{"id":6690,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/os-novos-caminhos-da-missao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"os-novos-caminhos-da-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-novos-caminhos-da-missao\/","title":{"rendered":"Os novos caminhos da Miss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Os novos caminhos da Miss\u00e3o cat\u00f3lica, mais aberta ao di\u00e1logo e menos centrada nos n\u00fameros das convers\u00f5es, est\u00e3o em discuss\u00e3o no Cap\u00edtulo Geral dos Espiritanos, que est\u00e1 a decorrer desde o dia 20 de Junho, e at\u00e9 17 de Julho, no semin\u00e1rio da Torre d\u00b4Aguilha. \u201cA perspectiva do mission\u00e1rio \u00e9 a de levar um testemunho, uma mensagem crist\u00e3, a outras pessoas e outros povos, mas com aten\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o material, de ajuda aos mais desfavorecidos e oprimidos\u201d, explica \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o Superior Geral da Congrega\u00e7\u00e3o, Pe. Pierre Schouver.  Falando sobre o que dever\u00e1 ser o futuro da ac\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, este respons\u00e1vel assinala a import\u00e2ncia do di\u00e1logo inter-religioso, \u201cporque o sucesso da Miss\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em contabilizar o maior n\u00famero de baptismos, isso j\u00e1 n\u00e3o motiva\u201d. Nesse sentido, o destaque vai para os mission\u00e1rios que vivem no meio dos mu\u00e7ulmanos, \u201cnuma perspectiva de descoberta da outra religi\u00e3o, um outro mundo\u201d. Na mesma linha se pronuncia o provincial portugu\u00eas, Pe. Jos\u00e9 Manuel Saben\u00e7a, para quem \u201c\u00e9 cada vez mais evidente que n\u00e3o s\u00e3o os n\u00fameros que contam, at\u00e9 porque h\u00e1 uma viragem de Norte para Sul a n\u00edvel de presen\u00e7a crist\u00e3\u201d. \u201cQuando se trata de analisar a nossa ac\u00e7\u00e3o, nunca se olha numa perspectiva quantitativa, mas qualitativa, que tem a ver com a rela\u00e7\u00e3o com pessoas concretas e a aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas situa\u00e7\u00f5es particulares\u201d, vinca. A Miss\u00e3o ganha, assim, uma dimens\u00e3o \u201cextra-eclesial\u201d, que aponta para valores como o di\u00e1logo, a fraternidade e outros que n\u00e3o s\u00e3o vividos exclusivamente no contexto da Igreja.  <b>Miss\u00e3o e Isl\u00e3o<\/b> A miss\u00e3o no Paquist\u00e3o foi particularmente dificultada pelas guerras no Afeganist\u00e3o e no Iraque, dado que os religiosos s\u00e3o ocidentais e foram conotados com os \u201camericanos\u201d. O Ir. Marc Tyrant relata \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que \u201ca primeira reac\u00e7\u00e3o foi considerar todos os ocidentais como americanos, principalmente por parte dos grupos terroristas que pululam no Paquist\u00e3o\u201d. A atmosfera mu\u00e7ulmana requer um constante estado de alerta simplesmente para sobreviver e oferece situa\u00e7\u00f5es invulgares aos mission\u00e1rios. \u201cA mim, por exemplo, aconteceu-me que, quando a Fran\u00e7a se op\u00f4s \u00e0 invas\u00e3o do Iraque, passei a ser um amigo dos mu\u00e7ulmanos, nas ruas as pessoas diziam umas \u00e0s outras que comigo estava tudo bem, eu era franc\u00eas. Contudo, quando houve a lei do v\u00e9u isl\u00e2mico, a Fran\u00e7a tornou-se inimiga do Isl\u00e3o e era preciso ter aten\u00e7\u00e3o antes de dizer que era franc\u00eas\u201d, relata o Ir. Tyrant. A li\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: apesar das dist\u00e2ncias, os mission\u00e1rios sabem que em muitas situa\u00e7\u00f5es representam as pol\u00edticas ocidentais e \u00e9 preciso afastar essa imagem. Nesse sentido, a miss\u00e3o dos Espiritanos no Paquist\u00e3o \u00e9 muito particular, trabalhando junto de duas minorias. Os religiosos t\u00eam uma par\u00f3quia em Rahim Yar Khan, ao servi\u00e7o dos crist\u00e3os Punjabi que est\u00e3o no mais baixo n\u00edvel da escala social. Isto proporciona uma base para uma abordagem mission\u00e1ria aos Marwari Bhils, um povo n\u00f3mada com tra\u00e7os de espiritualidade hindu. O religioso assume que, ao trabalhar como m\u00e9dico, abre portas para um contacto mais estreito e de confian\u00e7a entre todos: \u201ctrabalho com mu\u00e7ulmanos, tendo formado um projecto contra a tuberculose, e servimos toda a popula\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cS\u00f3 assim podemos mostrar que os crist\u00e3os que v\u00e3o ao Paquist\u00e3o n\u00e3o querem combater o Isl\u00e3o, mas servir todos, especialmente os mais pobres, que \u00e9 algo que os mu\u00e7ulmanos compreendem bem, porque este servi\u00e7o \u00e9 um dos deveres da sua religi\u00e3o\u201d, refere. Ao contr\u00e1rio do que acontece no Paquist\u00e3o, as Filipinas s\u00e3o um pa\u00eds de maioria cat\u00f3lica (83% &#8211; a comunidade isl\u00e2mica \u00e9 de 4,6 % com cerca de 13 milh\u00f5es de fi\u00e9is). Ainda assim, os mission\u00e1rios Espiritanos optaram por fixar-se numa regi\u00e3o predominante mu\u00e7ulmana. Hoje em dia, j\u00e1 come\u00e7am a tra\u00e7ar-se caminhos de respeito entre as Religi\u00f5es, mas \u00e9 ainda dif\u00edcil a conviv\u00eancia entre elas por causa com o passado hist\u00f3rico, marcado pelas persegui\u00e7\u00f5es no tempo das coloniza\u00e7\u00f5es espanholas, bem como pelo controlo dos americanos de vastas \u00e1reas dos mu\u00e7ulmanos. O mission\u00e1rio Daniel Sormani explica a necessidade de construir pontes, \u201cporque quando as pessoas se reconhecem como amigas, todos os preconceitos desaparecem\u201d. \u201cAcredito que mesmo na Igreja h\u00e1 quem n\u00e3o tenha percebido o que significa o di\u00e1logo, h\u00e1 muita gente que preferiria colocar todo o esfor\u00e7o na convers\u00e3o dos outros, vendo esta situa\u00e7\u00e3o como a solu\u00e7\u00e3o definitiva\u201d, acrescenta.  <b>Pobreza e conflitos<\/b> A op\u00e7\u00e3o por popula\u00e7\u00f5es mais pobres e desprotegidas marca a missiona\u00e7\u00e3o Espiritana. O exemplo vem do Haiti, onde os religiosos sempre estiveram envolvidos no desenvolvimento integral do povo.  O Pe. Pierre Cherfiliy fala de um pa\u00eds \u201cempobrecido, mas com recursos\u201d, grandemente necessitado de estabilidade. \u201cN\u00f3s tentamos acompanhar este povo na sua luta para que um dia tenham uma vida melhor\u201d, assegura. Em Angola, depois de quarenta anos de guerra, chegou finalmente a paz. A paz hoje \u00e9 um facto incontest\u00e1vel: calaram-se as armas, mas a guerra deixou uma heran\u00e7a muito pesada para todo o povo. O provincial local, Pe. Barnab\u00e9 Sakulenga, refere que a ac\u00e7\u00e3o dos mission\u00e1rios tem hoje muito a ver com a reconcilia\u00e7\u00e3o \u201ccom um passado marcado por sinais de morte\u201d. \u201cA nossa miss\u00e3o \u00e9 reconstruir a alma do angolano e devolver-lhe a dignidade e a esperan\u00e7a num futuro melhor e no Deus libertador. A guerra dividiu e neste momento temos de educar os nossos irm\u00e3os para que recupere valores fundamentais que perdeu durante a guerra\u201d, relata. A \u00c1frica Ocidental tamb\u00e9m apresenta desafios para os Espiritanos, presentes na G\u00e2mbia, Gana e Serra Leoa. Este \u00faltimo pa\u00eds tem sido devastado por uma sangrenta guerra civil desde 1991 que tem custado muitas vidas incluindo a de um mission\u00e1rio irland\u00eas, Felim McAllister.  O Pe. Peter Kofi Laast vinca a import\u00e2ncia de estar \u201cnos locais mais dif\u00edceis e abandonados\u201d, para acompanhar e encorajar as popula\u00e7\u00f5es desfavorecidas. \u201cAp\u00f3s as guerras \u00e9 preciso levar a vida a quem perdeu a f\u00e9 nas pessoas, em Deus. Queremos proporcionar oportunidades, sobretudo \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, para que possam ter forma\u00e7\u00e3o e construir um futuro diferente\u201d, aponta.  <b>\u00c0s portas da China<\/b> Taiwan \u00e9 tr\u00eas vezes mais pequeno que Portugal, mas tem mais do dobro da popula\u00e7\u00e3o. De toda essa gente, a quase totalidade \u00e9 chinesa de origem, e tem o Mandarim como l\u00edngua b\u00e1sica.  Os crist\u00e3os representam cerca de 3% da popula\u00e7\u00e3o, sendo pouco mais de 1% Cat\u00f3licos. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, Taiwan, tem conhecido um crescimento econ\u00f3mico que faz inveja a uma grande parte das na\u00e7\u00f5es europeias. Por um lado, Taiwan \u00e9 a imagem do guardi\u00e3o da cultura mais tradicional chinesa, por outro, \u00e9 a imagem de um pa\u00eds moderno e aberto ao mundo ocidental. O portugu\u00eas Victor Martins da Silva assume que neste pa\u00eds, as situa\u00e7\u00f5es de fronteira t\u00eam menos a ver com a pobreza e mais a ver com o esfor\u00e7o de primeira evangeliza\u00e7\u00e3o, em di\u00e1logo com as outras religi\u00f5es, falando \u201cna trincheira que separa dois mundos, sobre a qual somos chamados a construir uma ponte, n\u00e3o ao ritmo estonteante das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e comerciais, mas ao ritmo de Deus\u201d. \u201cN\u00f3s, mission\u00e1rios, encontramo-nos numa situa\u00e7\u00e3o inicial muito dif\u00edcil, pois passamos um tempo imenso como se f\u00f4ssemos crian\u00e7as, a aprender a l\u00edngua. A miss\u00e3o na \u00c1sia \u00e9, assim, um convite a ouvir mais do que falar, a acolher uma cultura\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os novos caminhos da Miss\u00e3o cat\u00f3lica, mais aberta ao di\u00e1logo e menos centrada nos n\u00fameros das convers\u00f5es, est\u00e3o em discuss\u00e3o no Cap\u00edtulo Geral dos Espiritanos, que est\u00e1 a decorrer desde o dia 20 de Junho, e at\u00e9 17 de Julho, no semin\u00e1rio da Torre d\u00b4Aguilha. \u201cA perspectiva do mission\u00e1rio \u00e9 a de levar um testemunho, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[101,106,154,167,197,199,335],"class_list":["post-6690","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-africa","tag-angola","tag-crianca","tag-dialogo-inter-religioso","tag-espiritanos","tag-espiritualidade","tag-haiti"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6690"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6690\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}