{"id":65550,"date":"2014-04-17T11:17:00","date_gmt":"2014-04-17T11:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/04\/17\/misterios-da-pascoa-em-idanha-a-nova\/"},"modified":"2014-04-17T11:17:00","modified_gmt":"2014-04-17T11:17:00","slug":"misterios-da-pascoa-em-idanha-a-nova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/misterios-da-pascoa-em-idanha-a-nova\/","title":{"rendered":"Mist\u00e9rios da P\u00e1scoa em Idanha-a-Nova"},"content":{"rendered":"<p>O ciclo pascal no Concelho de Idanha-a-Nova \u00e9 rico em viv\u00eancias e tradi\u00e7\u00f5es religiosas que se fazem sentir ao longo da Quaresma e na riqueza ritual das celebra\u00e7\u00f5es pascais. As aldeias do conselho partilham uma riqueza etnogr\u00e1fica e religiosa que \u00e9 \u00fanica no pa\u00eds. <!--more--> <\/p>\n<p>O ciclo pascal no Concelho de Idanha-a-Nova &eacute; rico em viv&ecirc;ncias e tradi&ccedil;&otilde;es religiosas que se fazem sentir ao longo da Quaresma e na riqueza ritual das celebra&ccedil;&otilde;es pascais. As aldeias do conselho partilham uma riqueza etnogr&aacute;fica e religiosa que &eacute; &uacute;nica no pa&iacute;s. Ant&oacute;nio Catana tem dedicado parte da vida ao estudo desta identidade religiosa que, no seu entender, forma uma unidade &iacute;mpar no nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>&Eacute; quase como uma ilha encantada que n&oacute;s encontramos no nosso concelho. Estas tradi&ccedil;&otilde;es foram comuns em grande parte de Portugal mas que, com o tempo foram desaparecendo. A forte presen&ccedil;a templ&aacute;ria nesta regi&atilde;o, onde possuiu oito castelos, contribuiu para a preserva&ccedil;&atilde;o de uma identidade que perdura at&eacute; hoje. A valoriza&ccedil;&atilde;o de Maria Madalena nos ritos pascais tem uma liga&ccedil;&atilde;o a esta ordem militar. Importante tamb&eacute;m a presen&ccedil;a de nove Irmandades da Miseric&oacute;rdia que, no seu compromisso, assumem em grande medida estas tradi&ccedil;&otilde;es da P&aacute;scoa.<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ant&oacute;nio Catana<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia &#8211; Estas tradi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se restringem &agrave; Semana Santa, ao longo da Quaresma existem manifesta&ccedil;&otilde;es da religiosidade popular no sentido de valorizar estes dias de prepara&ccedil;&atilde;o para a P&aacute;scoa&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Ant&oacute;nio Catana &#8211;<\/em> Durante as cinco semanas da Quaresma, o Ladoeiro tem a prociss&atilde;o dos homens que, em cada sexta-feira junta muitas pessoas. Os jovens aderem tamb&eacute;m a esta tradi&ccedil;&atilde;o, embora por motivos demogr&aacute;ficos eles sejam cada vez menos nesta zona do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Em S. Miguel de d&#8217;Acha existe o ter&ccedil;o dos homens em cada sexta feira da Quaresma, temos a encomenda&ccedil;&atilde;o das almas em diversas par&oacute;quias.<\/p>\n<p>Sabendo que grande parte destas manifesta&ccedil;&otilde;es religiosas s&atilde;o asseguradas por pessoas idosas, sublinho a lideran&ccedil;a de alguns que se assumem como verdadeiros guardi&atilde;es da tradi&ccedil;&atilde;o e que a vivem, n&atilde;o de forma teatral ou como mera representa&ccedil;&atilde;o, mas com uma profunda convic&ccedil;&atilde;o e f&eacute;. Recordo um dos solistas da encomenda&ccedil;&atilde;o das almas que faleceu recentemente, que dizia: Quando estou a cantar a encomenda&ccedil;&atilde;o das almas estou a ver os meus familiares j&aacute; desaparecidos e tenho-os presentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A Igreja tem acompanhado estas tradi&ccedil;&otilde;es como algo que brota do &iacute;ntimo do sentimento popular e procura preservar estes ritos que se apresentam muito diferentes do que a liturgia sugere como forma de celebrar os Mist&eacute;rios da P&aacute;scoa. <\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> Sabendo que ap&oacute;s o Conc&iacute;lio de Trento a Igreja foi pondo de lado estas manifesta&ccedil;&otilde;es populares, mas considero que os p&aacute;rocos que foram passando pelo nosso conselho, tiveram sempre a sensibilidade de respeitar o sentimento popular. Dou o exemplo da prociss&atilde;o dos passos e as prociss&otilde;es corridas de Alcafozes em que o p&aacute;roco se limita a incorporar numa manifesta&ccedil;&atilde;o de f&eacute; que &eacute; conduzida pelo povo. Tudo decorre segundo a tradi&ccedil;&atilde;o popular que entoa c&acirc;nticos onde o latim se mistura com o portugu&ecirc;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Entre os momentos celebrativos, a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o dos Ramos adquire um colorido especial no domingo que antecede a Semana Santa&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> Esta celebra&ccedil;&atilde;o adquire uma dimens&atilde;o especial na aldeia de Monsanto. Todos os homens levam o seu ramo composto que habitualmente &eacute; preparado pela mulher. S&atilde;o ramos grandes de oliveira enfeitados com flores que levam &agrave; Igreja para serem benzidos. Depois, e segundo os lugares, os ramos s&atilde;o guardados. Em Monsanto h&aacute; quem guarde este ramo durante um ano at&eacute; quarta feira de cinzas em que &eacute; queimado, servindo as cinzas para assinalar esse dia que inicia a Quaresma. Outros, guardam o ramo junto a pequenos orat&oacute;rios onde fazem as suas ora&ccedil;&otilde;es ao longo do ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Na Quinta-feira Santa, o momento celebrativo centra-se no Lava-p&eacute;s e numa realiza&ccedil;&atilde;o a que se chama a Ceia dos Doze.<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> Em Alcafozes e Segura, o lava-p&eacute;s &eacute; assumido pelo provedor da Miseric&oacute;rdia. Como &eacute; habitual o p&aacute;roco preside &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia da Ceia do Senhor mas n&atilde;o participa no rito do Lava-p&eacute;s que &eacute; protagonizado pelo provedor da Miseric&oacute;rdia. Eu penso que isto deriva do per&iacute;odo do liberalismo em que foram extintas as ordens religiosas e o clero era perseguido, ent&atilde;o houve a necessidade de outras figuras colmatarem a aus&ecirc;ncia dos ministros sagrados assumindo algumas das suas tarefas. No final deste per&iacute;odo de persegui&ccedil;&atilde;o, o clero ao ver como o povo tinha assumido a celebra&ccedil;&atilde;o da sua f&eacute;, acabou por permitir que alguns ritos assim permanecessem. Nos primeiros tempos da Rep&uacute;blica verificou-se algo id&ecirc;ntico, nessa altura algumas prociss&otilde;es realizavam-se no interior do templo por proibi&ccedil;&atilde;o de sa&iacute;rem &agrave; rua. Isto sem esquecer que o Provedor da Miseric&oacute;rdia assume uma miss&atilde;o de servi&ccedil;o aos mais pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A Ceia dos Doze &eacute; uma recria&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima ceia?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> H&aacute; cerca de trinta anos esta ceia realizava-se em casa do Provedor. A sua esposa preparava a refei&ccedil;&atilde;o no final da Prociss&atilde;o do Encontro que em muitas localidades se faz na Quinta feira Santa, e havia o h&aacute;bito de todas as mulheres sa&iacute;rem de casa para que fosse uma representa&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima ceia de Cristo com os ap&oacute;stolos, e por isso se chama a Ceia dos Doze.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A celebra&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa no Conselho de Idanha-a-Nova &eacute; envolve v&aacute;rias dimens&otilde;es, at&eacute; uma gastronomia pr&oacute;pria que se sintoniza com os mist&eacute;rios evocados pela f&eacute;&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> Em Segura, um dos pratos da ceia &eacute; um esparregado de ervas azedas que acompanha peixe do rio frito. &Eacute; um prato delicioso em que as ervas azedas estabelecem uma liga&ccedil;&atilde;o com o &Ecirc;xodo e o facto dos judeus comerem ervas amargas na noite que antecedeu a sua liberta&ccedil;&atilde;o do Egito. A este elemento gastron&oacute;mico tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; estranho o facto de esta regi&atilde;o do pa&iacute;s contar outrora com uma importante comunidade judaica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A Sexta-feira Santa &eacute; um dos dias em que a tradi&ccedil;&atilde;o e os momentos celebrativos da Paix&atilde;o de Cristo adquirem, no concelho de Idanha-a-Nova, uma dimens&atilde;o especial. <\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> Em todos os lugares realiza-se o Enterro do Senhor e em Monsanto &eacute; de real&ccedil;ar a cerim&oacute;nia do Descimento da Cruz. Num sil&ecirc;ncio sepulcral &eacute; de uma beleza extraordin&aacute;ria assistirmos ao descimento do corpo de Cristo que est&aacute; crucificado e que &eacute; retirado da cruz sendo depositado no esquife. S&atilde;o retirados os pregos que o prendem &agrave; cruz, pelos irm&atilde;os da Miseric&oacute;rdia, e depois envolvem-no nuns panos brancos de linho, de forma muito compassada, at&eacute; o deitarem no esquife para prosseguir a prociss&atilde;o. Trata-se de uma imagem de Cristo articulada que permite este descimento e confere um maior realismo ao momento.<\/p>\n<p>Temos tamb&eacute;m um momento muito marcante que &eacute; o canto da Ver&oacute;nica, pela tradi&ccedil;&atilde;o a mulher que limpou o rosto de Cristo e que o viu impresso no pano que usou. &Agrave; medida que se entoa este canto vai-se desdobrando o pano que no final revela o rosto de Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Se estes momentos s&atilde;o marcados pelo sil&ecirc;ncio e dominados por semblantes pesados, a ressurrei&ccedil;&atilde;o &eacute; o oposto. A alegria e a express&atilde;o ruidosa marca a tradi&ccedil;&atilde;o&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> Estes elementos fazem parte do encanto de quem vai a Idanha-a-Nova no s&aacute;bado de Aleluia e assiste a uma multid&atilde;o que leva os seus apitos ou chocalhos e manifesta a sua alegria de forma ruidosa. &Eacute; tamb&eacute;m uma rea&ccedil;&atilde;o de rutura com um longo per&iacute;odo em que apenas se entoavam cantos religiosos e que neste momento, s&atilde;o substitu&iacute;dos pelo ru&iacute;do e pelos gritos de alegria. &Eacute; neste clima que todos acorrem &agrave; casa do p&aacute;roco que, da janela, lan&ccedil;a 70 quilos de am&ecirc;ndoas para todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ciclo pascal no Concelho de Idanha-a-Nova \u00e9 rico em viv\u00eancias e tradi\u00e7\u00f5es religiosas que se fazem sentir ao longo da Quaresma e na riqueza ritual das celebra\u00e7\u00f5es pascais. 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