{"id":65143,"date":"2014-03-21T09:53:00","date_gmt":"2014-03-21T09:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/03\/21\/d-jose-policarpo-a-densidade-da-palavra-e-do-silencio-no-bispo-conciliar\/"},"modified":"2014-03-21T09:53:00","modified_gmt":"2014-03-21T09:53:00","slug":"d-jose-policarpo-a-densidade-da-palavra-e-do-silencio-no-bispo-conciliar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-jose-policarpo-a-densidade-da-palavra-e-do-silencio-no-bispo-conciliar\/","title":{"rendered":"D. Jos\u00e9 Policarpo: A densidade da palavra e do sil\u00eancio no bispo conciliar"},"content":{"rendered":"<p>O II Conc\u00edlio do Vaticano e a investiga\u00e7\u00e3o sobre \u00abOs Sinais dos tempos\u00bb cunharam os gestos pastorais do patriarca em\u00e9rito de Lisboa, D. Jos\u00e9 Policarpo, que faleceu a 12 de mar\u00e7o de 2014. Com 78 anos de idade (feitos a 26 de fevereiro), D. Jos\u00e9 Policarpo disse que na \u201caventura da liberdade\u201d, a palavra foi \u201celemento decisivo, tantas vezes dram\u00e1tica\u201d, mas tamb\u00e9m \u201csugestiva e iluminadora\u201d. <!--more--> <\/p>\n<p>O II Conc&iacute;lio do Vaticano e a investiga&ccedil;&atilde;o sobre &laquo;Os Sinais dos tempos&raquo; cunharam os gestos pastorais do patriarca em&eacute;rito de Lisboa, D. Jos&eacute; Policarpo, que faleceu a 12 de mar&ccedil;o de 2014. Com 78 anos de idade (feitos a 26 de fevereiro), D. Jos&eacute; Policarpo disse que na &ldquo;aventura da liberdade&rdquo;, a palavra foi &ldquo;elemento decisivo, tantas vezes dram&aacute;tica&rdquo;, mas tamb&eacute;m &ldquo;sugestiva e iluminadora&rdquo;.<\/p>\n<p>Na constru&ccedil;&atilde;o de uma vida, a palavra reveste-se da &ldquo;densidade do drama, em que o leitor ou ouvinte &eacute; protagonista central&rdquo;, sublinhou na Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a 21 de outubro de 2008. Na confer&ecirc;ncia &laquo;Literatura e o drama da palavra&raquo;, D. Jos&eacute; Policarpo frisou que nas primeiras etapas da sua vida n&atilde;o descortina &ldquo;nenhum papel significativo da leitura&rdquo;. Aquele per&iacute;odo de vida foi o tempo &ldquo;dos modelos vivos&rdquo; de pessoas. &ldquo;Esse &eacute; o perigo da influ&ecirc;ncia marcante de personagens cuja vida&rdquo; atrai quem acompanha os seus passos: &ldquo;fazer da vida uma imita&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, o patriarca em&eacute;rito de Lisboa conceptualizou que a vida &ldquo;tamb&eacute;m &eacute; palavra&rdquo; e que &ldquo;as mais belas express&otilde;es da liberdade e da generosidade&rdquo; s&atilde;o o fruto &ldquo;fecundo da palavra escutada&rdquo;. O risco de imita&ccedil;&atilde;o foi relativizado pelo confronto com &ldquo;pessoas &laquo;n&atilde;o-modelo&raquo;, ou mesmo &laquo;anti-modelo&rdquo;. Esta reflex&atilde;o foi &ldquo;uma experi&ecirc;ncia nova&rdquo; que o levou a confrontar-se &ldquo;com modelos que n&atilde;o conhecia&rdquo;, que o &ldquo;atra&iacute;am ou que rejeitava s&oacute; pelo que escreviam&rdquo;.<\/p>\n<p>Neste amadurecimento entre a palavra e o sil&ecirc;ncio, o cardeal que nasceu na freguesia de Alvorninha (Concelho das Caldas da Rainha) confrontou-se com quest&otilde;es fundamentais sobre o sentido da vida, &ldquo;entre as quais a da exist&ecirc;ncia de Deus ganhou uma centralidade inevit&aacute;vel, porque decisiva&rdquo;. E acrescenta que procurou respostas &ldquo;na literatura, mais do que em modelos vivos de pessoas que conhecia&rdquo;.<\/p>\n<p>D. Jos&eacute; Policarpo vasculhou autores &ldquo;que questionavam a exist&ecirc;ncia de Deus, de Marx a Camus&rdquo;. Depois destas leituras, o patriarca em&eacute;rito de Lisboa conclui que os argumentos da raz&atilde;o n&atilde;o conseguiram dar-lhe for&ccedil;a &ldquo;para comprometer a vida com Deus&rdquo;. A nega&ccedil;&atilde;o de Deus em nome da grandeza do homem e a hist&oacute;ria concebida &ldquo;sem o desafio da transcend&ecirc;ncia&rdquo; mergulharam-no &ldquo;numa dolorosa sensa&ccedil;&atilde;o de vazio e de aus&ecirc;ncia de sentido&rdquo;.<\/p>\n<p>Na sua confer&ecirc;ncia, D. Jos&eacute; Policarpo revela que est&aacute; &ldquo;grato&rdquo; ao livro de Antoine de Saint-Exup&eacute;ry, &laquo;Le Petit Prince&raquo;, que foi &ldquo;a cereja no bolo&rdquo; na busca de uma palavra que lhe &ldquo;pacificasse o cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Com este autor, o prelado percebeu que &eacute; preciso &ldquo;deixar-se cativar&rdquo; e que o &ldquo;segredo da verdade passa pelo cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>A descoberta da beleza exprime &ldquo;o drama e a densidade da exist&ecirc;ncia&rdquo;. Neste contexto, o cardeal em&eacute;rito de Lisboa revela que a &ldquo;etapa final&rdquo; da caminhada humana &ldquo;&eacute; sempre atrac&ccedil;&atilde;o da beleza&rdquo;. Nesta descoberta que ultrapassa os olhos do homem, D. Jos&eacute; Policarpo confessou que leu e visitou textos de Antero de Quental, Miguel Torga, Jos&eacute; R&eacute;gio, Fernando Pessoa e Sophia de Mello Breyner Andresen. Nesta caminhada liter&aacute;ria percebeu que tantas vezes &ldquo;o poeta, na sua palavra, se transcende a si mesmo&rdquo;, exprimindo o rec&ocirc;ndito &ldquo;do que n&atilde;o quer ser, mas deseja ser&rdquo;. Palavras e sil&ecirc;ncios fundados nos &laquo;Sinais dos tempos&raquo; e na leitura atenta ao conc&iacute;lio convocado pelo Papa Jo&atilde;o XXIII.<\/p>\n<p><em>LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O II Conc\u00edlio do Vaticano e a investiga\u00e7\u00e3o sobre \u00abOs Sinais dos tempos\u00bb cunharam os gestos pastorais do patriarca em\u00e9rito de Lisboa, D. Jos\u00e9 Policarpo, que faleceu a 12 de mar\u00e7o de 2014. Com 78 anos de idade (feitos a 26 de fevereiro), D. 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