{"id":65709,"date":"2014-04-29T11:01:00","date_gmt":"2014-04-29T11:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/04\/29\/discurso-do-presidente-da-conferencia-episcopal-portuguesa-na-abertura-da-184-a-assembleia-plenaria\/"},"modified":"2014-04-29T11:01:00","modified_gmt":"2014-04-29T11:01:00","slug":"discurso-do-presidente-da-conferencia-episcopal-portuguesa-na-abertura-da-184-a-assembleia-plenaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-do-presidente-da-conferencia-episcopal-portuguesa-na-abertura-da-184-a-assembleia-plenaria\/","title":{"rendered":"Discurso do presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa na abertura da 184.\u00aa Assembleia Plen\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Senhor N&uacute;ncio Apost&oacute;lico, Senhores Arcebispos e Bispos, Reverendos Padres, Senhoras e Senhores:<\/p>\n<p>Dirijo-vos breves palavras de abertura duma sess&atilde;o que, na circunst&acirc;ncia e na tem&aacute;tica, traz motivos de particular relevo.<\/p>\n<p>Reunimo-nos a seguir &agrave; feliz canoniza&ccedil;&atilde;o dos Papas Jo&atilde;o XXIII e Jo&atilde;o Paulo II, dos quais temos mem&oacute;rias bem &ldquo;ao vivo&rdquo;, nos respetivos pontificados. Lembramo-nos certamente das imagens do Conc&iacute;lio Vaticano II, que o primeiro convocou e a cuja primeira sess&atilde;o presidiu, transmitidas j&aacute; pela televis&atilde;o, com a refor&ccedil;ada presen&ccedil;a do catolicismo universal nas nossas vidas e empenhamentos eclesiais. Tais imagens, que retemos na mem&oacute;ria e no cora&ccedil;&atilde;o, bem como tudo o referente ao &ldquo;Bom Papa Jo&atilde;o&rdquo;, s&atilde;o para n&oacute;s uma lembran&ccedil;a sempre motivadora, para uma heran&ccedil;a conciliar ainda em fase de rece&ccedil;&atilde;o e pleno cumprimento.<\/p>\n<p>Do Papa Wojtyla, temos mem&oacute;rias mais pr&oacute;ximas, tanto no tempo como na geografia, quer nas suas visitas a F&aacute;tima quer a v&aacute;rias das nossas Dioceses, al&eacute;m das vezes que o vimos em Roma e noutros lugares do mundo. De tudo ressalta a for&ccedil;a da sua contagiante convic&ccedil;&atilde;o e o grande impulso para a &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; que igualmente queremos levar por diante, na centralidade de Jesus Cristo &ldquo;Redentor do homem&rdquo;, para O recebermos assim, e O levarmos aos outros, com &ldquo;novo ardor, novos m&eacute;todos e novas express&otilde;es&rdquo;.<\/p>\n<p>Com o Papa Francisco, que t&atilde;o feliz e oportunamente os canonizou, e com a intercess&atilde;o destes dois grandes Pont&iacute;fices, ainda mais levaremos por diante a &ldquo;renova&ccedil;&atilde;o da pastoral da Igreja em Portugal&rdquo;, a que nos propusemos na nota pastoral de abril do ano passado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde a nossa &uacute;ltima reuni&atilde;o, faleceram dois membros muito estimados do Episcopado Portugu&ecirc;s, a quem estamos agradecidos pelo respetivo minist&eacute;rio, largo no tempo e na contribui&ccedil;&atilde;o: D. Joaquim Gon&ccedil;alves, que foi Bispo de Vila Real e o Cardeal D. Jos&eacute; da Cruz Policarpo, que foi Patriarca de Lisboa e Presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa em v&aacute;rios e marcantes mandatos. Deus os recompensar&aacute; pelos seus muitos trabalhos e pela participa&ccedil;&atilde;o ativa e estimulante que sempre tiveram na nossa Confer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Foi nomeado e tomou posse como Bispo do Porto, o Senhor D. Ant&oacute;nio Francisco dos Santos, que era Bispo de Aveiro. A grande generosidade e clarivid&ecirc;ncia pastoral com que tem exercido o minist&eacute;rio, garante-lhe excelente continua&ccedil;&atilde;o na diocese portucalense.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Tomou posse do cargo de Bispo das For&ccedil;as Armadas e de Seguran&ccedil;a o Senhor D. Manuel Linda, esclarecido que foi o seu estatuto no quadro eclesi&aacute;stico-militar competente, de acordo com o art&ordm; 17 da <em>Concordata entre a Santa S&eacute; e a Rep&uacute;blica Portuguesa<\/em>, de 18 de maio de 2004. Desejamos-lhe as maiores felicidades neste importante servi&ccedil;o, que conjuga, com a devida autonomia dentro dum Estado secular e democr&aacute;tico, duas institui&ccedil;&otilde;es centrais da sociedade portuguesa &ndash; Igreja Cat&oacute;lica e For&ccedil;as Armadas e de Seguran&ccedil;a &ndash; em benef&iacute;cio dos cidad&atilde;os crentes e da coletividade em geral.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; Em Quinta-Feira Santa, foram nomeados para Bispos Auxiliares de Braga e de Lisboa, respetivamente os Senhores D. Francisco Jos&eacute; Senra Coelho e D. Jos&eacute; Augusto Traquina Maria. Augurando-lhes fecundo minist&eacute;rio, estamos certos que as duas dioceses muito ganhar&atilde;o com o seu bem demonstrado zelo pastoral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vivemos entretanto, com os nossos concidad&atilde;os, o 40&ordm; anivers&aacute;rio da revolu&ccedil;&atilde;o de 25 de abril de 1974, que possibilitou a institui&ccedil;&atilde;o do regime democr&aacute;tico em Portugal, em que felizmente vivemos e em cujo aprofundamento nos comprometemos.<\/p>\n<p>Na verdade, quer no programa do Movimento das For&ccedil;as Armadas, quer na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976, encontramos uma geral conson&acirc;ncia com o que a pr&oacute;pria Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa tinha referido na Carta Pastoral de 4 de maio de 1973, nos seguintes termos: &laquo;Ao olhar para o mundo contempor&acirc;neo, no qual a Igreja se encontra e age, n&atilde;o pode ela permanecer indiferente perante m&uacute;ltiplas situa&ccedil;&otilde;es de injusti&ccedil;a que impedem o correto desenvolvimento dos homens, tais como: a condi&ccedil;&atilde;o infra-humana em que tantos vivem, diminu&iacute;dos por graves car&ecirc;ncias alimentares, habitacionais, sanit&aacute;rias, de emprego, educacionais e culturais; a exist&ecirc;ncia de limita&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o raro injustificadas, ao pleno exerc&iacute;cio dos direitos e garantias fundamentais das pessoas e dos grupos; o agravamento de numerosas formas de aliena&ccedil;&atilde;o, de medo e de mentira; a expans&atilde;o de uma economia que n&atilde;o est&aacute; ao servi&ccedil;o de todos e cujo m&oacute;bil prim&aacute;rio &eacute; o lucro; a difus&atilde;o de motiva&ccedil;&otilde;es que induzem a satisfazer necessidades n&atilde;o verdadeiramente sentidas nem conducentes &agrave; genu&iacute;na realiza&ccedil;&atilde;o humana; a oferta e aceita&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es de trabalhos despersonalizantes, nas quais o homem &eacute; equiparado &agrave; m&aacute;quina, com preju&iacute;zo da sua capacidade criadora; a implanta&ccedil;&atilde;o de estruturas urbanas em que faltam condi&ccedil;&otilde;es dignas de alojamento, de acesso aos locais de trabalho e aos equipamentos coletivos; o alastramento de formas de marginalidade, algumas criminosas e imorais; e a crescente insatisfa&ccedil;&atilde;o da juventude que n&atilde;o encontra padr&otilde;es de vida ajustados &agrave;s suas reais necessidades&raquo; (Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, Carta Pastoral no d&eacute;cimo anivers&aacute;rio da &ldquo;Pacem in Terris&rdquo;, 4 de maio de 1973. <em>Documentos pastorais<\/em> 1967-1977, p. 113-114).<\/p>\n<p>Sendo verdade que os Bispos portugueses tinham bem presente a situa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s em 1973, temos de concluir, agora n&oacute;s em 2014, que muito se fez entretanto e na esteira da Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril para responder &agrave;s lacunas referenciadas. Mas ainda faltar&aacute; outro tanto, para que sejam definitivamente ultrapassadas aquelas e outras que sobrevieram, no atual condicionalismo socioecon&oacute;mico e cultural. A nossa gratid&atilde;o aos obreiros da democracia portuguesa tem de acrescentar-se com o empenho permanente no seu refor&ccedil;o, em tudo e para todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro dos pontos de agenda desta assembleia plen&aacute;ria, destaco apenas um nestas palavras de abertura, pelo seu relevo muito especial. Trata-se da reforma dos Manuais de Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa Cat&oacute;lica. No quadro concordat&aacute;rio que nos rege de h&aacute; dez anos para c&aacute;, e em que, designadamente, &laquo;a Rep&uacute;blica Portuguesa, no &acirc;mbito da liberdade religiosa e do dever de o Estado cooperar com os pais na educa&ccedil;&atilde;o dos filhos, garante as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para assegurar, nos termos do direito portugu&ecirc;s, o ensino da religi&atilde;o e moral cat&oacute;licas nos estabelecimentos de ensino p&uacute;blico n&atilde;o superior, sem qualquer forma de discrimina&ccedil;&atilde;o&raquo; (<em>Concordata<\/em>, art&ordm; 19, &sect; 1), compete-nos concretizar sempre mais e melhor as finalidades da disciplina. Finalidades j&aacute; aprovadas pela Confer&ecirc;ncia Episcopal e que conv&eacute;m lembrar: A Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa Cat&oacute;lica visa &laquo;a forma&ccedil;&atilde;o global do aluno, que permita o reconhecimento da sua identidade e, progressivamente, a constru&ccedil;&atilde;o de um projeto pessoal de vida. Promove-a a partir do di&aacute;logo da cultura e dos saberes adquiridos nas outras disciplinas com a mensagem e os valores crist&atilde;os enraizados na tradi&ccedil;&atilde;o cultural portuguesa&raquo;.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m por esta via pedag&oacute;gica, desejamos colaborar na constru&ccedil;&atilde;o duma sociedade que, sendo plural, deve contar com a contribui&ccedil;&atilde;o de cada uma das partes que inclui, mormente quando se trata do legado vivo da tradi&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica, t&atilde;o presente na vida nacional e decerto das gera&ccedil;&otilde;es passadas para as presentes e futuras.<\/p>\n<p>Outros temas se incluem na agenda desta Assembleia Plen&aacute;ria, al&eacute;m da elei&ccedil;&atilde;o para os &oacute;rg&atilde;os da CEP num novo tri&eacute;nio. Disso mesmo se dar&aacute; conta no comunicado final.<\/p>\n<p>F&aacute;tima, 29 de abril de 2014<em><\/em><\/p>\n<p><em>D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Senhor N&uacute;ncio Apost&oacute;lico, Senhores Arcebispos e Bispos, Reverendos Padres, Senhoras e Senhores: Dirijo-vos breves palavras de abertura duma sess&atilde;o que, na circunst&acirc;ncia e na tem&aacute;tica, traz motivos de particular relevo. Reunimo-nos a seguir &agrave; feliz canoniza&ccedil;&atilde;o dos Papas Jo&atilde;o XXIII e Jo&atilde;o Paulo II, dos quais temos mem&oacute;rias bem &ldquo;ao vivo&rdquo;, nos respetivos pontificados. 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