{"id":65956,"date":"2014-05-19T23:13:29","date_gmt":"2014-05-19T23:13:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/05\/19\/entrevista-memorias-portuguesas-do-concilio-repeticao\/"},"modified":"2014-05-19T23:13:29","modified_gmt":"2014-05-19T23:13:29","slug":"entrevista-memorias-portuguesas-do-concilio-repeticao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entrevista-memorias-portuguesas-do-concilio-repeticao\/","title":{"rendered":"Entrevista: Mem\u00f3rias portuguesas do Conc\u00edlio (repeti\u00e7\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>D. Eurico Dias Nogueira, arcebispo em\u00e9rito de Braga, lembrou em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA (em 2011) o an\u00fancio do II Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico do Vaticano, que viria a viver de perto, nas sess\u00f5es finais, ent\u00e3o como bispo de Vila Cabral, em Mo\u00e7ambique <!--more--> <\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">Aos 88 anos, D. Eurico Dias Nogueira, arcebispo em&eacute;rito de Braga, lembra o an&uacute;ncio do II Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico do Vaticano, que viria a viver de perto, nas sess&otilde;es finais, ent&atilde;o como bispo de Vila Cabral, em Mo&ccedil;ambique. Em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, o &uacute;nico prelado portugu&ecirc;s ainda vivo a ter participado no evento passa em revista v&aacute;rios temas<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &#8211; Este ano celebra-se o cinquenten&aacute;rio da convoca&ccedil;&atilde;o do II Conc&iacute;lio do Vaticano. Atualmente, &eacute; o &uacute;nico portugu&ecirc;s vivo que esteve presente neste acontecimento eclesial. Recorda-se da sua participa&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>D. Eurico Dias Nogueira (EDN) &ndash;<\/em>&nbsp;Ouvi a convoca&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio com muito entusiasmo. Ainda bem que a Igreja resolve encarar os problemas no seu conjunto e n&atilde;o espera que seja s&oacute; Roma com os seus organismos a resolver os problemas. No in&iacute;cio, parecia que o Vaticano, a Santa S&eacute;, quis dominar e orientar as coisas s&oacute; por ela, mas houve uma rea&ccedil;&atilde;o forte da periferia. Alguns pa&iacute;ses reagiram e disseram: &laquo;O Conc&iacute;lio &eacute; nosso. &Eacute; de toda a Igreja e n&atilde;o de um grupo que manda em Roma&raquo;.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">O Conc&iacute;lio tornou-se um lugar de discuss&atilde;o clara, p&uacute;blica e sem reservas, mas terminado verificou-se que havia uma tend&ecirc;ncia, de novo, da Santa S&eacute; para centralizar e n&atilde;o deixar as &laquo;coisas&raquo; correrem muito fora das suas m&atilde;os. A meu ver, isso foi mau porque deviam ter mantido um processo de orientar a vida da Igreja e encarar os problemas no seu conjunto. N&atilde;o digo que se devia fazer um Conc&iacute;lio de quanto em quanto tempo&hellip;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Mas &eacute; apologista que devia realizar-se um Conc&iacute;lio de 50 em 50 anos?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;Sim. 50 a 50 anos. O m&aacute;ximo de cem em cem anos devia haver um Conc&iacute;lio.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Os documentos elaborados na altura ainda est&atilde;o atuais?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;Est&atilde;o. No entanto, h&aacute; &laquo;coisas&raquo; que n&atilde;o seguiram o rumo que se esperava e por isso desatualizaram. A vida da Igreja n&atilde;o est&aacute; a acompanhar e a desenvolver-se de acordo com os documentos.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; De todos eles, qual o documento conciliar que o marcou mais?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;&Eacute; dif&iacute;cil responder porque todos eles s&atilde;o importantes. Todos foram bem discutidos e votados. A vota&ccedil;&atilde;o, de modo geral, era bastante consensual e n&atilde;o havia diverg&ecirc;ncias grandes na parte final. Isso s&oacute; mostra que os assuntos tinham sido bem estudados e as propostas estavam bem feitas. O que se verificou mais tarde &eacute; que nem tudo o que se resolveu no Conc&iacute;lio, e que foi objeto de documentos, se cumpriu.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">Tem havido uns certos atrasos e rea&ccedil;&otilde;es no sentido de se voltar atr&aacute;s, n&atilde;o se avan&ccedil;ar. O Conc&iacute;lio era para continuar&hellip; e de quando em quando fazer-se o ponto da situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Deu a sua contribui&ccedil;&atilde;o para alguns documentos?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &#8211;<\/em>&nbsp;N&atilde;o fiz nenhuma interven&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, at&eacute; porque s&oacute; estive nas duas &uacute;ltimas sess&otilde;es. Fui nomeado bispo entre a segunda e a terceira sess&atilde;o e fui logo convocado para l&aacute;. Tentei estudar os assuntos. Aconteceu at&eacute; uma coisa estranha, logo que fui nomeado para o Conc&iacute;lio entendi que tinha o direito de saber como as coisas se passavam e procurei um bispo portugu&ecirc;s, D. Ernesto Oliveira, a pedir informa&ccedil;&otilde;es para estar a par dos acontecimentos, mas ele recusou. N&atilde;o pude contar com esse apoio&hellip;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">Quando cheguei l&aacute;, verifiquei que a maior parte dos temas j&aacute; estavam elaborados porque as sess&otilde;es anteriores &eacute; que tinham sido de estudo. Na parte final, as discuss&otilde;es eram poucas. De modo que n&atilde;o tinha muito &agrave; vontade para intervir. Al&eacute;m disso, as interven&ccedil;&otilde;es eram estudadas pelos grupos dos bispos e seus conselheiros e Portugal n&atilde;o tinha isso.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Portugal n&atilde;o tinha uma escola teol&oacute;gica?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;N&atilde;o t&iacute;nhamos Faculdade de Teologia. N&atilde;o havia um conjunto de te&oacute;logos que ajudassem e tamb&eacute;m n&atilde;o houve esfor&ccedil;o por parte dos bispos para os arranjar. Recordo-me de ter lamentado, junto de um bispo, n&atilde;o termos um grupo que nos ajudasse. N&atilde;o t&iacute;nhamos escola, mas havia casos isolados de padres, com muito valor, que podiam estar connosco.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Ainda se recorda desses padres que poderiam ter dado o seu contributo? Pode citar alguns nomes?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;Citei, a D. Ernesto Oliveira (bispo de Coimbra), o padre Urbano Duarte (diocese de Coimbra) podia ter estado l&aacute;&hellip;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; E o padre Manuel Paulo?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;O Paulo era muito novo, mas era uma pessoa capaz. Tamb&eacute;m o citei. Eles podiam ajudar, mas ele (bispo de Coimbra) disse-me: &ldquo;Se eles viessem para c&aacute; faziam falta em Portugal&rdquo;. No entanto, disse-lhe que isso n&atilde;o era raz&atilde;o porque mais importante era o que se passava no Vaticano.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Era l&aacute; (Vaticano) que se refletia o futuro da Igreja.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;Mesmo que as coisas, em Portugal, parassem um &laquo;bocadinho&raquo;, faltavam l&aacute; esses padres com mais valor.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; O padres Urbano Duarte e Manuel Paulo eram da diocese de Coimbra, mas havia tamb&eacute;m padres de outras dioceses com capacidades.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;Lembro-me que citei tamb&eacute;m o padre Jos&eacute; Policarpo (diocese de Lisboa), um homem muito culto com doutoramento em Teologia, e o padre Godinho (diocese do Porto). Alguns at&eacute; foram nomeados bispos. No entanto, n&atilde;o me pareceu que os bispos tivessem sentido muito essa necessidade. Isso foi mau porque os bispos portugueses n&atilde;o marcaram &laquo;grande coisa&raquo; no Conc&iacute;lio.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Qual foi o bispo portugu&ecirc;s que se destacou mais nesta reuni&atilde;o magna?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;Foi D. Sebasti&atilde;o Soares de Resende que era bispo da Beira (Mo&ccedil;ambique). Foi, sem d&uacute;vida, aquele que interveio mais vezes e com boas interven&ccedil;&otilde;es. O D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes tamb&eacute;m interveio&hellip; mas o D. Soares de Resende &eacute; que foi, a meu ver, aquele que &laquo;puxou&raquo; mais. A meio do Conc&iacute;lio, D. Manuel Trindade Salgueiro foi-se &laquo;abaixo&raquo; e n&atilde;o fez grandes interven&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">O cardeal patriarca, D. Manuel Gon&ccedil;alves Cerejeira, pareceu-me demasiado t&iacute;mido. Parecia que os bispos portugueses n&atilde;o se sentiam apoiados num grupo.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Nem com a comunidade brasileira?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;N&atilde;o se sentia que os portugueses estivessem muito ligados ao Brasil. Cada pa&iacute;s seguia o seu caminho. &Eacute; preciso n&atilde;o esquecer que s&oacute; estive presente na parte final, quando n&atilde;o existiam grandes discuss&otilde;es, mas apenas decis&otilde;es a tomar. Por duas vezes, quis intervir, mas n&atilde;o tive oportunidade. Foi apenas por escrito&hellip; fazem parte das actas.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Segundo consta, quando teve de tirar uma fotografia para participar no Conc&iacute;lio teve de pedir uma indument&aacute;ria emprestada.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;&nbsp;<\/em>&Eacute; verdade&hellip; Foi o bispo auxiliar de Coimbra, D. Manuel Jesus Pereira, que me emprestou. Vesti as vestes dele, da cintura para cima&hellip; E tirei a fotografia porque foi tudo muito r&aacute;pido.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Da palavra &agrave; a&ccedil;&atilde;o vai um longo caminho. Qual dos documentos conciliares onde se notou mais evolu&ccedil;&atilde;o, a chamada passagem da teoria &agrave; pr&aacute;tica?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;Os grandes choques e discuss&otilde;es foram nas primeiras sess&otilde;es que acompanhei apenas pelos jornais. Atualmente, nota-se que a Igreja perif&eacute;rica, aquela que est&aacute; espalhada pelo mundo, tem uma voz mais ativa e faz-se ouvir no Vaticano. Antes do Conc&iacute;lio, era raro um bispo sobressair e quando isso acontecia era olhado de soslaio, sobretudo da parte do Vaticano. Os bispos da B&eacute;lgica, Holanda e Alemanha pronunciavam-se, mas era olhados com suspeita. Agora isso n&atilde;o acontece. Um bispo fala &agrave; vontade&hellip;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Fala &agrave; vontade, mas em concord&acirc;ncia.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;&nbsp;<\/em>H&aacute; assuntos&hellip; que entenderam que j&aacute; est&atilde;o resolvidos. Temos o caso do sacerd&oacute;cio das mulheres. De tempos a tempos fala-se nisso. Eu tenho uma maneira de pensar&hellip; Por temperamento, parecia-me que n&atilde;o havia raz&otilde;es teol&oacute;gicas para se opor.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Acredita que neste pontificado poderia haver um Conc&iacute;lio?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<strong>&nbsp;<\/strong><\/em>Neste n&atilde;o. Tem de ser um Papa jovem que se sinta com capacidade para orientar as &laquo;coisas&raquo; para um novo Conc&iacute;lio.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Mas o Papa Jo&atilde;o XXIII n&atilde;o era jovem quando convocou o Conc&iacute;lio&hellip;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;&nbsp;<\/em>Ele n&atilde;o sabia o que era um Conc&iacute;lio e ficou desnorteado quando come&ccedil;aram as discuss&otilde;es. Ele contava que um Conc&iacute;lio fosse mais simples. Como um Conc&iacute;lio &eacute; uma &laquo;coisa&raquo; muito s&eacute;ria, s&oacute; um Papa que se preveja que tem uma vida longa diante dele.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Acredita que a Igreja possa ter um Papa portugu&ecirc;s?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;Acredito. Quem ia acreditar que haveria um Papa polaco? Foi uma surpresa. A preponder&acirc;ncia dos Papas italianos terminou. N&atilde;o creio que volte a acontecer isso.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Ficou surpreendido com a elei&ccedil;&atilde;o do cardeal Ratzinger para Bento XVI?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;Era um homem muito conhecido e com grande peso no Vaticano. Confesso que n&atilde;o tinha nenhuma prefer&ecirc;ncia no conclave. Havia meia d&uacute;zia de cardeais por esse mundo fora, com capacidade.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Voltando novamente ao II Conc&iacute;lio do Vaticano, qual dos setores da pastoral que evoluiu mais? Foi o lado lit&uacute;rgico?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;<\/em>&nbsp;Sim. J&aacute; havia um trabalho feito antes do Conc&iacute;lio. Muitos anos antes, j&aacute; tinha come&ccedil;ado a reforma lit&uacute;rgica. Quando apareceu o Conc&iacute;lio, encontrou um tema j&aacute; elaborado e avan&ccedil;ou-se com ele mais rapidamente.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; Para comemorar o cinquenten&aacute;rio da convoca&ccedil;&atilde;o do II Conc&iacute;lio do Vaticano, Bento XVI proclamou o &laquo;Ano da F&eacute;&raquo;. &Eacute; uma forma de colocar os documentos conciliares novamente na ribalta?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &#8211;<\/em>&nbsp;&Eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o de voltar a &laquo;mexer&raquo; nos documentos e atualiz&aacute;-los. Com a discuss&atilde;o, revelam-se novos aspetos.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>AE &ndash; H&aacute; falta de forma&ccedil;&atilde;o sobre estes documentos?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>EDN &ndash;&nbsp;<\/em>H&aacute; muitos crist&atilde;os ativos e cultos que est&atilde;o dentro dos assuntos, mas a generalidade dos crist&atilde;os vive alheia. Tem a sua religiosidade, mas n&atilde;o aprofundam. Os te&oacute;logos (padres e leigos) t&ecirc;m estudado o Conc&iacute;lio.<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>LFS<\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;\"><em>(Primeira parte da entrevista realizada pela Ag&ecirc;ncia ECCLESIA ao arcebispo em&eacute;rito de Braga)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Eurico Dias Nogueira, arcebispo em\u00e9rito de Braga, lembrou em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA (em 2011) o an\u00fancio do II Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico do Vaticano, que viria a viver de perto, nas sess\u00f5es finais, ent\u00e3o como bispo de Vila Cabral, em Mo\u00e7ambique<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,122,145,172,174,187,262],"class_list":["post-65956","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-brasil","tag-conclave","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-do-porto","tag-mocambique"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65956","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65956"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65956\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65956"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65956"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}