{"id":65462,"date":"2014-04-11T12:25:51","date_gmt":"2014-04-11T12:25:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/04\/11\/ii-concilio-do-vaticano-a-luz-conciliar-na-cooperativa-pragma\/"},"modified":"2014-04-11T12:25:51","modified_gmt":"2014-04-11T12:25:51","slug":"ii-concilio-do-vaticano-a-luz-conciliar-na-cooperativa-pragma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ii-concilio-do-vaticano-a-luz-conciliar-na-cooperativa-pragma\/","title":{"rendered":"II Conc\u00edlio do Vaticano: A luz conciliar na cooperativa \u00abPragma\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A cooperativa \u00abPragma\u00bb foi fundada por um grupo de cat\u00f3licos a 11 de abril de 1964, um ano depois da publica\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica de Jo\u00e3o XXIII, \u00abPacem in Terris\u00bb. A data foi escolhida de prop\u00f3sito para celebrar o primeiro anivers\u00e1rio do documento do Papa que convocou o II Conc\u00edlio do Vaticano. Ao elegeram esta esp\u00e9cie de \u00abpatroc\u00ednio\u00bb, esses cat\u00f3licos deram um sinal do que os movia. <!--more--> <\/p>\n<p>A cooperativa &laquo;Pragma&raquo; foi fundada por um grupo de cat&oacute;licos a 11 de abril de 1964, um ano depois da publica&ccedil;&atilde;o da enc&iacute;clica de Jo&atilde;o XXIII, &laquo;Pacem in Terris&raquo;. A data foi escolhida de prop&oacute;sito para celebrar o primeiro anivers&aacute;rio do documento do Papa que convocou o II Conc&iacute;lio do Vaticano. Ao elegeram esta esp&eacute;cie de &laquo;patroc&iacute;nio&raquo;, esses cat&oacute;licos deram um sinal do que os movia.<\/p>\n<p>&ldquo;A &laquo;Pacem in Terris&raquo; tinha sido para eles um reconforto, uma t&aacute;bua de salva&ccedil;&atilde;o. Passaria a ser tamb&eacute;m um meio de press&atilde;o&rdquo;, (In: Jornal &laquo;Expresso&raquo;, 03 de mar&ccedil;o de 2007). Ao ser constitu&iacute;da, os associados da &laquo;Pragma&raquo; (cooperativa de difus&atilde;o cultural e ac&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria) tiraram partido de uma lacuna legislativa: &ldquo;as cooperativas n&atilde;o tinham sido abrangidas pelas limita&ccedil;&otilde;es impostas ao direito de associa&ccedil;&atilde;o e, por essa raz&atilde;o, nem os seus estatutos eram sujeitos a aprova&ccedil;&atilde;o legal nem a elei&ccedil;&atilde;o dos seus dirigentes a ratifica&ccedil;&atilde;o pelas entidades governamentais&rdquo; (In: Jornal &laquo;Expresso&raquo;, 03 de mar&ccedil;o de 2007).<\/p>\n<p>No mesmo texto da pr&eacute;-publica&ccedil;&atilde;o da obra &laquo;Entre as Brumas da Mem&oacute;ria &ndash; Os cat&oacute;licos e a ditadura&raquo; da autoria de Joana Lopes (uma das associadas) l&ecirc;-se que for&ccedil;ando &ldquo;uma porta entreaberta por um lapso do poder, os fundadores da &laquo;Pragma&raquo; puseram mais uma pe&ccedil;a no puzzle da oposi&ccedil;&atilde;o ao regime &ndash; cuidadosa e imaginativamente&rdquo;. Antes desta cooperativa, j&aacute; a revista &laquo;O Tempo e o Modo&raquo; tinha colocado tamb&eacute;m mais pe&ccedil;as no puzzle da oposi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O grupo de cat&oacute;licos que fundou a &laquo;Pragma&raquo;, talvez &ldquo;menos te&oacute;rico e mais social&rdquo; (disse mais tarde Jo&atilde;o B&eacute;nard da Costa) prop&ocirc;s-se romper com outras barreiras. Saiu do meio intelectual e incluiu, desde o nascimento, n&atilde;o s&oacute; licenciados e estudantes universit&aacute;rios, mas tamb&eacute;m s&oacute;cios que vinham do meio oper&aacute;rio, nomeadamente dirigentes de organismos ligados &agrave; Ac&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica Portuguesa. Subjacente a este projecto, tal como o da revista &laquo;O Tempo e o Modo&raquo;, estava um &ldquo;posicionamento de oposi&ccedil;&atilde;o ao regime como um todo, &agrave; falta de liberdades, &agrave; guerra de &Aacute;frica&rdquo;.<\/p>\n<p>M&aacute;rio Murteira foi o s&oacute;cio n&uacute;mero 1 e o primeiro presidente da direc&ccedil;&atilde;o. Nuno Teot&oacute;nio Pereira o s&oacute;cio n&uacute;mero 2 e segundo presidente, mas manteve-se at&eacute; ao fim como o seu principal animador. Apesar da lacuna legislativa, a PIDE esteve atenta &agrave; &laquo;Pragma&raquo; desde o seu in&iacute;cio.<\/p>\n<p>Com sede na Rua da Gl&oacute;ria (Lisboa), a &laquo;Pragma&raquo; realizava sess&otilde;es p&uacute;blicas para alertar consci&ecirc;ncias. Uma delas &#8211; &laquo;Emigra&ccedil;&atilde;o &ndash; situa&ccedil;&atilde;o de crise ou factor de progresso?&raquo;, a PIDE considerou &ldquo;inconveniente&rdquo; a sua realiza&ccedil;&atilde;o e o Governo Civil de Lisboa indeferiu o pedido da &laquo;Pragma&raquo;. A quest&atilde;o da emigra&ccedil;&atilde;o era um tema especialmente sens&iacute;vel, j&aacute; que, em 1966, tinham sido 125 mil os portugueses que, legal ou clandestinamente, tinham deixado o pa&iacute;s. Devido &agrave; recusa de autoriza&ccedil;&atilde;o por parte do Governo Civil, o ciclo sobre emigra&ccedil;&atilde;o ficou limitado aos s&oacute;cios.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria da &laquo;Pragma&raquo; ilustra &ldquo;bem alguns ambientes da &uacute;ltima d&eacute;cada do fascismo&rdquo; e mobilizou muita gente e abriu horizontes. Depois de muitas &laquo;perip&eacute;cias&raquo; com a PIDE, o ministro do interior dissolveu a &laquo;Pragma&raquo; a 29 de mar&ccedil;o de 1968&hellip; Apesar de interposto recurso desta decis&atilde;o para o Supremo Tribunal Administrativo (STA) &ndash; tomou decis&atilde;o favor&aacute;vel &agrave; cooperativa &ndash; anulando o despacho ministerial, a decis&atilde;o do STA n&atilde;o teve efeitos pr&aacute;ticos.<\/p>\n<p><em>LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cooperativa \u00abPragma\u00bb foi fundada por um grupo de cat\u00f3licos a 11 de abril de 1964, um ano depois da publica\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica de Jo\u00e3o XXIII, \u00abPacem in Terris\u00bb. A data foi escolhida de prop\u00f3sito para celebrar o primeiro anivers\u00e1rio do documento do Papa que convocou o II Conc\u00edlio do Vaticano. 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