvente e englobante.<\/p>\n<p> \tE por outro lado, refiro o esfor&ccedil;o que todos estamos a fazer, n&atilde;o &eacute; apenas o bispo, os padres e todos os crist&atilde;os, para que uma dimens&atilde;o social seja mais concretizada, seja mais vis&iacute;vel e esteja presente em tudo o que n&oacute;s somos, como Igreja. Porque se desligarmos a nossa vida eclesial, mesmo as celebra&ccedil;&otilde;es, da dimens&atilde;o social, da dimens&atilde;o da caridade, fica tudo no vazio, nos bons desejos. E n&atilde;o realizamos verdadeiramente a nossa miss&atilde;o, nem nos sentimos satisfeitos.<\/p>\n<p> \tComo &eacute; que nos podemos sentir satisfeitos quando vemos situa&ccedil;&otilde;es gritantes de pessoas que passam necessidade, que se debatem com as consequ&ecirc;ncias das situa&ccedil;&otilde;es que vivemos que tarda em passar?<\/p>\n<p> \tQueremos e pretendemos que esta dimens&atilde;o social esteja presente tamb&eacute;m nas nossas comunidades crist&atilde;s.<\/p>\n<p> \t&Eacute; um &ldquo;trip&eacute;&rdquo;: a dimens&atilde;o do an&uacute;ncio do Evangelho, que &eacute; a dimens&atilde;o prof&eacute;tica, em que os catequistas s&atilde;o a linha avan&ccedil;ada; a dimens&atilde;o celebrativa, ligar a f&eacute; celebrada &agrave; f&eacute; professada, &agrave; vida; e a dimens&atilde;o da caridade, a dimens&atilde;o socio caritativa que &eacute; o outro p&eacute;, que &eacute; essencial para que a Igreja esteja toda presente, em todas as suas dimens&otilde;es, naquilo que somos, naquilo que fazemos, naquilo que realizamos.<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O Algarve sente o agravar da crise e a necessidade de prestar mais e melhores respostas sociais?<\/em><\/p>\n<p> \tMQ &ndash; H&aacute; acerca de tr&ecirc;s anos iniciamos anualmente dois encontros com todos os centros paroquiais. E temos reunido sempre em diferentes centros sociais e paroquiais, permitindo um conhecimento rec&iacute;proco. Verificamos que havia algum distanciamento entre aquilo que &eacute; a raz&atilde;o de ser dos centros paroquiais, a raz&atilde;o porque a par&oacute;quia se uniu para construir um centro social e paroquial e aquilo que estava a ser a pr&aacute;tica ou a integra&ccedil;&atilde;o nessa resposta pelos seus funcion&aacute;rios.<\/p>\n<p> \tUm centro social e paroquial &eacute; constru&iacute;do &eacute; para responder a uma necessidade. N&atilde;o &eacute; um investimento de capital que se faz, antes pelo contr&aacute;rio. Diante da necessidade de suprir uma falha na comunidade, os paroquianos uniram-se e levaram para a frente a constru&ccedil;&atilde;o de um centro social e paroquial, seja para as crian&ccedil;as ou para os idos, tamb&eacute;m centros de dia.<\/p>\n<p> \tO centro social e paroquial &eacute; tamb&eacute;m um lugar privilegiado para propor o an&uacute;ncio do Evangelho. &Eacute; essa a miss&atilde;o da Igreja! E estava a haver algum &ldquo;div&oacute;rcio&rdquo; , penso que por falta de integra&ccedil;&atilde;o e apoio.<\/p>\n<p> \tTemos verificado, ao longo destes encontros, que existe uma recupera&ccedil;&atilde;o at&eacute; da alegria de servir num centro social e paroquial. Mesmo as pessoas t&eacute;cnicas, &nbsp;que a n&iacute;vel profissional n&atilde;o temos nada a apontar, mas faltava alguma coisa. Estes encontros t&ecirc;m dado outro rosto aos centros sociais e paroquiais. Ach&aacute;vamos que pod&iacute;amos interromper, mas disseram-nos para fazer pelo menos um encontro por ano.<\/p>\n<p> \tN&oacute;s n&atilde;o trabalhamos sozinhos, a este n&iacute;vel. H&aacute; tantas institui&ccedil;&otilde;es de solidariedade social que n&atilde;o est&atilde;o ligadas &agrave; Igreja e com as quais n&oacute;s trabalhamos em parceria, apoiando-nos mutuamente, conversando, servindo uns num dia da semana, outros noutra (por exemplo refeit&oacute;rios sociais ou cantinas sociais, mesmo aqui em Faro est&atilde;o divididos &#8211; Miseric&oacute;rdia, C&aacute;ritas, S&atilde;o Pedro, a ordem terceira Franciscana). Isto significa que apoiando-nos mutuamente, dividindo e distribuindo at&eacute; o servi&ccedil;o por todos torna-se mais f&aacute;cil corresponder &agrave;s necessidades e ir ao encontro das necessidades.<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Nota que neste momento os casos ainda continuam a acorrer de forma gritante e com grande intensidade?<\/em><\/p>\n<p> \tMQ &ndash; Sim. Mas parece-me que j&aacute; n&atilde;o surgem com aquela prem&ecirc;ncia, com aquela urg&ecirc;ncia de outra altura. Este servi&ccedil;o, no entanto, continua a ser necess&aacute;rio. Se n&oacute;s deix&aacute;ssemos de realizar este servi&ccedil;o, que realizamos tamb&eacute;m com apoios que no v&ecirc;m da Seguran&ccedil;a Social, por exemplo as cantinas sociais, seria muito mau para muita gente. N&atilde;o podemos de maneira nenhuma deixar de prestar esse servi&ccedil;o.<\/p>\n<p> \t&Eacute; evidente que isto &eacute; a caridade organizada, a solidariedade organizada que &eacute; apenas um aspeto. Muito maior e mais significativo &eacute; aquilo que cada um deve e pode fazer dentro dos eu pequeno meio atendendo &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es de vizinhan&ccedil;a, atendendo a situa&ccedil;&otilde;es conhecidas, no seu dia-a-dia, porque as institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o podem substituir aquilo que compete a cada um e aquilo que diz respeito a cada um.<\/p>\n<p> \tA dimens&atilde;o da caridade &eacute; algo que compete a cada crist&atilde;o, a cada batizado. Existem as institui&ccedil;&otilde;es de maneira organizada e estruturada que atendem situa&ccedil;&otilde;es em que um s&oacute; seria muito dif&iacute;cil. Mas isso tamb&eacute;m s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com a ajuda de tantos volunt&aacute;rios. Sobretudo nos refeit&oacute;rios sociais, tudo funciona com o voluntariado. &Eacute; uma maneira tamb&eacute;m das pessoas simples, individualmente, por vezes de maneira an&oacute;nima reponderem e corresponderem &agrave;quilo que &eacute; a miss&atilde;o de cada um e &agrave;quilo que &eacute; a miss&atilde;o da Igreja de maneira particular.<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Nesta ocasi&atilde;o assinalaram-se tamb&eacute;m os 100 anos da Folha de Domingo. Que desafios o jornal enfrente quando a imprensa escrita vive o dilema entre o digital e o papel?<\/em><\/p>\n<p> \tMQ &#8211; Eu penso que a Folha de Domingo constituiu e continua a constituir um instrumento muito v&aacute;lido, ainda nos dias de hoje. &Eacute; evidente que tivemos de nos adequar aquilo que &eacute; a evolu&ccedil;&atilde;o dos tempos, a n&iacute;vel dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social: deixou de ser seman&aacute;rio para ser quinzen&aacute;rio, sabendo que h&aacute; uma edi&ccedil;&atilde;o online que est&aacute; constantemente a ser atualizada e o envio de newsletter para aqueles que est&atilde;o inscritos.<\/p>\n<p> \tQuando sai a Folha de Domingo n&atilde;o preciso de a ler porque j&aacute; a li toda antes, j&aacute; tive oportunidade de a consultar, de receber toda a informa&ccedil;&atilde;o, de maneira que eu passo as p&aacute;ginas mais para confirmar ou ver se h&aacute; algo de novo, alguma coisa que tenha surgido ou ent&atilde;o releio algum artigo ou algum tema mais em pormenor. E isto &eacute; muito bom porque assim conseguimos seja satisfazer aqueles que ainda est&atilde;o ligados ao papel, e s&atilde;o tantos, e &eacute; sobretudo para esses e por causa desses que existe ainda a edi&ccedil;&atilde;o escrita. N&atilde;o sei at&eacute; quando vamos conseguir porque n&atilde;o h&aacute;, no meu entender, nenhum jornal parecido com o nosso diocesano que seja rent&aacute;vel ou que se baste a si mesmo. Temos que investir nele tal como investimos em tantas outras coisas, sabendo que n&atilde;o tiramos dai proveito econ&oacute;mico. &Eacute; um investimento a fundo perdido, mas &eacute; a pr&oacute;pria diocese, s&atilde;o os pr&oacute;prios crist&atilde;os da diocese que patrocinam o jornal. Sem eles n&atilde;o conseguir&iacute;amos porque a Folha de Domingo n&atilde;o &eacute; rent&aacute;vel. E conseguimos satisfazer tamb&eacute;m aqueles que, j&aacute; n&atilde;o precisando da edi&ccedil;&atilde;o escrita, est&atilde;o ligados &agrave; internet e podem consultar a edi&ccedil;&atilde;o online com muita frequ&ecirc;ncia e receber tamb&eacute;m as diversas informa&ccedil;&otilde;es que traz, de &acirc;mbito religiosos, regional e nacional . Penso que conseguimos, com muito e merit&oacute;rio esfor&ccedil;o de quem est&aacute; &agrave; frente, tanto da Folha de Domingo como da edi&ccedil;&atilde;o online, corresponder e usufruir: Corresponder &agrave;s necessidades de informa&ccedil;&atilde;o e usufruir das novas tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m.<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Foi apresentado o novo rosto da diocese na internet. &Eacute; uma presen&ccedil;a que n&atilde;o &eacute; descurada e &eacute; trabalhada continuamente, refor&ccedil;ando em termos de conte&uacute;dos e a n&iacute;vel visual. Que import&acirc;ncia tem essa presen&ccedil;a?<\/em><\/p>\n<p> \tMQ &ndash; Para quem consulta a internet sabe que &eacute; importante um visual novo. &Eacute; como n&oacute;s andarmos vestidos todos os dias com a mesma roupa ou encontrarmos algu&eacute;m que traz todos os dias a mesma roupa. Sabemos que &eacute; apenas a aparecia exterior. Mas a apar&ecirc;ncia exterior do site &eacute; muito significativa porque o primeiro contacto pode ser atrativo, pode ser um chamariz para depois chegar aos conte&uacute;dos, chegar &agrave; informa&ccedil;&atilde;o que procura a todos os n&iacute;veos. E de facto eu fiquei muito agradado com a not&iacute;cia que iam apresentar o novo rosto para o site da diocese, embora agora a informa&ccedil;&atilde;o passa muito pelas redes sociais, mesmo que nem todos tenham essa predisposi&ccedil;&atilde;o para as consultar. &Eacute; preciso servir em todos os meios&hellip; O importante &eacute; que a informa&ccedil;&atilde;o chegue a todos de acordo com a vontade de cada um, com o gosto de cada um, com a apet&ecirc;ncia de cada um.<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; N&atilde;o se pode falar do Algarve sem falar do turismo, dos muitos que visitam esta regi&atilde;o. A diocese tem uma pastoral pr&oacute;pria que recomenda algumas linhas orientadoras &agrave;s comunidades crist&atilde;s na dimens&atilde;o do turismo?<\/em><\/p>\n<p> \tMQ &ndash; Quando falamos em turismo e em Algarve sentimo-nos sempre pequeninos!<\/p>\n<p> \tDiante de &ndash; felizmente &#8211; tanta gente que procura o Algarve para descansar, repousar, retemperar as for&ccedil;as f&iacute;sicas, an&iacute;micas, espirituais a todos os n&iacute;veis e ficamos muito felizes! Eu pr&oacute;prio fa&ccedil;o refer&ecirc;ncias, nas eucaristias que celebro nas par&oacute;quias, a todos aqueles que ali se encontram vindos de todos os lados. Primeiro manifesto alegria de os acolher, que eles se sintam bem como nas suas comunidades paroquias. E o apelo que eu fa&ccedil;o &eacute; que eles se sintam n&atilde;o apenas a usufruir da celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia mas que deem tamb&eacute;m o seu contributo, aqueles que s&atilde;o leitores, aqueles que at&eacute; cantam num grupo coral. E &eacute; muito gratificante passar pelo que verifiquei h&aacute; dias em Quarteira: fui l&aacute; e era um grupo coral de Lisboa que estava a cantar na Eucaristia que eu presidi. Foi uma maravilha! O Grupo Coral do Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus cantava, as pessoas de Quarteira tamb&eacute;m ficaram agradados e sensibilizados por terem algu&eacute;m que veio &agrave; Eucaristia e tal como na Eucaristia da sua par&oacute;quia ali cantou.<\/p>\n<p> \tEstive tamb&eacute;m noutra Eucaristia onde um grupo de jovens de uma par&oacute;quia de Lisboa e animaram a Eucaristia, com violas, que at&eacute; nem era celebrada numa igreja, mas sal&atilde;o grande. Ali n&atilde;o h&aacute; igreja, em Vale do Lobo. E fiquei muito agradado! Como &eacute; bom para n&oacute;s sentirmo-nos enriquecidos n&atilde;o apenas com a presen&ccedil;a f&iacute;sica e a participa&ccedil;&atilde;o nas eucaristias, mas com o contributo que eles podem dar, tal como d&atilde;o nas suas par&oacute;quias.<\/p>\n<p> \tEste acolhimento, tamb&eacute;m a este n&iacute;vel, &eacute; muito importante e &eacute; a primeira recomenda&ccedil;&atilde;o que fazemos para quem vem e &eacute; a primeira coisa que espera e deseja de n&oacute;s.<\/p>\n<p> \tPromover alguma iniciativa a n&iacute;vel de lazer, &eacute; bem-vindo e &eacute; acolhido. Se for alguma confer&ecirc;ncia ou encontro, j&aacute; &eacute; mais dif&iacute;cil porque as pessoas v&ecirc;m de f&eacute;rias, para repousar, para viver com os amigos, com os conhecidos ou com quem encontram. Participar em algum evento cultural ou musical &eacute; poss&iacute;vel e, por isso, vamos promovendo sobre tudo na S&eacute;, em Faro h&aacute; sempre um concerto, um grupo coral. &Eacute; uma iniciativa bem acolhida porque as pessoas v&ecirc;m para a Eucaristia e depois ficam para o concerto que houver, o que houver a n&iacute;vel cultural.<\/p>\n<p> \tTamb&eacute; temos ido ao encontro dos pedidos que nos t&ecirc;m feito de celebrarmos as eucaristias &agrave; noite, seja ao s&aacute;bado seja ao domingo. E noite adiantada, &agrave;s 21h30, 22h00 nalguns casos. O tempo est&aacute; mais fresco e as pessoas n&atilde;o perdem uma parte do dia para irem &agrave; Eucaristia, a n&iacute;vel de praia e descanso, usufruem do dia todo, do domingo todo e depois, &agrave; noite vai &agrave; Eucaristia com a fam&iacute;lia, j&aacute; num ambiente de descanso.<\/p>\n<p> \t&Eacute; evidente que ter&iacute;amos muitos outros projetos a realizar, mas sentimo-nos muito pequeninos diante de tanta necessidade ou de tanto que seria bom propor, mas n&atilde;o temos capacidade para isso.<\/p>\n<p> \tFelizmente temos muitos padres que nos ajudam porque o n&uacute;mero de missas aumenta no ver&atilde;o. Claro que os padres algarvios tamb&eacute;m precisavam de ir a f&eacute;rias (eu digo tirem f&eacute;rias noutra altura, noutro do m&ecirc;s do ano, ou 15 dias num lado e 15 no noutro, em que haja menos apelos a n&iacute;vel diocesano e n&iacute;vel paroquial). No ver&atilde;o &eacute; muito dif&iacute;cil para um padre algarvio ausentar-se da par&oacute;quia exatamente porque aumenta o n&uacute;mero de missas e os pedidos para confiss&otilde;es. H&aacute; padres que v&ecirc;m passar f&eacute;rias e s&atilde;o tantos felizmente e nos ajudam tamb&eacute;m na celebra&ccedil;&atilde;o da eucaristia dominical.<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Vai sendo tamb&eacute;m importante o colocar determinadas partes da Eucaristia noutras l&iacute;nguas, o ingl&ecirc;s, o franc&ecirc;s, no sentido tamb&eacute;m de integrar mais aqueles que n&atilde;o falam a nossa l&iacute;ngua?<\/em><\/p>\n<p> \tMQ &ndash; Sim. Sobretudo nalgumas igrejas do litoral h&aacute; missas em ingl&ecirc;s. H&aacute; partes da missa em ingl&ecirc;s e nomeadamente os padres mais novos v&atilde;o tendo j&aacute; a capacidade de resposta a esse n&iacute;vel.<\/p>\n<p> \tO ingl&ecirc;s tamb&eacute;m &eacute; muito utilizado em muitos casamentos. Seguramente que o Algarve &eacute; a diocese de Portugal em que h&aacute; mais casamentos estrangeiros, s&atilde;o muitos mesmo, creio que mais de cem por ano. E s&atilde;o sobretudo esses padres mais jovens que aproveitam esse tempo n&atilde;o apenas para celebrar o sacramento em si mesmo mas tamb&eacute;m para anunciar o Evangelho, partilhar a f&eacute;, celebrar com aqueles que chegam. &Eacute; um setor que procuramos desenvolver sempre mais no sentido responder, integrar aqueles que, sendo de outras l&iacute;nguas, outras culturas desejam e precisam de celebrar a Eucaristia e celebrar connosco tamb&eacute;m.<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O Algarve tem sempre tamb&eacute;m esta dualidade, o litoral e a serra, o interior onde est&atilde;o muitos idosos. H&aacute; tamb&eacute;m muitas institui&ccedil;&otilde;es, nomeadamente da Igreja a trabalhar na integra&ccedil;&atilde;o, no acompanhamento destas pessoas mais idosas e desapoiadas?<\/em><\/p>\n<p> \tMQ &ndash; Eu penso que a Igreja, mesmo que fechem tantas outas institui&ccedil;&otilde;es, estou a pensar sobretudo nas escolas, a Igreja mant&eacute;m-se! Mesmo que n&atilde;o tenha a vitalidade de outros tempos porque faltam as crian&ccedil;as e faltam os jovens.<\/p>\n<p> \tJ&aacute; visitei duas vezes a diocese toda e tamb&eacute;m a serra algarvia onde andei o ano passado, no concelho de Alcoutim. E a&iacute;, se antes as pessoas vinham &agrave; igreja ou &agrave;s escolas prim&aacute;rias transformadas em capelas a seu pedido e por acordo com a c&acirc;mara municipal, nalguns lugares devido &agrave; redu&ccedil;&atilde;o das pessoas e aumento da idade dizem ao padre que j&aacute; conseguem ir l&aacute;.<\/p>\n<p> \tAgora j&aacute; n&atilde;o conseguem! E os padres dizem: &ldquo;E ent&atilde;o se n&oacute;s formos &agrave;s vossas casas&rdquo;? &ldquo;Venham, venham&rdquo;, dizem. Os padres re&uacute;nem.se ent&atilde;o na casa deste, depois daquele. E muitas vezes &eacute; assim, sobretudo nos montes. As pessoas juntam-se na casa de um e &eacute; ali que celebram a Eucaristia ou escutam Palavra. Temos de atender tamb&eacute;m a essa limita&ccedil;&atilde;o mas pelo menos as pessoas sabem que h&aacute; algu&eacute;m que os visita, que est&aacute; com eles, que at&eacute; reza com eles. Agora n&atilde;o &eacute; na igreja nem sequer na que foi escola prim&aacute;ria, mas na casa de cada um.<\/p>\n<p> \tQuando fecha uma escola numa freguesia da serra algarvia significa o princ&iacute;pio do fim. Depois os correios mais pr&oacute;ximos tamb&eacute;m fecharam, agora s&atilde;o os centros de sa&uacute;de que est&atilde;o l&aacute; longe&hellip; Quando sabem que o padre vai l&aacute;, passa por l&aacute;, se n&atilde;o &eacute; todos os domingos &eacute; cada quinze dias, mesmo durante a semana, est&aacute; com eles, fala com eles, re&uacute;ne-se nas casas deles, isso &eacute; para eles sinal de contorto, de vencer a solid&atilde;o. E de uma esperan&ccedil;a crist&atilde;.<\/p>\n<p> \tA miss&atilde;o da Igreja passa tamb&eacute;m necessariamente por ai, n&atilde;o apenas grandes multid&otilde;es, n&atilde;o apenas reunir em igrejas, mas tamb&eacute;m nas casas das pessoas, individualmente, algumas j&aacute; sem possibilidades at&eacute; de sa&iacute;rem de casa.<\/p>\n<p> \tE este foi tamb&eacute;m um dos aspetos mais gratificantes nestes 10 anos: as visitas que eu fiz na serra algarvia, testemunhando a proximidade entre as pessoas e como se defendem uma &agrave;s outras, como se protegem. Como elas t&ecirc;m a preocupa&ccedil;&atilde;o de saber se a pessoa hoje se levantou e saiu &agrave; rua.<\/p>\n<p> \tH&aacute; montes que fecham, existem casas em que n&atilde;o est&aacute; l&aacute; ningu&eacute;m, talvez ao fim-de-semana.<\/p>\n<p> \tS&atilde;o estes os quadros da vida de uma diocese e de um bispo que s&atilde;o muitos estimulantes, que s&atilde;o igualmente gratificantes e que nos ajudam a superar tantas dificuldades que fazem parte da nossa vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Manuel Quintas \u00e9 bispo da Diocese do Algarve deste 2004. Evangelizar e criar respostas sociais e pastorais que respondam \u00e0s necessidades de quem permanece e de quem passa pelo sul de Portugal \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o da Diocese.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[185,274,314,320,329],"class_list":["post-68299","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-do-algarve","tag-papa-francisco","tag-solidariedade","tag-turismo","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68299","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68299"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68299\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}