{"id":65737,"date":"2014-05-01T14:31:00","date_gmt":"2014-05-01T14:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/05\/01\/nota-pastoral-da-cep-sobre-bartolomeu-dos-martires-modelo-para-a-renovacao-da-igreja\/"},"modified":"2014-05-01T14:31:00","modified_gmt":"2014-05-01T14:31:00","slug":"nota-pastoral-da-cep-sobre-bartolomeu-dos-martires-modelo-para-a-renovacao-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nota-pastoral-da-cep-sobre-bartolomeu-dos-martires-modelo-para-a-renovacao-da-igreja\/","title":{"rendered":"Nota Pastoral da CEP sobre \u00abBartolomeu dos M\u00e1rtires, Modelo para a renova\u00e7\u00e3o da Igreja\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>1. Celebramos, j&aacute; no pr&oacute;ximo dia 3 de maio, os 500 anos do nascimento do Bem- aventurado Bartolomeu dos M&aacute;rtires, um dos mais insignes promotores da renova&ccedil;&atilde;o da Igreja nos tempos modernos. Mergulhado em Deus e conduzido pelo Esp&iacute;rito, ele soube, num per&iacute;odo particularmente conturbado da vida da Igreja, intercetar caminhos de grande degrada&ccedil;&atilde;o de costumes e encetar vias de rejuvenescida evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Dom Frei Bartolomeu nasceu em Lisboa, em 1514, na freguesia de Nossa Senhora dos M&aacute;rtires, e entrou na Ordem Dominicana em 1528. Foi professor nos Conventos de S. Domingos de Benfica, Batalha e &Eacute;vora. Foi depois tamb&eacute;m Prior do Convento de Benfica e finalmente Arcebispo de Braga (1559 1582). Encontra-se sepultado em Viana do Castelo no Convento de S. Domingos que ele pr&oacute;prio mandou construir e onde se recolheu at&eacute; &agrave; sua morte em 16 de julho de 1590.<\/p>\n<p>Foi decisiva a sua contribui&ccedil;&atilde;o, na &uacute;ltima sess&atilde;o do Conc&iacute;lio de Trento (1561 1563), para reformas na Igreja que, no seu dizer, &laquo;estava para cair&raquo;. Entre as Peti&ccedil;&otilde;es que apresentou neste Conc&iacute;lio, destacam-se duas, pela sua atualidade: a obriga&ccedil;&atilde;o dos Pastores permanecerem pr&oacute;ximos dos fi&eacute;is que lhes est&atilde;o confiados, um dever para o qual o Papa Francisco repetidamente tem chamado a aten&ccedil;&atilde;o; a cria&ccedil;&atilde;o de semin&aacute;rios, como obrigat&oacute;rios para a forma&ccedil;&atilde;o humana e espiritual, teol&oacute;gica e pastoral dos sacerdotes, t&atilde;o urgente naquela &eacute;poca e necess&aacute;ria nos dias de hoje.<\/p>\n<p>O pr&oacute;prio Papa Pio IV, que ele visitou pessoalmente em Roma durante uma interrup&ccedil;&atilde;o da sess&atilde;o conciliar, qualificou assim, em carta enviada ao Cardeal Dom Henrique, a sua participa&ccedil;&atilde;o no Conc&iacute;lio: &laquo;Tal satisfa&ccedil;&atilde;o nos deu, no tempo em que participou, com a sua bondade, religi&atilde;o e devo&ccedil;&atilde;o, que o fic&aacute;mos tendo em grande conta, com tamanho conceito da sua honra e virtude que n&atilde;o poder&atilde;o alter&aacute;-lo queixumes de ningu&eacute;m&raquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;2. Regressado &agrave; sua Arquidiocese, prosseguiu com reformas j&aacute; antes iniciadas e, pelo menos algumas delas, confirmadas e oficializadas por decis&otilde;es conciliares:<\/p>\n<p>&ndash; Fundou o Semin&aacute;rio, o primeiro em toda a cristandade, para a forma&ccedil;&atilde;o dos presb&iacute;teros, uma novidade que o Papa S. Jo&atilde;o Paulo II fez quest&atilde;o de mencionar na celebra&ccedil;&atilde;o da sua beatifica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&ndash; Para forma&ccedil;&atilde;o e uso dos sacerdotes, designadamente no seu minist&eacute;rio de instruir os fi&eacute;is e os consolidar na f&eacute; e pr&aacute;tica de vida, escreveu o &laquo;Catecismo ou Doutrina Crist&atilde; e Pr&aacute;ticas Espirituais&raquo;, dois anos antes de ter sido publicado o Catecismo do Conc&iacute;lio de Trento pelo Papa S. Pio V.<\/p>\n<p>&ndash; Promoveu e imp&ocirc;s uma rigorosa administra&ccedil;&atilde;o dos bens eclesi&aacute;sticos, para os repartir equitativamente, &laquo;sem entesourar nada&raquo;, como ele escreveu, fomentando e pondo em pr&aacute;tica uma especial solicitude para com os mais pobres e desprotegidos. Costumava dizer que &laquo;em sua casa s&oacute; ele era o estranho e os pobres eram os verdadeiros e naturais senhores dela&raquo;.<\/p>\n<p>&ndash; A sua proximidade ao povo que lhe estava confiado levou-o a calcorrear repetidamente toda a Arquidiocese de Braga, em peri&oacute;dicas visitas pastorais, percorrendo, com os limitados meios de ent&atilde;o, um territ&oacute;rio cuja extens&atilde;o compreendia tamb&eacute;m a atual Diocese de Viana do Castelo e partes das atuais Dioceses de Vila Real e Bragan&ccedil;a-Miranda.<\/p>\n<p>&ndash; Primariamente para sua pr&oacute;pria orienta&ccedil;&atilde;o espiritual e pastoral, escreveu o famoso &laquo;Est&iacute;mulo dos Pastores&raquo; que viria a ser editado por S. Carlos Borromeu, seu disc&iacute;pulo e apreciado amigo, e que, s&eacute;culos mais tarde, iria ser oferecido pelo Papa Paulo VI a cada um dos bispos no encerramento do II Conc&iacute;lio do Vaticano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Em todas estas e outras iniciativas e atividades mostrou a aud&aacute;cia, o ardor apost&oacute;lico, a generosidade, a simplicidade e a santidade que fizeram dele um pastor exemplar para todos os tempos, incluindo os nossos. Assim o reconheceu explicitamente o Papa S. Jo&atilde;o Paulo II, ao beatific&aacute;-lo, a 4 de novembro de 2001, isto &eacute;, poucos dias depois de terminar o S&iacute;nodo dos Bispos que se dedicou &agrave; reflex&atilde;o sobre a viv&ecirc;ncia do minist&eacute;rio episcopal, e ao referir-se &agrave;s visitas pastorais do Beato Bartolomeu na Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica P&oacute;s-sinodal Pastores Gregis (n.&ordm; 46).<\/p>\n<p>A sua vida e obra transpiram aquele dinamismo mission&aacute;rio sem fronteiras, aquela profunda convic&ccedil;&atilde;o crist&atilde; que nascem da &laquo;Alegria do Evangelho&raquo; e s&atilde;o muito acentuadas pelo Papa Francisco: &laquo;O entusiasmo na Evangeliza&ccedil;&atilde;o funda-se nesta convic&ccedil;&atilde;o. Temos &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o um tesouro de vida e de amor que n&atilde;o pode enganar, a mensagem que n&atilde;o pode manipular nem desiludir. &Eacute; uma resposta que desce ao mais fundo do ser humano e pode sustent&aacute;-lo e elev&aacute;-lo. &Eacute; a verdade que n&atilde;o passa de moda, porque &eacute; capaz de penetrar onde nada mais pode chegar. A nossa tristeza infinita s&oacute; se cura com um amor infinito&raquo; (Evangelii Gaudium, n.&ordm; 265).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Que os 500 anos que decorrem sobre o nascimento desta grande figura da Igreja e do nosso Pa&iacute;s, que foi o Bem-aventurado Bartolomeu dos M&aacute;rtires, sejam uma oportunidade para mais o conhecermos e darmos a conhecer. H&aacute; pessoas que, pelos princ&iacute;pios e valores que pautaram as suas vidas, s&atilde;o permanentes modelos de refer&ecirc;ncia de todos os tempos. O Beato Bartolomeu, tendo vivido em tempos de uma enorme crise epocal, dentro e fora da Igreja, pode e deve ser visto como testemunha para acreditarmos que a evangeliza&ccedil;&atilde;o e as reformas na Igreja n&atilde;o s&oacute; s&atilde;o necess&aacute;rias como poss&iacute;veis.<\/p>\n<p>Conhecendo-o e imitando-o cada vez mais, invoquemos tamb&eacute;m a sua prote&ccedil;&atilde;o para a Igreja e para o nosso Pa&iacute;s. E pe&ccedil;amos a Deus, de um modo especial, a gra&ccedil;a da sua canoniza&ccedil;&atilde;o, que o pode projetar, para al&eacute;m das nossas fronteiras nacionais, para aquela dimens&atilde;o eclesial que, afinal, mais corresponde ao bem que Deus, por seu interm&eacute;dio, fez e quer fazer pela sua Igreja.<\/p>\n<p><em>F&aacute;tima, 1 de maio de 2014<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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