{"id":65635,"date":"2014-04-24T10:22:38","date_gmt":"2014-04-24T10:22:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/04\/24\/cardeal-portugues-evoca-dois-papas-santos\/"},"modified":"2014-04-24T10:22:38","modified_gmt":"2014-04-24T10:22:38","slug":"cardeal-portugues-evoca-dois-papas-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cardeal-portugues-evoca-dois-papas-santos\/","title":{"rendered":"Cardeal portugu\u00eas evoca dois Papas santos"},"content":{"rendered":"<p>D. Jos\u00e9 Saraiva Martins conviveu com Jo\u00e3o XXIII e foi colaborador de Jo\u00e3o Paulo II, tendo estado ligado ao processo de canoniza\u00e7\u00e3o dos dois, ao servi\u00e7o da C\u00faria Romana <!--more--> <\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia (AE) &ndash; Como acompanhou o processo de canoniza&ccedil;&atilde;o do Papa Jo&atilde;o XXIII e do Papa Jo&atilde;o Paulo II?<\/em><\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Saraiva Martins (JSM) &ndash;<\/em> Conheci muito bem os dois Papas, tanto Jo&atilde;o XXIII como Jo&atilde;o Paulo II. Tive rela&ccedil;&otilde;es profundas com os dois, em especial com Jo&atilde;o Paulo II, durante os meus anos na C&uacute;ria Romana, como secret&aacute;rio da Congrega&ccedil;&atilde;o para a Educa&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica e depois como prefeito da Congrega&ccedil;&atilde;o para as Causas dos Santos. Foram dois papas que conheci bem, n&atilde;o s&oacute; do ponto de vista pastoral, mas como pessoas. S&atilde;o duas personalidades extraordin&aacute;rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Como acompanhou o pontificado de Jo&atilde;o XXIII, na altura como professor e reitor nas universidades romanas?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &nbsp;&#8211;<\/em> Eu era professor na Pontif&iacute;cia Universidade Gregoriana. Uma vez encontrei-me com Jo&atilde;o XXIII demoradamente e ele perguntou-me o que eu fazia em Roma&#8230; Eu disse-lhe que era professor na Universidade ao que ele respondeu com espanto: &ldquo;J&aacute;? T&atilde;o jovem e j&aacute; &eacute; professor?&rdquo;<\/p>\n<p>Ficou admirado com a minha juventude! Era uma pessoa muito simp&aacute;tica, com uma linguagem muito popular. Era o Papa bom, muito sens&iacute;vel e pr&oacute;ximo do povo. A gente amava-o profundamente, era como um pai, um pai bom.<\/p>\n<p>Tenho uma ideia muito agrad&aacute;vel, muito profunda da personalidade humana, n&atilde;o s&oacute; pontif&iacute;cia, mas humana de Jo&atilde;o XXIII.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Recorda a elei&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o XXIII e o in&iacute;cio do seu pontificado?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> Recordo-me bem! Sucedeu ao Papa Pio XII, de quem era bastante diferente do ponto de vista humano e no modo de agir, mas sem se contradizerem.<\/p>\n<p>Os papas s&atilde;o todos diferentes uns dos outros, consoante a sua personalidade. Completam-se mutuamente. Jo&atilde;o XXIII completou o pontificado de Pio XII, o Papa Pancelli, para mim um dos grandes Papas, sen&atilde;o o maior da &eacute;poca contempor&acirc;nea!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O pontificado de Jo&atilde;o XXIII ficou incontornavelmente marcado pela convoca&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio Vaticano II&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> Jo&atilde;o XXIII ficou marcado como sendo o autor do Conc&iacute;lio Vaticano II, que foi um verdadeiro Pentecostes para a Igreja, o princ&iacute;pio de uma renova&ccedil;&atilde;o profunda da comunidade eclesial. No entanto, a ideia do Concilio n&atilde;o &eacute; propriamente de Jo&atilde;o XXIII. A ideia do Conc&iacute;lio &eacute; do papa Pio XII. Ele pensou convocar um Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico para rever v&aacute;rios problemas da Igreja, naquele tempo. Pensou fazer um Conc&iacute;lio e nomeou uma comiss&atilde;o teol&oacute;gica para estudar o problema. Simplesmente tinha j&aacute; a sua idade e faleceu. Veio Jo&atilde;o XXIII e retomou a ideia do Concilio e naturalmente convocou-o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Isso tira algum m&eacute;rito a Jo&atilde;o XXIII e ao seu pontificado?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> N&atilde;o tira m&eacute;rito, antes pelo contr&aacute;rio. Foi um sinal de continuidade do pontificado do Papa Pio XII num campo t&atilde;o importante como a pastoral da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Que relevo t&ecirc;m as enc&iacute;clicas sociais de Jo&atilde;o XXIII, a promo&ccedil;&atilde;o da paz ao longo do seu pontificado?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> Encontramos parte do seu pensamento nos documentos do Conc&iacute;lio Vaticano II, sobre a renova&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica (a Sacrosantum Concilium), sobre a Igreja e as rela&ccedil;&otilde;es entre Igreja e o mundo, na Constitui&ccedil;&atilde;o Gaudium et Spes, que &eacute; documento muito importante e que exprime o pensamento de Jo&atilde;o XXIII.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A realiza&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio e o estilo do Papa gerou alguma viragem no di&aacute;logo da Igreja com a sociedade?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash; <\/em>Certamente. Era um Papa muito pr&oacute;ximo das pessoas. N&atilde;o se considerava uma pessoa superior ou longe da sociedade. Era um membro da sociedade, via muito bem quais os problemas que existiam entre a Igreja e o Estado, o mundo pol&iacute;tico e procurou aprofundar v&aacute;rios problemas, inclusivamente os que implicavam a a&ccedil;&atilde;o pastoral da Igreja. Deixou-nos documentos important&iacute;ssimos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O que &eacute; que na sua opini&atilde;o faz de Jo&atilde;o XXIII um Papa santo?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> Observei sempre em Jo&atilde;o XXIII a simplicidade evang&eacute;lica. Era realmente como Cristo. Estava sempre connosco. Para mim era uma interpreta&ccedil;&atilde;o aut&ecirc;ntica do Evangelho e renovou a imagem de Cristo, no seu tempo e no seu pontificado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; De Jo&atilde;o Paulo II, ter&aacute; mem&oacute;rias mais pr&oacute;ximas, mais pessoais?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> Com Jo&atilde;o Paulo II eu mantive rela&ccedil;&otilde;es muito pr&oacute;ximas. Foi ele que me pediu para ficar em Roma. Depois de uns anos como professor na Urbaniana, tinham-me pedido para ir para Lisboa para a Universidade cat&oacute;lica Portuguesa, para a Faculdade de Teologia. O patriarca de ent&atilde;o, o Cardeal Cerejeira, andava &agrave; procura de professores de Teologia e soube que em Roma havia um professor portugu&ecirc;s na Universidade Pontif&iacute;cia Urbaniana e escreveu v&aacute;rias cartas a pedir que fosse para a faculdade em Lisboa. Eu estava disposto a ir para Lisboa, mas o reitor da Pontif&iacute;cia Universidade Urbaniana, impediu-me. Ainda procurei uma solu&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia &ndash; um semestre em Lisboa, outro em Roma &ndash; mas o reitor rejeitou.<\/p>\n<p>Estive l&aacute; 22 anos enquanto professor.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Paulo II nomeou-me para a Congrega&ccedil;&atilde;o para a Educa&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica, que &eacute; o minist&eacute;rio da educa&ccedil;&atilde;o da Igreja, e depois para prefeito da congrega&ccedil;&atilde;o para as Causas dos Santos que, segundo ele, era o dicast&eacute;rio mais importante da Igreja, uma vez que trata da santidade, da santidade dos membros da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A sua perman&ecirc;ncia em Roma est&aacute; ent&atilde;o muito ligada a Jo&atilde;o Paulo II?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> Devo-a a ele assim como devo a Jo&atilde;o Paulo II o meu servi&ccedil;o na Santa S&eacute;.<\/p>\n<p>Tive com o Papa um relacionamento muito pr&oacute;ximo, com quem estive muitas vezes em almo&ccedil;os de trabalho. Ele tamb&eacute;m era de uma simplicidade extraordin&aacute;ria e falava connosco como falamos com um amigo. Sempre admirei nele a sua humanidade. Jo&atilde;o Paulo II foi um Papa profundamente humano.<\/p>\n<p>A sua vida consistiu em defender e promover a pessoa humana, a sua dignidade, e defender com coragem, muita coragem, por vezes heroica, os direitos fundamentais e naturais do homem. Direitos inalien&aacute;veis que t&ecirc;m de ser respeitados e promovidos at&eacute; ao fim.<\/p>\n<p>Hoje fala-se muito tamb&eacute;m do problema da igualdade entre homem e mulher. E esta problem&aacute;tica foi enfrentada por Jo&atilde;o Paulo II, com esp&iacute;rito de uma compreens&atilde;o extraordin&aacute;ria. Era um Papa moderno, humano, profundamente humano. A explica&ccedil;&atilde;o para mim &eacute; simples: era um santo. Tinha uma f&eacute; profunda, concreta, n&atilde;o abstrata. Era um santo enamorado de Cristo.<\/p>\n<p>Como santo era tamb&eacute;m humano porque, ao contr&aacute;rio do que se pensa, s&atilde;o todos humanos. A santidade e a humanidade n&atilde;o s&atilde;o duas realidades contrapostas, mas intimamente unidas, insepar&aacute;veis. A santidade para mim n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o a plenitude da humanidade e os santos s&atilde;o os que viveram em profundidade &agrave; luz do Evangelho a pr&oacute;pria humanidade. Foi tamb&eacute;m o que fez Jo&atilde;o Paulo II: Um santo muito humano, que o exprimiu de tantas maneiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Quais as essenciais, ao longo do seu pontificado?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &#8211;<\/em> Foi um Papa mission&aacute;rio, apost&oacute;lico, evangelizador. Para mim foi o S&atilde;o Paulo dos tempos modernos. Foi ele que come&ccedil;ou as viagens apost&oacute;licas por todo o mundo e, &agrave; semelhan&ccedil;a de S&atilde;o Paulo, evangelizou os gentios de hoje.<\/p>\n<p>As suas viagens por todos os continentes n&atilde;o eram viagens tur&iacute;sticas, mas apost&oacute;licas, mission&aacute;rias e evangelizadoras.<\/p>\n<p>Sempre tive uma grande admira&ccedil;&atilde;o por Jo&atilde;o Paulo II<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Recorda-se algum momento de encontro com Jo&atilde;o Paulo II que o tivesse marcado particularmente? <\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> Lembro-me de um facto importante do ponto de vista humano. Depois de ter sido eleito Papa convocou todos os reitores das Pontif&iacute;cias Universidades Romanas, entre as quais a Urbaniana. Eu era o chefe dos reitores das v&aacute;rias Universidades e discutimos profundamente os v&aacute;rios problemas das universidades de Roma. Depois de uma hora, de discuss&otilde;es, ele tomou a palavra e disse: &ldquo;Agora vamos come&ccedil;ar a segunda parte do nosso encontro, que &eacute; ainda mais importante do que a primeira. A segunda parte &eacute; a ceia todos n&oacute;s&rdquo;. Um gesto extraordin&aacute;rio, de uma grande simplicidade!<\/p>\n<p>Tenho outras lembran&ccedil;as com ele e sempre que fal&aacute;vamos era como entre amigos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O que dizia Jo&atilde;o Paulo II sobre Portugal. Que imagem tinha ele do nosso pa&iacute;s?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> Muito boa. Para ele foi sempre uma na&ccedil;&atilde;o fiel &agrave; Santa S&eacute; e ao Papa e exprimia-o de muitas maneiras. E quando se fala de Portugal, fala-se naturalmente de F&aacute;tima. Ele foi um homem enamorado de F&aacute;tima. Foi v&aacute;rias vezes a F&aacute;tima e atribuiu sempre a Nossa Senhora de F&aacute;tima a prote&ccedil;&atilde;o e o facto de n&atilde;o ter morrido no dia do atentado (13 de maio de 1981, ndr). Ele dizia que tinha sido Nossa Senhora a desviar a bala para que ele n&atilde;o morresse.<\/p>\n<p>Trouxe uma imagem de Nossa Senhora e colocou-a no pal&aacute;cio apost&oacute;lico de Castel Gandolfo. Depois beatificou os dois pastorinhos, Jacinta e Francisco, processo que eu acompanhei.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Paulo II estimava muito Portugal, como pa&iacute;s e na&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Por ocasi&atilde;o do atentado, esteve com ele nos dias imediatos?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> N&atilde;o. Ele foi para o hospital e tinha de descansar. Ainda ficou no hospital bastante tempo. Na altura, o que pod&iacute;amos fazer, e faz&iacute;amos, era rezar por ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Os anos subsequentes do pontificado, depois do atentado, foram de alguma expectativa sobre a possibilidade de Jo&atilde;o Paulo II continuar ou n&atilde;o? As consequ&ecirc;ncias que aquele atentado poderia ter na sua sa&uacute;de?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que o atentado teve as suas consequ&ecirc;ncias. Ele suportou sempre aquela situa&ccedil;&atilde;o como um verdadeiro crente. Como uma esp&eacute;cie de associa&ccedil;&atilde;o ou reprodu&ccedil;&atilde;o da Paix&atilde;o de Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; tamb&eacute;m nos &uacute;ltimos anos de pontificado?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> Tamb&eacute;m e mais ainda porque havia outros aspetos da sua sa&uacute;de nada boas. Todos se lembram do dia em que ele foi &agrave; janela do seu apartamento, quis falar &agrave; multid&atilde;o presente na Pra&ccedil;a de S&atilde;o Pedro mas n&atilde;o saiu uma palavra. Foi um momento, do ponto de vista humano, tr&aacute;gico. S&oacute; quem viveu esses momentos com ele se d&aacute; conta do significado profundo para o Papa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; E foi a melhor decis&atilde;o do Papa Jo&atilde;o Paulo II levar o seu pontificado at&eacute; &agrave; sua morte, tal como aconteceu?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash; <\/em>Sim. &Eacute; preciso ter em conta um facto importante: num certo momento ele pensou demitir-se. Pediu conselhos aos colaboradores mas disseram-lhe que seria melhor n&atilde;o se demitir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Falou consigo sobre isso?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash; <\/em>N&atilde;o. Diretamente n&atilde;o. Ele deu-se conta da sua situa&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m j&aacute; Paulo VI tinha pensado demitir-se e nomeou uma comiss&atilde;o para estudar o problema, que o desaconselhou. A demiss&atilde;o de um Papa n&atilde;o &eacute; uma novidade absoluta.<\/p>\n<p>Bento XVI seguindo a mesma linha, para bem da Igreja, e achou melhor demitir-se. &Eacute; o c&oacute;digo de direito can&oacute;nico, o c&acirc;none 83 que diz expressamente que o papa tem o direito de se demitir se achar que &eacute; conveniente para o bem da Igreja e ningu&eacute;m o pode impedir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Num pontificado t&atilde;o longo como o de Jo&atilde;o Paulo II, alguma coisa ficou por fazer? <\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> Alguma coisa fica sempre por fazer. A Igreja tem de dar import&acirc;ncia &agrave; pastoral no momento presente. H&aacute; sempre problemas, tal como h&aacute; sempre problemas na sociedade. A Igreja tem de viver no tempo presente, por isso, tem de falar ao homem de hoje, com a linguagem de hoje. A de ontem j&aacute; n&atilde;o existe.<\/p>\n<p>Naturalmente isso pede uma adapta&ccedil;&atilde;o e levanta problemas. A grande preocupa&ccedil;&atilde;o da Igreja &eacute; ajudar a resolver os problemas do ponto de vista pastoral e eclesial. O Papa tinha essa ideia muito clara.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Jo&atilde;o Paulo II ter&aacute; enfrentado da melhor forma o problema da pedofilia na Igreja? Ter-se-ia apercebido dos problemas e proposto uma resolu&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> Este Papa t&atilde;o pr&oacute;ximo das pessoas, deu-se conta do problema e procurou resolv&ecirc;-lo. Mas nem tudo o que de bom faz um Papa &eacute; reproduzido na imprensa. Ele interveio v&aacute;rias vezes por meio da Congrega&ccedil;&atilde;o para a Doutrina da F&eacute;. A Igreja preocupou-se sempre porque este &eacute; um problema real.<\/p>\n<p>A Igreja &eacute; geralmente acusada por n&atilde;o ter denunciado os sacerdotes ped&oacute;filos, mas isso n&atilde;o &eacute; verdade. Ela procurou com muito cuidado intervir. E interveio, mais do que uma vez em v&aacute;rios casos, n&atilde;o publicamente, tendo sido s&aacute;bia ao seguir um caminho discreto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O que faz deste Papa, &agrave; semelhan&ccedil;a de Jo&atilde;o XXIII, um Papa santo? <\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> Jo&atilde;o Paulo II foi santo porque seguiu o Evangelho. Procurar a santidade consiste em seguir o Evangelho, p&ocirc;r em pr&aacute;tica o que diz Cristo. Cumprir a Palavra de Deus. A santidade n&atilde;o &eacute; uma coisa extraordin&aacute;ria. &Eacute; muito simples. Consiste em viver o Evangelho de Cristo, seguir a Sua voz, aplica-la no seu dia a dia. A santidade consiste nisso. E Jo&atilde;o Paulo II viveu em profundidade o Evangelho, em todos os sentidos e circunst&acirc;ncias da sua vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O Papa Francisco dispensou a exist&ecirc;ncia de um milagre atribu&iacute;do a Jo&atilde;o XXIII para concluir o processo de canoniza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a op&ccedil;&atilde;o mais acertada na sua opini&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> Certamente. O Papa pode fazer uma exce&ccedil;&atilde;o se achar mais importante para a Igreja neste momento.<\/p>\n<p>Segundo os estatutos em vigor, requer-se um milagre para a beatifica&ccedil;&atilde;o e outro para a canoniza&ccedil;&atilde;o feito depois da beatifica&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma norma, n&atilde;o &eacute; de direito divino, mas eclesi&aacute;stico. O Papa pode, se quiser e achar conveniente em qualquer momento da hist&oacute;ria, dispensar o milagre. S&oacute; n&atilde;o pode dispensar a heroicidade das virtudes.<\/p>\n<p>Beatificar ou canonizar n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o proclamar a santidade daquela pessoa, do candidato aos altares. Um milagre n&atilde;o est&aacute; unido &aacute; beatifica&ccedil;&atilde;o ou canoniza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma esp&eacute;cie de confirma&ccedil;&atilde;o por parte de Deus de que aquela pessoa praticou as virtudes em grau heroico.<\/p>\n<p>A Igreja achou, e muito bem, que se exija ordinariamente um milagre para a beatifica&ccedil;&atilde;o e canoniza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>As virtudes heroicas t&ecirc;m de existir sempre. O milagre n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio para a canoniza&ccedil;&atilde;o. E o Papa Francisco dispensou o milagre para Jo&atilde;o XXIII.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; No caso de Jo&atilde;o Paulo II o processo conclui-se com um milagre&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> A cura de uma pessoa com um aneurisma cerebral da Costa Rica &eacute; atribu&iacute;do &agrave; intercess&atilde;o de Jo&atilde;o Paulo II.<\/p>\n<p>Para que uma cura seja considerada milagrosa &eacute; preciso que seja completa, instant&acirc;nea e duradoura &agrave; luz da ci&ecirc;ncia m&eacute;dica atual. Tem de aparecer claramente que aquela cura foi feita por intercess&atilde;o de algu&eacute;m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A comunidade dos crentes que enriquecimento tem com a canoniza&ccedil;&atilde;o de dois Papas?<\/em><\/p>\n<p><em>JSM &ndash;<\/em> S&atilde;o dois Papas com um papel importante na aplica&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio: O que inaugurou e um dos que mais contribu&iacute;ram para a aplica&ccedil;&atilde;o na vida da Igreja do Concilio. Este aspeto conciliar que une os dois Papas Santos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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