{"id":65531,"date":"2014-04-17T13:05:34","date_gmt":"2014-04-17T13:05:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/04\/17\/homilia-do-bispo-do-porto-na-missa-crismal-6\/"},"modified":"2014-04-17T13:05:34","modified_gmt":"2014-04-17T13:05:34","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-na-missa-crismal-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-na-missa-crismal-6\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Porto na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>Irm&atilde;os e irm&atilde;s,<\/p>\n<p> 1.&laquo;O Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova&raquo; (Is 61, 1-9 e Luc 4, 16-21)<\/p>\n<p> Em cada ano, a celebra&ccedil;&atilde;o da Missa Crismal, na manh&atilde; da Quinta-Feira Santa, convoca-nos e re&uacute;ne-nos para avivar a alegria da nossa f&eacute;, para fortalecer o esp&iacute;rito da nossa comunh&atilde;o e para consolidar o caminho pastoral de cada Igreja particular.<\/p>\n<p> A f&eacute; crist&atilde; nasce da gra&ccedil;a pela qual Deus nos faz conhecer o testemunho apost&oacute;lico sobre Jesus de Nazar&eacute;, a sua vida e a sua miss&atilde;o. Esta &eacute; a gra&ccedil;a apost&oacute;lica que n&oacute;s devemos &agrave; Igreja. Esta &eacute; a fonte da nossa alegria e a raiz da nossa fortaleza. O &laquo;hoje&raquo; da Sinagoga de Nazar&eacute; que Jesus assumiu para si, interpretando o texto de Isa&iacute;as, &eacute;, tamb&eacute;m, o hoje da Igreja. &Eacute; este dia que vivemos. &Eacute; o agora e o aqui da vida da Igreja do Porto.<\/p>\n<p> Sabemos que s&atilde;o abundantes os frutos deste longo e belo caminho da Igreja do Porto. Tocamos de perto muitas alegrias vividas pelas pessoas, pelas fam&iacute;lias, pelos movimentos apost&oacute;licos e pelas comunidades. Sentimos que o horizonte da miss&atilde;o se deve abrir a espa&ccedil;os novos de di&aacute;logo com o mundo, onde se espelhe o rosto mission&aacute;rio da Igreja.<\/p>\n<p> O mist&eacute;rio da paix&atilde;o, da morte e da ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus &eacute; lugar do encontro definitivo e redentor da Humanidade com Deus e certeza do encontro de Deus com quantos habitam a nossa Terra.<\/p>\n<p> 2.Ungidos com o &oacute;leo da bondade, da miseric&oacute;rdia e da alegria<\/p>\n<p> A Missa Crismal revela aos nossos olhos a beleza de todo o Povo de Deus, povo consagrado e reino de sacerdotes, na variedade dos seus dons, na pluralidade dos seus carismas, na diversidade dos seus minist&eacute;rios e na raiz comum de um s&oacute; batismo.<\/p>\n<p> A liturgia de hoje recorda-nos, ao mesmo tempo, a n&oacute;s sacerdotes, que vivemos em estreita rela&ccedil;&atilde;o com todo o povo de batizados, porque somos crist&atilde;os com eles, e fomos constitu&iacute;dos em benef&iacute;cio de todo o povo de Deus, porque somos sacerdotes para eles. E isto compromete-nos a seguir Cristo mais de perto, na fidelidade aos compromissos sacerdotais e no gosto de vivermos plenamente a beleza e a bondade do nosso minist&eacute;rio.<\/p>\n<p> A b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o e a consagra&ccedil;&atilde;o dos Santos &Oacute;leos falam-nos desta dimens&atilde;o sacramental da Igreja que nos comunica a gra&ccedil;a pascal de Cristo e nos inicia na vida da comunidade crist&atilde;. Atrav&eacute;s dos &oacute;leos, benzidos e consagrados nesta celebra&ccedil;&atilde;o, a gra&ccedil;a divina fluir&aacute; nas almas, como portadora de luz, de sustento e de for&ccedil;a. Batizados, crismados e ordenados, catec&uacute;menos ou<br \/> doentes, os &oacute;leos santos conformam-nos e configuram-nos com Cristo, nosso Salvador.<\/p>\n<p> Na Missa Crismal, os santos &oacute;leos est&atilde;o no centro da a&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica. S&atilde;o aben&ccedil;oados e consagrados na Igreja Catedral para o ano inteiro da vida das nossas Comunidades diocesanas. Assim, exprimem tamb&eacute;m a unidade da Igreja e imprimem em n&oacute;s a marca de Cristo.<\/p>\n<p> A Missa Crismal, na qual o &oacute;leo nos &eacute; apresentado como linguagem da cria&ccedil;&atilde;o de Deus, fala-nos particularmente a n&oacute;s sacerdotes. Fala-nos de Cristo que Deus ungiu como Rei e Sacerdote e que nos torna participantes do seu sacerd&oacute;cio, da sua un&ccedil;&atilde;o, na nossa ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal. Por isso, a un&ccedil;&atilde;o significa sempre para o sacerdote a miss&atilde;o de levar a miseric&oacute;rdia de Deus aos homens. &laquo;Na l&acirc;mpada da nossa vida n&atilde;o devia faltar nunca o &oacute;leo da miseric&oacute;rdia e da alegria&raquo; (Bento XVI, Missa Crismal 2010).<\/p>\n<p> N&atilde;o podemos ser crist&atilde;os nem sacerdotes sem Igreja, sem esta Igreja conciliar, renovada e mission&aacute;ria. Percebemos, igualmente, que n&atilde;o podemos ser sacerdotes nem crist&atilde;os sozinhos e fora do mundo que Deus ama.<\/p>\n<p> Os seminaristas, os di&aacute;conos, as comunidades religiosas e os consagrados(as) da nossa Diocese vivem este dia connosco sacerdotes, com particular e sentida comunh&atilde;o e com renovado compromisso de miss&atilde;o.<\/p>\n<p> 3. &#8220;Estavam fixos em Jesus os olhos de todos&#8221; ( Luc 4, 20)<\/p>\n<p> A Igreja pede-nos, a n&oacute;s sacerdotes, que fixemos em Jesus o nosso olhar e renovemos as nossas promessas sacerdotais, que nos recordam o dia em que fomos constitu&iacute;dos pastores da Igreja ao servi&ccedil;o dos nossos irm&atilde;os. Com alegria e vontade determinada, queremos renovar a nossa fidelidade sacerdotal e desejamos perseverar com coer&ecirc;ncia e dedica&ccedil;&atilde;o no servi&ccedil;o pastoral dos ministros de Cristo.<\/p>\n<p> Saboreemos este momento com a alegria reencontrada do dia da nossa ordena&ccedil;&atilde;o, com o entusiasmo renovado do nosso amor &agrave; causa de Jesus e com o ardor da nossa paix&atilde;o pela miss&atilde;o da Igreja.<\/p>\n<p> Sinto no olhar das comunidades crist&atilde;s e do mundo que nos rodeia, nestes tempos dif&iacute;ceis que vivemos, o desejo de ver na Igreja o sinal de esperan&ccedil;a que procuram naqueles que a servem. Todas as pessoas, sobretudo as que mais sofrem precisam de encontrar em n&oacute;s o testemunho vivo do amor redentor de Jesus Cristo.<\/p>\n<p> Todos devemos muito aos Semin&aacute;rios que nos formaram, &agrave;s fam&iacute;lias donde vimos, &agrave;s comunidades que nos acompanharam no decurso do tempo.<\/p>\n<p> Aprendemos a ser pastores no exerc&iacute;cio do pr&oacute;prio minist&eacute;rio, mas tamb&eacute;m e muito a partir da nossa fraternidade presbiteral. A fraternidade presbiteral &eacute; uma exig&ecirc;ncia da caridade pastoral. E a caridade pastoral alimenta-se do nosso encontro com Cristo, da nossa entrega ao minist&eacute;rio, porque &eacute; um amor cujo destinat&aacute;rio imediato &eacute; a comunidade eclesial. Por seu lado, a comunidade que servimos constitui outro elemento fundamental da nossa espiritualidade. Sabemo-nos disc&iacute;pulos de Jesus e mission&aacute;rios em Seu nome, para que as nossas comunidades tenham vida e a tenham em abund&acirc;ncia.<\/p>\n<p> 4. &#8220;A gra&ccedil;a e a paz vos sejam dadas por Jesus Cristo&#8221; (Apoc 1, 5)<\/p>\n<p> Esta &eacute; a hora aben&ccedil;oada para vos dizer a v&oacute;s, irm&atilde;os sacerdotes, todo o meu afeto. Ao longo do tempo, que agora come&ccedil;a, vamos encontrar-nos, rezar juntos, partilhar alegrias, experi&ecirc;ncias, preocupa&ccedil;&otilde;es, sonhos, esperan&ccedil;as e projectos. Viveremos conjuntamente decis&otilde;es e caminhos de vida sacerdotal e planos e programas de ac&ccedil;&atilde;o pastoral ao servi&ccedil;o da Igreja no Porto e para bem de toda a Comunidade portucalense.<\/p>\n<p> Sinto que a santidade de bispos e sacerdotes que nos precederam, ao longo de muitos s&eacute;culos de vida como Diocese, &eacute; para n&oacute;s uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o que nos fortalece no minist&eacute;rio e nos estimula na responsabilidade.<\/p>\n<p> Penso com mais afeto naqueles de entre v&oacute;s que est&atilde;o fragilizados pela idade, pela doen&ccedil;a ou por prova&ccedil;&otilde;es dolorosas. Que eles sintam que est&atilde;o presentes no nosso cora&ccedil;&atilde;o e que estamos decididos a cuidar deles e a viver com eles numa proximidade fraterna. Na impossibilidade de a todos visitar e de me encontrar com cada um, de imediato, quis iniciar o meu caminho na Diocese pela visita &agrave; Casa Sacerdotal que tem como miss&atilde;o ser santu&aacute;rio de<br \/> gratid&atilde;o para acolher e envolver de dedica&ccedil;&atilde;o os nossos sacerdotes e pessoas que a eles se dedicaram.<\/p>\n<p> Lembro os sacerdotes do nosso presbit&eacute;rio que est&atilde;o em miss&atilde;o pastoral ou vivem fora do nosso espa&ccedil;o diocesano. Que sintam todos a nossa presen&ccedil;a fraterna!<\/p>\n<p> Louvo o Senhor, nosso Deus pela dedica&ccedil;&atilde;o, generosidade e const&acirc;ncia com que assumis a vossa miss&atilde;o, em tempos exigentes, em circunst&acirc;ncias muitas vezes complexas, em esfor&ccedil;o acrescido, dado o nosso reduzido n&uacute;mero diante de uma comunidade que aumenta em apelo &agrave; nossa presen&ccedil;a e minist&eacute;rio. Devemos dar resposta &agrave; procura da forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; das comunidades, &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o digna dos mist&eacute;rios da f&eacute; e &agrave;s urg&ecirc;ncias sociais e imperativos culturais que temos diante de n&oacute;s.<\/p>\n<p> Os tempos que vivemos s&atilde;o simultaneamente exigentes e apaixonantes, na preciosa tarefa de anunciar a alegria do Evangelho, como nos prop&otilde;e o Papa Francisco. A nossa alegria de ser padre &eacute; elemento essencial da alegria do Evangelho. As bem-aventuran&ccedil;as do Evangelho s&atilde;o inesgot&aacute;veis. A cada leitura sentimos vontade de saber mais e de as vivermos melhor. Elas est&atilde;o habitadas por uma mensagem divina que ilumina e faz feliz a vida humana, que &eacute; luz do mundo e sal da terra. Nelas encontramos horizonte de sentido para a vida, caminho para a miss&atilde;o e for&ccedil;a cont&iacute;nua nas horas mais duras e nos momentos mais dif&iacute;ceis. Elas constituem um dos mais belos textos da Humanidade. &Eacute; necess&aacute;rio reinventar as bem-aventuran&ccedil;as e aplic&aacute;-las, tamb&eacute;m, a n&oacute;s, car&iacute;ssimos sacerdotes.<\/p>\n<p> Dou gra&ccedil;as a Deus pelo dom dos novos sacerdotes concedidos &agrave; Igreja do Porto no ano passado: Jorge Manuel da Rocha Nunes e Ricardo &Aacute;lvaro Aguiar Ribeiro que, pela primeira vez participam nesta Missa Crismal, como presb&iacute;teros. Acolhemos com alegria no nosso presbit&eacute;rio os Padres que este ano vieram viver e trabalhar na nossa Diocese, membros de congrega&ccedil;&otilde;es ou institutos religiosos. Que Deus a todos recompense!<\/p>\n<p> Este &eacute; tamb&eacute;m o dia jubilar em que a Igreja diocesana sa&uacute;da com fraterna alegria os sacerdotes Benjamim de Sousa e Silva, Francisco Andrade Moreira da Costa, Jos&eacute; Nuno Ferreira da Silva, Luciano Alberto da Silva Lagoa, Vicente Ant&oacute;nio Nunes da Silva, que neste ano celebram 25 anos de ordena&ccedil;&atilde;o, e os Padres Amadeu Ferreira da Silva, Domingos de Lima Milheiro Leite, Joaquim Maia Moreira de Sousa, Jos&eacute; de Almeida Campos, Jos&eacute; Maria Gomes Pereira Manuel Dias da Silva, Mar&iacute;lio da Costa Faria e Rui Os&oacute;rio de Castro Alves que celebram 50 anos. Louvamos o Senhor pela sua vida, minist&eacute;rio e generosa doa&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p> Recordamos todos com permanente saudade e gratid&atilde;o os nossos Bispos D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes, de cuja morte celebramos no passado domingo vinte e cinco anos, D. J&uacute;lio Tavares Rebimbas e D. Armindo Lopes Coelho assim como os sacerdotes, Luis Manuel Brenlha Lopes, An&iacute;bal Duarte Pereira, Augusto Teixeira de Sousa, Ramiro Ferreira Pinto, Ant&oacute;nio da Fonseca Soares, Armindo da Silva Gomes, Joaquim Azemiro de Sousa Oliveira, Adolfo F&acirc;nzeres Martins, Fernando Cardoso Lemos, Manuel Gameiro &nbsp;e o Di&aacute;cono Fernando Alberto Alves da Silva, a quem o Senhor chamou ao longo do &uacute;ltimo ano.<\/p>\n<p> Sa&uacute;do-vos, car&iacute;ssimos seminaristas. A vossa presen&ccedil;a aqui diz-nos do vosso desejo de avan&ccedil;ardes no caminho que vos conduz ao sacerd&oacute;cio e da alegria, da comunh&atilde;o e do testemunho que encontrais em n&oacute;s sacerdotes. Queremos ser para v&oacute;s um est&iacute;mulo e uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o. V&oacute;s, seminaristas, incentivais com a vossa alegria e generosidade outros jovens a ouvir a voz do Senhor e a ver mais longe no tempo e na esperan&ccedil;a de novas voca&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Obrigado pela vossa presen&ccedil;a e pelo vosso testemunho.<\/p>\n<p> 5. Uma prece confiante<\/p>\n<p> Rezai, irm&atilde;os e irm&atilde;s, pelos nossos presb&iacute;teros e di&aacute;conos e por n&oacute;s bispos.<br \/> Perdoai as nossas fragilidades, compreendei os nossos limites e alavancai o meu louvor a Deus e o meu servi&ccedil;o humilde a esta Igreja a quem fui dado para amar e servir. Fazei vossa, tamb&eacute;m, a minha gratid&atilde;o pelo bem realizado pelos sacerdotes ao servi&ccedil;o desta amada Igreja do Porto.<\/p>\n<p> Que a M&atilde;e de Jesus e M&atilde;e da Igreja, nos aben&ccedil;oe, ilumine e proteja neste nosso caminho de alegria, generosidade e doa&ccedil;&atilde;o, e que o Papa Jo&atilde;o XXIII e o Papa Jo&atilde;o Paulo II, que v&atilde;o ser proximamente canonizados e nos deram t&atilde;o belos exemplos de minist&eacute;rio e t&atilde;o oportunos ensinamentos de vida, nos ajudem com a sua intercess&atilde;o.<\/p>\n<p> Igreja Catedral do Porto, 17 de Abril de 2014<\/p>\n<p> Ant&oacute;nio, Bispo do Porto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm&atilde;os e irm&atilde;s, 1.&laquo;O Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova&raquo; (Is 61, 1-9 e Luc 4, 16-21) Em cada ano, a celebra&ccedil;&atilde;o da Missa Crismal, na manh&atilde; da Quinta-Feira Santa, convoca-nos e re&uacute;ne-nos para avivar a alegria da nossa f&eacute;, 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