{"id":657,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-diferenca-da-igualdade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-diferenca-da-igualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-diferenca-da-igualdade\/","title":{"rendered":"A diferen\u00e7a da igualdade"},"content":{"rendered":"<p>Durante muito tempo foi esquecido, em proveito de alguns e detrimento de muitos, o direito \u00e0 igualdade do ser humano. N\u00e3o precisamos recuar muito para notarmos que nem escritos e ainda menos cumpridos estavam os direitos do homem. E que ningu\u00e9m se atrevesse a defender a igualdade do escravo e do homem livre, da mulher e do homem, do negro e do branco, do rico e do pobre. A tese substancial era a da paci\u00eancia a quem tinha nascido para moer na m\u00f3 de baixo. Nada havia a fazer ao destino tra\u00e7ado e, sabe-se l\u00e1, ao des\u00edgnio de Deus, como abundantemente se proclamou durante tanto tempo. Uma esp\u00e9cie de fatalismo acompanhava os mais fracos, muito bem alimentados pelos aquietados do bem, dos bens e das grandes farturas da vida. O mundo n\u00e3o p\u00e1ra nem a eternidade cabe no tempo. Por isso o sopro libertador de Deus, vindo de diversos quadrantes, sempre fez estremecer afirma\u00e7\u00f5es de teor dogm\u00e1tico amassadas pelos interesses de minorias detentoras da maioria dos privil\u00e9gios. Assim, com o acordar da consci\u00eancia, se foi construindo o desconfort\u00e1vel detonador de tantas explos\u00f5es sociais, pol\u00edticas e religiosas. At\u00e9 que foi escrito, com letra de se ver, o que j\u00e1 vinha dito no G\u00e9nesis, sobre a igualdade fundamental do ser humano. Assim sendo, estremeceram de pavor muitas pir\u00e2mides sociais, culturais e econ\u00f3micas que se haviam erguido sobre a argamassa da injusti\u00e7a, da discrimina\u00e7\u00e3o, dos interesses camuflados em esmola e benemer\u00eancia, sempre vazados de cima para baixo como quem atira o rebu\u00e7ado aos pedintes da rua. O mundo n\u00e3o tem este problema resolvido, mas cresce cada vez mais \u2013 e j\u00e1 n\u00e3o por press\u00f5es de \u201cideologias perversas\u201d \u2013 a consci\u00eancia de que todo o ser humano, seja qual for a sua ra\u00e7a, condi\u00e7\u00e3o ou religi\u00e3o, \u00e9 um sujeito e agente de direitos e deveres inalien\u00e1veis. O que hoje se acrescenta a este princ\u00edpio laico e sacral \u00e9 que o direito \u00e0 diferen\u00e7a \u00e9 t\u00e3o fundamental como o direito \u00e0 igualdade. A terra, a hist\u00f3ria, a cultura, a l\u00edngua, a religi\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o um pastel sint\u00e9tico que cada qual requisita ao banco cinzento da globaliza\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo que se afirma a igualdade de todos, importa defender a diferen\u00e7a de express\u00f5es, culturas e hist\u00f3rias que est\u00e3o ligadas a pequenos grupos, minorit\u00e1rios e aparentemente insignificantes. As decis\u00f5es da maioria nunca podem estrangular os direitos dos mais pequenos. A riqueza do que \u00e9 humano, n\u00e3o se mede por n\u00fameros, mas pela densidade b\u00e1sica de cada ser que transporta a vida com a dignidade incomensur\u00e1vel do divino que se esparge por cada ser humano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante muito tempo foi esquecido, em proveito de alguns e detrimento de muitos, o direito \u00e0 igualdade do ser humano. N\u00e3o precisamos recuar muito para notarmos que nem escritos e ainda menos cumpridos estavam os direitos do homem. 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