{"id":66002,"date":"2014-05-23T16:22:10","date_gmt":"2014-05-23T16:22:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/05\/23\/cinema-a-mae-e-o-mar\/"},"modified":"2014-05-23T16:22:10","modified_gmt":"2014-05-23T16:22:10","slug":"cinema-a-mae-e-o-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-a-mae-e-o-mar\/","title":{"rendered":"Cinema: A M\u00e3e e o Mar"},"content":{"rendered":"<p>Prestes a chegar ao circuito comercial nacional, &lsquo;A M&atilde;e e o Mar&rsquo; &eacute; o mais recente filme do portugu&ecirc;s Gon&ccedil;alo Tocha. Apresentado pela primeira vez em Fevereiro de 2013 no prestigiado Festival Internacional de Cinema de Roma, o document&aacute;rio passaria em Julho pelo Festival de Curtas de Vila do Conde, seguindo em fevereiro deste ano para o MOMA, Nova Iorque, integrado no Festival Internacional de Cinema e Media de n&atilde;o Fic&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Um percurso do exterior para Portugal, semelhante ao seguido pelas anteriores obras do realizador: &lsquo;Balaou&rsquo; (2007), uma primeira incurs&atilde;o &agrave;s suas origens, revisita&ccedil;&atilde;o da M&atilde;e que acabara de perder e cujo di&aacute;rio proporciona um reencontro, em registo po&eacute;tico, pelo mar e a costa a&ccedil;oriana. E &lsquo;&Eacute; Na Terra n&atilde;o &eacute; na Lua&rsquo; (2011), um di&aacute;logo cinematogr&aacute;fico e identit&aacute;rio intemporal que nos revela uma extraordin&aacute;ria ilha do Corvo, primeiramente destacado em Locarno, 2011, com uma Men&ccedil;&atilde;o Honrosa na categoria Realizadores da Atualidade, seguindo-se, com dois pr&eacute;mios, os prestigiados festivais internacionais de Cinema Independente de Buenos Aires (BAFICI) e de S&atilde;o Francisco (EUA) em Abril de 2012.<\/p>\n<p>Entre estes e o filme que agora estreia, Gon&ccedil;alo Tocha cria ainda, &lsquo;Torres e Cometas&rsquo; (2013), uma encomenda de Guimar&atilde;es Capital da Cultura onde, sem se demarcar da condi&ccedil;&atilde;o de sujeito ativo nem abdicar quer da incessante busca da identidade dos espa&ccedil;os quer da sua representa&ccedil;&atilde;o no tempo, se distancia da harmoniosa poesia dos seus outros filmes, preterida pela emerg&ecirc;ncia de uma cr&iacute;tica ao modo de olhar e viver a cultura: que n&atilde;o se constr&oacute;i por decreto, n&atilde;o se edifica em eventos nem se estabelece em discursos. &lsquo;Torres e Cometas&rsquo;, mostrando um outro lado do olhar desperto do realizador para a vida, resulta numa cr&iacute;tica mordaz &agrave; descaracteriza&ccedil;&atilde;o da nossa nacionalidade imposta por conveni&ecirc;ncias tantas vezes alheias ao registo ou inten&ccedil;&atilde;o de uma significativa rela&ccedil;&atilde;o entre as pessoas e os espa&ccedil;os\/tempos que habitam.<\/p>\n<p>J&aacute; &lsquo;A M&atilde;e e o Mar&rsquo; retoma a delicadeza do realizador no di&aacute;logo que estabelece com uma realidade, no caso &uacute;nica na costa portuguesa &ndash; a das mulheres &lsquo;pescadeiras&rsquo;, algumas com carta de arrais (mestres de embarca&ccedil;&atilde;o) e da sua rela&ccedil;&atilde;o com o mar. Na praia de Vila Ch&atilde;, Vila do Conde, uma forma de vida e uma paix&atilde;o evocada e ainda assumida por Gl&oacute;ria, a &uacute;nica pescadeira da atualidade. Um encontro &iacute;ntimo, desvendado com o espanto e o encanto com que se descobre um tesouro, filmado e montado com a sensibilidade capaz de nos transportar para um universo desconhecido com tal proximidade que nos impregna, sem quase darmos por isso, do mesmo sentimento de perten&ccedil;a que uniu e une, anos a fio, aquelas mulheres e aquelas fam&iacute;lias aquele mar.<\/p>\n<p>Com a habitual capacidade de revelar a extraordin&aacute;ria beleza das coisas mais simples, Gon&ccedil;alo Tocha &eacute; certamente um criador do cinema marcante do nosso tempo. Empenhado na forma como procura o outro, gentil na forma como o recria cinematograficamente, atento &agrave; hist&oacute;ria e ao seu contexto, humilde na forma como olha o seu trabalho e extremamente generoso no modo como oferece a sua arte ao sujeito das suas obras e ao espetador.<\/p>\n<p>Transformando-nos, da forma mais cordial.<\/p>\n<p>Margarida Ata&iacute;de<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prestes a chegar ao circuito comercial nacional, &lsquo;A M&atilde;e e o Mar&rsquo; &eacute; o mais recente filme do portugu&ecirc;s Gon&ccedil;alo Tocha. 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