{"id":6694,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-narrativa-biblica-e-a-crise-da-linguagem-religiosa\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-narrativa-biblica-e-a-crise-da-linguagem-religiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-narrativa-biblica-e-a-crise-da-linguagem-religiosa\/","title":{"rendered":"A narrativa b\u00edblica e a crise da linguagem religiosa"},"content":{"rendered":"<p>O poeta e biblista Pe. Tolentino Mendon\u00e7a defendeu tese de doutoramento sobre o Evangelho de Lucas, pedindo a recupera\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o metaf\u00f3rico e narrativo na vida da Igreja <!--more--> A actual crise da linguagem religiosa, testemunho do final de um certo modo de ser crist\u00e3o, faz-nos acreditar que na nossa sociedade, a F\u00e9 n\u00e3o mais se transmitir\u00e1 pelas veias da assimila\u00e7\u00e3o a um determinado contexto s\u00f3cio-cultural. O Pe. Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a, poeta e biblista, acredita que essa crise, com os seus reflexos nas v\u00e1rias \u00e1reas da Teologia, \u201ctem constitu\u00eddo n\u00e3o s\u00f3 motivo de incerteza e ang\u00fastia, mas representa tamb\u00e9m um incitamento \u00e0 criativa procura de caminhos\u201d. Esta convic\u00e7\u00e3o levou o actual secret\u00e1rio da Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura a apresentar hoje na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, em Lisboa, a sua tese de Doutoramento sobre o tema \u201cA Constru\u00e7\u00e3o de Jesus. Uma leitura narrativa de Lc 7,36-50\u201d. O trabalho defende a recupera\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o \u201cmetaf\u00f3rico e narrativo\u201d na comunidade crist\u00e3 e apresenta-se como uma obra em que o poeta se coloca ao servi\u00e7o do exegeta para dar \u201cum sopro de frescura que reabilita a unidade do texto\u201d. O olhar que se lan\u00e7a sobre a import\u00e2ncia de ler a B\u00edblia no 3\u00ba mil\u00e9nio, com curiosidade e criatividade, fizeram com que Tolentino Mendon\u00e7a utilizasse termos que n\u00e3o aparecem regularmente na an\u00e1lise dos textos sagrados: intriga, espa\u00e7o, pontos de vista, tudo isto \u00e9 apresentado como um testemunho da aten\u00e7\u00e3o que o autor presta \u00e0s estruturas narrativas que, desde sempre, marcam a f\u00e9 crist\u00e3. \u201cTornar ao texto, respeitar os seus mecanismos\u201d \u00e9 o prop\u00f3sito que d\u00e1 vida a este trabalho, onde Tolentino Mendon\u00e7a aborda o relato de uma mulher, a que n\u00e3o se d\u00e1 nome, que irrompe em casa de um fariseu, Sim\u00e3o, para chorar, lavar, ungir os p\u00e9s de Jesus e pedir perd\u00e3o. Para o biblista, o texto tem uma palavra fundamental a dizer sobre Jesus, que tem de ser compreendida, ainda hoje: ele \u00e9 aquele que perdoa. \u201cA pol\u00e9mica reac\u00e7\u00e3o das autoridades judaicas, nomeadamente doutores da Lei e fariseus, visava a rela\u00e7\u00e3o de Jesus com os pecadores\u201d, disse. Ao dedicar a sua tese de Doutoramento \u201ca todos os que alguma vez choraram aos p\u00e9s de Jesus\u201d, Tolentino Mendon\u00e7a vincou a sua alma de poeta, o mesmo que diz sobre o seu trabalho e a abordagem narratol\u00f3gica \u00e0 B\u00edblia que \u201cse o escondido se manifesta, n\u00e3o se deixa reter como um in\u00fatil trof\u00e9u, mas continua vivo, desafiador, imperscrut\u00e1vel\u201d. Com orienta\u00e7\u00e3o do jesu\u00edta Jean-Noel Aletti, o trabalho deste sacerdote mostra que o evangelista \u00e9, verdadeiramente, um autor, abordando o modo como, pela cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, se expressa uma determinada vis\u00e3o religiosa. A discuss\u00e3o p\u00fablica das provas de Doutoramento de Tolentino Mendon\u00e7a contou com a presen\u00e7a dos Bispos do Funchal, D. Teodoro de Faria, e os auxiliares de Lisboa D. Manuel Clemente e D, Tomaz Silva Nunes, al\u00e9m de v\u00e1rios professores da UCP, antigos alunos e amigos presentes. Nascido no ano de 1965, em Machico, Tolentino Mendon\u00e7a estudou no Semin\u00e1rio diocesano do Funchal e na Universidade Cat\u00f3lica, em Lisboa, e foi ordenado sacerdote em Julho de 1990, por D. Teodoro de Faria. Prosseguiu os estudos superiores em Roma, tendo desempenhado ainda o cargo de Reitor do Pontif\u00edcio Col\u00e9gio Portugu\u00eas.  Poeta de elei\u00e7\u00e3o, Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a tem v\u00e1rios t\u00edtulos publicados. Al\u00e9m dos livros de poemas (&#8220;Os Dias Contados&#8221;, 1990; &#8220;Longe N\u00e3o Sabia&#8221;, 1997; &#8220;A que Dist\u00e2ncia Deixaste o Cora\u00e7\u00e3o&#8221;, 1998) e do ensaio &#8220;As Estrat\u00e9gias do Desejo: Um Discurso B\u00edblico sobre a Sexualidade&#8221; (1994), \u201cBaldios\u201d,(1999) Tolentino Mendon\u00e7a \u00e9 autor de uma elogiada tradu\u00e7\u00e3o do &#8220;C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos&#8221; (1997) e de &#8220;Salmos&#8221;, entre outros t\u00edtulos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O poeta e biblista Pe. 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