{"id":65558,"date":"2014-04-18T12:41:00","date_gmt":"2014-04-18T12:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/04\/18\/bragancahomilia-da-missa-crismal-sobre-unidades-pastorais-topografia-da-vocacao-comunhao-e-missao\/"},"modified":"2014-04-18T12:41:00","modified_gmt":"2014-04-18T12:41:00","slug":"bragancahomilia-da-missa-crismal-sobre-unidades-pastorais-topografia-da-vocacao-comunhao-e-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bragancahomilia-da-missa-crismal-sobre-unidades-pastorais-topografia-da-vocacao-comunhao-e-missao\/","title":{"rendered":"Bragan\u00e7a:Homilia da Missa Crismal sobre  Unidades Pastorais, topografia da voca\u00e7\u00e3o, comunh\u00e3o e miss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A Missa crismal &eacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o privilegiada da Igreja, da plenitude do sacerd&oacute;cio e da &iacute;ntima uni&atilde;o dos presb&iacute;teros com o bispo e entre si. Com a consagra&ccedil;&atilde;o do crisma, indica-se o que ocorre na liturgia da Igreja: os rec&eacute;m-baptizados s&atilde;o ungidos, os confirmandos s&atilde;o marcados, os presb&iacute;teros e os bispos s&atilde;o de novo ungidos, o altar &eacute; ungido. Com o azeite de oliveira, benzido para os catec&uacute;menos e para os enfermos, Deus est&aacute; presente, por sinais e ora&ccedil;&otilde;es, nos que s&atilde;o baptizados e s&atilde;o aliviados nas suas enfermidades.<\/p>\n<p>A liturgia evoca o costume do Antigo Testamento, em que os reis, os sacerdotes e os profetas eram ungidos com o azeite da consagra&ccedil;&atilde;o, pois eram figuras de Cristo, chamado &laquo;ungido do Senhor&raquo;. A un&ccedil;&atilde;o envia sempre para a miss&atilde;o.<\/p>\n<p>No Ano da Voca&ccedil;&atilde;o, que estamos felizmente a viver na nossa Diocese, os presb&iacute;teros (87 presb&iacute;teros incardinados) s&atilde;o chamados a renovar o primeiro amor no servi&ccedil;o da palavra, da liturgia, do testemunho e da caridade do pastor. Os di&aacute;conos (6), os religiosos e as religiosas (100 ao servi&ccedil;o da nossa Igreja local e centenas ao servi&ccedil;o da Igreja universal), os confirmandos, os catequistas, os movimentos juvenis, os ministros extraordin&aacute;rios da comunh&atilde;o, os doentes, os profissionais da sa&uacute;de, os ac&oacute;litos, os leitores, os cantores, os sacrist&atilde;es, os zeladores&hellip;.. s&atilde;o convocados a serem disc&iacute;pulos mission&aacute;rios no lugar onde est&atilde;o e onde vivem.<\/p>\n<p>Para sermos mais fi&eacute;is &agrave; Eucaristia, ao Evangelho e ao Minist&eacute;rio nesta diocese nordestina, reorganizamo-nos em quatro arciprestados (Bragan&ccedil;a, Miranda, Mirandela e Moncorvo) e cerca de 30 unidades pastorais, a maioria (25), j&aacute; criadas em 2012. Os dias dif&iacute;ceis que vivemos exigem que as dificuldades sejam transformadas em oportunidades com engenho e criatividade. J&aacute; consider&aacute;mos a necessidade, as raz&otilde;es, as v&aacute;rias formas, a mudan&ccedil;a de paradigma, a utilidade, as dificuldades, os passos a realizar, as alegrias e as esperan&ccedil;as. As Unidades Pastorais s&atilde;o basilares para uma comunh&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o pastoral org&acirc;nica de conjunto entre par&oacute;quias pr&oacute;ximas, cuja colabora&ccedil;&atilde;o, configura&ccedil;&atilde;o e reconhecimento foi institucionalizado. Na verdade, as Unidades Pastorais, procedem de v&aacute;rias par&oacute;quias que convergem numa pastoral unit&aacute;ria, guiadas por um s&oacute; sacerdote ou por um sacerdote moderador com o qual cooperam outros sacerdotes que podem, in solidum ou singularmente, ser p&aacute;rocos das par&oacute;quias convergentes na Unidade Pastoral.<\/p>\n<p>Para n&oacute;s, a Unidade Pastoral constitui a nova c&eacute;lula pastoral territorial onde se realiza a nossa Igreja diocesana, uma realidade pastoral chave para os pr&oacute;ximos anos, pois queremos ser fi&eacute;is ao mandato do Senhor de apascentar o seu rebanho e temos de preparar o futuro em din&acirc;mica mission&aacute;ria. Auguramos que a Unidade Pastoral seja como que a topografia da voca&ccedil;&atilde;o, comunh&atilde;o e miss&atilde;o.<\/p>\n<p>Quais as raz&otilde;es desta reorganiza&ccedil;&atilde;o em cerca de 30 Unidades Pastorais e em 4 Arciprestados?<\/p>\n<p>1. A alterada propor&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o num&eacute;rica entre os p&aacute;rocos e as par&oacute;quias (60 p&aacute;rocos para 326 par&oacute;quias);<\/p>\n<p>2. A redescoberta de uma responsabilidade colectiva e partilhada para a cura pastoral, que impulsiona a uma pastoral de conjunto ou pastoral org&acirc;nica, a realizar-se mediante uma ordenada colabora&ccedil;&atilde;o de sacerdotes, di&aacute;conos, consagrados e de leigos para um determinado territ&oacute;rio;<\/p>\n<p>3. O favorecimento da comunh&atilde;o e o interc&acirc;mbio de conhecimentos e de ajuda entre os sacerdotes, os di&aacute;conos, os consagrados, os leigos e entre as v&aacute;rias par&oacute;quias e a facilidade de comunica&ccedil;&atilde;o entre todos os que se dedicam &agrave; cura de almas;<\/p>\n<p>4. A voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o dos leigos, aos quais s&atilde;o confiadas responsabilidades nas suas par&oacute;quias, em aspectos da vida comunit&aacute;ria, que n&atilde;o devem ser confiados unicamente aos sacerdotes;<\/p>\n<p>5. A caracter&iacute;stica de povo sacerdotal vivida pelos fi&eacute;is leigos e t&atilde;o fortemente sublinhada na Escritura: E v&oacute;s sereis chamados &laquo;Sacerdotes do Senhor&raquo;, e nomeados &laquo;Ministros do nosso Deus&raquo; (Is 61,6); &laquo;tamb&eacute;m v&oacute;s &#8211; como pedras vivas &#8211; entrais na constru&ccedil;&atilde;o de um edif&iacute;cio espiritual, em fun&ccedil;&atilde;o de um sacerd&oacute;cio santo, cujo fim &eacute; oferecer sacrif&iacute;cios espirituais agrad&aacute;veis a Deus, por Jesus Cristo (1Pd 2, 5); &laquo;e fez de n&oacute;s um reino, sacerdotes para Deus e seu Pai; a Ele seja dada a gl&oacute;ria e o poder pelos s&eacute;culos dos s&eacute;culos. &Aacute;men&raquo; (Ap 1,6).<\/p>\n<p>6. A import&acirc;ncia da pluralidade de voca&ccedil;&otilde;es na Igreja e dos diversos carismas que possam nascer no an&uacute;ncio do Evangelho, na celebra&ccedil;&atilde;o da Liturgia e no testemunho da caridade.<\/p>\n<p>7. A mudan&ccedil;a do paradigma. J&aacute; n&atilde;o se concebe nem se reconhece a par&oacute;quia auto-suficiente, centrada e fechada no p&aacute;roco. &Eacute; necess&aacute;rio superar a l&oacute;gica do &ldquo;um-todos&rdquo; para abrir uma l&oacute;gica mais din&acirc;mica e eclesial na comunh&atilde;o &ldquo;um-alguns-todos&rdquo;. Este &eacute; um tempo de fazer das necessidades, virtudes.<\/p>\n<p>Em 1994, o Cardeal Martini, de viva mem&oacute;ria, quando criou as Unidades Pastorais ou Comunidades Pastorais na Arquidiocese de Mil&atilde;o, disse na homilia da Missa crismal: &laquo;A Igreja primitiva sofreu por car&ecirc;ncia de pessoal dedicado exclusivamente ao minist&eacute;rio? Se n&oacute;s, hoje, estamos a viver um tempo de car&ecirc;ncia de clero, precisamos de nos reportar &agrave;s atitudes da Igreja primitiva e imit&aacute;-la tanto na confian&ccedil;a e na Provid&ecirc;ncia que suscita sempre colaboradores aptos para o minist&eacute;rio, como na criatividade e na abertura a todas aquelas solu&ccedil;&otilde;es que uma reflex&atilde;o razo&aacute;vel nos inspira&raquo;.<\/p>\n<p>O Senhor atrav&eacute;s das dificuldades quer dizer alguma coisa, quer fazer-nos descobrir novos carismas presentes na nossa Igreja, entre os sacerdotes, di&aacute;conos, religiosos e religiosas, os consagrados, os leigos homens e mulheres de todas as idades e de todas as condi&ccedil;&otilde;es. Temos uma enorme riqueza de carismas e minist&eacute;rios. Este tempo de &ldquo;vacas magras&rdquo; estimula-nos a abrir os olhos e a perguntar: como &eacute; que o Senhor nos est&aacute; guiando, ajudando, sustendo neste momento para que o Evangelho seja anunciado a todos sem excep&ccedil;&atilde;o e para que a messe receba os oper&aacute;rios de que precisa?<\/p>\n<p>O Papa Francisco, na mensagem para o dia mundial de ora&ccedil;&atilde;o pelas voca&ccedil;&otilde;es, escreve: &laquo;&#8221;A messe &eacute; grande, mas os trabalhadores s&atilde;o poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe&#8221;&raquo; (Mt 9, 35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, &eacute; preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao inv&eacute;s, afirma que &laquo;a messe &eacute; grande&raquo;. Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta &eacute; uma s&oacute;: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus &eacute; a humanidade, somos n&oacute;s. E a ac&ccedil;&atilde;o eficaz, que &eacute; causa de &laquo;muito fruto&raquo;, deve-se &agrave; gra&ccedil;a de Deus, &agrave; comunh&atilde;o com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a ora&ccedil;&atilde;o, que Jesus pede &agrave; Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o n&uacute;mero daqueles que est&atilde;o ao servi&ccedil;o do seu Reino&raquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; claro que temos de atender &agrave;s resist&ecirc;ncias da parte da comunidade e de alguns presb&iacute;teros. Algumas pessoas ainda n&atilde;o se convenceram que a diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de presb&iacute;teros comporta a mudan&ccedil;a de muitas pr&aacute;ticas e estrat&eacute;gias pastorais. Alguns presb&iacute;teros preferem fazer tudo em vez da serenidade pastoral, da qualidade dos ritos, da profundidade do ensino e da prega&ccedil;&atilde;o e sobretudo do testemunho da caridade pastoral. Trata-se n&atilde;o de ter menos cura pastoral, mas de a ter melhor organizada, conduzida e oferecida a todos os membros do povo de Deus.<\/p>\n<p>O grande desafio &eacute; o trabalho espiritual fundamental que &eacute; pedido aos presb&iacute;teros, aos di&aacute;conos, aos consagrados e aos leigos &ndash; aprender a trabalhar juntos. Esta &eacute; uma escolha que exige a convers&atilde;o pastoral e mission&aacute;ria, isto &eacute;, a mudan&ccedil;a de atitude desde o cora&ccedil;&atilde;o, bem como a verdadeira caridade. Temos de realizar um projecto com estas simples etapas do m&eacute;todo pastoral: ver, julgar, agir e avaliar.<\/p>\n<p>A voca&ccedil;&atilde;o &eacute; dom e compromisso. No come&ccedil;o do nosso ser bispo, presb&iacute;tero, di&aacute;cono, leigo, postulante, novi&ccedil;o, seminarista, irm&atilde;o ou irm&atilde;, est&aacute; o encontro com a pessoa de Jesus Cristo. &laquo;N&atilde;o fostes v&oacute;s que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a v&oacute;s e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permane&ccedil;a; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo conceder&aacute;&raquo; (Jo 15, 16). Cada um dos escolhidos &eacute; convocado a fazer crescer e frutificar o dom recebido na comunh&atilde;o. A vida fortalece-se, doando-a (cf. EG 10).<\/p>\n<p>Caros presb&iacute;teros que hoje renovais o dom e o compromisso sacerdotal, sede verdadeiros suscitadores de voca&ccedil;&otilde;es e minist&eacute;rios, agentes da comunh&atilde;o. Promovei uma maior participa&ccedil;&atilde;o na Igreja e amai-a em todo o cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><em>Bragan&ccedil;a, 17 de Abril 2014<\/em><\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Cordeiro, Bispo de Bragan&ccedil;a-Miranda<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Missa crismal &eacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o privilegiada da Igreja, da plenitude do sacerd&oacute;cio e da &iacute;ntima uni&atilde;o dos presb&iacute;teros com o bispo e entre si. 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