{"id":6772,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-turismo-ao-servico-do-encontro-entre-os-povos-2\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-turismo-ao-servico-do-encontro-entre-os-povos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-turismo-ao-servico-do-encontro-entre-os-povos-2\/","title":{"rendered":"O Turismo ao servi\u00e7o do encontro entre os povos"},"content":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia de Jos\u00e9 Silva Lima no VI Congresso Mundial sobre a Pastoral dos Turismo, em Bangkok <!--more--> O ENCONTRO O encontro est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o deste Congresso Mundial como est\u00e1 tamb\u00e9m centro do desenvolvimento humano pessoal, cultural e civilizacional. Quando algu\u00e9m pensa, desde tenra idade, f\u00e1-lo na l\u00f3gica de algo que encontra. Alguma coisa, algu\u00e9m, um olhar, um gesto, um gemido, uma voz e at\u00e9 um sil\u00eancio, est\u00e3o na origem do encontro com o pensamento. O ser humano \u00e9 um animal diferente porque, cedo, aprende a formalizar as surpresas de encontros sucessivos, sem os quais n\u00e3o se faz nem avan\u00e7a. Ser humano significa t\u00e3o somente ser de encontro, capaz de dizer as coisas, de contemplar a beleza que o extasia, de desejar mais para encontrar e mesmo de reflectir sobre encontros indesej\u00e1veis e de decidir em face da sua poss\u00edvel utilidade. Este Congresso \u00e9 a prova desta decis\u00e3o de jogar a vida pessoal no encontro, de avaliar orienta\u00e7\u00f5es uns com os outros, de fazer com que o futuro dependa deste espa\u00e7o de intercomunica\u00e7\u00e3o, repleto de movimentos de presen\u00e7a e de surpresas que transformam, solidarizam, travam, justificam e edificam. Estamos diante de uma estrutura antropol\u00f3gica fundamental, se pensamos naquilo que nos institui na vida. O pensamento torna poss\u00edvel a diferen\u00e7a humana. As pedras n\u00e3o se encontram, mas justap\u00f5em-se e amontoam-se. Os animais formam pares, grupos mais ou menos organizados, sentem a proximidade e cheiram os odores mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia; podem mesmo conjugar-se, acoplar-se; por\u00e9m, n\u00e3o se encontram, embora possam estar juntos. Duas bolas de futebol podem tocar-se e cruzar-se, podem desenhar traject\u00f3rias, mas n\u00e3o se encontram. Batem-se, chocam. Quando se fala de encontro, o pensamento est\u00e1 subjacente como marca de uma diferen\u00e7a criadora. N\u00e3o se trata de um facto bruto, mas reflexivo. O encontro aponta para uma realidade que \u00e9 e que sabe dizer-se, que estrutura e que se torna tema, que recria e que simboliza. Do encontro surge a vida, sempre precedida da palavra que o diz. E quando o beb\u00e9 encontra pela vez primeira, balbucia tamb\u00e9m os primeiros sons, mergulhando de forma incipiente nos s\u00edmbolos que o dizem diferente. Depois, o encontro da palavra \u00e9 o desdobramento de toda a cultura que o precede e tamb\u00e9m a tradu\u00e7\u00e3o de uma originalidade, que \u00e9 a dele. Ent\u00e3o, os encontros sucedem-se, como se de outra coisa n\u00e3o necessitasse o seu desenvolvimento. Mas, o que dizemos quando dizemos encontro? \u2013 Certo \u00e9 que detectamos preced\u00eancias, talvez como pr\u00e9-encontro. H\u00e1 o seu desdobramento enquanto encontro, que n\u00e3o deixa de o ser mesmo quando se torna desencontro. Depois, aparece a sua consequ\u00eancia, uma realidade nova, o p\u00f3s-encontro que, talvez, assinale as marcas do encontro. Assim, apresentarei tr\u00eas aberturas deste tema que me sugeriram: o pr\u00e9-encontro, o encontro e desencontro e o p\u00f3s-encontro. Parece um jogo, como o da vida que temos entre m\u00e3os enquanto dom oferecido. \u00c9 no jogo deste realidade que as culturas se transformam, que pode haver bem-estar e felicidade, que pode pensar-se num panorama universal sustent\u00e1vel e equilibrado para todos. Quando se cultiva a diferen\u00e7a do pensamento, o encontro rasga novas harmonias, o que torna singular o projecto humano. Adivinha-se que a perspectiva deste estudo se enquadra num projecto antropol\u00f3gico crist\u00e3o em registo pastoral. Interessa reflectir sobre o que somos para que haja de facto servi\u00e7o quando h\u00e1 encontro entre os povos (como sugere a tem\u00e1tica do Congresso).  I. PR\u00c9-ENCONTRO A Comiss\u00e3o Pontif\u00edcia para o Turismo e Mobilidade Humana, j\u00e1 em 1969, caracterizava uma \u201cera nova\u201d na qual a Igreja acabava de entrar, no encontro com o mundo. \u201cIgreja e Mobilidade humana\u201d, a Carta \u00e0s Conferencias episcopais, depois ratificada por Paulo VI em 1974, definia esta \u201cera\u201d como p\u00f3s-industrial, qualificada por \u201cr\u00e1pidas e profundas mudan\u00e7as que progressivamente se estendem ao universo inteiro\u201d, aludindo explicitamente ao n\u00ba 4 da Constitui\u00e7\u00e3o Conciliar Gaudium et Spes . As mudan\u00e7as a que se alude s\u00e3o suportadas particularmente pelo dispositivo cient\u00edfico-t\u00e9cnico que, ent\u00e3o, avan\u00e7ava sem receios e que n\u00e3o cessou de se impor no quadro geral do mundo ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. De facto, os suportes dispon\u00edveis para o desenvolvimento humano, individual e colectivo, alteraram-se profundamente ao longo das recentes gera\u00e7\u00f5es. Qualquer encontro n\u00e3o \u00e9 sem estes suportes. Ao falar de \u201cera nova\u201d com legitimidade, pressup\u00f5e-se um enquadramento suficiente e diferente que torna poss\u00edveis novas formas de estar no mundo, constituindo um capital pr\u00e9vio para quem entra em processo de amadurecimento. Estamos diante uma das bases indispens\u00e1veis do pr\u00e9-encontro, a condi\u00e7\u00e3o da sua possibilidade e por isso do desenvolvimento humano, social e comunit\u00e1rio. Em registo agr\u00e1rio, industrial ou terci\u00e1rio, o capital pr\u00e9vio \u00e9 diferenciado.  A \u201cnova era\u201d na qual hoje se avan\u00e7a \u00e9 marcada pela pr\u00f3pria transforma\u00e7\u00e3o vertiginosa dos meios dispon\u00edveis, o que constitui factor de acelera\u00e7\u00e3o mutacional. \u00c9 implac\u00e1vel e irrefre\u00e1vel a velocidade conquistada nas diferentes actividades onde cada ser humano se realiza. Se, num passado recente, era preocupante a quest\u00e3o dos ritmos das cadeias industriais aos quais homens e mulheres eram submissos, esta quest\u00e3o da acelera\u00e7\u00e3o tornou-se um factor relativamente universal, estando a ela sujeitos todos os seres humanos, dependentes dos produtos t\u00e9cnicos (e da sua actualiza\u00e7\u00e3o) nos meandros mais privados da exist\u00eancia. Esta \u00e9 uma das realidades dadas, previamente dispon\u00edveis, que marca hoje indelevelmente qualquer encontro e, consequentemente, o desenvolvimento. Nesta \u201cera nova\u201d, o capital pr\u00e9vio n\u00e3o se caracteriza apenas pela acelera\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m por uma acentuada individualiza\u00e7\u00e3o, o que pode chegar aos limites de um individualismo cerrado, sem horizontes de encontro. Pelo menos, pode espreitar a tenta\u00e7\u00e3o de um desenvolvimento em regime de solid\u00e3o conquistada, no qual a felicidade pode traduzir-se na satisfa\u00e7\u00e3o imediata e a pr\u00f3pria necessidade de encontro seja atrai\u00e7oada e sufocada por apostas de anonimato e massifica\u00e7\u00e3o. Na realidade, as nossas sociedades, sofisticadas a n\u00edvel tecnol\u00f3gico, deparam-se com o fen\u00f3meno do individualismo, do hiperconforto sem confronto, da solid\u00e3o por op\u00e7\u00e3o, do hedonismo como fonte de felicidade. O pr\u00e9-encontro \u00e9 marcado por esta realidade como facto. No capital pr\u00e9vio depara-se com este estigma, sendo hoje a educa\u00e7\u00e3o interpessoal substitu\u00edda por equipamento, o que pode constituir amea\u00e7a ao encontro como estrutura antropol\u00f3gica de base. A sofistica\u00e7\u00e3o dos equipamentos pode provocar uma hiperindividualiza\u00e7\u00e3o, o que seguramente transtorna o encontro. Volvidos 30 anos, a sombra do isolamento p\u00f4de provocar uma acentuada aliena\u00e7\u00e3o, fustigada pela emerg\u00eancia de um Deus novo, o eu (ou self), enquadrado por um sistema que provocou o esquecimento da rela\u00e7\u00e3o. A um per\u00edodo marcado pela realiza\u00e7\u00e3o no exterior, fora de si, sucedeu rapidamente, um outro marcado pela idolatria do interior, constituindo-se o \u201ceu\u201d como auto-refer\u00eancia revestida de sacralidade. O pr\u00f3prio fen\u00f3meno da \u201cprivatiza\u00e7\u00e3o do religioso\u201d possui esta base no capital social que o enquadra. A preserva\u00e7\u00e3o do eu, no conforto hedonista, pode traduzir uma idolatria insustent\u00e1vel enquanto isolamento e portanto amputa\u00e7\u00e3o. Amputada da sua exterioridade, a interioridade pode ser doentia, reduzindo a si toda a realidade e fechando-se no santu\u00e1rio egol\u00e1trico sem expans\u00e3o poss\u00edvel. Tamb\u00e9m esta \u00e9 uma marca do pr\u00e9-encontro. Trata-se de uma aliena\u00e7\u00e3o subtil, que caracteriza muitos dos percursos do nosso tempo, fugindo a qualquer proposta de comunidade, admitindo somente a transcend\u00eancia do \u201ceu\u201d. A vaga gn\u00f3stica \u00e9 uma das sendas desta aliena\u00e7\u00e3o. Pode-se ir mais longe neste diagn\u00f3stico do pr\u00e9-encontro. A cultura envolvente, como capital-ber\u00e7o de cada um no desenvolvimento que vai protagonizando, \u00e9 fortemente mediatizada. O ser humano, mulher ou homem, \u00e9 hoje instigado, seduzido, de forma radical. Como ser naturalmente vocacionado para mais, \u00e9 provocado de todos os lados, nascendo constantemente a outros apetites, no encontro com realidades que, no seu ambiente, se v\u00e3o despertando pelo apetite. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia, maximizada pelo dispositivo tecnol\u00f3gico dispon\u00edvel, preenche o ber\u00e7o de apetites sempre novos insuspeit\u00e1veis. Como cultura de frui\u00e7\u00e3o constante, o contexto s\u00f3cio-cultural envolvente \u00e9 tamb\u00e9m de produ\u00e7\u00e3o amea\u00e7adora de novidade, fazendo emergir necessidades com a pr\u00e9via cria\u00e7\u00e3o da sua satisfa\u00e7\u00e3o. A comunica\u00e7\u00e3o social de massa, integradora desta l\u00f3gica, est\u00e1 implantada em qualquer lugar do planeta, activando constantemente desejos novos e, assim, inscrevendo cada um numa rota de desmedida vulnerabilidade. Ser de desejo, homem ou mulher, cada um usufrui de um mecanismo instigador que satisfaz produzindo e que inventa o desejo. \u00c9 tamb\u00e9m aqui que se enra\u00edza o desejo, como procura constante de outra coisa, esta muito pr\u00f3xima da quest\u00e3o tur\u00edstica que ocupa a nossa aten\u00e7\u00e3o. De facto, os Media constituem um poderoso poder que desenvolve desejos de mais, j\u00e1 que o planeta \u00e9 grande e a vida terrena \u00e9 demasiado curta para cumprir o programa da procura. O fen\u00f3meno complexo do turismo, inscrito na pr\u00f3pria natureza viadora (viator) do ser humano e na sua condi\u00e7\u00e3o peregrinante, conta com esta janela sobre o universo instalada no quotidiano mesmo isolado de cada um. Desde o Conc\u00edlio Vaticano II particularmente, \u00e9 not\u00f3ria a emerg\u00eancia de novas necessidades neste campo, a avaliar t\u00e3o somente pela documenta\u00e7\u00e3o produzida pelas inst\u00e2ncias de governo da Igreja, documentos, direct\u00f3rio, cartas, alocu\u00e7\u00f5es, breves discursos, interven\u00e7\u00f5es, simp\u00f3sios, congressos, alus\u00f5es de circunst\u00e2ncia . De facto, o estilo pastoral da Igreja \u00e9 uma prova evidente desta marca do pr\u00e9-encontro. Como fundo de um turismo real crescente est\u00e1 a realidade de um turismo psicol\u00f3gico que aprofunda no ser humano esta procura incessante da novidade. O ex\u00f3tico, o diferente, o inabitual acontecem como realidade virtual num palco globalizado que \u00e9 o mundo, sendo do ponto de vista real e geogr\u00e1tico o sinal de desigualdades e de dissimetrias.  Se as sombras s\u00e3o espessas na realidade dada \u00e0s gera\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, elas aparecem de m\u00e3os dadas com a riqueza ineg\u00e1vel que integra o legado que lhes \u00e9 oferecido, como pr\u00e9-encontro. Aquela diz respeito ao capital real dispon\u00edvel, aos meios ao alcance, \u00e0s li\u00e7\u00f5es dos percursos j\u00e1 realizados, \u00e0s notas de avalia\u00e7\u00e3o facilmente assimiladas e, sobretudo, \u00e0 capacidade de cria\u00e7\u00e3o de futuro, pelo desejo e pela expectativa. As pr\u00f3prias altera\u00e7\u00f5es no dom\u00ednio das ofertas constituem oportunidades novas que impedem o adormecimento na instala\u00e7\u00e3o, promovendo o alerta constante de cada ser humano como ser a caminho, numa traject\u00f3ria que lhe \u00e9 pr\u00f3pria na abertura ao futuro que vem. A \u00e9poca em que se vive \u00e9 de n\u00e3o-repouso, de inquietude, de instabilidade, o que constitui positividade que acorda de tenta\u00e7\u00f5es, de marasmo e de rotinas. A n\u00edvel de pr\u00e9-encontro, assiste-se a uma constante instiga\u00e7\u00e3o baseada naquilo que poder\u00e1 vir, nas novas hip\u00f3teses que a curto prazo poder\u00e3o surgir, o que \u00e9 alavanca contra a instala\u00e7\u00e3o, a acomoda\u00e7\u00e3o e a paragem. Al\u00e9m disso, a conjuga\u00e7\u00e3o dos factores do pr\u00e9-encontro, afirma-se como instrumento mediador de um estado de alerta, de um estatuto de sentinela, de uma posi\u00e7\u00e3o de vigil\u00e2ncia, muita caracter\u00edsticos do ser humano enquanto peregrino. O pr\u00e9-encontro, enquanto capital cultural oferecido, n\u00e3o \u00e9 sem Evangelho. Inscrito em inumer\u00e1veis sinais no contexto quotidiano de todos, o Evangelho n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o patrim\u00f3nio do mundo ocidental, mas est\u00e1 subjacente ao conjunto de buscas incessantes de toda a humanidade. Com uma hist\u00f3ria longa e documentada, desde o \u201ccrescente f\u00e9rtil\u201d, o Evangelho marca indel\u00e9vel e definitivamente as culturas desde a Incarna\u00e7\u00e3o de Deus, mas est\u00e1 semeado de forma proped\u00eautica nos passos de tantos mil\u00e9nios de antepassados. \u00c9 desta riqueza inquietante do pr\u00e9-encontro que \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o desistir, na certeza de que os seus vest\u00edgios s\u00e3o detect\u00e1veis em tantas formas de procura religiosa que deixam marcas desde h\u00e1 mil\u00e9nios. Tamb\u00e9m no Oriente, no Norte e no Sul h\u00e1 vest\u00edgios de uma reflex\u00e3o e de encontros com o divino, o que s\u00e3o outros tantos caminhos pedag\u00f3gicos  que apontam para o Evangelho do Senhor Jesus. O patrim\u00f3nio crist\u00e3o n\u00e3o se confina ao territ\u00f3rio religioso do Cristianismo, mas abre-se \u00e0s diferentes formas de experi\u00eancia religiosa que marcam a evolu\u00e7\u00e3o da humanidade. Este \u00e9 um dado que se torna necess\u00e1rio equacionar no panorama religioso contempor\u00e2neo, o que permitir\u00e1 o enraizamento de uma atitude de di\u00e1logo franco na busca comum de irm\u00e3os a bra\u00e7os com a fragilidade e mendigos do seu sentido. Entender as harmonias do encontro aparece como tarefa de todos, no esp\u00edrito da peregrina\u00e7\u00e3o comum, sem hegemonias culturais nem avalia\u00e7\u00f5es precipitadas, mas na consci\u00eancia de um patrim\u00f3nio comum multifacetado que traduz a sede espiritual que atravessa todos os povos, sede que se compagina com a Boa Nova anunciada por Jesus. Como dado pr\u00e9vio a qualquer encontro h\u00e1 uma hist\u00f3ria santa, repleta de narrativas e de figuras, que, na nossa confiss\u00e3o de f\u00e9, atinge a plenitude na figura do homem-Deus. Era na mira desta figura singular que toda a aventura passada se foi realizando, como \u00e9 \u00e0 luz dela que se d\u00e1 significado \u00e0 aventura dos dois mil\u00e9nios \u00faltimos. E esta proposta da riqueza inesgot\u00e1vel do pr\u00e9-encontro n\u00e3o \u00e9 em nada redutora nem de supremacia arrogante. Trata-se, sim, de compreender a unidade do desejo humano e da sua expectativa traduzida em tantas buscas gravadas numa hist\u00f3ria multimilenar. \u00c9 assim tamb\u00e9m que se pode entender a B\u00edblia como a narrativa sagrada de todas as aventuras desta sede inesgot\u00e1vel, revelando afinal que tudo corresponde a um chamamento original, que perpassa todas as p\u00e1ginas e que levou Agostinho de Hipona a este celeb\u00e9rrimo coment\u00e1rio:\u201dfizeste-nos para ti, Senhor, e o nosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o descansa enquanto n\u00e3o repousar em ti\u201d . Como pr\u00e9-encontro dos encontros poss\u00edveis est\u00e1 um enredo de encontros singulares, que se tornam paradigm\u00e1ticos e totais na experi\u00eancia do Verbo Incarnado. Os an\u00fancios n\u00e3o pertencem somente \u00e0s redes narrativas do tempo dos Patriarcas, dos Reis, ou dos Profetas. A sua trama inscreve-se tamb\u00e9m em tudo o que precede a aventura de Abra\u00e3o, o que consolida o arco unit\u00e1rio de toda a humanidade no seu ponto mais alto e definitivo, Cristo, como Princ\u00edpio e Fim. Este pano de fundo evang\u00e9lico que atravessa a aventura de todas as gera\u00e7\u00f5es constitui um dado recebido, um dom permanentemente oferecido, que importa n\u00e3o descuidar na percep\u00e7\u00e3o do encontro como realidade contempor\u00e2nea. A hist\u00f3ria santa que para o Evangelho aponta tece-se nos encontros religiosos de teor naturalista, no espanto e no pavor diante dos fen\u00f3menos naturais ou no susto provocado por acontecimentos. O encontro faz desenvolver a hist\u00f3ria santa, quando do medo contemplativo nascem interroga\u00e7\u00f5es que s\u00f3 mais tarde encontrar\u00e3o resposta sensata. Com a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o abre-se uma nova p\u00e1gina de encontros, nos quais a percep\u00e7\u00e3o do al\u00e9m \u00e9 cada vez mais direccionada, mas que deixa nas margens encontros de outro teor; uma tradi\u00e7\u00e3o religiosa n\u00e3o esgota em si a riqueza deste processo humano de acesso \u00e0 realidade divina, que se desenvolve em cadeia de encontros sucessivos. A hist\u00f3ria adensa-se e a percep\u00e7\u00e3o da preced\u00eancia aparece com maior nitidez, at\u00e9 ao encontro definitivo de Deus com o homem no seu Verbo Incarnado. E n\u2019Ele a esteira de encontros continua estendida, como esteira de acesso e de expans\u00e3o de felicidade. O encontro abre a sede como fonte inesgot\u00e1vel, o que aparece na narrativa evang\u00e9lica do encontro de Jesus com a Samaritana . Em Jesus, o encontro \u00e9 de proximidade, de quebra de barreiras, em horizonte de fraternidade universal, derrubando o muro de separa\u00e7\u00e3o entre inimigos num mesmo territ\u00f3rio e evidenciando, numa  mulher de acesso proibido, o dom inesgot\u00e1vel da sede que faz ir mais longe . Se aqui o encontro \u00e9 de teor simb\u00f3lico, o encontro do calv\u00e1rio \u00e9 de derrube universal, quando de bra\u00e7os estendidos, o perd\u00e3o \u00e9 o fruto do encontro com o Pai, manifestando a plenitude do Seu Amor: \u201cPai, perdoa-lhes porque n\u00e3o sabem o que fazem\u201d . Estes s\u00e3o encontros de plenitude, dos quais qualquer encontro de hoje se pode reclamar. Pertencem ao tecido cultural, ao pr\u00e9-encontro de todos.  II.  ENCONTRO E DESENCONTRO  Encontro. A sua experi\u00eancia \u00e9 universal, em todos os tempos, \u00e9pocas ou lugares. Homens e mulheres, nos mais pequenos espa\u00e7os de aldeias, nos territ\u00f3rios cl\u00e1nicos, nos grandes aglomerados urbanos, a sua vida tece-se de encontros. Encontros habituais, rapidamente transformados em rotinas, encontros desejados ou programados, encontros inesperados e at\u00e9 impostos e indesejados. O encontro \u00e9 uma realidade antropol\u00f3gica sem a qual a vida n\u00e3o \u00e9 nem se desenvolve. Pode acontecer no roteiro de uma prepara\u00e7\u00e3o esmerada ao pormenor e tamb\u00e9m num simples desleixo de passatempo. Prev\u00ea-se, deseja e planifica-se ou imp\u00f5e-se, suporta-se ou sofre-se. De uma forma ou de outra, n\u00e3o deixa de ser, de se instalar, de ficar e de gerar futuro. As traject\u00f3rias humanas s\u00e3o tecidas por ele, como companheiro incondicional, como fio secreto do pr\u00f3prio desenvolvimento. Ali\u00e1s, aparece de forma simples e fr\u00e1gil, marcando secretamente a hist\u00f3ria de cada um, como se aquela n\u00e3o tivesse outras alternativas. Instala-se, modifica e cria novidade. Gera mais, melhor e provoca passagens. Altera, surpreende, instabiliza. H\u00e1 cor, magia e sentimento. Provoca abertura, instiga, gera mais sonhos. Fecha, repara, retempera, equilibra e desequilibra, gera rupturas e provoca saltos. Contenta e descontenta. Cria energias. Abre horizontes de luz e carrega de sombras. Faz apetecer a esperan\u00e7a e desenvolve saudades. Encontro. O seu \u00e9timo imp\u00f5e uma realidade n\u00e3o solit\u00e1ria. Revela o seu car\u00e1cter de tr\u00edade, como ponto de partida. H\u00e1 uma interioridade cujo dinamismo ou cuja ac\u00e7\u00e3o  se revelam com o outro. Na raiz, qualquer encontro n\u00e3o se faz no vazio, mas sup\u00f5e algu\u00e9m (enquanto interioridade) na rela\u00e7\u00e3o com outrem. Eis a tr\u00edade: in, cum, alter. Seja num simples encontro da vida di\u00e1ria, por mais rotineiro que se tenha instalado, seja num encontro mundial, devidamente programado ao pormenor, a realidade de que se fala implica sujeitos distintos em aproxima\u00e7\u00e3o e que, de forma mais ou menos expl\u00edcita devido \u00e0 circunst\u00e2ncia, decidem agir em comum, estar diante do outro (ou dos outros), caminhar em rela\u00e7\u00e3o a um sentido ou dirigir-se para um mesmo ponto, fazendo assim (de forma mais ou menos consciente) alguma descoberta. Qualquer encontro explicita, assim, a estrutura trinit\u00e1ria que, desde o in\u00edcio, integra o desenvolvimento humano: algu\u00e9m, outrem e a sua supera\u00e7\u00e3o (novidade da comunh\u00e3o). Homem e mulher, os seres humanos, est\u00e3o desde o in\u00edcio inscritos nesta estrutura triangular, que segundo a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, aponta para o seu in\u00edcio no mist\u00e9rio da vida trinit\u00e1ria de Deus e para o seu fim como coroamento na Sua Gl\u00f3ria. N\u00e3o h\u00e1 encontro sem identidade. Pode esta n\u00e3o ter acordado radicalmente e o encontro acontece ent\u00e3o como surpresa. Mesmo assim, a estrutura trinit\u00e1ria est\u00e1 presente. Quando se \u00e9 surpreendido, o sujeito entra em altera\u00e7\u00e3o porque existe em uma certa forma. Ent\u00e3o o encontro transforma, sugere consci\u00eancia, activa os dinamismos de um \u201ceu\u201d, at\u00e9 adormecido. Se esta consci\u00eancia \u00e9 pr\u00e9via, ent\u00e3o a surpresa do encontro pode ser de maior enriquecimento, j\u00e1 que a pessoa est\u00e1 desperta, n\u00e3o esquecida de si. Por aqui se v\u00ea que qualquer encontro, como presente de interioridade, \u00e9 revela\u00e7\u00e3o de si sob o modo da surpresa que gera. N\u00e3o h\u00e1 encontro sem algu\u00e9m que nele \u00e9 protagonista, mesmo que a sua identidade seja fragmentada, dissipada ou perdida. Assim, qualquer encontro, para o sujeito \u00e9 descoberta de algo para si ou em si, mesmo sem a finaliza\u00e7\u00e3o de o dizer. A interioridade de que se fala pode ser mais ou menos consciente, unit\u00e1ria ou fragmentada, mas sempre suposta para que o encontro aconte\u00e7a. No caso da actividade tur\u00edstica, a pessoa enquanto interioridade est\u00e1 motivada para um percurso de mais, sujeita sempre \u00e0s surpresas da natureza, do patrim\u00f3nio, do quadro ecol\u00f3gico, das rela\u00e7\u00f5es humanas, o que \u201crefor\u00e7a a constru\u00e7\u00e3o harmoniosa da pessoa\u201d , como o sugere o documento do Conselho Pontif\u00edcio de 2001. Esta disposi\u00e7\u00e3o potencia o encontro tur\u00edstico como ocasi\u00e3o de investimento e de enriquecimento. N\u00e3o h\u00e1 encontro sem alteridade. Ali\u00e1s, \u00e9 o jogo entre identidade e alteridade que d\u00e1 ao encontro uma consist\u00eancia real. \u00c9 assim desde que h\u00e1 homem e mulher, sendo da presen\u00e7a do outro que emerge a primeira exclama\u00e7\u00e3o, como o evoca a narrativa po\u00e9tica das origens . Neste encontro primordial, depois de encontros proped\u00eauticos com as outras formas criadas e diante das quais n\u00e3o h\u00e1 sen\u00e3o nomea\u00e7\u00e3o, o homem na surpresa exclama diante de um ser semelhante. A partir de ent\u00e3o o encontro acontece como realidade reflexiva, de linguagem, de cultura. O outro passa a devolver a quem encontra a sua identidade. A narra\u00e7\u00e3o das origens aponta, na trama deste primeiro encontro, para aquela realidade que falta, que se deseja encontrar, e que faz do outro semelhante. Aqui radica a originalidade da busca humana, na senda de encontros sucessivos: falta algo que s\u00f3 o outro devolve; a identidade \u00e9 de certa forma incompleta sem o outro; \u00e9 no seu encontro que a \u201cplenitude\u201d pode acontecer. A \u201ccostela\u201d aparece na narrativa como elemento simb\u00f3lico que ajuda a tomar consci\u00eancia do estatuto viador de cada ser humano, do seu caminho a percorrer em busca do que lhe falta. A \u201cexclama\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 o outro nome do encontro que surpreende. \u00c9 aqui que radica, em meu entender, o car\u00e1cter incontorn\u00e1vel do encontro como lugar de realiza\u00e7\u00e3o humana: o outro provoca-me exclama\u00e7\u00e3o, devolvendo-me ao meu estatuto de ser necessitado, de peregrino do mais, de mendigo de uma alteridade total, que possa doar-me gratuitamente o que me falta. Turistas ou peregrinos, todos manifestam nos encontros sucessivos a import\u00e2ncia de um outro, que n\u00e3o podem reter nem tornar seu, mas que \u00e9 indispens\u00e1vel para a sua realiza\u00e7\u00e3o. O encontro \u00e9 assim, tamb\u00e9m, lugar de transcend\u00eancia, na busca que inscreve. O outro encontrado responde a necessidades por instant\u00e2neo, mas n\u00e3o extingue a sede de mais. Permanecendo como \u00e9, semelhante, dessedenta no momento, mas n\u00e3o extingue a busca, faz desejar mais; a sua identidade n\u00e3o \u00e9 confisc\u00e1vel. Nunca o outro se torna meu. A necessidade permanece aberta. Mais uma vez aqui, o turismo em expans\u00e3o e nas suas variadas formas, marca esta estrutura fundamental do ser humano, enquanto realidade aberta \u00e0 transcend\u00eancia. A experi\u00eancia tur\u00edstica comprova que aquele que escolhe esta aventura programa sempre mais; o turista responde a uma certa necessidade permanente de sair, de ir mais al\u00e9m, de conhecer outros, dizendo a si mesmo que o que encontrou ainda n\u00e3o \u00e9 a plenitude. Assim, a transcend\u00eancia, para al\u00e9m de qualquer confiss\u00e3o religiosa, \u00e9 uma marca estruturante de cada ser humano, que o pr\u00f3prio encontro revela no seu interior. As tradi\u00e7\u00f5es religiosas acontecem como sistemas de cultura que tendem a nomear a pr\u00f3pria transcend\u00eancia, fazendo-a sua. S\u00e3o tanto mais v\u00e1lidas e aut\u00eanticas quanto a preservam como transcend\u00eancia. Em consequ\u00eancia, tamb\u00e9m a identidade do ser humano aparece na sua verdadeira autonomia respons\u00e1vel. \u00c9 assim que a tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 guardar\u00e1 o seu interesse irrecus\u00e1vel e aprofundar\u00e1 a sua miss\u00e3o como servi\u00e7o a todo o ser humano, porquanto confessa a transcend\u00eancia enquanto tal, como aquela realidade \u201cque \u00e9\u201d: \u201ceu sou aquele que sou\u201d, \u201ceu sou, enviou-me a v\u00f3s!\u201d . Assim, numa miss\u00e3o de encontro, o ser humano aprofundar\u00e1 a sua identidade, tomando consci\u00eancia da pr\u00f3pria experi\u00eancia como ser de transcend\u00eancia. N\u00e3o necessita de ficar pasmado, nem sobretudo parado, a \u201colhar para o c\u00e9u\u201d, como os ap\u00f3stolos na Ascens\u00e3o, mas procure caminhar de encontro em encontro, pois o \u201cc\u00e9u\u201d neles est\u00e1 inscrito, fazendo sinal sempre que h\u00e1 encontro. O encontro \u00e9 uma realidade pascal inscrita no processo humano. \u00c9 na procura de renova\u00e7\u00e3o pessoal, do interesse que as coisas sugerem, da diferen\u00e7a que pertence ao outro, do conhecimento da diversidade, da apropria\u00e7\u00e3o de algo poss\u00edvel, do bem-estar, do repouso, que homens e mulheres se encontram. O Turismo \u00e9 este fen\u00f3meno marcante do nosso tempo que revela \u00e0 saciedade este dinamismo. O interc\u00e2mbio, o conhecimento, a cultura, o repouso contemplativo, a serenidade em espa\u00e7os ecol\u00f3gicos de elei\u00e7\u00e3o, s\u00e3o nomes de uma passagem conseguida, de um salto na qualidade. Qualquer encontro tem esta marca, a da novidade conseguida por passagem, por transi\u00e7\u00e3o, por P\u00e1scoa. \u00c9 certo que poder\u00e1 esta realidade nova alcan\u00e7ada ser enganosa, miragem, ilus\u00e3o transit\u00f3ria, mas parecer \u00e0 partida melhor, pelo menos como sedu\u00e7\u00e3o. O ser humano n\u00e3o pretende involuir, mas ir mais longe. Quando no encontro espera a novidade, pode ser tra\u00eddo por um d\u00e9fice de conhecimento, por inc\u00faria pr\u00e9via ou mesmo por ciladas de explora\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a da passagem realiza-se num palco de iniquidade, onde o mal espreita e seduz. Se h\u00e1 P\u00e1scoa no encontro, h\u00e1 salto para uma realidade nova gratificante, para uma situa\u00e7\u00e3o de mais humanidade. Mas a pervers\u00e3o pode espreitar e \u00e9 l\u00f3gico que se suspeite. O encontro preenche expectativas, devolve algum sentido, marca o itiner\u00e1rio da diferen\u00e7a alcan\u00e7ada, conhecida, amada. Na sua l\u00f3gica de liberdade pode desviar da rota uma identidade. Pretendia-se ir mais longe, mas o resultado pode ser pernicioso. Se houve mais preenchimento, se aconteceu o dom, se houve avan\u00e7o, a P\u00e1scoa foi positiva, gerou riqueza, no bem-estar e nos valores, aumentou o capital de luz e de energia. Por vezes, esta passagem provoca encontro que remete ao sil\u00eancio do ser. O sil\u00eancio \u00e9 ent\u00e3o a tradu\u00e7\u00e3o mais eloquente do enamoramento e da pacifica\u00e7\u00e3o, encontrando cada um as harmonias de si no acorde conseguido com todo o universo. O sil\u00eancio aparece como plataforma de acesso ao outro lado de si, \u00e0 imagem discreta do ser onde tudo se inicia, onde o segredo envolve e a palavra \u00e9 ouvida antes de ser pronunciada. O sil\u00eancio \u00e9 uma das marcas da P\u00e1scoa que o encontro desenvolve. O sil\u00eancio \u201cn\u00e3o \u00e9 apenas uma certa modalidade do som, mas antes uma certa modalidade do sentido\u201d . H\u00e1 lugares que o reclamam e o imp\u00f5em. H\u00e1 outros que o criam e suscitam, tornando-se assim o sil\u00eancio intenso como que \u201ca assinatura de um lugar\u201d . Nas digress\u00f5es tur\u00edsticas, muitas vezes o sil\u00eancio surpreende, como se se tratasse de uma exclama\u00e7\u00e3o da alma. Frequentemente, da beleza insuspeitada de um lugar ou da frescura de uma pintura surge o sil\u00eancio, qual caminho imprevisto que conduz a si mesmo e \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o com o mundo, qual \u201csuspens\u00e3o do tempo no qual se abre uma passagem que oferece ao homem a possibilidade de encontrar o seu lugar, de ganhar a paz\u201d . O encontro pode tornar-se desencontro tamb\u00e9m. \u00c9 naturalmente ocasi\u00e3o de conhecimento, de di\u00e1logo, de descoberta. Torna acess\u00edvel uma realidade distante sustentando um enriquecimento m\u00fatuo de pessoas e de culturas, de espa\u00e7os e de projectos. No sector tur\u00edstico, o encontro revela-se prof\u00edcuo n\u00e3o s\u00f3 porque suscita o contacto com obras culturais onde os sinais de Deus s\u00e3o eloquentes, onde a Sua provid\u00eancia e o Seu amor s\u00e3o traduzidos, mas tamb\u00e9m porque abre \u00e0quela escuta interna no cora\u00e7\u00e3o de si mesmo onde a arte e a beleza deixam o seu eco . No \u00e2mbito da mobilidade e do contacto entre povos, os encontros potenciam a percep\u00e7\u00e3o de uma constru\u00e7\u00e3o poss\u00edvel de um tecido social e cultural mais solid\u00e1rio e fraterno j\u00e1 que h\u00e1 provas bem vis\u00edveis da riqueza de um esfor\u00e7o de colabora\u00e7\u00e3o. Nasce-se assim para um outro estilo de vida, para comportamentos de conviv\u00eancia, de solidariedade e de altru\u00edsmo . Acorda-se tamb\u00e9m para alguns limites que desfazem tenta\u00e7\u00f5es de prepot\u00eancia e de exagerada confian\u00e7a em si. A passagem por outros povos e por outros lugares indicia em cada homem e mulher a sua pequenez, ao conferir-lhe um estatuto de parceiro, fora do qual pouco consegue. Abre-o \u00e0 diferen\u00e7a, \u00e0 import\u00e2ncia do entendimento e do di\u00e1logo com os outros, \u00e0 riqueza da coopera\u00e7\u00e3o para a sobreviv\u00eancia comum. Mas \u00e9 risco tamb\u00e9m. Risco do imponderado, risco da asfixia, risco da manipula\u00e7\u00e3o, risco da explora\u00e7\u00e3o, risco mesmo da pervers\u00e3o de sentido. A realidade \u00e9 maior que o seu entendimento e a preponder\u00e2ncia rapidamente se pode desvirtuar em mal-estar, a precipita\u00e7\u00e3o em fracasso do eu e a pressa irreflectida em naufr\u00e1gio das raz\u00f5es e da vida. O encontro \u00e9 ent\u00e3o desencontro, resvalando a estima para o insucesso, a descoberta para o erro e a tenta\u00e7\u00e3o para o pecado que encerra na pris\u00e3o. O desencontro desilude, o erro desencanta e o pecado enfraquece, mesmo de forma insens\u00edvel. H\u00e1 encontros de explora\u00e7\u00e3o que s\u00e3o ocasi\u00f5es pr\u00f3prias para uma imers\u00e3o no erro camuflado, que leva a naufr\u00e1gios sem salva\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. Na \u00e1rea do Turismo, s\u00e3o de todos conhecidos os desencontros que d\u00e3o pelo nome de \u201cexperi\u00eancias er\u00f3ticas\u201d, de \u201csexo com menores\u201d, de \u201cexplora\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica\u201d, de \u201cvenda de rela\u00e7\u00f5es inst\u00e1veis\u201d, de experi\u00eancias de inscri\u00e7\u00e3o em outros valores de comportamento, de com\u00e9rcio de \u201cprodutos t\u00f3xicos\u201d. Trata-se do amplo risco da agress\u00e3o, muitas vezes de forma desproporcionada. Os efeitos s\u00e3o ent\u00e3o de \u00edndole patol\u00f3gica, desmontando sistemas de valores, destruindo personalidades, criando depend\u00eancias e instalando obsess\u00f5es que matam lentamente . A surpresa pode possuir variados nomes, sexo, droga, experi\u00eancia, tenta\u00e7\u00f5es, moda; o desencontro, por\u00e9m, ter\u00e1 marcado o seu lugar no itiner\u00e1rio de um ser humano, o que fragiliza e empobrece a civiliza\u00e7\u00e3o de beleza e de bondade que, desde o in\u00edcio, marca o encontro entre os homens. Mas, marcado pela queda, todo o encontro \u00e9 vulner\u00e1vel.  III. P\u00d3S-ENCONTRO Do encontro abrem-se rotas. Uma \u00e9 a rota de lucidez. A palavra encontro aponta tamb\u00e9m para um processo de luta, onde haver\u00e1 vencedores e vencidos, e por isso, onde o conflito n\u00e3o \u00e9 eliminado \u00e0 partida, mas traduz a dimens\u00e3o de queda de que o encontro \u00e9 devedor. Pastoralmente, exigem-se atitudes l\u00facidas que saibam ponderar com realismo as oportunidades e os desvios e que incluam nos itiner\u00e1rios e roteiros as dificuldades maiores do conflito em causa. Encontrar os outros \u00e9 tamb\u00e9m fazer face \u00e0 sua desmedida, ao pecado inscrito na sua cultura civilizada, \u00e0s ciladas escondidas nos produtos que oferecem. O turismo como servi\u00e7o ao encontro entre os homens integrar\u00e1 esta coordenada de lucidez, detectando obst\u00e1culos, desmontando embalagens que camuflem a realidade, desmitificando lugares e produtos que aviltem a pessoa e ponham em risco a sua dignidade. A lucidez inicia-se em casa, antes da decis\u00e3o do encontro com algu\u00e9m diferente, deixando amadurecer em si a ideia de que a riqueza do encontro depende das partes em presen\u00e7a, mas sup\u00f5e a riqueza e a dignidade daquele que parte. Tamb\u00e9m aqui se sup\u00f5e um pouco de aritm\u00e9tica, como no amor: \u201c\u00c9 necess\u00e1rio ser dois; e para ser dois, \u00e9 necess\u00e1rio ser um\u201d . Quando do encontro pode advir a supress\u00e3o ou a ru\u00edna de um, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 encontro nem servi\u00e7o. A lucidez necess\u00e1ria nasce em casa, no estudo do roteiro, na pondera\u00e7\u00e3o dos obst\u00e1culos, na escolha de alternativas, na constitui\u00e7\u00e3o do apoio para emerg\u00eancias. A comunidade crist\u00e3 poder\u00e1 prestar uma colabora\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel para a defini\u00e7\u00e3o desta rota, apontando caminhos a seguir, disponibilizando notas de recomenda\u00e7\u00e3o, oferecendo um caderno de pr\u00e9-avisos dentro da l\u00f3gica de servir o homem. Muitas vezes, a lucidez necess\u00e1ria n\u00e3o precisa de grandes s\u00edmbolos, mas oferece-se em textos curtos que o turista ou peregrino apropria em momento de pausa. Esta rota de lucidez \u00e9 um bom caminho pastoral, sobretudo quando presente de forma discreta nas breves notas de um patrim\u00f3nio de visita obrigat\u00f3ria. Em certas circunst\u00e2ncias n\u00e3o necessitar\u00e1 de uma confiss\u00e3o  expl\u00edcita de Cristo, j\u00e1 que para o dizer basta defender a dignidade de cada um, alertando para processos subtis que levariam ao seu desmoronamento. N\u00e3o se trata tanto do exerc\u00edcio de um poder, for\u00e7ando a liberdade, mas do servi\u00e7o com autoridade ajudando cada um a ser ele mesmo . Este \u00e9 discreto, como \u00e9 discreta a lucidez em horizonte de fraternidade universal. Uma outra rota aberta \u00e9 a do pensamento. Frequentemente, no \u00e2mbito pastoral, se cai no desperd\u00edcio de solu\u00e7\u00f5es pragm\u00e1ticas. Cai-se tamb\u00e9m no esquecimento da diferen\u00e7a. O que marca a singularidade do encontro \u00e9 o facto de ele ser uma jun\u00e7\u00e3o reflexiva, uma aproxima\u00e7\u00e3o consciente, uma ocasi\u00e3o de pensamento e um acontecimento pensante. A rota mais favor\u00e1vel \u00e9 a da orienta\u00e7\u00e3o do pensamento, a da sua facilita\u00e7\u00e3o e do seu incremento com consequ\u00eancias. Como acontecimentos de proximidade e de fasc\u00ednio entre homens e mulheres, os encontros s\u00e3o tanto mais quanto mais fazem pensar. Desde o Conc\u00edlio, a par de iniciativas concretas no \u00e2mbito das Igrejas locais, tem a Igreja velado por esta diferen\u00e7a que cria a originalidade humana. A literatura dispon\u00edvel abunda. As orienta\u00e7\u00f5es pastorais s\u00e3o precedidas de aprofundada reflex\u00e3o que provoca itiner\u00e1rios novos nas mentalidades. O sector do Turismo \u00e9 uma das provas. \u00c9 com textos de qualidade e de densidade, onde a pr\u00f3pria pessoa est\u00e1 em causa, que pode proceder-se a uma reviravolta de mentalidade. N\u00e3o se trata de um processo simples e muito menos linear, mas de um processo longo que requer pondera\u00e7\u00e3o e paci\u00eancia. N\u00e3o se muda a realidade com solu\u00e7\u00f5es de superf\u00edcie ou com regras ditadas a partir de cima. Muda-se sempre que se faz pensar. A pastoral do Turismo \u00e9 um claro exemplo desta rota. \u201cAcontecimento social do s\u00e9culo\u201d, como o definiu Paulo VI, o Turismo faz pensar e \u00e9 porque o faz que muda . Quanto mais a Igreja souber fazer pensar mais estar\u00e1 a prestar um servi\u00e7o aut\u00eantico \u00e0s pessoas e com isso a provocar a convers\u00e3o das mentalidades. Esta rota, a da promo\u00e7\u00e3o da reflex\u00e3o, alicer\u00e7a-se mais naquilo que de original tem o homem e menos na publicidade doentia dos males do s\u00e9culo. Enquadra-se na rota a produ\u00e7\u00e3o de literatura de qualidade, a todos os n\u00edveis, para que homens e mulheres, dos diferentes quadrantes culturais, tenham ao seu alcance meios adequados que lhes permitam ser mais, pensando. Influencia-se mais a mentalidade e a sua viragem com uma narrativa, um romance ou um conto sobre a dignidade humana, do que com um c\u00f3digo deontol\u00f3gico, ou com um conjunto de normas que conta j\u00e1 com alguma avers\u00e3o pr\u00e9via, o que significa um conjunto de preconceitos tendentes \u00e0 sua desmontagem. A Igreja tem muito a construir nesta \u00e1rea, vulgarizando textos de qualidade e tornando-os atractivos, acreditando que \u00e9 a partir de dentro que se transforma. Cuidar do pensamento \u00e9 cuidar da diferen\u00e7a antropol\u00f3gica. \u00c9 esta a quest\u00e3o de hoje, quando muito da circunst\u00e2ncia \u00e9 de nivelamento ou at\u00e9 de redu\u00e7\u00e3o do ser humano. Seja a actividade da Igreja centrada em ensinar a pensar como caminho proped\u00eautico ao encontro da f\u00e9. Depois da tenta\u00e7\u00e3o redutora de explicar Deus, de O desvendar e de O provar nas circunst\u00e2ncias da hist\u00f3ria, ensine-se a pensar, cultivem-se itiner\u00e1rios catequ\u00e9ticos de reflex\u00e3o, e Deus, sem necessidade de prova, acontecer\u00e1 nos encontros mais secretos de cada ser humano. Ser l\u00fadico e de frui\u00e7\u00e3o, o homem \u00e9 ser de reflex\u00e3o. Cultivando-se como tal, encontrar\u00e1 o seu princ\u00edpio e o seu destino. O verdadeiro sentido que mendiga pressup\u00f5e esta actividade, o pensamento. Nele encontrar\u00e1 o seu caminho, o mais original.  Depois do encontro, cultive-se a rota da est\u00e9tica. Eloquente \u00e9 a cascata que envolve os homens no ru\u00eddo c\u00f3smico inalter\u00e1vel. L\u00edmpido \u00e9 o vitral que os faz mergulhar na sinfonia das cores. Doce \u00e9 a voz do Convento que o faz acertar com o ritmo natural do cora\u00e7\u00e3o. Delgada \u00e9 a agulha da Catedral g\u00f3tica que o faz comungar com a imensidade ascendente do espa\u00e7o. Repousante \u00e9 a luz do rom\u00e2nico que o faz entrar em si mesmo, em sintonia com a alma. Forte \u00e9 o bosque que lhe confere solidez e que o mant\u00e9m em refer\u00eancia de certeza. Simples \u00e9 a tenda que o deixa sentir a brisa e respirar o vento que vem de longe. \u201cA beleza da tua casa\u201d o surpreende; a fragilidade da chama o atrai; o odor do incenso toca-lhe na alma. O acolhimento funciona com alma, j\u00e1 que \u00e9 dela que nasce a sua beleza. O movimento faz andar, quando se ouve o rumor de passos que procuram. O som, a cor, a luz e o sopro s\u00e3o as qualidades de uma est\u00e9tica, que funciona e provoca, que interroga e incita ao caminho. O Encontro s\u00f3 ser\u00e1 definitivo quando a verdade e o amor se conjugam. Ent\u00e3o haver\u00e1 a festa, como celebra\u00e7\u00e3o do eu e do outro, sem confus\u00e3o, na comunh\u00e3o que os faz ser ambos.   APOIO BIBLIOGR\u00c1FICO BEZAN\u00c7ON, Jean-Noel \u2013 Dieu n\u2019est pas solitaire: la Trinit\u00e9 dans la vie des chr\u00e9tiens. Paris : Descl\u00e9e de Brouwer, 1999. BRUNIN, Jean-Luc \u2013 \u00ab Accueillir l\u2019\u00e9tranger \u00bb. In Pr\u00e9cis de Th\u00e9ologie Pratique. Bruxelas\/Montr\u00e9al : Lumen Vitae\/Novalis, 2004, 797-816. CONSEIL PONTIFICAL POUR LA PASTORALE DES MIGRANTS \u2013 Orientations pour la Pastorale du Tourisme. Vaticano : 29 Junho 2001. DIRECT\u00d3RIO GERAL PARA A PASTORAL DO TURISMO \u2013 Vaticano : 27 Mar\u00e7o 1969. GESCH\u00c9, Adolphe \u2013 L\u2019homme. Paris: Cerf, 1993. LEBRETON, David \u2013 Du Silence. Paris : Editions Metaili\u00e9, 1997. LETTERA alle Conferenze Episcopali \u00ab Chiesa e Mobilita Umana \u00bb. Vaticano : 4.5.1978. SALOM\u00c9, Jacques \u2013 Vivre avec foi: chaque jour\u2026 la vie. Canad\u00e1 : Les \u00e9ditions de l\u2019homme, 2003.  J. Silva Lima Junho 2004  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia de Jos\u00e9 Silva Lima no VI Congresso Mundial sobre a Pastoral dos Turismo, em Bangkok<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[144,168,193,275,285,314,320],"class_list":["post-6772","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-concilio-vaticano-ii","tag-diocese-da-guarda","tag-educacao","tag-pascoa","tag-patrimonio","tag-solidariedade","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6772","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6772"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6772\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6772"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6772"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6772"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}