{"id":6602,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/extincao-das-ordens-religiosas\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"extincao-das-ordens-religiosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/extincao-das-ordens-religiosas\/","title":{"rendered":"Extin\u00e7\u00e3o das Ordens religiosas"},"content":{"rendered":"<p>Antecedentes de 1834 A extin\u00e7\u00e3o das ordens religiosas em 1834 tiveram antecedentes no s\u00e9culo anterior. Com o alvar\u00e1 de 3 de Setembro, o Marqu\u00eas de Pombal expulsara os jesu\u00edtas e incorporara os bens na Fazenda Nacional. Expuls\u00e3o confirmada por alvar\u00e1 de 1 de abril de 1815. Autorizados a regressar ao pa\u00eds no reinado de D. Miguel e instalados em Coimbra, em 1832, no Col\u00e9gio das Artes, foram novamente expulsos (decreto de 24 de Maio de 1834) logo que se completou a vit\u00f3ria liberal em todo o pa\u00eds.  Se excluirmos a Companhia de Jesus, at\u00e9 \u00e0 data referida, nenhuma Ordem fora suprimida ou nenhum religioso foi for\u00e7ado a abandonar o h\u00e1bito at\u00e9 ao ano de 1834. Apesar das primeiras cortes constituintes, com decreto de 18 de Outubro de 1822, terem proibido a admiss\u00e3o de novi\u00e7os e reduzindo as casas conventuais. Essas determina\u00e7\u00f5es foram suspensas depois da contra-revolu\u00e7\u00e3o de 1823 mas n\u00e3o \u201csaiu do esp\u00edrito dos liberais a ideia de executarem uma reforma a seu modo\u201d (In: Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica de Portugal \u2013 Pe. Miguel de Oliveira).  30 de Maio de 1834 Os ataques ao poderio e \u00e0 influ\u00eancia clerical, em particular das ordens regulares, vinham de longe mas foi em 1834, dias depois da Conven\u00e7\u00e3o de \u00c9vora Monte, que a decis\u00e3o foi tomada. O ministro da justi\u00e7a, Joaquim Ant\u00f3nio de Aguiar, redigia o decreto que lhe valeu o nome de \u00abmatafrades\u00bb. N\u00edtido reflexo das ideias ent\u00e3o correntes, o relat\u00f3rio dirigido a D. Pedro, come\u00e7a com estas palavras: \u00abSenhor: Est\u00e1 hoje extinto o preju\u00edzo que durou s\u00e9culos, de que a exist\u00eancia das Ordens Regulares \u00e9 indispens\u00e1vel \u00e0 Religi\u00e3o Cat\u00f3lica e \u00fatil ao Estado, e a opini\u00e3o dominante \u00e9 que a Religi\u00e3o nada lucra com elas, e que a sua conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a civiliza\u00e7\u00e3o e luzes do s\u00e9culo, e com a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que conv\u00e9m aos povos\u00bb. Na parte dispositiva, o decreto (cuja verdadeira data \u00e9 30 de Maio de 1834, embora aparecesse datado de 28) determinava a imediata extin\u00e7\u00e3o de todas as casas religiosas (art.1) e a incorpora\u00e7\u00e3o dos seus bens na Fazenda Nacional (art.2), \u00e0 excep\u00e7\u00e3o dos vasos sagrados e paramentos que seriam entregues aos ordin\u00e1rios das dioceses (art.3). Segundo o livro citado anteriormente, \u201cmuitos religiosos sa\u00edram cobertos com mantas e descal\u00e7os; os pr\u00f3prios doentes e paral\u00edticos tiveram que abandonar o leito das enfermarias\u201d. O artigo 3 do decreto afirmava que seria concedida uma pens\u00e3o anual aos religiosos que n\u00e3o obtivessem benef\u00edcio ou emprego p\u00fablico\u201d mas a promessa das pens\u00f5es \u201cn\u00e3o passou de irris\u00e3o\u201d. Alguns anos mais tarde, Alexandre Herculano ergueu a voz a favor destes \u201cdesgra\u00e7ados\u201d e implorava \u201cp\u00e3o para metade dos nossos s\u00e1bios, dos nossos homens virtuosos, dos nossos sacerdotes que morriam de fome e frio\u201d.  Onde est\u00e1 o patrim\u00f3nio? Com a extin\u00e7\u00e3o das Ordens Religiosas em 1834, afluiu \u00e0 Biblioteca grande parte do esp\u00f3lio das livrarias conventuais. Esse afluxo e a mudan\u00e7a das instala\u00e7\u00f5es do Terreiro do Pa\u00e7o para o edif\u00edcio do Convento de S. Francisco marcaram a hist\u00f3ria da Institui\u00e7\u00e3o, que demorou longas d\u00e9cadas a assimilar tal crescimento imprevis\u00edvel. Tais factos ficaram claramente descritos pelo Bibliotec\u00e1rio-Mor J. Feliciano de Castilho no volumoso Relat\u00f3rio (1844) sobre a situa\u00e7\u00e3o e perspectivas da BN. Na mesma altura, s\u00e3o publicados os primeiros cat\u00e1logos das colec\u00e7\u00f5es mais not\u00e1veis: Incun\u00e1bulos, Bodoni, Elzevier, etc. Por exemplo, o Convento de Santa Cruz do Bu\u00e7aco, fundado em 1628 pertencia aos religiosos Carmelitas Descal\u00e7os. com a extin\u00e7\u00e3o das ordens religiosas o convento passou para posse do Estado, sendo mais tarde, parcialmente destru\u00eddo, para dar lugar ao &#8220;Palace&#8221; e a novas constru\u00e7\u00f5es que ainda hoje o rodeiam e que praticamente escondem o que resta do antigo convento. Mesmo assim o Convento ainda guarda muito patrim\u00f3nio como azulejos e artigos de artilharia.  De norte a sul, o Estado apropriou-se de grande parte desses bens. Mousinho da Silveira entendia que se devia pagar com esses bens \u00abnacionais\u00bb a d\u00edvida externa contra\u00edda para a guerra civil mas prevaleceu a opini\u00e3o de indemnizar  os her\u00f3is da cauda liberal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antecedentes de 1834 A extin\u00e7\u00e3o das ordens religiosas em 1834 tiveram antecedentes no s\u00e9culo anterior. Com o alvar\u00e1 de 3 de Setembro, o Marqu\u00eas de Pombal expulsara os jesu\u00edtas e incorporara os bens na Fazenda Nacional. Expuls\u00e3o confirmada por alvar\u00e1 de 1 de abril de 1815. Autorizados a regressar ao pa\u00eds no reinado de D. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[126,168,174,175,236,285],"class_list":["post-6602","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-carmelitas","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-evora","tag-jesuitas","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6602","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6602"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6602\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6602"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6602"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6602"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}