{"id":65402,"date":"2014-04-07T17:10:35","date_gmt":"2014-04-07T17:10:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/04\/07\/homilia-de-d-antonio-francisco-dos-santos\/"},"modified":"2014-04-07T17:10:35","modified_gmt":"2014-04-07T17:10:35","slug":"homilia-de-d-antonio-francisco-dos-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-francisco-dos-santos\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos"},"content":{"rendered":"<p>Entrada na Diocese do Porto <!--more--> <\/p>\n<p><em><strong>1. Olhar o tempo e a hist&oacute;ria com o olhar de Deus<\/strong><\/em><strong><\/strong><\/p>\n<p>Irm&atilde;os e Irm&atilde;s<\/p>\n<p>H&aacute; dez anos fui chamado pelo Papa Jo&atilde;o Paulo II para servir a Igreja de Braga, como seu Bispo Auxiliar, atribuindo-me a Igreja titular de Meinedo, no territ&oacute;rio desta Igreja Portucalense. Passados dois anos, o Santo Padre Bento XVI enviou-me &agrave; Igreja Aveirense como seu Bispo. Agora, &eacute; o Papa Francisco que me chama a servir a Igreja do Porto.<\/p>\n<p>Indiquei para dia da minha ordena&ccedil;&atilde;o episcopal o dia 19 de Mar&ccedil;o, confiando o meu minist&eacute;rio aos cuidados de S. Jos&eacute; e desejando aprender com ele as virtudes da simplicidade, da bondade e da disponibilidade.<\/p>\n<p>Juntei a esta primeira inten&ccedil;&atilde;o, ao escolher o dia do Pai, a evoca&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria aben&ccedil;oada de meu pai, que perdera l&aacute; longe no Brasil, quando eu tinha apenas quinze anos.<\/p>\n<p>Via e vejo em S. Jos&eacute;, que nesse dia a Igreja celebra, um homem tranquilo, respaldado na verdade da vida e na serenidade da consci&ecirc;ncia. Nele se unem, para mim, o recolhimento interior e a prontid&atilde;o obediente diante do inesperado desafio da miss&atilde;o.<\/p>\n<p>O projecto de Deus vai sobrepor-se aos seus planos pessoais. O sonho de Deus vai tomar a dianteira diante dos seus horizontes particulares. A ideia que ele tinha feito de uma vida discreta, simples e agrad&aacute;vel, vivida na sua terra, &eacute; ultrapassada, porque se sente associado &agrave; aventura de Deus entre os homens. E a&iacute; come&ccedil;am os caminhos novos que o levam de Nazar&eacute; a Bel&eacute;m e de Bel&eacute;m ao Egipto, partilhando a sorte dos que n&atilde;o t&ecirc;m casa nem p&aacute;tria, dos desenraizados e dos peregrinos.<\/p>\n<p>No sil&ecirc;ncio de Jos&eacute; ser&atilde;o sepultadas todas as suas dores e interroga&ccedil;&otilde;es. Acompanham-no apenas as responsabilidades da miss&atilde;o, as alegrias de seguir a voz de Deus e as esperan&ccedil;as de quem cr&ecirc; no Senhor e n&rsquo;Ele coloca a sua confian&ccedil;a.<\/p>\n<p>Propus-me, na hora da ordena&ccedil;&atilde;o episcopal, envolvido pelo carinho das gentes de Lamego, a minha Igreja-M&atilde;e, cuja ternura materna se espelhava no rosto sofrido da minha M&atilde;e, a bra&ccedil;os com grave e prolongada doen&ccedil;a, colocar-me nas m&atilde;os de Deus &ndash; &ldquo;In manus tuas&rdquo;. Fiz desta decis&atilde;o o meu lema episcopal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>2. O minist&eacute;rio da bondade e o magist&eacute;rio da proximidade<\/strong><\/em><strong><\/strong><\/p>\n<p>Nos Evangelhos, os disc&iacute;pulos de Jesus aparecem como homens fortes, corajosos, trabalhadores, mas no seu &iacute;ntimo sobressai uma grande ternura, que n&atilde;o &eacute; virtude dos fracos, antes pelo contr&aacute;rio denota fortaleza de &acirc;nimo e capacidade de solicitude e de compaix&atilde;o. N&atilde;o devemos ter medo da bondade. S&oacute; pela bondade aprenderemos a fazer do poder um servi&ccedil;o, da autoridade uma proximidade e do minist&eacute;rio uma paix&atilde;o pela miss&atilde;o de anunciar a alegria do evangelho. O evangelho &eacute; tudo o que temos e somos.<\/p>\n<p>As Igrejas Diocesanas que servi, mas sobretudo ultimamente a Igreja de Aveiro, acompanhar-me-&atilde;o sempre como b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, de que preciso, e como renovado incentivo ao servi&ccedil;o humilde, concreto, rico de f&eacute; e cheio de alegria. Obrigado, Igreja de Aveiro! Obrigado Aveirenses!<\/p>\n<p>A todos, nestas Igrejas Diocesanas procurei amar e servir. Sinto-me hoje acompanhado na amizade e na ora&ccedil;&atilde;o pelos sacerdotes, di&aacute;conos, consagrados e leigos, pelas autoridades locais e pelas gentes simples, cuja presen&ccedil;a amiga e dedicada de todos, nesta Igreja Catedral, tanto me penhora e sensibiliza.<\/p>\n<p>Assim quero, a partir de hoje, continuar na Igreja do Porto. Apenas quem serve com amor e ternura, que s&atilde;o as linhas do rosto de compaix&atilde;o e de miseric&oacute;rdia de Deus, &eacute; capaz de cuidar, de proteger, de promover e de salvar o seu Povo. Por isso, irm&atilde;os e irm&atilde;s, ajudai-me a ser pastor ao jeito do cora&ccedil;&atilde;o de Deus e a seguir em todos os passos o exemplo de Cristo, o belo e bom Pastor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>3. Mensageiro da esperan&ccedil;a<\/strong><\/em><strong><\/strong><\/p>\n<p>O profeta Ezequiel, na primeira leitura da liturgia deste domingo, lembrava-nos que Deus oferece uma vida nova ao povo que se sentia sem futuro e sem esperan&ccedil;a e coloca esse mesmo povo numa din&acirc;mica que recria o seu cora&ccedil;&atilde;o e faz renascer a vida.<\/p>\n<p>&Eacute; esta a certeza confirmada pelo milagre da vida dada a L&aacute;zaro, testemunhada por familiares e amigos, que se abrem &agrave; f&eacute; em Jesus Cristo, como narra o texto do Evangelho.<\/p>\n<p>Na segunda leitura de hoje, S. Paulo dizia aos crist&atilde;os de Roma: &ldquo;Se Cristo est&aacute; em v&oacute;s, o Esp&iacute;rito est&aacute; vivo&rdquo; (Rm 8, 8-1). &Eacute; este Esp&iacute;rito de Deus que ressuscitou Jesus de entre os mortos que nos d&aacute; a vida, a ressurrei&ccedil;&atilde;o e a esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>A esperan&ccedil;a que quero levar no horizonte dos caminhos da Igreja do Porto, que nos foram abertos por Jesus Cristo, &eacute; a forma que encontro de traduzir desde o Antu&atilde; ao Ave, desde o Mar ao Mar&atilde;o, &ldquo;<em>as boas not&iacute;cias de Deus&rdquo;<\/em>.<\/p>\n<p>Compreendereis, assim, que fa&ccedil;a, tamb&eacute;m aqui, como fiz sempre e em todo o lado, das Bem-aventuran&ccedil;as do Reino o padr&atilde;o do meu viver e o paradigma do meu minist&eacute;rio. Convoco-vos para sermos mensageiros e protagonistas das Bem-aventuran&ccedil;as numa linguagem serena, positiva e confiante, como express&atilde;o da voz de toda a Igreja do Porto.<\/p>\n<p>Sabemo-nos filhos aben&ccedil;oados de Deus e disc&iacute;pulos felizes de Jesus, o Mestre das Bem-aventuran&ccedil;as. Nenhum de n&oacute;s se imagine filho menor de Deus ou se considere filho esquecido da Igreja.<\/p>\n<p>Merecem-me uma primeira palavra de comunh&atilde;o e de gratid&atilde;o, na alegria do acolhimento fraterno e da colabora&ccedil;&atilde;o dedicada que me oferecem os irm&atilde;os Bispos D. Pio Alves, D. Ant&oacute;nio Taipa e D. Jo&atilde;o Lavrador com quem vou trabalhar, os Bispos Em&eacute;ritos que aqui vivem e os Bispos naturais da nossa Diocese.<\/p>\n<p>Neles e com eles sa&uacute;do o senhor N&uacute;ncio Apost&oacute;lico, que nos vincula na comunh&atilde;o e na unidade ao Santo Padre, o Papa Francisco, de quem recebi as Cartas Apost&oacute;licas. Sa&uacute;do o Senhor D. Jorge Ortiga, Arcebispo-Primaz de Braga e nosso Metropolita, o senhor D. Ant&oacute;nio Marto, Vice-Presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal, e sa&uacute;do-vos, irm&atilde;os Bispos de Portugal, cuja presen&ccedil;a me sensibiliza, ajuda e encoraja.<\/p>\n<p>Sa&uacute;do com afecto cordial e comunh&atilde;o fraterna os representantes de outras Confiss&otilde;es Crist&atilde;s que, com a Igreja do Porto e comigo, quisestes partilhar a alegria e a miss&atilde;o desta hora.<\/p>\n<p>Neste momento de acrescida e nova miss&atilde;o, mais necess&aacute;rios e preciosos s&atilde;o os Irm&atilde;os. Sempre assim vi os sacerdotes. Assim vamos viver e trabalhar, car&iacute;ssimos sacerdotes! Unidos no minist&eacute;rio e congregados na miss&atilde;o estaremos sempre na vanguarda da alegria do Evangelho e da certeza da comunh&atilde;o. Somos percursores e cireneus uns dos outros. Seremos sempre irm&atilde;os. Sejamos sempre, tamb&eacute;m, disc&iacute;pulos felizes de Jesus e por Ele enviados em miss&atilde;o para amar servir esta Igreja do Porto.<\/p>\n<p>Quero caminhar convosco, caros di&aacute;conos permanentes, para agradecer a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o que constitu&iacute;s para a Igreja e para vos ajudar a aprofundar o sentido da vossa miss&atilde;o e a valorizar o dom do vosso minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>Envio, atrav&eacute;s de cada um de v&oacute;s, presb&iacute;teros e di&aacute;conos, uma sauda&ccedil;&atilde;o de afecto e de presen&ccedil;a a todos os presb&iacute;teros e di&aacute;conos da nossa Diocese, sobretudo aos idosos e doentes ou &agrave;queles que vivem momentos de prova&ccedil;&atilde;o, para que nenhum deles fique privado deste gesto de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, que aqui celebramos, nem se sinta distante desta comunh&atilde;o de irm&atilde;os no minist&eacute;rio ordenado, que a partir de agora vivenciamos e testemunhamos.<\/p>\n<p>Quero saudar os seminaristas e ver neles sinais de esperan&ccedil;a e certezas de futuro, marcado que estou pela experi&ecirc;ncia e pela alegria de que, se rezarmos e trabalharmos, nunca faltar&atilde;o servidores generosos e felizes da Messe nesta Igreja do Porto.<\/p>\n<p>Sei que s&atilde;o muitos os(as) consagrados (as) que, na nossa Diocese, vivem, a radicalidade da entrega a Deus e do servi&ccedil;o ao mundo, na vida contemplativa ou activa, de que tanto necessitamos. Caminhemos juntos. Mobilizemo-nos para a miss&atilde;o em frentes e periferias, t&atilde;o pr&oacute;prias dos vossos carismas, onde a ousadia prof&eacute;tica deve andar a par com o realismo dos desafios da Igreja, com as necessidades do mundo e com as urg&ecirc;ncias do nosso tempo.<\/p>\n<p>Convosco, irm&atilde;s e irm&atilde;os, crian&ccedil;as, jovens, fam&iacute;lias, idosos e doentes, somos verdadeiro Povo de Deus. Quero, no belo e sempre actual dizer de Santo Agostinho, ser bispo para v&oacute;s e irm&atilde;o convosco. Aos pastores pede-se que nunca vos faltem com o est&iacute;mulo e a alegria do Evangelho de Cristo e com a sua presen&ccedil;a fraterna.<\/p>\n<p>Sei como &eacute; imensa esta riqueza da vida laical, nos milhares de catequistas, colaboradores lit&uacute;rgicos e agentes socio-caritativos, bem como de respons&aacute;veis por grupos e movimentos presentes e intervenientes na sociedade. A tudo e a todos quero atender, acompanhar e interligar cada vez mais, respeitando a &iacute;ndole pr&oacute;pria de cada qual, neste trabalho em rede diocesana, vicarial e paroquial, qual mesa comum com lugar para todos.<\/p>\n<p>A nossa Diocese do Porto vem de longe com uma bela hist&oacute;ria de caminho de leigos esclarecidos, conscientes e respons&aacute;veis, inseridos na vida e na cultura do nosso tempo e com uma reconhecida aud&aacute;cia de miss&atilde;o. Todos somos necess&aacute;rios e imprescind&iacute;veis!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>4.No horizonte da miss&atilde;o<\/strong><\/em><strong><\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o trago comigo planos pr&eacute;vios ou antecipados programas de ac&ccedil;&atilde;o. Eles surgir&atilde;o &agrave; medida do sonho de Deus e da sua vontade divina para esta Igreja do Porto. Estaremos atentos ao que o Esp&iacute;rito de Deus nos inspirar. Saberemos ajoelhar diante de Deus em ora&ccedil;&atilde;o, para servir de p&eacute;, com passos serenos mas decididos, a Igreja e o mundo, como nos ensinou D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes, generoso servidor desta Igreja, que partiu ao encontro de Deus faz agora vinte e cinco anos. Evoco a grata figura dos meus mais imediatos predecessores: D. J&uacute;lio Tavares Rebimbas e D. Armindo Lopes Coelho. Vinculo-me no caminho feito ao longo do tempo, generosa e sabiamente assumido por D. Manuel Clemente, e dedicadamente continuado por D. Pio Alves, Administrador Apost&oacute;lico, e por D. Ant&oacute;nio Taipa e D. Jo&atilde;o Lavrador, servidores incans&aacute;veis da Igreja do Porto, pelos dedicados Vig&aacute;rios Gerais, pelo Cabido da Catedral, pelo Clero, Consagrados e Leigos de toda a Diocese.<\/p>\n<p>Na ac&ccedil;&atilde;o pastoral darei lugar determinante aos &oacute;rg&atilde;os eclesiais de participa&ccedil;&atilde;o e de corresponsabilidade que existem para fomentar a comunh&atilde;o geral de quantos, nas par&oacute;quias, institutos religiosos e seculares, associa&ccedil;&otilde;es e movimentos, integram o corpo vivo que &eacute; a Igreja de Cristo, com toda a riqueza carism&aacute;tica e ministerial que o Esp&iacute;rito cria.<\/p>\n<p>Desejo aprender, dia a dia, a hist&oacute;ria da Igreja do Porto, sentir os seus dinamismos, ler e reler o evangelho em chave de miss&atilde;o com o olhar colocado no horizonte do futuro, onde Deus nos precede. Procurarei acolher a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o que constituiu para n&oacute;s a &ldquo;Miss&atilde;o 2010&rdquo;, a visita do Papa Bento XVI &agrave; nossa cidade, a viv&ecirc;ncia do &ldquo;Ano da F&eacute;&rdquo; e tantos outros sinais presentes e impressos no cora&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel de mais de dois milh&otilde;es de habitantes da nossa terra.<\/p>\n<p>Temos todos n&oacute;s caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias de povo consistente e nortenho, consolidado por uma longa hist&oacute;ria de dificuldades e vit&oacute;rias, em que preponderou a tenacidade e a criatividade das nossas gentes. A hist&oacute;ria e o trabalho deram ao Porto e &agrave; Comunidade humana que somos alguns tra&ccedil;os de car&aacute;cter que, sendo reconhecidos, s&atilde;o tamb&eacute;m motivo de esperan&ccedil;a forte para o nosso futuro.<\/p>\n<p>Tal se verifica, com admira&ccedil;&atilde;o e surpresa, na grande quantidade e geral qualidade das suas institui&ccedil;&otilde;es c&iacute;vicas, culturais, acad&eacute;micas, hospitalares, desportivas e filantr&oacute;picas, onde gera&ccedil;&otilde;es de homens e de mulheres d&atilde;o o seu melhor, para que sejam atendidas as mais diversas necessidades e fomentadas as capacidades de ser e conviver.<\/p>\n<p>O mesmo se revela na grande capacidade de criar, empreender e inovar, com que em tanto lado se tem conseguido resistir e at&eacute; superar as grandes dificuldades que nos atingem nesta crise por demais arrastada. Muito em especial, por corresponderem com urg&ecirc;ncia a necessidades que n&atilde;o podem esperar, salientam-se as iniciativas que v&atilde;o ao encontro de problemas imediatos, da alimenta&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de, da habita&ccedil;&atilde;o aos recursos m&iacute;nimos. Em tudo isto, grande &eacute; a alma portuense, solid&aacute;ria e exemplar at&eacute; para o todo nacional!<\/p>\n<p>Nesta bela e nobre hist&oacute;ria da Diocese do Porto esteve sempre presente uma plena inser&ccedil;&atilde;o na Terra que somos e na Sociedade que formamos. Sa&uacute;do as Autoridades presentes aos seus diferentes n&iacute;veis. O di&aacute;logo ser&aacute; timbre do meu viver e caminho do meu encontro com todos.<\/p>\n<p>O servi&ccedil;o da vida, a procura da bem comum, o valor da dignidade humana, o respeito pela liberdade e o esfor&ccedil;o da coes&atilde;o social ser&atilde;o, entre tantos outros, espa&ccedil;os de encontro e caminhos de vida feliz para as gentes da nossa Terra. Que n&atilde;o haja entre n&oacute;s nenhum momento em que o bem comum seja proibido ou n&atilde;o seja procurado!<\/p>\n<p>Sejamos ousados, criativos e decididos sempre mas sobretudo quando e onde estiverem em causa os fr&aacute;geis, os pobres e os que sofrem. Esses devem ser os primeiros porque os pobres n&atilde;o podem esperar! Temos na hist&oacute;ria da Igreja do Porto &ldquo;modelos de caridade&rdquo; que nos podem guiar neste caminho.<\/p>\n<p>Sei do valor das Escolas, das Universidades, da Comunica&ccedil;&atilde;o Social e do seu imprescind&iacute;vel trabalho ao servi&ccedil;o do bem, da verdade, da cultura e da educa&ccedil;&atilde;o. O di&aacute;logo entre a raz&atilde;o e a f&eacute; merece e exige da Igreja lugar de escuta e tempo dado aos que procuram Deus.<\/p>\n<p>Com tudo o que se lembra, igualmente se agradece a Deus o que a magn&iacute;fica Diocese do Porto foi, &eacute; e continuar&aacute; a ser, para a gl&oacute;ria de Deus, como lugar de profecia de uma humanidade viva e de um mundo justo.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m aqui a f&eacute; e o evangelho s&atilde;o a porta que nos abre para um caminho novo na Igreja e no mundo. H&aacute; uma conex&atilde;o &iacute;ntima entre a evangeliza&ccedil;&atilde;o, a promo&ccedil;&atilde;o humana e o desenvolvimento dos povos, de modo a que a verdadeira esperan&ccedil;a crist&atilde; gere hist&oacute;ria, d&ecirc; sentido &agrave; hora que vivemos e apresse um futuro melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>5. Da mem&oacute;ria &agrave; profecia &ndash; a Alegria do Evangelho<\/strong><\/em><strong><\/strong><\/p>\n<p>Reli a Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica&nbsp;<em>Evangelii Gaudium<\/em><strong><em>,<\/em><\/strong>&nbsp;com o olhar voltado para o Porto e com o cora&ccedil;&atilde;o aberto &agrave; nova miss&atilde;o que o Papa Francisco me confia. Este texto hist&oacute;rico da Igreja tem de inspirar tamb&eacute;m o nosso caminho na Igreja do Porto.<\/p>\n<p>&Eacute; dever e urg&ecirc;ncia da Igreja trilhar caminhos de evangeliza&ccedil;&atilde;o, com novos m&eacute;todos e acrescido vigor. Desejo que todos sintam que Cristo pode preencher as nossas vidas com um novo esplendor e uma alegria profunda, mesmo no meio das prova&ccedil;&otilde;es (167).<\/p>\n<p>Sintamo-nos convocados para a miss&atilde;o. Aprofundemos a dimens&atilde;o espiritual do nosso viver. Sejamos evangelizadores com esp&iacute;rito, que rezam e trabalham, (262), motivados pelo amor que recebemos de Jesus (264).<\/p>\n<p>Assim edificaremos comunidades vivas de f&eacute;, de amor e de dinamismo mission&aacute;rio, mobilizaremos e formaremos adequadamente os agentes da pastoral e renovaremos as estruturas pastorais desta amada Igreja do Porto.<\/p>\n<p>Que Nossa Senhora da Assun&ccedil;&atilde;o, Padroeira da Diocese e desta Catedral, M&atilde;e de Deus e nossa M&atilde;e, nos ensine, aben&ccedil;oe e proteja, para que saibamos que o seu exemplo, terno e materno, foi e ser&aacute; sempre nossa escola de vida, de f&eacute; e de miss&atilde;o. &Aacute;men.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Igreja Catedral do Porto, 6 de Abril de 2014<\/em><\/p>\n<p><em>Ant&oacute;nio, bispo do Porto<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrada na Diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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