{"id":6507,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/tenda-de-deus-entre-os-homens\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"tenda-de-deus-entre-os-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/tenda-de-deus-entre-os-homens\/","title":{"rendered":"Tenda de Deus entre os homens"},"content":{"rendered":"<p>D. Teodoro de Faria, bispo do Funchal, na Dedica\u00e7\u00e3o da Igreja do Livramento  <!--more--> A nova Igreja tem doze colunas com o nome das doze tribos de Israel na base e nos capit\u00e9is os nomes dos doze ap\u00f3stolos que continuam o novo Israel e formam o novo povo de Deus.   Senhora do Livramento \u00e9 um nome que foi e continua a ser muito querido pelos crist\u00e3os da Madeira. Numa terra nova, desabitada, coberta de flores, com \u00e1guas a escorrer das rochas e a correr nas ribeiras, com o perigo a espreitar por todos os lados, numa natureza virgem e dram\u00e1tica, a quem recorrer nas tempestades, chuvas torrenciais, ventos destruidores, sen\u00e3o a quem est\u00e1 acima de n\u00f3s, nos ama e d\u00e1 confian\u00e7a para lutar e vencer?  N\u00e3o foi s\u00f3 no Curral das Freiras que a Senhora do Livramento foi e continua a ser invocada com piedade filial e a quem se oferecem j\u00f3ias e ouro em abund\u00e2ncia para agradecer favores. Tamb\u00e9m junto ao Funchal, na colina que sobe at\u00e9 \u00e0 montanha, instalou-se uma comunidade que tinha como Igreja a de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o e freguesia da S\u00e9. A dist\u00e2ncia n\u00e3o era muita, mas havia um grande perigo a ultrapassar \u2013 a ribeira, sem ponte nem protec\u00e7\u00e3o que de um momento para outro, com as cheias ou tempestades, ceifava vidas, destru\u00eda colheitas, impedia de participar nos actos lit\u00fargicos dominicais. \u00abRibeira cheia e caminhos ariscos\u00bb, l\u00ea-se no documento da funda\u00e7\u00e3o da capela em 1684, obrigaram \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma pequena capela para comodidade dos fi\u00e9is.  O Sr. In\u00e1cio Pinto e sua esposa Catarina encarregaram-se de levantar a capela em honra da Senhora do Livramento e preocuparam-se com o futuro, conseguindo terrenos e bens \u00e0 volta da capela que n\u00e3o podiam ser alienados.  Assim pensaram e determinaram os nossos antepassados. Quando decorria o s\u00e9culo XX e o bispo diocesano criou a 24 de Novembro de 1960 a nova par\u00f3quia, a capela pertencia a um particular e as terras e bens estavam na posse de outros senhores.  Era preciso come\u00e7ar tudo de novo. N\u00e3o por causa das intemp\u00e9ries e devasta\u00e7\u00f5es da ribeira, mas por causa da comunidade crist\u00e3 que crescera e se reunia na pequena capela, agora transformada em Igreja paroquial. Nos primeiros anos em que administrei a Confirma\u00e7\u00e3o aos jovens, choveu em abund\u00e2ncia, estes ficavam na rua, e, apesar do guarda chuva, ungia os adolescentes na testa banhada pelas gotas de \u00e1gua a escorrer pelas faces.   2 \u2013 Uma Igreja, tenda de Deus entre os homens  Ocupado o antigo terreno para a Igreja, foi preciso descobrir um novo e o \u00fanico espa\u00e7o ainda livre era um declive acidentado. A concep\u00e7\u00e3o do Sr. Arquitecto Lu\u00eds Jorge Santos de construir uma \u00abIgreja \u2013 Tenda de Deus\u00bb, agradou \u00e0 par\u00f3quia e \u00e0 Comiss\u00e3o de Arte Sacra. S\u00e3o Jo\u00e3o escreveu no Pr\u00f3logo do IV Evangelho que, na Encarna\u00e7\u00e3o, o Verbo de Deus Pai, Jesus Cristo, montou a Sua tenda no meio dos homens.  A simbologia do novo Templo foi enriquecida com o Livro do Apocalipse. No cap. XXI S. Jo\u00e3o descreve a Cidade Santa, a nova Jerusal\u00e9m, com doze alicerces, onde est\u00e3o escritos o nome dos doze Ap\u00f3stolos do Cordeiro. A nova Igreja tem doze colunas com o nome das doze tribos de Israel na base e nos capit\u00e9is os nomes dos doze ap\u00f3stolos que continuam o novo Israel e formam o novo povo de Deus.  O centro do espa\u00e7o lit\u00fargico \u00e9 o altar, lugar do sacrif\u00edcio de Cristo e mesa da refei\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is. A luz que se derrama do alto reaviva os raios de ouro e ilumina Cristo crucificado e o altar, mostrando que a Ceia do Senhor e o seu sacrif\u00edcio da cruz, fazem parte do mesmo mist\u00e9rio de reden\u00e7\u00e3o da humanidade.  Junto do altar mor, a imagem de Maria, a Senhora do Livramento, apresenta Cristo, seu Filho, como \u00fanico Salvador, enquanto do lado oposto, \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo que rodeado dos s\u00edmbolos dos quatro evangelistas, apresenta o seu cora\u00e7\u00e3o aberto, fonte donde dimana todas as riquezas de Deus.  Para conservar o Sant\u00edssimo Sacramento e adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, reservou-se uma capela com sacr\u00e1rio e altar antigos, revestidos de ouro, e uma pintura dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas. Quatro vitrais, representando o Pentecostes, derramam uma luz m\u00edstica na capela e no templo, para significar que o Esp\u00edrito Santo \u00e9 a alma da Igreja e a luz que ilumina a intelig\u00eancia e aquece o cora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is.  Na descida para as salas de catequese, um grande mosaico, representando a Senhora do Livramento, formado por milhares de pequenas pedras coloridas vindas de Veneza, aben\u00e7oa a par\u00f3quia e a cidade do Funchal que se estende, colorida e magn\u00edfica, ao longo do Atl\u00e2ntico.  A \u00abTenda\u00bb da Senhora do Livramento n\u00e3o est\u00e1 isolada, junto dela aninham-se a casa paroquial e os servi\u00e7os caritativos para beb\u00e9s, crian\u00e7as e idosos, formando o conjunto uma \u00abmontanha sagrada\u00bb, como encontramos na Europa, no Monte de S. Michel na Bretanha, em Cluny ao sul da Fran\u00e7a e nas abadias beneditinas dispersas pelo velho continente.  Uma torre esguia e altaneira indica, a quem chega do mar ou se desloca em terra, o tabern\u00e1culo de Deus no meio do seu povo. Um carrilh\u00e3o de sinos convida a comunidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e recolhimento, tanto nas datas festivas como nas tristes. Os sinos, vindos do Norte de Portugal, t\u00eam o registo de sinos e v\u00e1rias melodias e j\u00e1 est\u00e3o preparados para tocar a m\u00fasica \u00abminha terra \u00e9 a Madeira\u00bb. A \u00abmontanha sagrada\u00bb do Livramento \u00e9 um marco de refer\u00eancia na hist\u00f3ria da Regi\u00e3o e da Diocese, e figura entre as grandes realiza\u00e7\u00f5es da era da autonomia e do seu governo.   3 \u2013 Arte e F\u00e9  Ao longo dos mil\u00e9nios da hist\u00f3ria crist\u00e3 n\u00e3o existe contradi\u00e7\u00e3o entre a arte e a f\u00e9. Pelo contr\u00e1rio, entre a experi\u00eancia religiosa e a experi\u00eancia est\u00e9tica estabeleceu-se um parentesco natural. A arte corresponde ao mandato de Deus ao primeiro par humano \u00abdominai a terra\u00bb.  As duas artes mais abstractas \u2013 a arquitectura e a m\u00fasica \u2013 t\u00eam um lugar privilegiado no templo crist\u00e3o. Para a arte sacra, a causa final da arquitectura \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Cristo \u00e9 o centro da comunidade crist\u00e3 que se re\u00fane para celebrar e participar na ac\u00e7\u00e3o sagrada, exercendo o seu minist\u00e9rio sacerdotal, recebido no baptismo.  A Encarna\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, \u00abEle que \u00e9 a imagem vis\u00edvel de um Deus invis\u00edvel\u00bb, o mist\u00e9rio de um \u00abDeus nascido de uma mulher\u00bb, justifica e provoca o nascimento da arte crist\u00e3, e fundamenta todos os esplendores da beleza para um culto a Deus em esp\u00edrito e verdade.   Funchal, 20 de Junho de 2004   D. Teodoro de Faria  Bispo do Funchal    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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