{"id":6614,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-justo-aristides-de-sousa-mendes\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-justo-aristides-de-sousa-mendes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-justo-aristides-de-sousa-mendes\/","title":{"rendered":"O \u00abJusto\u00bb Aristides de Sousa Mendes"},"content":{"rendered":"<p>No 50.\u00ba anivers\u00e1rio da sua morte   <!--more--> Era C\u00f4nsul de Portugal em Bord\u00e9us em Agosto de 1938 durante a \u00faltima grande guerra. Quando judeus e outros fugitivos chegaram a esta cidade perseguidos pelos nazistas, a \u00fanica forma de sobreviver era emigrar para o estrangeiro desde que obtivessem documenta\u00e7\u00e3o portuguesa. Trinta mil pessoas obtiveram o visto para entrar em Portugal, dez mil das quais judias!   \u00abEu lhes darei na Minha casa, dentro das Minhas muralhas, um lugar e um nome que valem mais do que filhos e filhas, dar-lhes-ei um nome eterno que nunca desaparecer\u00e1 (Is. 56, 5).  Cai a tarde na cidade santa de Jerusal\u00e9m. Estamos no m\u00eas de Setembro.  Um grupo de peregrinos da Madeira, acompanhado pelo seu bispo e um guia israelita, entram no memorial de Yad Vashem (Lugar e Nome) que recorda a morte de seis milh\u00f5es de judeus, v\u00edtimas do regime nazista de Hitler.  Vamos entrar na \u00abAvenida dos Justos\u00bb que nos leva ao Memorial. Cada uma das \u00e1rvores da Avenida tem um nome de uma pessoa, de uma fam\u00edlia ou de uma comunidade que puseram em perigo a sua vida e salvaram crian\u00e7as ou adultos, marcados com a estrela amarela de judeus condenados \u00e0 morte. Estas pessoas renovaram o gesto her\u00f3ico das parteiras do Egipto que, desobedecendo \u00e0s ordens do fara\u00f3, salvaram os primog\u00e9nitos hebreus (Ex. 1, 15-17).  Ao entrarmos nesta Avenida dos Justos l\u00ea-se a palavra \u00abLembra-te\u00bb gravada numa coluna. \u2018Quem s\u00e3o estes justos de Yad Vashem\u2019? S\u00e3o aqueles homens ou mulheres que salvaram judeus de morte certa, no tempo do nazismo, expondo a sua pr\u00f3pria vida.  Come\u00e7amos a percorrer a Avenida, o guia fala de um dos nomes mais conhecidos devido ao filme que o imortalizara \u2014 A lista de Schindler.  Paramos junto da sua mem\u00f3ria, a inscri\u00e7\u00e3o esta coberta de muitas pequenas pedras, forma hebraica de substituir as nossas flores. Tamb\u00e9m colocamos ali uma pedrinha.  Aten\u00e7\u00e3o, continua o guia, aqui est\u00e1 tamb\u00e9m o nome de um portugu\u00eas.  Ficamos orgulhosos e admirados. Vamos procurar a sua \u00e1rvore e a sua mem\u00f3ria. Encontramo-la facilmente; o nosso \u00abJusto\u00bb chama-se Aristides de Sousa Mendes. Sobre a sua inscri\u00e7\u00e3o n\u00e3o havia nenhuma pedrinha o que significa que ningu\u00e9m lhe colocou uma flor naquele dia. Quando deixamos o Memorial ficaram quarenta.  2 &#8211; Aristides C\u00e9sar nascido no Concelho de Carregal do Sal em 1885 e falecido em Lisboa em 1954, casado com Maria Angelina R. de Abranches, pai de 14 filhos, era C\u00f4nsul de Portugal em Bord\u00e9us em Agosto de 1938 durante a \u00faltima grande guerra. Quando judeus e outros fugitivos chegaram a esta cidade perseguidos pelos nazistas, a \u00fanica forma de sobreviver era emigrar para o estrangeiro desde que obtivessem documenta\u00e7\u00e3o portuguesa. Trinta mil pessoas obtiveram o visto para entrar em Portugal, dez mil das quais judias! As instru\u00e7\u00f5es do Governo de Lisboa e do primeiro ministro eram determinantes e claras, o c\u00f4nsul Aristides sabia o que significava desrespeitar as ordens de Salazar, condenava-se a si mesmo. O C\u00f4nsul Aristides era um homem de f\u00e9, conhecia o Evangelho e o mandamento do amor: \u00abo que fizerdes a um destes mais pequeninos \u00e9 a mim que o fazeis\u00bb. Obedecer \u00e0 consci\u00eancia ou \u00e0 lei dos homens? \u00abPrefiro estar com Deus contra os homens que com os homens contra Deus\u00bb. Reuniu a sua fam\u00edlia, esposa e filhos, exp\u00f4s-lhos a situa\u00e7\u00e3o, dizendo que estava disposto a desobedecer e salvar esta multid\u00e3o de refugiados perseguidos por Hitler, sabia que seria destitu\u00eddo do seu cargo, viveria pobre durante a sua vida, mas a sua consci\u00eancia crista falava mais alto. Depois lan\u00e7a a terr\u00edvel pergunta \u00e0 fam\u00edlia: estais dispostos a acompanhar-me neste acto, uma vida pobre mas em paz com a nossa consci\u00eancia e segundo a f\u00e9 crist\u00e3? Todos disseram, SIM, estamos. Come\u00e7ou um trabalho ingente, dia e noite, c\u00f4nsul, mulher e filhos mais velhos a preparar passaportes e a entreg\u00e1-los aos refugiados em perigo de vida. No centro da bandeira portuguesa, estavam as cinco chagas de Cristo, a recordar o sangue do Salvador de todos os homens. Salazar foi duro e cruel, como em tantas outras vezes. N\u00e3o perdoava uma falta diplom\u00e1tica e muito menos uma transgress\u00e3o volunt\u00e1ria. Aristides foi obrigado a uma reforma compulsiva e n\u00e3o remunerada, proibido de praticar a advocacia. O prevaricador devia ser esmagado, arrastando a sua vida na pobreza com os seus familiares. Mas os judeus salvos engrandecerem o seu nome, comunicaram o seu feito de \u00abjusto\u00bb e o seu nome foi gravado no memorial da \u00abAvenida dos Justos\u00bb na cidade santa de Jerusal\u00e9m, onde o Justo dos Justos, Jesus de Nazar\u00e9 foi morto e ressuscitou para com a sua Vida fortalecer novas gera\u00e7\u00f5es de justos.  Vinte anos ap\u00f3s a sua morte o seu nome foi reabilitado pelas organiza\u00e7\u00f5es judias internacionais, come\u00e7ou a ser honrado e no 50.\u00ba anivers\u00e1rio da sua morte a 17 de Junho, a sua mem\u00f3ria foi celebrada em 21 pa\u00edses. As celebra\u00e7\u00f5es tiveram lugar em sinagogas e igrejas cat\u00f3licas nos cinco continentes.  Os pol\u00edticos portugueses foram obrigados pelas circunstancia a associarem-se \u00e0s comemora\u00e7\u00f5es, embora reticentes num ponto importante, a congru\u00eancia de Aristides entre as suas obras e a sua f\u00e9.  Numa reuni\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, em F\u00e1tima, o falecido bispo de Viseu, D. Ant\u00f3nio Monteiro, levantou a sua voz protestando contra o aproveitamento da figura do grande portugu\u00eas e crist\u00e3o, por aqueles que esqueciam a fonte inspiradora do seu acto &#8211; o evangelho da caridade, \u00abAmai-vos uns aos outros como eu vos amei\u00bb.  3 \u2014 Continuamos a peregrina\u00e7\u00e3o ao longo da \u00abAvenida dos Justos\u00bb e chegamos ao Memorial das crian\u00e7as, v\u00edtimas inocentes da barb\u00e1rie nazista. Quanta emo\u00e7\u00e3o e l\u00e1grimas. Fora est\u00e3o crian\u00e7as a sorrir, cheias de vida, dentro um labirinto de trevas, onde seguimos agarrados a um corrim\u00e3o. Uma \u00fanica chama de um c\u00edrio que se multiplica ao infinito com um complexo jogo de espelhos, ilumina a noite com uma multid\u00e3o de estrelas. Caminha-se ao escuro ouvindo o nome, idade e nacionalidade de um milh\u00e3o e meio de crian\u00e7as, m\u00e1rtires do anti-semitismo! Quando sa\u00edmos do Memorial alguns peregrinos, estavam prestes a desmaiar e foram atendidos por um m\u00e9dico. Yad Vashem. Lugar e Nome. Holocausto! Avenida dos Justos. Aristides de Sousa Mendes, o \u00abJusto\u00bb portugu\u00eas. Oh! Jerusal\u00e9m!  Funchal, 27 de Junho de 2004   \u2020 Teodoro de Faria  Bispo do Funchal   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No 50.\u00ba anivers\u00e1rio da sua morte<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[147,154,184,186,206,207,291],"class_list":["post-6614","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-crianca","tag-diocese-de-viseu","tag-diocese-do-funchal","tag-familia","tag-fatima","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6614","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6614"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6614\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}