{"id":66110,"date":"2014-06-02T13:08:00","date_gmt":"2014-06-02T13:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/06\/02\/comunicacao-e-redes-para-uma-cultura-do-encontro\/"},"modified":"2014-06-02T13:08:00","modified_gmt":"2014-06-02T13:08:00","slug":"comunicacao-e-redes-para-uma-cultura-do-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comunicacao-e-redes-para-uma-cultura-do-encontro\/","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o e redes &#8211; para uma cultura do encontro"},"content":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito da mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais <!--more--> <\/p>\n<p> \tO discurso do Papa Francisco desloca-se de uma perspetiva, por vezes prevalente em certo discurso pastoral, em que a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; vista como transmiss&atilde;o de conte&uacute;dos &ndash; tanto no que diz respeito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o massmedi&aacute;tica, como &agrave;s novas plataformas comunicativas. Alicer&ccedil;adas na experi&ecirc;ncia de que t&ecirc;m uma mensagem a transmitir, as Igrejas t&ecirc;m cultivado uma perspetiva funcional dos sistemas comunicativos, vistos sempre como uma possibilidade de diversifica&ccedil;&atilde;o de meios para a circula&ccedil;&atilde;o da sua mensagem.<\/p>\n<p> \tA mensagem do Papa Francisco imprime uma rota&ccedil;&atilde;o de perspetiva, apelando para a necessidade de compreens&atilde;o deste novo contexto como cultura &ndash; na &oacute;tica do Papa, um contexto que exige a reinven&ccedil;&atilde;o de uma cultura do encontro. Mesmo anotando os riscos e perversidades h&aacute;, na mensagem do Papa Francisco, um olhar de bondade sobre as redes comunicativas, como que uma bondade genes&iacute;aca: &laquo;Particularmente a&nbsp;<em>internet<\/em>&nbsp;pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto &eacute; uma coisa boa, &eacute; um dom de Deus.&raquo; Esta mudan&ccedil;a de perspetiva abandona, pois, um discurso preponderantemente instrumental, para a considera&ccedil;&atilde;o das redes de comunica&ccedil;&atilde;o como ambiente (digital) onde se desenvolvem rela&ccedil;&otilde;es: &laquo;Tenho-o repetido j&aacute; diversas vezes: entre uma Igreja acidentada que sai pela estrada e uma Igreja doente de autorreferencialidade, n&atilde;o hesito em preferir a primeira. E quando falo de estrada, penso nas estradas do mundo onde as pessoas vivem: &eacute; l&aacute; que as podemos, efetiva e afetivamente, alcan&ccedil;ar. Entre estas estradas est&atilde;o tamb&eacute;m as digitais, congestionadas de humanidade, muitas vezes ferida: homens e mulheres que procuram uma salva&ccedil;&atilde;o ou uma esperan&ccedil;a.&raquo; No essencial, o Papa Francisco fala do ambiente digital como um lugar onde se encontram os homens e as mulheres com problemas similares aos que se descobrem noutros espa&ccedil;os sociais.<\/p>\n<p> \tQuais s&atilde;o os tra&ccedil;os desta cultura marcada pela &eacute;tica do encontro, a partir da mem&oacute;ria e experi&ecirc;ncia crist&atilde;s? O discurso revela-se consciente da complexidade pr&oacute;pria das novas &laquo;mediasferas&raquo;, onde se descobre a turbul&ecirc;ncia pr&oacute;pria das zonas interm&eacute;dias, das interfaces, dos curto-circuitos, o vaiv&eacute;m entre a pequena e a grande escala. A leitura contextual proposta d&aacute; conta da preponder&acirc;ncia de uma <em>cultura da extens&atilde;o<\/em> (sirvo-me aqui de uma categoria de R&eacute;gis Debray). Uma cultura que d&aacute; prioridade ao espa&ccedil;o em detrimento do tempo, do imediato em detrimento da dura&ccedil;&atilde;o, aproveitando para tal a maior parte das inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas (<em>sampling<\/em> e <em>zapping<\/em>, culto do direto e imediato, montagem instant&acirc;nea e viagens ultrarr&aacute;pidas). Estamos, paradoxalmente, perante um alargamento vertiginoso dos horizontes e uma contra&ccedil;&atilde;o planet&aacute;ria.<\/p>\n<p> \tA partir do que se poderia descrever como uma anal&iacute;tica prof&eacute;tica, a mensagem do Papa Francisco sublinha o facto de que este encurtamento de dist&acirc;ncias n&atilde;o pode apresentar-se como uma oportunidade totalmente partilhada, em raz&atilde;o das fraturas de desigualdade que persistem. Ou seja, observa-se o paradoxo de um fen&oacute;meno que se descreve pelo encurtamento da dist&acirc;ncia (no espa&ccedil;o) e pelo aprofundamento da dist&acirc;ncia social incrementado por novas formas de exclus&atilde;o ou recomposi&ccedil;&atilde;o das j&aacute; conhecidas. Os meios que permitem estar mais perto podem introduzir novas fronteiras de exclus&atilde;o. Na sua mensagem, o Papa Francisco, alude &agrave; mem&oacute;ria das grandes metr&oacute;poles do final s&eacute;culo XIX, onde a abertura de grandes avenidas, particularmente votadas ao com&eacute;rcio e servi&ccedil;os, tornaram ainda mais vis&iacute;veis algumas vulnerabilidades e fraturas sociais.<\/p>\n<p> \tNeste quadro de ideias, o Papa Francisco n&atilde;o l&ecirc; esta nova realidade como um fen&oacute;meno primariamente tecnol&oacute;gico, mas, como um acontecimento mais amplamente humano, observando que a tecnologia, em si, n&atilde;o cria comunh&atilde;o ou proximidade. Deparamo-nos pois com um discurso humanista, que n&atilde;o se deixa iludir pelo virtuosismo tecnol&oacute;gico, antes se preocupa com as condi&ccedil;&otilde;es que permitem &agrave;s media&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas a inscri&ccedil;&atilde;o num habitat verdadeiramente humano. As novas plataformas comunicativas s&atilde;o inseridas num t&oacute;pico central da doutrina social cat&oacute;lica: a unidade do g&eacute;nero humano: &laquo;Neste mundo, os&nbsp;<em>mass-media<\/em>&nbsp;podem ajudar a sentir-nos mais pr&oacute;ximos uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da fam&iacute;lia humana, que impele &agrave; solidariedade e a um compromisso s&eacute;rio para uma vida mais digna. Uma boa comunica&ccedil;&atilde;o ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre n&oacute;s, a ser mais unidos.&raquo; Precisamente porque moldado a partir de uma experi&ecirc;ncia facilitadora da afirma&ccedil;&atilde;o da diversidade, este discurso n&atilde;o se transcreve numa compreens&atilde;o monol&iacute;tica essa experi&ecirc;ncia do universal humano. Pelo contr&aacute;rio, a linguagem usada &eacute; faz um apelo muito expressivo &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o e reconhecimento das diferen&ccedil;as: &laquo;Temos necessidade tamb&eacute;m de ser pacientes, se quisermos compreender aqueles que s&atilde;o diferentes de n&oacute;s: uma pessoa expressa-se plenamente a si mesma, n&atilde;o quando &eacute; simplesmente tolerada, mas quando sabe que &eacute; verdadeiramente acolhida. Se estamos verdadeiramente desejosos de escutar os outros, ent&atilde;o aprenderemos a ver o mundo com olhos diferentes e a apreciar a experi&ecirc;ncia humana tal como se manifesta nas v&aacute;rias culturas e tradi&ccedil;&otilde;es.&raquo;<\/p>\n<p> \tA argumenta&ccedil;&atilde;o apresentada v&ecirc; esta nova mediasfera n&atilde;o apenas como o resultado do fluxo de mensagens, mas como um lugar onde se recomp&otilde;em os v&iacute;nculos sociais, os modos de construir o espa&ccedil;o partilhado. Este tra&ccedil;o constituiu, sublinho de novo, uma mudan&ccedil;a de paradigma no discurso cat&oacute;lico autorizado. Com frequ&ecirc;ncia, as novas plataformas de comunica&ccedil;&atilde;o eram apresentados, pastoralmente, na &oacute;tica da met&aacute;fora dos novos are&oacute;pagos &ndash; ou seja novos meios para disseminar a mensagem. Na perspetiva enunciada pelo Papa Francisco, aprofunda-se uma outra met&aacute;fora, a da cidadania (em vez de novos are&oacute;pagos, novas cidades).<\/p>\n<p> \tSabemos que desde cedo a met&aacute;fora da cidadania descreveu a forma pr&oacute;pria de inscri&ccedil;&atilde;o dos crist&atilde;os no espa&ccedil;o comum. &Eacute; verdade que as teologias crist&atilde;s foram historicamente marcadas por uma reflex&atilde;o sobre o tempo, enquanto hist&oacute;ria habitada por um des&iacute;gnio salv&iacute;fico. Mas tamb&eacute;m &eacute; justo n&atilde;o esquecer que encontramos, por exemplo, na teologia paulina, a consci&ecirc;ncia de que voca&ccedil;&atilde;o crist&atilde; tem como horizonte todo o espa&ccedil;o conhecido (literalmente, <em>oikoumen&ecirc;<\/em>), ultrapassando a ideia de uma condi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; vivida num espa&ccedil;o separado. A ideia de cidadania partilhada (outra forma de falar de laicidade) &eacute; conatural &agrave; mem&oacute;ria crist&atilde; &ndash; mesmo se historicamente ela conheceu muitas ambiguidades. Recorde-se, por exemplo, um dos tra&ccedil;os caracter&iacute;sticos da apolog&eacute;tica que se desenvolveu no contexto do mart&iacute;rio, no cristianismo antigo. Em vez de um discurso defensivo, que devolvesse ao perseguidor a viol&ecirc;ncia recebida, encontramos uma argumenta&ccedil;&atilde;o que visa mostrar que os crist&atilde;os querem participar num bom entendimento da vida coletiva e n&atilde;o furtar-se a esse entendimento.<\/p>\n<p> \t&Eacute; a ideia de comunh&atilde;o enquanto cidadania que leva o Papa Francisco a refor&ccedil;ar a ideia de uma abertura das Igrejas ao ambiente digital: &laquo;Abrir as portas das igrejas significa tamb&eacute;m abri-las no ambiente digital, seja para que as pessoas entrem, independentemente da condi&ccedil;&atilde;o de vida em que se encontrem, seja para que o Evangelho possa cruzar o limiar do templo e sair ao encontro de todos. Somos chamados a testemunhar uma Igreja que seja casa de todos&raquo; (acrescento, literalmente ecum&eacute;nica).<\/p>\n<p> \tOra, onde encontrar, o nervo da via evang&eacute;lica para esta compreens&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o de cidadania? Na figura da &laquo;proximidade&raquo;. Se a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute;, na argumenta&ccedil;&atilde;o j&aacute; apresentada, uma redu&ccedil;&atilde;o de dist&acirc;ncias, a &laquo;proximidade&raquo; &eacute; o lugar de elabora&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia de cidadania. Neste contexto, a estrutura da mensagem parece apontar para a necessidade de ultrapassar o que poder&iacute;amos apelidar de compaix&atilde;o &agrave; dist&acirc;ncia (o soci&oacute;logo Luc Boltanski estudou, neste contexto, as modalidades de &laquo;sofrimento &agrave; dist&acirc;ncia&raquo;). Essa modalidade de compaix&atilde;o corresponde a constru&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-comunicativas em que se favorece uma dram&aacute;tica social em que o espetador e a cena se distanciam. Quantas vezes, a rela&ccedil;&atilde;o com o sofrimento do outro, n&atilde;o se circunscreve ao plano da den&uacute;ncia, da rela&ccedil;&atilde;o sentimental ou est&eacute;tica, circunst&acirc;ncia em que a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; ao mesmo tempo evitamento ou distanciamento? Nesta mensagem para o Dia Mundial das Comunica&ccedil;&otilde;es Sociais, a alus&atilde;o &agrave; chamada par&aacute;bola do Bom Samaritano tem uma particular centralidade, porque, tal como na narrativa evang&eacute;lica, visa abrir para uma inesperada experi&ecirc;ncia de proximidade: &laquo;Ent&atilde;o, como pode a comunica&ccedil;&atilde;o estar ao servi&ccedil;o de uma aut&ecirc;ntica cultura do encontro? E &ndash; para n&oacute;s, disc&iacute;pulos do Senhor &ndash; que significa, segundo o Evangelho, encontrar uma pessoa? Como &eacute; poss&iacute;vel, apesar de todas as nossas limita&ccedil;&otilde;es e pecados, ser verdadeiramente pr&oacute;ximo aos outros? Estas perguntas resumem-se naquela que, um dia, um escriba &ndash; isto &eacute;, um comunicador &ndash; p&ocirc;s a Jesus: <em>E quem &eacute; o meu pr&oacute;ximo?<\/em> (<em>Lc<\/em>&nbsp;10, 29). Esta pergunta ajuda-nos a compreender a comunica&ccedil;&atilde;o em termos de proximidade. Poder&iacute;amos traduzi-la assim: Como se manifesta a &laquo;proximidade&raquo; no uso dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais? Encontro resposta na par&aacute;bola do bom samaritano, que &eacute; tamb&eacute;m uma par&aacute;bola do comunicador. Na realidade, quem comunica faz-se pr&oacute;ximo. E o bom samaritano n&atilde;o s&oacute; se faz pr&oacute;ximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada. Jesus inverte a perspetiva: n&atilde;o se trata de reconhecer o outro como um meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro. Por isso, comunicar significa tomar consci&ecirc;ncia de que somos humanos, filhos de Deus. Apraz-me definir este poder da comunica&ccedil;&atilde;o como <em>proximidade<\/em>&raquo;.<\/p>\n<p> \tA quest&atilde;o do &laquo;pr&oacute;ximo&raquo;, sabemo-lo, &eacute; central na prega&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica. O amor que se exprime nessa rela&ccedil;&atilde;o &eacute; o amor-<em>agap&ecirc;<\/em>, que n&atilde;o descreve apenas a rela&ccedil;&atilde;o com Deus, ou a rela&ccedil;&atilde;o entre si dos crentes. Pode qualificar as rela&ccedil;&otilde;es de forma universal. Que tipo de rela&ccedil;&atilde;o &eacute; esta? Aquela em que o dom n&atilde;o &eacute; mobiliz&aacute;vel pelo valor do objeto, pela sua beleza, pela sua excecionalidade ou pela capacidade de retribui&ccedil;&atilde;o. Este amor dirige-se sempre a algu&eacute;m de concreto, singular, o pr&oacute;ximo concreto. O amor-<em>agap&ecirc; <\/em>n&atilde;o se dirige &agrave; humanidade em geral, como ideal, mas &agrave; pessoa em particular, &agrave;quele com quem nos cruzamos. Este amor-<em>agap&ecirc;<\/em> est&aacute; para al&eacute;m das rela&ccedil;&otilde;es familiares, amicais ou &eacute;tnicas. Dirige-se ao humano simplesmente humano que se encontra no outro, para al&eacute;m de todas as classifica&ccedil;&otilde;es sociais.<\/p>\n<p> \tA mensagem do Papa Francisco inscreve, assim, a media&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica na l&oacute;gica do dom. No fundo, trata-se de pensar as novas oportunidades de comunica&ccedil;&atilde;o como outros lugares de reinven&ccedil;&atilde;o do amor-<em>agap&ecirc;<\/em>, ultrapassando o que divide e fazendo crescer o que &eacute; comum. As condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o, a liberdade e a disponibilidade para deixar que as rela&ccedil;&otilde;es se tornem perme&aacute;veis &agrave; l&oacute;gica do dom &ndash; o rasto de certa linguagem, como o da &laquo;partilha&raquo;, nas chamadas redes sociais, pode ser um lugar de aprendizagem.<\/p>\n<p> \tNesse apelo para ultrapassar os limites de uma compaix&atilde;o &agrave; dist&acirc;ncia, &eacute; necess&aacute;rio sublinhar que a dist&acirc;ncia n&atilde;o se mede, aqui, no espa&ccedil;o. Mede-se na capacidade de se aproximar para cuidar. As vias num&eacute;ricas e digitais s&atilde;o caminhos do samaritano. As novas redes s&atilde;o tamb&eacute;m lugares de corpos ca&iacute;dos que exigem o toque do cuidado. O bom samaritano n&atilde;o &eacute; um perito na tecnologia. Dir&iacute;amos que &eacute; um frequentador capaz de comunicar na &oacute;tica do utilizador. V&ecirc; e age para al&eacute;m das simetrias, estere&oacute;tipos, e outras classifica&ccedil;&otilde;es sociais (incluindo amigo\/inimigo). O ator na par&aacute;bola n&atilde;o &eacute; o her&oacute;i de uma saga. &Eacute; algu&eacute;m livre para o outro &ndash; no caso da par&aacute;bola evang&eacute;lica, livre de preceitos religiosos, que impediam a aproxima&ccedil;&atilde;o ao outro.<\/p>\n<p> \tTermino observando que o profissional da comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fica exclu&iacute;do deste imperativo do cuidado: &laquo;A neutralidade dos massmedia &eacute; s&oacute; aparente: quem comunica s&oacute; pode constituir um ponto de refer&ecirc;ncia colocando-se a si mesmo em jogo. O envolvimento pessoal &eacute; a pr&oacute;pria raiz da fiabilidade dum comunicador. &Eacute; por isso mesmo que o testemunho crist&atilde;o pode, gra&ccedil;as &agrave; rede, alcan&ccedil;ar as periferias existenciais.&raquo; A isen&ccedil;&atilde;o ou neutralidade do sacerdote e do levita, s&atilde;o nesta &oacute;tica, destrutivas. Eles podem ser o exemplo de quem pode estar pr&oacute;ximo, sob o ponto de vista das dist&acirc;ncias, mas ao mesmo tempo desligado (sem la&ccedil;os com o outro). O Papa Francisco prop&otilde;e assim uma conce&ccedil;&atilde;o de dist&acirc;ncia e proximidade que reflete a intui&ccedil;&atilde;o de que essas duas din&acirc;micas afetam de forma decisiva a comunica&ccedil;&atilde;o, as sociabilidades, a cidadania, independentemente do <em>medium<\/em> em causa.<\/p>\n<p> \t<em>Alfredo Teixeira<\/em><br \/> \tCentro de Estudos de Religi&otilde;es e Culturas (UCP)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito da mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[140,274,314,321],"class_list":["post-66110","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao","tag-comunicacoes-sociais","tag-papa-francisco","tag-solidariedade","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66110"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66110\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}