{"id":65746,"date":"2014-05-02T12:57:24","date_gmt":"2014-05-02T12:57:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/05\/02\/a-chave-do-ceu\/"},"modified":"2014-05-02T12:57:24","modified_gmt":"2014-05-02T12:57:24","slug":"a-chave-do-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-chave-do-ceu\/","title":{"rendered":"A chave do c\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Aguiar Campos, Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais <!--more--> <\/p>\n<p>Sou do tempo em que os pregadores, em serm&otilde;es debitados do p&uacute;lpito, recorriam a breves par&aacute;bolas ou est&oacute;rias para ilustrarem a doutrina. Na mesma &eacute;poca, os livros de devo&ccedil;&otilde;es para o M&ecirc;s de Maio, M&ecirc;s do Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, M&ecirc;s do Ros&aacute;rio ou M&ecirc;s das Almas &ndash; tal como para uma qualquer novena &ndash; n&atilde;o prescindiam, no final de cada medita&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria, de apresentar um &ldquo;Exemplo&rdquo;.<\/p>\n<p>Foi esse modo de ensinar que me abriu a no&ccedil;&otilde;es eventualmente complicadas para a minha tenra idade; como por exemplo, a da santifica&ccedil;&atilde;o do trabalho e pelo trabalho, ilustrada no epis&oacute;dio da Religiosa que, em seu leito de morte, pediu &agrave; Comunidade que algu&eacute;m lhe trouxesse a &ldquo;chave do c&eacute;u&rdquo;.<\/p>\n<p>Sem perceberem o sentido imediato daquela &uacute;ltima vontade, todas as Irm&atilde;s se desdobraram em propostas: desde o seu objecto de mais vis&iacute;vel devo&ccedil;&atilde;o, at&eacute; ao livro recomendado no &uacute;ltimo retiro. Nada, por&eacute;m, parecia corresponder ao desejo, que se reafirmava, cada vez mais d&eacute;bil: &ldquo;tragam-me a chave do c&eacute;u&rdquo;.<\/p>\n<p>Foi uma novi&ccedil;a quem, num golpe inspirado, se lembrou que aquela religiosa toda a vida tinha exercido a discreta tarefa de costureira. Correu, ent&atilde;o, &agrave; antiga sala do seu labor e de l&aacute; trouxe um carrinho de linhas e uma agulha. Perante o olhar de espanto das suas Irm&atilde;s, a agonizante ofereceu-lhe o mais sereno dos olhares. Sim, ali estava a sua chave do c&eacute;u &ndash; porque, afinal, o trabalho (qualquer trabalho) feito com amor nos santifica!&#8230;<\/p>\n<p>Importa (re) pensar esta dimens&atilde;o. Porque, habituados a falar do suor do rosto como pre&ccedil;o do p&atilde;o de cada dia, muitos deixam-se desviar para uma vis&atilde;o do trabalho quase como castigo &ndash; em vez de o assumirem como coopera&ccedil;&atilde;o dignificante no cuidado da cria&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, abra&ccedil;arem o valor divino deste caminho humano.<\/p>\n<p>Realmente, apesar de desfigurado pelo pecado, n&atilde;o perdeu a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o original que sobre ele poisou o Criador; de tal modo que, sendo embora um bem &aacute;rduo, n&atilde;o deixou de ser um bem, uma necessidade vital e uma afirma&ccedil;&atilde;o de liberdade: uma liberdade que cada um de n&oacute;s defende quando resiste &agrave; obsess&atilde;o produtiva avaramente procurada ou injustamente imposta; e que ora desumaniza o pr&oacute;prio, ora marginaliza os mais fracos e acaba por afundar no materialismo pr&aacute;tico quem se julga vencedor&hellip; A l&oacute;gica da produ&ccedil;&atilde;o e do lucro asfixia, seguramente, quem se lhe entrega.<\/p>\n<p>No seu catecismo para adultos, os bispos italianos exprimem claramente a ess&ecirc;ncia desta &ldquo;riqueza desumana&rdquo; que continuamente ganha adeptos: coloca as coisas no lugar de Deus, impede que se ajude o pr&oacute;ximo, fixa a aten&ccedil;&atilde;o nas vantagens imediatas e afasta o pensamento da vida futura. &Eacute;, enfim, pobreza interior, enquanto a pobreza evang&eacute;lica &eacute; riqueza interior (1123). Uma perspectiva claramente percebida pelo carpinteiro Jos&eacute;, profissional competente, homem justo e pai cuidados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Aguiar Campos, Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[140],"class_list":["post-65746","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-comunicacoes-sociais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65746","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65746"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65746\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}