{"id":65247,"date":"2014-03-28T10:54:06","date_gmt":"2014-03-28T10:54:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/03\/28\/sao-bento-uma-porta-aberta-para-a-europa-e-o-mundo\/"},"modified":"2014-03-28T10:54:06","modified_gmt":"2014-03-28T10:54:06","slug":"sao-bento-uma-porta-aberta-para-a-europa-e-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sao-bento-uma-porta-aberta-para-a-europa-e-o-mundo\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Bento, uma porta aberta para a Europa e o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Aguiar Gomes, membro da mesa administrativa da Irmandade de S\u00e3o Bento da Porta Aberta, fala do fasc\u00ednio que o santo padroeiro da Europa continua a exercer e da import\u00e2ncia do santu\u00e1rio situado na Arquidiocese de Braga <!--more--> <\/p>\n<p> \t<em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia (AE) &ndash;<\/em> <em>H&aacute; quanto tempo &eacute; que se envolve nestas quest&otilde;es de S&atilde;o Bento da Porta Aberta?<\/em><\/p>\n<p> \tCarlos Aguiar Gomes (CAG) &ndash; Diretamente com S&atilde;o Bento da Porta Aberta vai no quinto ano, com S&atilde;o Bento a minha rela&ccedil;&atilde;o &eacute; muito anterior porque esta figura da hist&oacute;ria da Igreja e da Europa exerce sobre mim um fasc&iacute;nio muito grande. &Eacute; um fasc&iacute;nio por um homem que no sil&ecirc;ncio foi capaz de criar um modelo que s&atilde;o os mosteiros, que ainda hoje se podem replicar fazendo as necess&aacute;rias altera&ccedil;&otilde;es &agrave; realidade do s&eacute;culo XXI.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; <em>Que local &eacute; este o do santu&aacute;rio de S&atilde;o Bento da Porta Aberta? <\/em><\/p>\n<p> \tCAG &ndash; Muitos dos peregrinos que aqui v&ecirc;m chegam de todo o pa&iacute;s e de todo o mundo. N&oacute;s sentimos que desde a Austr&aacute;lia ao Canad&aacute;, da Venezuela ou de qualquer pa&iacute;s da Europa h&aacute; peregrinos que chegam aqui ao longo do ano. Todos chegam ao santu&aacute;rio de S&atilde;o Bento da Porta Aberta fascinados pela figura exemplar de S&atilde;o Bento da Porta Aberta. Uns v&ecirc;m porque lhe querem agradecer alguma gra&ccedil;a que lhe atribuem junto de Deus, outros v&ecirc;m pedir o apoio de S&atilde;o Bento nas mais diversas situa&ccedil;&otilde;es: hist&oacute;rias de amor, de doen&ccedil;a, de desaven&ccedil;as familiares, as motiva&ccedil;&otilde;es s&atilde;o muito variadas. Neste santu&aacute;rio h&aacute; este sentimento de vir para encontrar um irm&atilde;o maior, uma refer&ecirc;ncia, um amigo e &eacute; muito interessante ver que os peregrinos escrevem cartas a S&atilde;o Bento que s&atilde;o exemplares da ternura entre pessoas da mesma fam&iacute;lia porque cont&ecirc;m desabafos que s&oacute; se contam a pessoas muito pr&oacute;ximas de n&oacute;s e isto mostra o quanto esta figura de S&atilde;o Bento (que nasceu em 480 naquele que &eacute; agora o territ&oacute;rio italiano) continua a exercer um fasc&iacute;nio muito grande sobre pessoas de todos os estratos sociais, culturais, acad&eacute;micos. Encontramos aqui peregrinos de todas as condi&ccedil;&otilde;es e todos t&ecirc;m uma motiva&ccedil;&atilde;o que &eacute; entrar em di&aacute;logo, em comunh&atilde;o com esta figura &iacute;mpar da hist&oacute;ria da Igreja e da Europa.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; <em>&Eacute; algo que mostra tamb&eacute;m a tradi&ccedil;&atilde;o familiar que passa de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o da devo&ccedil;&atilde;o a S&atilde;o Bento?<\/em><\/p>\n<p> \tCAG &ndash; Sim, n&oacute;s encontramos, com muita frequ&ecirc;ncia, pessoas que nos dizem que j&aacute; o seu pai, a sua m&atilde;e, os seus av&oacute;s vinham em peregrina&ccedil;&atilde;o a S&atilde;o Bento. H&aacute; um desenrolar da hist&oacute;ria familiar e local relativamente a esta devo&ccedil;&atilde;o a S&atilde;o Bento.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; <em>Quais s&atilde;o as preocupa&ccedil;&otilde;es do santu&aacute;rio de forma a manter viva esta mensagem de S&atilde;o Bento? Naturalmente que a devo&ccedil;&atilde;o foi crescendo, o espa&ccedil;o tamb&eacute;m. De que forma &eacute; que esse crescimento foi acontecendo e como foi dada resposta ao mesmo?<\/em><\/p>\n<p> \tCAG &ndash; &Eacute; algo muito interessante porque foi a devo&ccedil;&atilde;o dos peregrinos que imp&ocirc;s S&atilde;o Bento &agrave; Igreja diocesana nomeadamente. H&aacute; uma lenda da origem do santu&aacute;rio que n&atilde;o tem fundamento hist&oacute;rico, esse foi encontrado em 1980 por um grande investigador da universidade de Coimbra, o professor Avelino Jesus Costa que era tamb&eacute;m c&oacute;nego da S&eacute; Catedral de Braga que descobriu em 1980 o documento em que pela primeira vez se refere, por escrito, que h&aacute; uma ordem para construir uma ermida que permitisse que os fregueses desta freguesia pudessem ter um lugar de culto. N&atilde;o se sabe muito mais que isto sobre as origens do santu&aacute;rio. O que se sabe &eacute; que no s&eacute;culo XVIII j&aacute; havia uma grande aflu&ecirc;ncia de peregrinos, de tal modo que se podem definir caminhos de S&atilde;o Bento, que v&ecirc;m da Galiza, do norte de Portugal, mais da beira-mar ou do interior do pa&iacute;s. Portanto, s&atilde;o os peregrinos que se v&atilde;o impondo &agrave; Igreja pela sua presen&ccedil;a, pela sua const&acirc;ncia. De tal modo que foi necess&aacute;rio criar espa&ccedil;os cada vez mais amplos para que as celebra&ccedil;&otilde;es pudessem ter dignidade e o m&iacute;nimo de conforto. Depois no s&eacute;culo XIX constr&oacute;i-se o templo que hoje &eacute; o centro, o &iacute;cone do santu&aacute;rio aonde continuam a afluir muitos peregrinos. Sobretudo verifica-se que o espa&ccedil;o, apesar de j&aacute; n&atilde;o ser uma pequena ermida, continua a ser muito pequeno, por isso, entre o final do s&eacute;culo XX e o in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI constr&oacute;i-se a cripta, um amplo espa&ccedil;o para albergar os milhares de peregrinos que acorrem ao santu&aacute;rio e que possam participar na celebra&ccedil;&atilde;o da missa e dos of&iacute;cios religiosos de uma forma confort&aacute;vel. &Eacute; interessante que n&atilde;o foi a Igreja que imp&ocirc;s e foi alterando a arquitetura do acolhimento mas foi perante a necessidade de resposta ao pedido dos peregrinos que a Igreja se viu &ldquo;obrigada&rdquo; a reformular os espa&ccedil;os. Mas S&atilde;o Bento da Porta Aberta n&atilde;o &eacute; s&oacute; o templo, ali a irmandade criou um conjunto de espa&ccedil;os que permitem que pessoas de diferentes condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas possam passar aqui uma noite ou uma semana em descanso, em reflex&atilde;o ou ora&ccedil;&atilde;o. Foram adquiridas algumas casas que a Irmandade de S&atilde;o Bento da Porta Aberta disponibiliza para movimento de casais, fam&iacute;lias, jovens e existe ainda o hotel que &eacute; um espa&ccedil;o um pouco mais sofisticado para quem quer mais conforto mas que n&atilde;o deixa de atender aos peregrinos com menos posses econ&oacute;micas. Existe tamb&eacute;m um restaurante que serve &agrave; carta mas tamb&eacute;m existe um self-service no qual o pre&ccedil;o &eacute; m&oacute;dico de modo a permitir que as pessoas possam ter uma refei&ccedil;&atilde;o boa com um pre&ccedil;o absolutamente justo. E nestas casas que englobam o per&iacute;metro do santu&aacute;rio, uma delas por exemplo foi cedida &agrave; &uacute;nica comunidade em Portugal de monges de Cister. N&oacute;s temos n&atilde;o s&oacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o de acolher os peregrinos no espa&ccedil;o lit&uacute;rgico para a celebra&ccedil;&atilde;o dos atos lit&uacute;rgicos mas tamb&eacute;m criar espa&ccedil;os para outras fun&ccedil;&otilde;es. A Capela das Confiss&otilde;es &eacute; exemplo disso, porque serve para que as pessoas estejam de um modo confort&aacute;vel a receber o sacramento da reconcilia&ccedil;&atilde;o. Existe uma Capela da Adora&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica que se localiza num s&iacute;tio mais reservado, mais dedicado ao sil&ecirc;ncio, para fazer a adora&ccedil;&atilde;o ao Sant&iacute;ssimo Sacramento. Temos um posto m&eacute;dico para quem depois de uma viagem a p&eacute; ou por qualquer outra raz&atilde;o se sente mal, sobretudo nos dias de maior movimento h&aacute; ali sempre algu&eacute;m que presta apoio numa situa&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia. Portanto o Santu&aacute;rio de S&atilde;o Bento da Porta Aberta &eacute; de facto um espa&ccedil;o sagrado, aberto a todos: peregrinos, crentes mas tamb&eacute;m para aqueles que se v&ecirc;m deslumbrar com a paisagem das albufeiras ou da serra do Ger&ecirc;s.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; <em>E do ponto de vista religioso que import&acirc;ncia tem geograficamente este local?<\/em><\/p>\n<p> \tCAG &ndash; Eu penso que o santu&aacute;rio de S&atilde;o Bento da Porta Aberta ultrapassou j&aacute; a dimens&atilde;o local. &Eacute; considerado o segundo santu&aacute;rio de Portugal mais visitado, depois do santu&aacute;rio de F&aacute;tima, dados que necessitariam de ser avaliados e estudados para perceber se &eacute; mesmo esta a realidade. O que n&oacute;s sabemos &eacute; que &eacute; um santu&aacute;rio muit&iacute;ssimo visitado, s&atilde;o centenas de milhares de pessoas que n&oacute;s recebemos todos os anos. Isso v&ecirc;-se, por exemplo, pela participa&ccedil;&atilde;o nas missas ou pela rece&ccedil;&atilde;o da sagrada comunh&atilde;o dado que s&atilde;o sempre dezenas de milhares de part&iacute;culas a serem distribu&iacute;das ao longo do ano o que nos d&aacute; uma certa dimens&atilde;o. Simultaneamente porque est&aacute; situado num s&iacute;tio geogr&aacute;fico, geol&oacute;gico privilegiado h&aacute; muitas pessoas que v&ecirc;m simplesmente como turistas, para se extasiarem com a beleza natural. Al&eacute;m disso neste ponto em que se localiza o santu&aacute;rio existem v&aacute;rios pontos estrat&eacute;gicos do ponto de vista arqueol&oacute;gico, geol&oacute;gico e termal, entre eles as termas do Ger&ecirc;s, o Parque Natural do Ger&ecirc;s e os trilhos romanos que foram recuperados. Por isso as pessoas podem aproveitar para vir aqui para restaurar for&ccedil;as na natureza espiritual mas podem tamb&eacute;m recuperar energias internas de bom ar, de descanso, da aus&ecirc;ncia de polui&ccedil;&atilde;o sonora e luminosa. &Eacute; um local sempre retemperador mesmo para quem n&atilde;o &eacute; crente. Eu costumo dizer que este santu&aacute;rio deve ser, &agrave; semelhan&ccedil;a daquilo que S&atilde;o Bento define para os seus monges, o local dos buscadores de Deus, ou seja, n&atilde;o de monges, das pessoas que j&aacute; t&ecirc;m a sua f&eacute; mas para aqueles que n&atilde;o tendo f&eacute; v&ecirc;m aqui. Porque mesmo dizendo que n&atilde;o t&ecirc;m f&eacute;, vindo aqui est&atilde;o a buscar o insond&aacute;vel. Portanto o santu&aacute;rio tamb&eacute;m quer criar condi&ccedil;&otilde;es a estes buscadores que ainda n&atilde;o O encontraram ou daqueles que est&atilde;o na margem, que est&atilde;o perto. Por isso t&ecirc;m de haver condi&ccedil;&otilde;es e temos criado essas condi&ccedil;&otilde;es para que quem esteja perturbado, que tenha d&uacute;vidas, que n&atilde;o saiba bem que caminho h&aacute; de tomar possa encontrar aqui um rumo para a sua vida.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; <em>Sem esquecer essa matriz europeia que S&atilde;o Bento deixou tamb&eacute;m como heran&ccedil;a?<\/em><\/p>\n<p> \t&nbsp;CAG &ndash; &Eacute; muito interessante pensar nisto. O primeiro bi&oacute;grafo de S&atilde;o Bento foi um Papa, S&atilde;o Greg&oacute;rio Magno. Cinquenta e poucos anos depois da morte de S&atilde;o Bento este beneditino foi eleito Papa, foi um homem not&aacute;vel, a ele devemos por exemplo a compila&ccedil;&atilde;o do canto gregoriano. S&atilde;o Greg&oacute;rio Magno escreve uma biografia de S&atilde;o Bento e &eacute; preciso esperar pelo s&eacute;culo XX para que os Papas pegassem na figura de S&atilde;o Bento e o trabalhassem e apresentassem como o modelo do padroeiro inspirador de uma Europa de paz, de sossego e conc&oacute;rdia. Sobretudo depois da II Guerra Mundial em que a Europa foi devastada, foi tudo destru&iacute;do e Pio XII teve a intui&ccedil;&atilde;o ao escrever uma enc&iacute;clica, &lsquo;Fulgens Radiator&rsquo;. A&iacute; ele conseguiu trabalhar a ideia de que S&atilde;o Bento apesar de ter criado mosteiros com homens e mulheres dedicados ao trabalho e ao sil&ecirc;ncio, eles foram os grandes cabouqueiros da Europa que n&oacute;s somos e &eacute; interessante que depois a seguir vem Paulo VI que refor&ccedil;a a ideia com a carta apost&oacute;lica &lsquo;Pacis Nuntius&rsquo;, da qual se celebram este ano os 50 anos. Depois o Papa Jo&atilde;o Paulo II agarra S&atilde;o Bento e no ano em que se comemorava a convers&atilde;o ao Cristianismo dos russos e dos eslavos do norte com S&atilde;o Cirilo e S&atilde;o Met&oacute;dio. Jo&atilde;o Paulo II proclama estes dois santos com padroeiros da Europa com S&atilde;o Bento e dizia: &ldquo;A Europa respira com dois pulm&otilde;es, a Ocidente com S&atilde;o Bento e a Oriente com S&atilde;o Cirilo e S&atilde;o Met&oacute;dio. &Eacute; interessante que este caminho de descoberta emerge com uma for&ccedil;a muito grande no s&eacute;culo XX com Pio XXII, com Paulo VI, com Jo&atilde;o Paulo II e depois j&aacute; no s&eacute;culo XXI com Bento XVI. Bento XVI n&atilde;o foi inocente em ter escolhido o nome de Papa como Bento, ele quis prestar homenagem a um dos seus antecessores, Bento XV que foi um Papa do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, um grande homem que se esfor&ccedil;ou imenso por construir a paz durante a I Guerra Mundial. N&atilde;o conseguiu mas ele fez o poss&iacute;vel e o imposs&iacute;vel para que a paz regressasse &agrave; Europa. Bento XVI toma esse nome homenageando Bento XV e pegando no exemplo de S&atilde;o Bento, padroeiro da Europa. Mas o Papa Francisco tamb&eacute;m n&atilde;o est&aacute; imune a S&atilde;o Bento ou aos beneditinos porque o lema do seu pontificado &eacute; de um beneditino, S&atilde;o Pedro Vener&aacute;vel que diz &lsquo;Olhando escolheste-me com miseric&oacute;rdia&rsquo;, uma ideia que &eacute; de S&atilde;o Pedro Vener&aacute;vel que &eacute; tamb&eacute;m monge beneditino.<\/p>\n<p> \tPortanto os &uacute;ltimos Papas t&ecirc;m dado import&acirc;ncia a S&atilde;o Bento, &agrave; heran&ccedil;a de S&atilde;o Bento que n&atilde;o s&atilde;o apenas os beneditinos. Por vezes esquecemo-nos que S&atilde;o Bento criou uma fam&iacute;lia alargada, os monges negros que designamos vulgarmente como beneditinos e os monges de Cister que s&atilde;o os monges brancos. Estas duas fam&iacute;lias de filhos de S&atilde;o Bento com as ordens de cavalaria da Idade M&eacute;dia, as ib&eacute;ricas, pegaram na regra de S&atilde;o Bento e fizeram a sua, um exemplo disso &eacute; a Ordem de Avis. Portanto a Europa no sil&ecirc;ncio dos mosteiros, no seguimento da regra &eacute; constru&iacute;da nesta realidade que conhecemos a partir da regra que S&atilde;o Bento deixou aos seus monges.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; <em>Paulo VI escrevia h&aacute; 50 anos sobre S&atilde;o Bento: &ldquo;Com a luz do Cristianismo afugentou as trevas e espalhou os benef&iacute;cios da paz. Assim agora preside &agrave; vida da Europa&rdquo;. De que forma &eacute; que isto est&aacute; presente neste santu&aacute;rio atrav&eacute;s das atividades que organizam, na forma como acolhem?<\/em><\/p>\n<p> \tCAG &ndash; H&aacute; uma outra tradu&ccedil;&atilde;o dessa frase que eu talvez prefira que diz: &ldquo;Na cerra&ccedil;&atilde;o da noite&rdquo;. Isto &eacute; quando a noite &eacute; muito cerrada, muito escura que era o acontecia no fim do Imp&eacute;rio Romano. Quando nasce S&atilde;o Bento, em 480, estava a colapsar o Imp&eacute;rio Romano e colapsou pela invas&atilde;o dos b&aacute;rbaros que encontraram um imp&eacute;rio completamente destru&iacute;do por dento. Os b&aacute;rbaros foram conquistadores com o trabalho facilitado porque o Imp&eacute;rio Romano estava em colapso que era aquilo a que Paulo XVI se referia dizendo que havia &ldquo;uma cerra&ccedil;&atilde;o da noite&rdquo;. S&atilde;o Bento ao criar os mosteiros vai como que &ldquo;acender&rdquo; v&aacute;rios luzeiros por toda a Europa que v&atilde;o iluminar e reconstruir a Europa. Atualmente, n&oacute;s estamos num tempo de penumbra muito forte, vivem-se dias extremamente sombrios.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; <em>Da&iacute; que Bento XVI tamb&eacute;m quisesse trazer essa luminosidade proposta por S&atilde;o Bento para os dias de hoje tendo em conta a realidade que atualmente se vive?<\/em><\/p>\n<p> \tCAG &ndash; Absolutamente. N&oacute;s ainda n&atilde;o conhecemos muito bem o legado de Bento XVI, ele usou muito durante o seu pontificado, pela sua vida, pela sua forma de celebrar a via da beleza. Uma via da beleza que ele vai &ldquo;beber&rdquo; num grande monge na fam&iacute;lia de S&atilde;o Bento que &eacute; S&atilde;o Bernardo de Claraval. S&atilde;o Bernardo de Claraval com o seu despojamento queria que a beleza do templo n&atilde;o fosse distrativa para a interioridade que deveriam ter os mosteiros e Bento XVI vai-nos chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a via da beleza. E o Papa Francisco tamb&eacute;m o faz, ainda h&aacute; pouco tempo, na sua exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica, dizia que &eacute; preciso caminhar na via da beleza.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; <em>Quando um peregrino chega ao santu&aacute;rio de S&atilde;o Bento da Porta Aberta a que locais &eacute; que se dirige?<\/em><\/p>\n<p> \tCAG &ndash; Normalmente o peregrino chega e tem um objetivo que &eacute; ir a S&atilde;o Bento, desabafar com um amigo. &Eacute; muito interessante ver isso porque aos s&aacute;bados, domingos, durante o per&iacute;odo do ver&atilde;o s&atilde;o dezenas, milhares de pessoas que todo o dia fluem para tocar na imagem de S&atilde;o Bento. Tenho constatado que os peregrinos param mesmo e sente-se que estas pessoas est&atilde;o em di&aacute;logo. Depois de dialogarem com S&atilde;o Bento &eacute; muito frequente fazerem a sua ora&ccedil;&atilde;o. Provavelmente devia ser ao contr&aacute;rio e primeiro visitar-se &ldquo;o dono da casa&rdquo; mas Deus Nosso Senhor que &eacute; rico em miseric&oacute;rdia compreende a f&eacute; dos simples e tudo perdoa e tudo compreende. Foram ganhar for&ccedil;as junto de S&atilde;o Bento para depois puderem fazer uma ora&ccedil;&atilde;o mais profunda. De facto neste santu&aacute;rio o objetivo de quem aqui chega &eacute; visitar, &eacute; comunicar, estar e dialogar com S&atilde;o Bento e h&aacute; cenas muito bonitas de peregrinos que param como quem para junto da fotografia da m&atilde;e ou do pai que j&aacute; faleceram e diante daquela est&aacute;tua eles conversam interiormente e n&oacute;s sentimos isso, que &eacute; j&aacute; um caminho para encontrar Deus que no fundo &eacute; o que nos interessa. Um monge deve fazer da sua vida uma peregrina&ccedil;&atilde;o por Cristo e os peregrinos devem ser como os monges, devem peregrinar para Cristo.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; <em>Olhando para essas pessoas nota-se a emotividade presente no momento. H&aacute; pessoas que olham e tocam para a imagem. Isso acontece muitas vezes?<\/em><\/p>\n<p> \tCAG &ndash; Acontece muitas e muitas vezes. Posso contar dois epis&oacute;dios que me marcaram muito recentemente. O primeiro epis&oacute;dio &eacute; o de um homem de meia-idade que entrou, tocou na imagem, afastou-se para n&atilde;o impedir a passagem de outros devotos e esteve em sil&ecirc;ncio 5 a 10 minutos e eu pressenti que ele estava num di&aacute;logo muito forte com S&atilde;o Bento. Estava a confidenciar com ele, provavelmente sobre os seus problemas, a agradecer-lhe qualquer gra&ccedil;a que por seu interm&eacute;dio Deus lhe concedeu. Foi uma cena muito bonita. O segundo epis&oacute;dio que me tocou profundamente foi a de um homem novo que fazia a volta ao santu&aacute;rio de joelhos amparado por duas meninas que pareciam ser g&eacute;meas, com 5 ou 6 anos. Deu-me a sensa&ccedil;&atilde;o que aquele homem era o pai dessas meninas. Apesar do granito estar polido n&atilde;o &eacute; nada f&aacute;cil andar de joelhos &agrave; volta do per&iacute;metro do santu&aacute;rio. E recordo-me de que aquelas meninas durante o percurso que aquele homem foi fazendo foram-no amparado como se fossem muletas. Achei aquele momento de uma ternura fabulosa, &eacute; uma imagem que nunca vou esquecer. Vi uma cena id&ecirc;ntica num quadro de Jos&eacute; Malhoa num quadro que ele tem no museu que lhe &eacute; dedicado nas Caldas da Rainha, de uma mulher do campo tamb&eacute;m de joelhos a cumprir uma promessa enquanto &eacute; amparada por duas mulheres que lhe v&atilde;o dando for&ccedil;a. Penso que aqui h&aacute; esse sentimento de devo&ccedil;&atilde;o. &Agrave;s vezes h&aacute; um certo intelectualismo que n&atilde;o entende esta devo&ccedil;&atilde;o dos simples, aqui h&aacute; uns anos li um livro de um autor protestante que referindo-se &agrave; Idade M&eacute;dia e aos peregrinos desse tempo dizia o quanto admirava &ldquo;os peregrinos que rezavam com os seus p&eacute;s&rdquo;, uma express&atilde;o que n&atilde;o esqueci. O Papa Francisco na sua exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica &lsquo;A Alegria do Evangelho&rsquo; fala na devo&ccedil;&atilde;o nos santu&aacute;rios, na devo&ccedil;&atilde;o dos simples, na devo&ccedil;&atilde;o que &agrave;s vezes uma pessoa muito intelectual, muito nas nuvens n&atilde;o &eacute; capaz de ter, porque esta f&eacute; &eacute; a f&eacute; que brota dos simples e s&oacute; os simples conseguem comunicar com Deus.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; <em>A chamada religiosidade popular tem algo a dizer &agrave; sociedade?<\/em><\/p>\n<p> \tCAG &ndash; &Eacute; um patrim&oacute;nio que tem de ser nalguns casos purificado obviamente mas que n&atilde;o pode ser combatido de todo, tem de ser estimulado e temos de pegar em devo&ccedil;&otilde;es chamadas de piedade popular que podem ser caminhos para irmos mais longe. Toda a Igreja e os batizados devem ter esta preocupa&ccedil;&atilde;o de tentar fazer a pedagogia do gesto simples, dos simples. Por exemplo, a &aacute;gua benta &eacute; da religiosidade popular n&atilde;o &eacute; um sacramental. Hoje podemos fazer a pedagogia da &aacute;gua benta, dizer que cada vez que pegamos na &aacute;gua benta podemos recordar o nosso batismo. Portanto cada vez que se entra numa igreja, onde deveria haver sempre &aacute;gua benta, as pessoas podem benzer-se com &aacute;gua benta e recordar que esse &eacute; o sinal que revela a entrada na igreja pelo batismo.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; <em>Que novas din&acirc;micas o santu&aacute;rio de S&atilde;o Bento da Porta Aberta tem definido para o futuro, para o dia a dia?<\/em><\/p>\n<p> \tCAG &ndash; H&aacute; uma din&acirc;mica que o santu&aacute;rio est&aacute; a imprimir em que ao longo do ano se est&atilde;o a fazer v&aacute;rias atividades que t&ecirc;m como objetivo dar ainda mais sentido a quem faz uma peregrina&ccedil;&atilde;o. Celebramos todas as datas da Igreja universal mas depois temos a preocupa&ccedil;&atilde;o de celebrar de uma forma bonita, cheia de simbolismo dias como o do Pai, o da M&atilde;e, da Crian&ccedil;a, dos Av&oacute;s, da Fam&iacute;lia. Fazemos uma peregrina&ccedil;&atilde;o no primeiro s&aacute;bado de maio pela Igreja perseguida, depois no terceiro domingo de setembro, com o apoio da Funda&ccedil;&atilde;o Ajuda &agrave; Igreja que Sofre, fazemos tamb&eacute;m uma peregrina&ccedil;&atilde;o pelos crist&atilde;os perseguidos em todo o mundo que cada vez vai tendo mais ades&atilde;o e ganhando mais sentido. Esta &eacute; uma peregrina&ccedil;&atilde;o que resultou de um &ldquo;grito&rdquo; do bispo do Paquist&atilde;o que dizia: &ldquo;n&atilde;o se esque&ccedil;am de n&oacute;s, somos vossos irm&atilde;os&rdquo;. Este &ldquo;grito&rdquo; que n&oacute;s ouvimos caiu fundo aqui no santu&aacute;rio e decidiu-se que se teria de fazer alguma coisa nesse sentido, sendo que j&aacute; l&aacute; v&atilde;o tr&ecirc;s anos desde que fazemos esta peregrina&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s podemos entrar em comunh&atilde;o com os crist&atilde;os perseguidos em todo o mundo e na Europa n&atilde;o s&oacute; por a&ccedil;&otilde;es diretas de apoio concretas mas tamb&eacute;m pela ora&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o nos esquecemos que a ora&ccedil;&atilde;o &eacute; uma arma poderosa. O santu&aacute;rio responde no sentido de estar em comunh&atilde;o com os crist&atilde;os de todo o mundo, pedindo para que Deus lhes d&ecirc; for&ccedil;a para resistir ao mart&iacute;rio e a n&oacute;s nos d&ecirc; coragem para nos pudermos imitar e ver at&eacute; que ponto a nossa cobardia &eacute; um mal ou nos deve causar mal-estar. E sobre os crist&atilde;os perseguidos h&aacute; uma campanha promovida pela institui&ccedil;&atilde;o &lsquo;Mil&iacute;cias de Santa Maria&rsquo; que quer fazer do dia 7 de cada m&ecirc;s um dia de ora&ccedil;&atilde;o pelos crist&atilde;os perseguidos e o santu&aacute;rio aderiu a essa iniciativa. Portanto no dia 7 de cada m&ecirc;s nas missas e nas outras ora&ccedil;&otilde;es que se fa&ccedil;am no santu&aacute;rio os crist&atilde;os perseguidos v&atilde;o estar presentes.<\/p>\n<p> \tTemos outras atividades, por exemplo, o Papa Francisco agora em fevereiro pediu &agrave;s fam&iacute;lias que rezem pelas outras fam&iacute;lias e nesse sentido o santu&aacute;rio resolveu que todos os dias 15 de cada m&ecirc;s se reze em sintonia com o Papa pelas fam&iacute;lias. Come&ccedil;amos a distribuir uma pagela com a ora&ccedil;&atilde;o que o Papa comp&ocirc;s e escolhemos o dia 15 porque dia 15 de maio &eacute; o dia internacional da fam&iacute;lia e dia 15 de agosto &eacute; o dia de nossa senhora, m&atilde;e de todas as fam&iacute;lias.<\/p>\n<p> \t<em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Aguiar Gomes, membro da mesa administrativa da Irmandade de S\u00e3o Bento da Porta Aberta, fala do fasc\u00ednio que o santo padroeiro da Europa continua a exercer e da import\u00e2ncia do santu\u00e1rio situado na Arquidiocese de Braga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,172,174,203,274,292],"class_list":["post-65247","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-europa","tag-papa-francisco","tag-religiosidade-popular"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65247","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65247"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65247\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65247"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65247"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65247"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}