{"id":65563,"date":"2014-04-18T16:43:14","date_gmt":"2014-04-18T16:43:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/04\/18\/porto-homilia-da-celebracao-da-paixao-do-senhor\/"},"modified":"2014-04-18T16:43:14","modified_gmt":"2014-04-18T16:43:14","slug":"porto-homilia-da-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/porto-homilia-da-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Porto: Homilia da Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>Irm&atilde;os e Irm&atilde;s,<\/p>\n<p>1.Nesta tarde de Sexta-Feira Santa tem redobrado sentido olhar para a Cruz de Cristo.<\/p>\n<p>Ao olhar para a Cruz n&atilde;o estamos s&oacute;s. Connosco, de olhar fixo no Crucificado, est&atilde;o todos os que sofrem.<\/p>\n<p>Se olharmos, tamb&eacute;m n&oacute;s, o mundo a partir da Cruz de Cristo veremos que se ampliam os sentimentos do nosso cora&ccedil;&atilde;o e se alarga o nosso campo de vis&atilde;o. Na Cruz, a Humanidade deixa de ser v&iacute;tima do pecado e da morte para iniciar a partir de Cristo e com Ele a sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o fascinado pelo valor incondicional e sagrado da vida e pela certeza inabal&aacute;vel da ressurrei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Quando a Cruz pesa sobre algu&eacute;m, todos n&oacute;s somos necess&aacute;rios e imprescind&iacute;veis como cireneus, mesmo que a nossa ajuda pare&ccedil;a insignificante perante a imensid&atilde;o da dor. Assim compreendemos que Jesus n&atilde;o esteve s&oacute; no caminho da Cruz. Com Ele fizeram caminho tamb&eacute;m o Cireneu, a Ver&oacute;nica, as mulheres de Jerusal&eacute;m, o disc&iacute;pulo Jo&atilde;o e sobretudo a M&atilde;e de Jesus. A M&atilde;e &eacute; sempre quem melhor compreende o mist&eacute;rio da dor e mais alivia o peso da cruz.<\/p>\n<p>O caminho do Calv&aacute;rio de todos os que sofrem n&atilde;o prescinde, tamb&eacute;m hoje, de cireneus que partilhem a dor e que reparem a humilha&ccedil;&atilde;o, o desprezo, a indiferen&ccedil;a, a injusti&ccedil;a, o luto e a mis&eacute;ria que s&atilde;o em todos os tempos da hist&oacute;ria angustiantes e demolidoras experi&ecirc;ncias de sofrimento e de cruz.<\/p>\n<p>2.A narra&ccedil;&atilde;o da paix&atilde;o, agora proclamada, diz-nos que no auge da crucifix&atilde;o, Jesus revela, pelas palavras que se lhes soltam do cora&ccedil;&atilde;o, a sua doa&ccedil;&atilde;o obediente at&eacute; &agrave; morte e a dimens&atilde;o infinita do seu amor pela Humanidade.<\/p>\n<p>Um condenado, ali crucificado a seu lado, implorou de Jesus que se lembrasse dele quando estivesse no seu reino. (Lc. 23, 42). A reac&ccedil;&atilde;o de Jesus foi acolh&ecirc;-lo de imediato, sem cl&aacute;usulas nem condi&ccedil;&otilde;es: &#8220;Hoje mesmo entrar&aacute;s no Para&iacute;so&#8221; (Lc. 23, 43).<\/p>\n<p>A Humanidade sempre recorreu a Deus. E sempre O procurou. Mesmo que seja por caminhos estranhos, veredas silenciosas ou periferias ignoradas ou desconhecidas.<\/p>\n<p>E a &uacute;ltima palavra, surpreendentemente serena e confiante, &eacute; esta: &#8220;Pai nas tuas m&atilde;os entrego O meu Esp&iacute;rito&#8221; Lc 23, 46).<\/p>\n<p>&Eacute; a manifesta&ccedil;&atilde;o de que tudo est&aacute; cumprido. A Humanidade est&aacute; salva. Est&aacute; restabelecida a Alian&ccedil;a nova entre o Senhor e o Seu Povo, reaberto o di&aacute;logo entre Criador e a Cria&ccedil;&atilde;o e restabelecido o amor entre Deus e a Humanidade.<\/p>\n<p>3.Nesta tarde de Sexta-Feira Santa, queremos continuar, dois mil anos depois, a olhar o Crucificado e a rezar-Lhe: Quando vires, Senhor, pobres na nossa cidade, gente sem p&atilde;o nem abrigo, sem mesa e sem lar nas nossas terras&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;Faz que as nossas portas se abram, as nossas m&atilde;os se estendam e o nosso p&atilde;o se reparta. Quando encontrares, Senhor, multid&otilde;es sem rumo e sem rosto, jovens sem horizonte e sem projectos, bra&ccedil;os sem trabalho e sem emprego&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;Faz que as nossas ruas ganhem vida com pessoas felizes, o nosso futuro recupere encanto e a terra que pisamos nos ofere&ccedil;a alegria, trabalho e esperan&ccedil;a. Quando sentires, Senhor, l&aacute;grimas tristes e magoadas de crian&ccedil;as sem fam&iacute;lia, sem escola ou sem terra ou de idosos, irm&atilde;os g&eacute;meos da solid&atilde;o, do des&acirc;nimo e do abandono&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; Faz que a vida seja defendida e respeitada, como direito sagrado e valor eterno, as fam&iacute;lias cres&ccedil;am em amor e em paz e os idosos e doentes recebam em presen&ccedil;a, afecto e respeito o que nos d&atilde;o em sabedoria, exemplo e b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Quando souberes, Senhor, que h&aacute; Calv&aacute;rios levantados em lugares de gente abandonada e inocente, cruzes de dor erguidas em holocaustos de sofrimento e cora&ccedil;&otilde;es rasgados em momentos de abandono&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; Faz que encontremos coragem humana, decis&atilde;o crente e determina&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica para percorrer caminhos com os que sofrem e partilhar as dores dos irm&atilde;os sem ningu&eacute;m.<\/p>\n<p>Quando ouvires, Senhor, ora&ccedil;&otilde;es de s&uacute;plica, de gratid&atilde;o e c&acirc;nticos de louvor crist&atilde;o em comunidades vivas de f&eacute;, de entusiasmo e de comunh&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; Faz que a vida, a f&eacute;, a esperan&ccedil;a, a caridade e a miss&atilde;o desta amada Igreja do Porto se centrem sempre em Ti e irradiem para o Mundo a partir de Ti, Senhor Jesus.<\/p>\n<p><em>Igreja Catedral do Porto, 18 de Abril de 2014<\/em><\/p>\n<p><em>Ant&oacute;nio, Bispo do Porto<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm&atilde;os e Irm&atilde;s, 1.Nesta tarde de Sexta-Feira Santa tem redobrado sentido olhar para a Cruz de Cristo. 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