{"id":65455,"date":"2014-04-11T10:59:00","date_gmt":"2014-04-11T10:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/04\/11\/cinema-noe-ou-nao-e\/"},"modified":"2014-04-11T10:59:00","modified_gmt":"2014-04-11T10:59:00","slug":"cinema-noe-ou-nao-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-noe-ou-nao-e\/","title":{"rendered":"Cinema: \u2018No\u00e9\u2019 \u2026ou \u2018n\u00e3o \u00e9\u2019"},"content":{"rendered":"<p>Aguardada estreia, merc&ecirc; do potente motor comercial de que foi investido desde o in&iacute;cio do projeto e da expectativa criada em torno de uma agenda medi&aacute;tica bem oleada, &lsquo;No&eacute;&rsquo; chega finalmente &agrave;s salas de cinema portuguesas.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s v&aacute;rias tentativas falhadas de somar a todo o investimento de mega produ&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o a simpatia, ou pelo menos a aten&ccedil;&atilde;o especial do Vaticano, solicitando audi&ecirc;ncia particular com o Papa Francisco, o mais que o realizador Darren Aronofsky, o presidente da Paramount e o protagonista Russel Crowe conseguiram foi sentar-se, no dia de S&atilde;o Jos&eacute; e juntamente com umas dezenas de pessoas, a uns metros menos de dist&acirc;ncia do Papa do que milhares de fi&eacute;is, na audi&ecirc;ncia geral na pra&ccedil;a de S&atilde;o Pedro. Foi, assim, na mesma condi&ccedil;&atilde;o dos demais, que Russel Crowe teve a oportunidade de receber a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Francisco, mesmo sem palavras, encontro que o ator descreveria posteriormente como &lsquo;uma experi&ecirc;ncia incr&iacute;vel&rsquo; (<em>Variety<\/em>), com o Papa a manifestar &lsquo;um elevado n&iacute;vel de consist&ecirc;ncia relativamente ao que tem dito e ao que tem feito&rsquo; (<em>mail online<\/em>). Ou n&atilde;o fosse o Papa Francisco que, desde o in&iacute;cio, recusara categoricamente qualquer ind&iacute;cio de privil&eacute;gio &agrave; equipa ou tentativa de transformar o encontro numa a&ccedil;&atilde;o promocional.<\/p>\n<p>&lsquo;No&eacute;&rsquo; n&atilde;o &eacute; nem o filme b&iacute;blico que muitos esperavam, nem aquele com que muitos se poderiam surpreender. O pr&oacute;prio realizador afirma-o como &lsquo;o menos b&iacute;blico alguma vez feito&rsquo; (<a href=\"http:\/\/www.newyorker.com\/\"><em>http:\/\/www.newyorker.com<\/em><\/a>) e de facto a obra escapa, em muito, &agrave; fidelidade da narrativa b&iacute;blica, quer no seu sentido estrito, quer na riqueza da interpreta&ccedil;&atilde;o da sua extraordin&aacute;ria simbologia.<\/p>\n<p>A obra inicia num tempo em que a Terra e a humanidade s&atilde;o amea&ccedil;adas pela corrompida a&ccedil;&atilde;o do homem. No&eacute;, a mulher Naameh e os tr&ecirc;s filhos, Sem, Cam e Jafet, herdeiros de uma pureza de cora&ccedil;&atilde;o &uacute;nica, vivem afugentados dos humanos. Aqui, a pureza de cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o significa um cora&ccedil;&atilde;o fecundo, uma maior capacidade ou permeabilidade &agrave; escuta de Deus, o qual no filme praticamente n&atilde;o tem express&atilde;o, mas algo que faz No&eacute;, como premissa, desejar vingan&ccedil;a, interpretar literalmente o desejo de Deus de que construa uma barca mas, na maior parte do filme, erroneamente, a miss&atilde;o de que foi confiado. Incluindo na assun&ccedil;&atilde;o de que afinal a sua pr&oacute;pria fam&iacute;lia dever&aacute; terminar ali, naquela barca, o que diverge para um melodrama familiar cada vez mais distante do significado salv&iacute;fico da alian&ccedil;a de Deus consigo, a alian&ccedil;a sempre poss&iacute;vel, sempre dispon&iacute;vel com os homens, para um No&eacute; contra tudo e contra todos e para extremos que tentam trazer, entre outros e atabalhoadamente, o tema do aborto a lume. Se &eacute; certo que no final a mensagem expressa &eacute; a da salva&ccedil;&atilde;o pelo amor, tamb&eacute;m &eacute; muito prov&aacute;vel que entre as deambula&ccedil;&otilde;es se perca a ess&ecirc;ncia do genu&iacute;no significado da narrativa. E &eacute; pelo significado, que a simbologia liter&aacute;ria e cinematogr&aacute;fica t&atilde;o bem enriquece, que as narrativas valem.<\/p>\n<p>Perde-se o significado da sempre poss&iacute;vel salva&ccedil;&atilde;o do homem, &eacute; subdimensionado o significado ecol&oacute;gico intemporal mas t&atilde;o pertinente nos dias de hoje, a urg&ecirc;ncia do olhar ao bem comum. Nem mesmo a constru&ccedil;&atilde;o de Naameh como personagem, uma das explora&ccedil;&otilde;es mais interessantes do filme que vem resgatar a interpreta&ccedil;&atilde;o literal de Eva, a mulher indutora de pecado, chega para suportar uma t&atilde;o divergente leitura da rela&ccedil;&atilde;o de Deus com os homens. O sobredimensionamento da personagem No&eacute;, porventura com a inten&ccedil;&atilde;o de que lhe conferir uma humana fragilidade igual &agrave; dos outros homens, acaba por ter o efeito reverso, votando-o &agrave; mesma literalidade a que o argumento ter&aacute; tentado escapar.<\/p>\n<p>Cinematograficamente, procurando combinar fant&aacute;stico, tradi&ccedil;&atilde;o, fic&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o, o filme n&atilde;o se destaca. Sem a originalidade, a profundidade e a mestria que um empreendimento desses exige, ficciona a tradi&ccedil;&atilde;o, segue f&oacute;rmulas tradicionais e fr&aacute;geis onde poderia inovar, fantasia sem grande convic&ccedil;&atilde;o aquilo com que alguns p&uacute;blicos se poderiam enfim identificar.<\/p>\n<p>O cinema tem a extraordin&aacute;ria capacidade de nos arrebatar e, ao mesmo tempo, nos tocar fundo. Pelo que diz ao nosso &iacute;ntimo e pelo que nos leva adiante, como a f&eacute;. Nos dias de hoje, em que o ru&iacute;do &eacute; norma, f&aacute;-lo com melhor resultado pela simplicidade do que pelo rebuscamento. Visual e narrativo. &lsquo;No&eacute;&rsquo;, de f&eacute; ausente, n&atilde;o &eacute; esse cinema.<\/p>\n<p><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>  <object width=\"425\" height=\"350\" data=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/VG34gXdqR-4<param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/VG34gXdqR-4\" \/><\/object> <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aguardada estreia, merc&ecirc; do potente motor comercial de que foi investido desde o in&iacute;cio do projeto e da expectativa criada em torno de uma agenda medi&aacute;tica bem oleada, &lsquo;No&eacute;&rsquo; chega finalmente &agrave;s salas de cinema portuguesas. 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