{"id":65583,"date":"2014-04-19T23:17:37","date_gmt":"2014-04-19T23:17:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/04\/19\/papa-homilia-da-vigilia-pascal\/"},"modified":"2014-04-19T23:17:37","modified_gmt":"2014-04-19T23:17:37","slug":"papa-homilia-da-vigilia-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/papa-homilia-da-vigilia-pascal\/","title":{"rendered":"Papa: Homilia da Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p>O Evangelho da ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo come&ccedil;a referindo o caminho das mulheres para o sepulcro, ao alvorecer do dia depois do s&aacute;bado. Querem honrar o corpo do Senhor e v&atilde;o ao t&uacute;mulo, mas encontram-no aberto e vazio. Um anjo majestoso diz-lhes: &laquo;N&atilde;o tenhais medo!&raquo; (Mt 28, 5). E ordena-lhes que levem esta not&iacute;cia aos disc&iacute;pulos: &laquo;Ele ressuscitou dos mortos e vai &agrave; vossa frente para a Galileia&raquo; (28, 7). As mulheres fogem de l&aacute; imediatamente, mas, ao longo da estrada, sai-lhes ao encontro o pr&oacute;prio Jesus que lhes diz: &laquo;N&atilde;o temais. Ide anunciar aos meus irm&atilde;os que partam para a Galileia. L&aacute; me ver&atilde;o&raquo;&nbsp; (28, 10).<\/p>\n<p>Depois da morte do Mestre, os disc&iacute;pulos tinham-se dispersado; a sua f&eacute; quebrantara-se, tudo parecia ter acabado: desabadas as certezas, apagadas as esperan&ccedil;as. Mas agora, aquele an&uacute;ncio das mulheres, embora incr&iacute;vel, chegava como um raio de luz na escurid&atilde;o. A not&iacute;cia espalha-se: Jesus ressuscitou, como predissera&#8230; E de igual modo a ordem de partir para a Galileia; duas vezes a ouviram as mulheres, primeiro do anjo, depois do pr&oacute;prio Jesus: &laquo;Partam para a Galileia. L&aacute; Me ver&atilde;o&raquo;.<\/p>\n<p>A Galileia &eacute; o lugar da primeira chamada, onde tudo come&ccedil;ara! Trata-se de voltar l&aacute;, voltar ao lugar da primeira chamada. Jesus passara pela margem do lago, enquanto os pescadores estavam a consertar as redes. Chamara-os e eles, deixando tudo, seguiram-No&raquo; (cf. Mt 4, 18-22).<\/p>\n<p>Voltar &agrave; Galileia significa reler tudo a partir da cruz e da vit&oacute;ria. Reler tudo &ndash; a prega&ccedil;&atilde;o, os milagres, a nova comunidade, os entusiasmos e as deser&ccedil;&otilde;es, at&eacute; a trai&ccedil;&atilde;o &ndash; reler tudo a partir do fim, que &eacute; um novo in&iacute;cio, a partir deste supremo acto de amor.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m para cada um de n&oacute;s h&aacute; uma &laquo;Galileia&raquo;, no princ&iacute;pio do caminho com Jesus. &laquo;Partir para a Galileia&raquo; significa uma coisa estupenda, significa redescobrirmos o nosso Baptismo como fonte viva, tirarmos energia nova da raiz da nossa f&eacute; e da nossa experi&ecirc;ncia crist&atilde;. Voltar para a Galileia significa antes de tudo retornar l&aacute;, &agrave;quele ponto incandescente onde a Gra&ccedil;a de Deus me tocou no in&iacute;cio do caminho. &Eacute; desta fagulha que posso acender o fogo para o dia de hoje, para cada dia, e levar calor e luz aos meus irm&atilde;os e &agrave;s minhas irm&atilde;s. A partir daquela fagulha, acende-se uma alegria humilde, uma alegria que n&atilde;o ofende o sofrimento e o desespero, uma alegria mansa e bondosa.<\/p>\n<p>Na vida do crist&atilde;o, depois do Baptismo, h&aacute; tamb&eacute;m uma &laquo;Galileia&raquo; mais existencial: a experi&ecirc;ncia do encontro pessoal com Jesus Cristo, que me chamou para O seguir e participar na sua miss&atilde;o. Neste sentido, voltar &agrave; Galileia significa guardar no cora&ccedil;&atilde;o a mem&oacute;ria viva desta chamada, quando Jesus passou pela minha estrada, olhou-me com miseric&oacute;rdia, pediu-me para O seguir; recuperar a lembran&ccedil;a daquele momento em que os olhos d&rsquo;Ele se cruzaram com os meus, quando me fez sentir que me amava.<\/p>\n<p>Hoje, nesta noite, cada um de n&oacute;s pode interrogar-se: Qual &eacute; a minha Galileia? Onde &eacute; a minha Galileia? Lembro-me dela? Ou esqueci-a? Andei por estradas e sendas que ma fizeram esquecer. Senhor, ajudai-me! Dizei-me qual &eacute; a minha Galileia. Como sabeis, eu quero voltar l&aacute; para Vos encontrar e deixar-me abra&ccedil;ar pela vossa miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p>O Evangelho de P&aacute;scoa &eacute; claro: &eacute; preciso voltar l&aacute;, para ver Jesus ressuscitado e tornar-se testemunha da sua ressurrei&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; voltar atr&aacute;s, n&atilde;o &eacute; nostalgia. &Eacute; voltar ao primeiro amor, para receber o fogo que Jesus acendeu no mundo, e lev&aacute;-lo a todos at&eacute; aos confins da terra.<\/p>\n<p>&laquo;Galileia dos gentios&raquo; (Mt 4, 15; Is 8, 23): horizonte do Ressuscitado, horizonte da Igreja; desejo intenso de encontro&#8230; Ponhamo-nos a caminho!<\/p>\n<p>Papa Francisco, Bas&iacute;lica de S&atilde;o Pedro, Vaticano, 19 de abril de 2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Evangelho da ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo come&ccedil;a referindo o caminho das mulheres para o sepulcro, ao alvorecer do dia depois do s&aacute;bado. Querem honrar o corpo do Senhor e v&atilde;o ao t&uacute;mulo, mas encontram-no aberto e vazio. Um anjo majestoso diz-lhes: &laquo;N&atilde;o tenhais medo!&raquo; (Mt 28, 5). 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