{"id":67958,"date":"2014-07-04T09:42:00","date_gmt":"2014-07-04T09:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/07\/04\/a-chave-da-porta\/"},"modified":"2014-07-04T09:42:00","modified_gmt":"2014-07-04T09:42:00","slug":"a-chave-da-porta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-chave-da-porta\/","title":{"rendered":"A chave da porta"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Aguiar Campos <!--more--> <\/p>\n<p> \tN&atilde;o &eacute; f&aacute;cil impor sil&ecirc;ncio &agrave; crian&ccedil;a que trazemos dentro de n&oacute;s; sobretudo quando ela quer encher o ar de perguntas, sem cuidados diplom&aacute;ticos, nem perceber o crit&eacute;rio adulto que ado&ccedil;a as d&uacute;vidas. Mas a dificuldade aumenta quando &agrave; curiosidade da crian&ccedil;a se juntam anos de jornalismo, mais a sua pr&aacute;tica de questionar, explicar e interpretar. Ent&atilde;o os porqu&ecirc;s s&atilde;o mais que muitos&hellip;&nbsp;<\/p>\n<p> \tAcreditem que estou mesmo a falar de um verdadeiro desassossego, de uma &iacute;ntima turbul&ecirc;ncia que centrifuga em permanente auto-avalia&ccedil;&atilde;o e, para fora, p&otilde;e no olhar um microsc&oacute;pio em cuja lamela se analisam pessoas e op&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o raro, at&eacute; Deus &eacute; questionado, como se Ele n&atilde;o nos tivesse entregado o mundo para nosso governo inteligente; ou n&atilde;o nos houvesse dotado da liberdade que apenas se concede totalmente a quem se ama para al&eacute;m dos limites.<\/p>\n<p> \tSejam quais forem as raz&otilde;es, os porqu&ecirc;s s&atilde;o, frequentemente, mais que muitos.<\/p>\n<p> \tTodos o sentem por certo, inscritos nessa esp&eacute;cie de recanto onde vive o que percebemos mal ou n&atilde;o percebemos de todo.<\/p>\n<p> \tMas quando sa&iacute;mos de n&oacute;s e olhamos &agrave; nossa volta, &agrave;s nossas perguntas somam-se as alheias, num ru&iacute;do que n&atilde;o tem fonte certa; antes parece nascido de todos os lados. No entanto, a multiplica&ccedil;&atilde;o das d&uacute;vidas n&atilde;o gera a clarifica&ccedil;&atilde;o. Esta &ndash; escrevo-o convictamente &#8212; precisa do sil&ecirc;ncio contemplativo.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o me refiro a um qualquer fazer de conta que n&atilde;o passa nada. Nem a um alheamento c&oacute;modo ou cobarde. Nem &agrave; displic&ecirc;ncia pregui&ccedil;osa, que deixa para os outros tudo o que d&aacute; trabalho ou pode complicar a vida. Muito menos ao medo que suja tanto a autoridade como a obedi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p> \tO sil&ecirc;ncio contemplativo &eacute;, na minha defini&ccedil;&atilde;o, um cuidado esfor&ccedil;ado de todos os sentidos &nbsp;&#8212; como se cada um deles passeasse descal&ccedil;o sobre o terreno da procura, onde algu&eacute;m perdeu agulhas&#8230;<\/p>\n<p> \tS&oacute; este sil&ecirc;ncio permite o discernimento. S&oacute; ele deixa saber (saborear) o que chega, trazido na brisa, &agrave; porta das nossas cavernas. S&oacute; ele nos abre ao espanto, numa dupla vertente: o espanto de constatarmos a fragilidade do que d&aacute;vamos como certo; e o espanto de descobrirmos como s&atilde;o, afinal, estupendas as obras do Senhor e profundos os seus des&iacute;gnios (Salmo 91).<\/p>\n<p> \t&nbsp;S&oacute; o sil&ecirc;ncio contemplativo nos faz verdadeiramente humildes e, consequentemente, capazes de confessarmos que demasiadas vezes queremos &ldquo;sondar o mar com uma b&oacute;ia&rdquo;!<\/p>\n<p> \tA pressa de ter opini&otilde;es ou a pressa com que as solicitamos (ou no-las solicitam) est&aacute; a roubar-nos &#8212; tamb&eacute;m na Igreja &#8212; as palavras maduras; de modo que podem sobrar conceitos gasosos ou l&iacute;quidos. Mas n&atilde;o dever&iacute;amos j&aacute; saber que n&atilde;o &eacute; do ensino dos escribas que se recebe a luz, mas daquele que tem autoridade (coer&ecirc;ncia de vida)?<\/p>\n<p> \tComecei por confessar a minha pr&oacute;pria e complicada experi&ecirc;ncia, que reafirmo: &eacute; dif&iacute;cil, nas mais diversas circunst&acirc;ncias, poisar no colo de Deus a crian&ccedil;a e o jornalista; crer e n&atilde;o querer; distinguir a inspira&ccedil;&atilde;o da aspira&ccedil;&atilde;o; perceber as horas do Esp&iacute;rito e a exuber&acirc;ncia das adegas.<\/p>\n<p> \tTenho para mim que o sil&ecirc;ncio contemplativo se imp&otilde;e e dar&aacute; um fruto: confiaremos tanto, que entregaremos a Deus a chave das nossas portas!&#8230;<\/p>\n<p> \t<em>Jo&atilde;o Aguiar Campos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Aguiar Campos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-67958","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67958","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67958"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67958\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}