{"id":6773,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/turismo-a-pastoral-das-oportunidades-perdidas\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"turismo-a-pastoral-das-oportunidades-perdidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/turismo-a-pastoral-das-oportunidades-perdidas\/","title":{"rendered":"Turismo: a pastoral das oportunidades perdidas"},"content":{"rendered":"<p>1. Em continuidade com o Congresso de \u00c9feso, de h\u00e1 6 anos, na Turquia, realizou-se, desta vez em Banguecoque, na Tail\u00e2ndia, o VI Congresso Mundial da Pastoral do Turismo. O Congresso, momento de escuta e de partilha importante para a Igreja no mundo, foi promovido pelo Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes\/CPPMI, com a colabora\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Cat\u00f3lica do Turismo\/CCT da Confer\u00eancia dos Bispos da Tail\u00e2ndia: \u201ca terra dos mil sorrisos\u201d. Escolheu-se esta cidade \u2013 meta importante do Turismo na \u00c1sia \u2013 para se entender melhor as implica\u00e7\u00f5es do fen\u00f3meno tur\u00edstico sobre a comunidade que acolhe, de modo particular, quanto aos efeitos nefastos. Outra raz\u00e3o foi dar visibilidade e credibilidade \u00e0 minorit\u00e1ria comunidade cat\u00f3lica desta na\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica e \u201cbudista\u201d de 62 milh\u00f5es de habitantes, onde a Igreja n\u00e3o atinge os 300.000 baptizados, apesar dos quase 400 anos de evangeliza\u00e7\u00e3o, desde que em 1567 os portugueses desembarcaram naquelas paragens. Durante 4 dias reuniram-se \u201cem congresso\u201d perto de 120 delegados \u2013 muitos padres, duas dezenas de bispos e poucos leigos \u2013 oriundos de 35 pa\u00edses de todos os Continentes. Presidiu o Cardeal Stephen F. Hamao, presidente do Conselho Pontif\u00edcio e delegado do Santo Padre para as preocupantes quest\u00f5es da crescente Mobilidade Humana.  2. Al\u00e9m dos representantes das v\u00e1rias Confer\u00eancias Episcopais (recorda-se que Portugal esteve presente nas pessoas do presidente e secret\u00e1rio da Comiss\u00e3o Episcopal de Migra\u00e7\u00f5es e Turismo\/CEMT) que apresentaram a situa\u00e7\u00e3o de cada Igreja local. Intervieram, entre outros: Francesco Frangialli, Secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Turismo\/OMT e professores universit\u00e1rios que estudam a Antropologia, Sociologia e Sustentabilidade do Turismo.  Os congressistas dedicaram particular aten\u00e7\u00e3o ao testemunho dos operadores pastorais envolvidos na preven\u00e7\u00e3o e combate ao \u201cTurismo Sexual\u201d: apoio social e legal \u00e0s v\u00edtimas, promo\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o internacional de criminaliza\u00e7\u00e3o dos clientes, den\u00fancia e puni\u00e7\u00e3o dos \u201cabusadores\u201d no pa\u00eds de destino e no de origem, segundo as Conven\u00e7\u00f5es em vigor. Debateu-se a quest\u00e3o do combate ao \u201cturismo sexual\u201d, ao tr\u00e1fico de menores (meninos e meninas de rua e crian\u00e7as escravas trabalhadoras) e de mulheres \u201cprostitu\u00eddas\u201d, com especial incid\u00eancia na \u00c1sia do Sul (Nepal, Bangla-desh, China, Filipinas, \u00cdndia, Tail\u00e2ndia, entre outros), crime \u201corganizado\u201d contra a dignidade e direitos humanos que vai acontecendo sob a corrup\u00e7\u00e3o de muitos governos e for\u00e7as policiais, sob neglig\u00eancia c\u00famplice de muitas cadeias de hot\u00e9is, ag\u00eancias de viagens e companhias a\u00e9reas. O fruto do trabalho das ONG e institui\u00e7\u00f5es da Igreja mostraram que \u00e9 poss\u00edvel reduzir este flagelo vergonhoso e levar este combate a bom termo, mas \u00e9 preciso uma forte coopera\u00e7\u00e3o internacional e inadi\u00e1vel trabalho de preven\u00e7\u00e3o e erradica\u00e7\u00e3o da pobreza. 3. Na Igreja em Portugal, a tem\u00e1tica do Turismo mereceu particular aten\u00e7\u00e3o por ocasi\u00e3o das \u00faltimas Jornadas Nacionais da Pastoral do Turismo, que se realizaram em 1997, em Viseu, sob a orienta\u00e7\u00e3o da CEMT. Desde essa data, as iniciativas nesta \u00e1rea tem vindo a ser efectuadas, individualmente, por alguns santu\u00e1rios, associa\u00e7\u00f5es, bispos e dioceses mais sens\u00edveis. Por\u00e9m, sem uma articula\u00e7\u00e3o que garanta a \u201cconscien-cializa\u00e7\u00e3o\u201d e o necess\u00e1rio trabalho de conjunto que esta \u00e1rea requer no que concerne ao desenvolvimento dos aspectos positivos e potencialidade evangelizadoras, assim como na preven\u00e7\u00e3o e erradica\u00e7\u00e3o dos seus aspectos mais nefastos para as pessoas, ambiente, planeamento, cultura, patrim\u00f3nio, economia e direitos humanos. A falta de uma Direc\u00e7\u00e3o Nacional, integrada na Comiss\u00e3o Episcopal respons\u00e1vel pelo Turismo, que leve adiante uma reflex\u00e3o articulada com Centros Acad\u00e9micos que j\u00e1 trabalham a n\u00edvel teol\u00f3gico e pastoral esta realidade, que promova uma forma\u00e7\u00e3o regular de agentes de n\u00facleos nas dioceses, uma protec\u00e7\u00e3o da comunidade local, dos turistas defraudados e dos direitos dos trabalhadores \u2013 sejam portugueses a trabalhar em infraestruturas tur\u00edsticas no estrangeiro, sejam imigrantes em Portugal \u2013 e que, enfim, facilite uma coordena\u00e7\u00e3o a n\u00edvel nacional, tem adiado o investimento de recursos humanos, a capta\u00e7\u00e3o de voluntariado crist\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o social e \u00e9tica da Igreja nesta realidade humana. 4. Na maioria das dioceses, a partir de um recente Inqu\u00e9rito sobre o Turismo feito pela Comiss\u00e3o Episcopal, sente-se a falta de uma consci\u00eancia sobre a \u201coportunidade providencial\u201d (EMCC, 9) que significa a Pastoral do Turismo para a renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria das comunidades, abertura ao encontro de gentes e acolhimento de povos que nos visitam, quer a n\u00edvel regional entre os portugueses turistas, quer a n\u00edvel nacional e internacional, seja dos portugueses que viajam, quer de estrangeiros (sem esquecer os \u201cturistas residentes\u201d!) que \u201cpassam\u201d e \u201cperegrinam\u201d pelas nossas aldeias, cidades, ilhas, praias, serras, hot\u00e9is, museus, igrejas, termas, santu\u00e1rios, aeroportos e portos mar\u00edtimos, entre outros.  Aliado a um grande desconhecimento do magist\u00e9rio social da Igreja sobre o Turismo e insuficiente aplica\u00e7\u00e3o das directrizes indicadas no \u201cDirect\u00f3rio Geral para a Pastoral do Turismo\u201d (CPPMI, 1969) e nas \u201cOrienta\u00e7\u00f5es para a Pastoral do Turismo\u201d (CPPMI, 2001), constata-se nas dioceses, ainda um generalizado \u201cpreconceito\u201d, uma \u201can\u00e1lise superficial\u201d e aus\u00eancia do tema no planeamento pastoral, desta e outras dimens\u00f5es da mobilidade humana que se tem traduzido na pouca considera\u00e7\u00e3o dos seus aspectos sociais, humanos, econ\u00f3micos, ecum\u00e9nicos, laborais, legislativos, culturais e pol\u00edticos.  5. O secret\u00e1rio-geral da OIT, durante o Congresso, afirmou que o Turismo se mant\u00e9m uma das principais receitas do Com\u00e9rcio internacional, em compara\u00e7\u00e3o com as exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo, g\u00e9neros aliment\u00edcios e autom\u00f3veis. Falamos do Turismo que fez de Portugal ao longo do ano 2003, terra de destino de perto de 12 milh\u00f5es de pessoas, parte de um total mundial na ordem dos 694 milh\u00f5es de turistas, segundo os dados fornecidos pela OMT.  Tal como hoje acontece j\u00e1 para 38 % dos pa\u00edses da terra (Portugal \u00e9 um desses benefici\u00e1rios j\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas!), o Turismo tornou-se o mais importante ramo do Com\u00e9rcio e uma das principais receitas nacionais. Sempre em 2003, esta mobilidade tur\u00edstica mundial n\u00e3o s\u00f3 garantiu o direito ao trabalho a 200 milh\u00f5es de trabalhadores e empres\u00e1rios, como tamb\u00e9m produziu uma receita de 514 bili\u00f5es de US dol\u00e1res. Continua, assim, a emancipar da pobreza alguns pa\u00edses considerados do grupo dos mais pobres do mundo. Segundo projec\u00e7\u00f5es da OMT prev\u00ea-se um incremento mundial do turismo para 2020, na ordem dos 1.500 milh\u00f5es de turistas internacionais.  6. A nosso ver, s\u00e3o duas, neste momento, as traves mestras que podem contribuir a uma mudan\u00e7a de mentalidade dos crist\u00e3os e renova\u00e7\u00e3o da Pastoral do Turismo. A primeira relaciona-se com o estudo e debate por parte do cl\u00e9rigos e leigos, par\u00f3quias e movimentos, e respectiva divulga\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Mundial da \u00c9tica do Turismo aprovado pela Assembleia-geral da OMT em 1999 e implementado por uma Comiss\u00e3o Mundial de \u00c9tica, em ac\u00e7\u00e3o desde 2003. A abordagem \u00e9tica-social permanece o necess\u00e1rio ponto de partida para a renova\u00e7\u00e3o. A segunda, baseada nas ousadas mensagens do Santo Padre para a Jornada Mundial do Turismo (27 de Setembro), dever\u00e1 levar os crist\u00e3os &#8211; individual e comunitariamente &#8211; \u00e0 pr\u00e1tica de um Turismo, n\u00e3o apenas de consumo, visto na \u00f3ptica comercial e do usufruto materialista, mas sobretudo, um Turismo \u201csolid\u00e1rio\u201d, \u201crespons\u00e1vel\u201d, \u201csocial\u201d, de \u201cdesenvolvimento\u201d, de \u201csusten-tabilidade\u201d promovido e participado na \u00f3ptica humanista, cultural, social e espiritual que ajuda ao progresso, di\u00e1logo, paz e encontro entre os povos. A Comiss\u00e3o Episcopal espera poder vir a encontrar, nas par\u00f3quias e nas dioceses, aliados desta causa para uma Igreja que vive do \u201cacolhimento inteligente\u201d e o testemunha no mundo, como meio para vencer a fractura social e o desencontro entre povos e religi\u00f5es.   Rui M. da Silva Pedro Congressista <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Em continuidade com o Congresso de \u00c9feso, de h\u00e1 6 anos, na Turquia, realizou-se, desta vez em Banguecoque, na Tail\u00e2ndia, o VI Congresso Mundial da Pastoral do Turismo. 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