{"id":65536,"date":"2014-04-17T14:37:52","date_gmt":"2014-04-17T14:37:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/04\/17\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-crismal-2\/"},"modified":"2014-04-17T14:37:52","modified_gmt":"2014-04-17T14:37:52","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-crismal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-crismal-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Arcebispo de Braga na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>UMA ARMA SECRETA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma arma secreta<\/p>\n<p>Homilia na Missa Crismal<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Experi&ecirc;ncia Humana<\/p>\n<p>Quando relemos a nossa hist&oacute;ria vocacional, encontramos nela padres fant&aacute;sticos que nos inspiraram, padres que foram uma grande refer&ecirc;ncia pessoal e padres que nos fizeram acreditar que o sacerd&oacute;cio &eacute;, apesar de todas as feridas, uma voca&ccedil;&atilde;o bela e maravilhosa. E celebrar a Missa Crismal n&atilde;o &eacute; outra coisa sen&atilde;o o festejar, celebrar e agradecer o dom da voca&ccedil;&atilde;o de todos estes sacerdotes, com a renova&ccedil;&atilde;o dum compromisso pessoal que mostra a beleza da f&eacute; celebrada e vivida por cada um de n&oacute;s.<\/p>\n<p>Neste compromisso pessoal, gostaria de recordar agora um sacerdote que faleceu h&aacute; pouco tempo e que nos deixou, provavelmente, a m&uacute;sica mais conhecida e cantada em toda a Arquidiocese. Diz ent&atilde;o a letra dessa m&uacute;sica: &ldquo;Tomai e recebei as horas do meu dia: alegrias e dores, penas e trabalhos. Fora eu rico, Senhor, e muito vos daria, mas sei que nada valho!&rdquo;<\/p>\n<p>2. Liturgia da Palavra<\/p>\n<p>&nbsp; Depois de instru&iacute;dos pela Liturgia da Palavra, Jesus, recuperando o texto do profeta Isa&iacute;as, ensina-nos que fomos ungidos e enviados para anunciar o Evangelho aos pobres. Somos um presbit&eacute;rio de ungidos, recorda-nos a segunda leitura. Outrora fomos ungidos no cora&ccedil;&atilde;o pelo Baptismo. Depois, ungidos na fronte pela Confirma&ccedil;&atilde;o. E mais tarde, ungidos nas m&atilde;os aquando da ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal.<\/p>\n<p>Esta marca indel&eacute;vel que transportamos recorda-nos que, mais do que uma identidade patronal, possu&iacute;mos uma identidade diaconal que deve orientar o nosso agir. Ser fiel a esta un&ccedil;&atilde;o, que significa perten&ccedil;a a Outro, &eacute; a &uacute;nica hip&oacute;tese de ser feliz e dar felicidade.<\/p>\n<p>3. Sinais dos Tempos<\/p>\n<p>&nbsp; O Papa Jo&atilde;o Paulo II, na exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica Pastores Dabo Vobis, refere: &ldquo;A eclesiologia de comunh&atilde;o torna-se decisiva para explicar a identidade do presb&iacute;tero, a sua dignidade original, a sua voca&ccedil;&atilde;o e a sua miss&atilde;o no seio do Povo de Deus e do mundo.&rdquo;<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/utilizador\/Desktop\/Textos _ D. Jorge\/Homilias Semana Santa\/A arma secreta _ Missa Crismal.docx#_ftn1\">[1]<\/a>&nbsp;E ao aproximamo-nos da sua canoniza&ccedil;&atilde;o, apetece dizer que o seu legado foi a comunh&atilde;o vivida em e na Igreja.<\/p>\n<p>Uma das nossas grandes tenta&ccedil;&otilde;es sacerdotais &eacute; quando nos pomos a comparar uns com os outros, no ser e no agir pastoral. Por vezes, parece que nos esquecemos que somos todos diferentes, que temos ra&iacute;zes diferentes e que possu&iacute;mos qualidades diferentes. E, quando aderimos a este jogo de compara&ccedil;&otilde;es, acabamos quase sempre por nos magoar e por entrar, desculpai a compara&ccedil;&atilde;o, na Congrega&ccedil;&atilde;o dos Solit&aacute;rios, n&atilde;o fomentando a comunh&atilde;o no nosso presbit&eacute;rio.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/utilizador\/Desktop\/Textos _ D. Jorge\/Homilias Semana Santa\/A arma secreta _ Missa Crismal.docx#_ftn2\">[2]<\/a>&nbsp;Contudo, a comunh&atilde;o presbiteral n&atilde;o pode ser uma utopia, mas um compromisso de todos. E a &uacute;nica pessoa com quem nos devemos comparar, para que isso aconte&ccedil;a, &eacute; com a pessoa de Cristo. Sem isto, sem uma espiritualidade de comunh&atilde;o, nunca surgir&aacute; uma Igreja comunh&atilde;o.<\/p>\n<p>4. Desafio Pastoral<\/p>\n<p>&nbsp; Se &eacute; verdade que n&atilde;o tendes diante de v&oacute;s o melhor bispo do mundo, eu por&eacute;m digo, com orgulho, que tenho diante de mim os melhores padres do mundo. E na minha qualidade de pastor, gostaria de apontar a ora&ccedil;&atilde;o, enquanto um dos seis eixos do nosso programa pastoral (n&atilde;o o esque&ccedil;amos), como a arma secreta do sacerdote.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/utilizador\/Desktop\/Textos _ D. Jorge\/Homilias Semana Santa\/A arma secreta _ Missa Crismal.docx#_ftn3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp; Pela ora&ccedil;&atilde;o n&oacute;s &ldquo;tomamos consci&ecirc;ncia da presen&ccedil;a de Deus que nos habita, descobrimos a sua ac&ccedil;&atilde;o em n&oacute;s e tornamo-nos colaboradores da sua ac&ccedil;&atilde;o divina.&rdquo;<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/utilizador\/Desktop\/Textos _ D. Jorge\/Homilias Semana Santa\/A arma secreta _ Missa Crismal.docx#_ftn4\">[4]<\/a>&nbsp;Ela recentraliza-nos para o essencial da nossa vida, na certeza de que a comunh&atilde;o presbiteral, e consequentemente na vida Arquidiocesana, n&atilde;o se constr&oacute;i pelo exterior, mas pelo interior do sacerdote.<\/p>\n<p>Infelizmente atravessamos um tempo marcado pela economia, na qual a crise tem-nos imposto um novo estilo de vida marcado por altera&ccedil;&otilde;es constantes e confrontos quotidianos com enigmas e interroga&ccedil;&otilde;es. Subjugados pelo peso de tantas realidades que n&atilde;o compreendemos, podemos estacionar, parar, ver onde o mundo ir&aacute; chegar. E um dos grandes desafios de hoje &eacute; evitar que o cristianismo perca o f&ocirc;lego, colocando-se &agrave; margem do ritmo social.<\/p>\n<p>Entrando serenamente no &iacute;ntimo dos conte&uacute;dos da miss&atilde;o que nos foi confiada, bem sabemos que n&atilde;o podemos &ldquo;perder por falta de compar&ecirc;ncia&rdquo; aos campos onde se jogam as novas quest&otilde;es do Homem contempor&acirc;neo. E para tal, Deus apenas nos pede que lhe ofere&ccedil;amos &ndash; a Ele e s&oacute; a Ele &#8211; em a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as as horas do nosso dia, com todas as alegrias e dores, penas e trabalhos, que a mesma miss&atilde;o sacerdotal nos proporciona.<\/p>\n<p>Mas, em simult&acirc;neo, teremos tamb&eacute;m de jogar fora e colocamo-nos nos campos dos outros. Para n&oacute;s o mundo n&atilde;o nos mete medo. Convida-nos a sair para estar em tudo o que &eacute; humano, descobrindo realidades onde, inconscientemente, ainda n&atilde;o chegamos. N&atilde;o temos um modo &uacute;nico de viver a f&eacute; como sacerdotes. Os talentos variados projetam-nos para realidades que poderemos estar a n&atilde;o querer compreender. Por medo? Por rotina? Por instala&ccedil;&atilde;o numa pastoral sempre igual?<\/p>\n<p>A ora&ccedil;&atilde;o, verdadeira arma secreta do nosso minist&eacute;rio, faz-nos reconhecer onde devemos ir. N&atilde;o esperemos que sejam os outros. Cada um responde pela sua fidelidade.<\/p>\n<p>5. Conclus&atilde;o<\/p>\n<p>Caro sacerdote, muitas vezes pode parecer que nada valemos. Mas somos ricos daquilo que falta ao mundo moderno. N&atilde;o hesitemos em arriscar dando tudo, a exemplo do Papa Jo&atilde;o Paulo II que irei, durante este tr&iacute;duo Pascal, apresentar &agrave; comunidade diocesana. Deixai, tamb&eacute;m, que partilhe convosco o que S. Jo&atilde;o de &Aacute;vila disse (no &ldquo;memorial primero para el concilio de Trento&rdquo;, n&ordm; 18): &ldquo;Sem cl&eacute;rigos bons, o bispo n&atilde;o pode mais que uma ave sem asas para voar&rdquo;.<\/p>\n<p>Por isso, e para terminar, acredito que nenhum sacerdote negar&aacute; a gra&ccedil;a unitiva da un&ccedil;&atilde;o do sacramento da Ordem. Pe&ccedil;amos ent&atilde;o ao Senhor que nos conceda a &ldquo;alegria da comunh&atilde;o&rdquo;, a fim de gerarmos entre n&oacute;s os v&iacute;nculos necess&aacute;rios para fortalecermos a unidade no nosso presbit&eacute;rio e continuarmos a cativar outros jovens para o minist&eacute;rio sacerdotal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>+ Jorge Ortiga, A.P.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S&eacute; Catedral de Braga, 17 de abril de 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA ARMA SECRETA &nbsp; Uma arma secreta Homilia na Missa Crismal &nbsp; 1. Experi&ecirc;ncia Humana Quando relemos a nossa hist&oacute;ria vocacional, encontramos nela padres fant&aacute;sticos que nos inspiraram, padres que foram uma grande refer&ecirc;ncia pessoal e padres que nos fizeram acreditar que o sacerd&oacute;cio &eacute;, apesar de todas as feridas, uma voca&ccedil;&atilde;o bela e maravilhosa. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,191,199,246],"class_list":["post-65536","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-economia","tag-espiritualidade","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65536","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65536"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65536\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65536"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65536"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65536"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}