{"id":64939,"date":"2014-03-09T22:21:00","date_gmt":"2014-03-09T22:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/03\/09\/o-evangelho-luz-que-atrai-o-coracao-e-o-liberta\/"},"modified":"2014-03-09T22:21:00","modified_gmt":"2014-03-09T22:21:00","slug":"o-evangelho-luz-que-atrai-o-coracao-e-o-liberta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-evangelho-luz-que-atrai-o-coracao-e-o-liberta\/","title":{"rendered":"O Evangelho, luz que atrai o cora\u00e7\u00e3o e o liberta"},"content":{"rendered":"<p>&ldquo;Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza para al&eacute;m de n&oacute;s mesmos a fim de alcan&ccedil;armos o nosso ser mais verdadeiro. Aqui est&aacute; a fonte da ac&ccedil;&atilde;o evangelizadora. Porque, se algu&eacute;m acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como &eacute; que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?&rdquo;. Com estas palavras da <em>Evangelii Gaudium<\/em> (n.8), o Papa Francisco evoca a nossa diviniza&ccedil;&atilde;o, essa eleva&ccedil;&atilde;o que nos &eacute; concedida como um dom de Deus. Em Cristo descobrimos quem &eacute; a pessoa humana e qual a grandeza da sua voca&ccedil;&atilde;o (cf. <em>Gaudium et Spes<\/em>, 22). Do encontro com Jesus nasce o desejo de partilhar essa alegria com os outros (cf. EG 3). O Papa Francisco convida-nos a &ldquo;sair da pr&oacute;pria comodidade e ter a coragem de alcan&ccedil;ar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho&rdquo; (EG20).<\/p>\n<p>A &ldquo;sa&iacute;da&rdquo; que o Papa nos prop&otilde;e, expressa o que a Igreja tradicionalmente designa com os termos &ldquo;apostolado&rdquo; e &ldquo;evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;: tarefa que se caracteriza, entre outras coisas, por um absoluto respeito pela liberdade, e se afasta da acep&ccedil;&atilde;o negativa que, principalmente no s&eacute;culo XX, a palavra &ldquo;proselitismo&rdquo; ganhou. &Eacute; o que o Papa aponta no n.14 ao afirmar que &ldquo;a Igreja n&atilde;o cresce por proselitismo, mas &laquo;por atrac&ccedil;&atilde;o&raquo;&rdquo;. Nos ensinamentos de Cristo h&aacute; uma evidente exclus&atilde;o de qualquer atitude que desrespeite a liberdade alheia e ignore a dignidade da pessoa. Deus quer ser amado com verdade, e isso pressup&otilde;e uma decis&atilde;o livre. Toda a voca&ccedil;&atilde;o &eacute; uma hist&oacute;ria de amor e um encontro de duas liberdades: a chamada de Deus e a resposta do homem.<\/p>\n<p>A chave que define uma atitude autenticamente crist&atilde; est&aacute; no Amor. O Papa Francisco usa palavras e gestos evang&eacute;licos que o manifestam: &ldquo;convido&rdquo; (EG 3, 18, 33, 108), &ldquo;insisto&rdquo; (EG 3); fala de &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o transbordante&rdquo; (EG 5) e anima-nos a entrar &ldquo;nessa torrente de alegria&rdquo; (EG 5) que &eacute; a comunidade crist&atilde;, incentiva a n&atilde;o impor condi&ccedil;&otilde;es desnecess&aacute;rias &agrave; recep&ccedil;&atilde;o do baptismo e ao sacramento da confirma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;Entrar&rdquo;. Jesus Cristo censurou duramente os escribas e os fariseus: &ldquo;nem entrais v&oacute;s nem deixais entrar os que o querem fazer.&rdquo; (Mt 23,13). Deixar entrar, permitir que se entre, convidar a entrar: essa for&ccedil;a que atrai &eacute;, no dizer de S&atilde;o Josemaria, &ldquo;abund&agrave;ncia de luz&rdquo;, simpatia humana, ora&ccedil;&atilde;o e sacrif&iacute;cio pessoal, presen&ccedil;a de Cristo no crist&atilde;o: &ldquo;amor verdadeiro &eacute; sair de si mesmo, entregar-se&rdquo; (Cristo que passa, 43). &Eacute; este o sentido do apostolado crist&atilde;o, no sentido original do termo proselitismo, como tradicionalmente se entendeu na Igreja, herdado do juda&iacute;smo. Lacordaire usava esta forma lapidar: &ldquo;Assim como n&atilde;o h&aacute; crist&atilde;o sem amor tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; amor sem proselitismo&rdquo;.<\/p>\n<p>O apostolado de pessoa a pessoa sup&otilde;e dedicar tempo ao pr&oacute;ximo e n&atilde;o tem outra for&ccedil;a que a da ora&ccedil;&atilde;o, da paci&ecirc;ncia bondosa, da compreens&atilde;o, da amizade, do amor pela liberdade. Sup&otilde;e um sair de si mesmo para preocupar-se com os outros e partilhar com eles o mais verdadeiro, bonito e belo: a nossa voca&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. O &ldquo;segue-me&rdquo; de Cristo, longe de for&ccedil;ar, respeita a liberdade de cada um. Manifesta-o de modo tristemente eloquente o di&aacute;logo com o jovem rico. E hoje? Francisco assinala que &ldquo;1uando mais precisamos dum dinamismo mission&aacute;rio que leve sal e luz ao mundo, muitos leigos temem que algu&eacute;m os convide a realizar alguma tarefa apost&oacute;lica e procuram fugir de qualquer compromisso que lhes possa roubar o tempo livre.&rdquo; (EG 81).<\/p>\n<p>A luz do Evangelho &eacute; &ldquo;uma luz que atrai&rdquo; (EG 100) pois &eacute; a lei do amor que nos convida a fazer o bem (EG 100-101). Ao ver as boas obras do crist&atilde;o, o pr&oacute;ximo ser&aacute; levado a dar gl&oacute;ria a Deus (cf. Mt 5,16): descobrir e louvar o inef&aacute;vel amor de Deus, uma luz divina, n&atilde;o simplesmente humana. Nesse sentido, o apostolado, o santo zelo pelas almas, &eacute; dar testemunho da luz, como diz S. Jo&atilde;o (1, 7), dar abund&acirc;ncia de luz, sem a mais m&iacute;nima sombra de imposi&ccedil;&atilde;o, com muita delicadeza, pois Deus s&oacute; quer amor e, por isso, actua com mansid&atilde;o: com vigor e benignidade (cf. Sab 8, 1). Na Mensagem para a XX Jornada Mundial de ora&ccedil;&atilde;o pelas voca&ccedil;&otilde;es (2 de fevereiro de 1983), Jo&atilde;o Paulo II afirmava: &ldquo;n&atilde;o deve haver qualquer medo em propor directamente a uma pessoa jovem ou menos jovem a chamada do Senhor. &Eacute; um acto de estima e confian&ccedil;a. Pode ser um momento de luz e de gra&ccedil;a&rdquo;. Vence-se a poss&iacute;vel timidez, que podia revelar uma falta de f&eacute; e de humildade, com a luz de Cristo que transmite cada Crist&atilde;o.<\/p>\n<p>Que luz? Bento XVI conclu&iacute;a a sua primeira enc&iacute;clica com estas palavras: &ldquo;aquele amor divino &eacute; a luz &mdash; fundamentalmente, a &uacute;nica &mdash; que ilumina incessantemente um mundo &agrave;s escuras e nos d&aacute; a coragem de viver e agir. O amor &eacute; poss&iacute;vel, e n&oacute;s somos capazes de o praticar porque criados &agrave; imagem de Deus. Viver o amor e, deste modo, fazer entrar a luz de Deus no mundo&rdquo; (<em>Deus caritas est<\/em>, 39). Em perfeita continuidade, Francisco assinala na sua primeira enc&iacute;clica que &ldquo;O movimento de amor entre o Pai e o Filho no Esp&iacute;rito percorreu a nossa hist&oacute;ria; Cristo atrai-nos a Si para nos poder salvar (cf. Jn 12, 32)&rdquo; (Lumen Fidei, 59).<\/p>\n<p>Nos ant&iacute;podas de um proselitismo mal-entendido que n&atilde;o respeita a pessoa, est&aacute; o apostolado concebido como atrac&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, a proposta, transparente e respeitosa, de uma dedica&ccedil;&atilde;o generosa &ndash; justamente aquela a que se refere o Papa &ndash; que envolve um testemunho plenamente consciente da liberdade e dignidade da pessoa, e faz que o cora&ccedil;&atilde;o do crist&atilde;o participe do amor divino e humano de Jesus. Um cora&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pode conter os desejos de comunicar a alegria do Evangelho.&nbsp;<\/p>\n<p><em>Javier Echevarr&iacute;a, Prelado do Opus Dei&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza para al&eacute;m de n&oacute;s mesmos a fim de alcan&ccedil;armos o nosso ser mais verdadeiro. 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