{"id":64896,"date":"2014-03-07T12:01:15","date_gmt":"2014-03-07T12:01:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/03\/07\/um-ano-para-a-historia\/"},"modified":"2014-03-07T12:01:15","modified_gmt":"2014-03-07T12:01:15","slug":"um-ano-para-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-ano-para-a-historia\/","title":{"rendered":"Um ano para a Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>O historiador e professor universit\u00e1rio Paulo Fontes, da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, afirma que a popularidade do Papa Francisco se inscreve num movimento de grande visibilidade do papado <!--more--> <\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Enquanto historiador que balan&ccedil;o faz sobre o primeiro ano de pontificado do Papa Francisco?<\/em><\/p>\n<p><em>Paulo Fontes (PF) &ndash;<\/em> Talvez a primeira coisa a dizer sobre este Papa &eacute; que a figura do Papa Francisco se inscreve num movimento de maior dura&ccedil;&atilde;o, de grande visibilidade do papado, pelo menos na segunda metade do s&eacute;culo XX. Quando olhamos desde Pio XII com as peregrina&ccedil;&otilde;es para Roma, com Paulo VI com a ida a alguns lugares simb&oacute;licos como seja a Jerusal&eacute;m, &agrave; Assembleia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas nos EUA passando pelas suas visitas a alguns pa&iacute;ses de diversidade religiosa como a India, etc. Quando olhamos para o Papa peregrino que foi Jo&atilde;o Paulo II um pouco por todo o mundo e a sua aten&ccedil;&atilde;o ao di&aacute;logo inter-religioso, quando olhamos para algumas reflex&otilde;es e gestos de Bento XVI, nomeadamente para aquele que ficar&aacute; como o mais marcante, a sua pr&oacute;pria resigna&ccedil;&atilde;o. Olhando para todos estes casos o Papa Francisco inscreve-se dentro deste movimento que concita uma grande aten&ccedil;&atilde;o por parte de um mundo cada vez mais numa l&oacute;gica global e numa l&oacute;gica comunicacional muito forte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Depois da surpresa com a resigna&ccedil;&atilde;o de Bento XVI havia muita expetativa em saber o que viria a seguir?<\/em><\/p>\n<p><em>PF &ndash;<\/em> Francisco correspondeu por um lado a uma expetativa muito grande que havia e que tinha a ver por um lado com algum desencanto e cr&iacute;ticas muito acesas que no final do pontificado de Bento XVI se tinham concentrado sobre a maneira n&atilde;o tanto do Papa mas da c&uacute;ria romana, e por via dele do lugar do papado, na forma como foram geridos alguns dossiers. Nomeadamente nas quest&otilde;es de esc&acirc;ndalos ligados a casos de pedofilia, sobretudo nos EUA e na Irlanda e depois a gest&atilde;o do Instituto das Obras Religiosas, tudo isso gerava cr&iacute;ticas muito fortes o que submeteu o papado de Bento XVI a um desgaste na sua fase final muito grande por isso havia uma expetativa relativamente ao modo em saber como quem lhe ia suceder ia reagir a isso e que perspetivas ia trazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Francisco disse no momento da sua elei&ccedil;&atilde;o que vinha &lsquo;do fim do mundo&rsquo;. At&eacute; que ponto a sua origem e a sua viv&ecirc;ncia latina marcam o seu pontificado? <\/em><\/p>\n<p><em>PF &ndash;<\/em> O Papa Francisco &eacute; marcado desde logo pela sua origem, vem de uma zona, de um continente de grande tradi&ccedil;&atilde;o e presen&ccedil;a dos crist&atilde;os, e uso aqui expressamente a palavra crist&atilde;os porque existe naquela zona uma cristandade muito atravessada pelo confronto e pela diversidade entre setores cat&oacute;licos, evang&eacute;licos e protestantes tradicionais. A Am&eacute;rica, onde fica a Argentina, &eacute; um continente em grande ebuli&ccedil;&atilde;o e emerg&ecirc;ncia com quest&otilde;es novas, a posicionar-se de novo no mundo global&rdquo;.<\/p>\n<p>Por outro lado Francisco &eacute; marcado pela sua postura pessoal e creio que &eacute; isso que tem concitado uma grande aten&ccedil;&atilde;o e diria at&eacute; ades&atilde;o por parte de muitos setores n&atilde;o s&oacute; cat&oacute;licos mas da opini&atilde;o p&uacute;blica em geral&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &ndash; Como se explica essa aten&ccedil;&atilde;o generalizada?<\/em><\/p>\n<p><em>PF &ndash;<\/em> Explica-se pelo seu posicionamento do ponto de vista comunicacional e do entendimento que ele faz do lugar do papado, ele coloca-se como um testemunho de um crente, de algu&eacute;m que nos gestos que t&ecirc;m, naquilo que diz, se envolve, parte de si e da sua experi&ecirc;ncia numa linguagem de grande proximidade.<\/p>\n<p>E isso transmite a muitas das pessoas um sentimento de autenticidade na sua comunica&ccedil;&atilde;o e de facilidade de empatia num grande sentido de humanidade.<\/p>\n<p>Por outro lado eu diria que Francisco atrav&eacute;s do seu discurso, no seu apelo ao servi&ccedil;o da miss&atilde;o da Igreja acabou por recentrar o papel do papado seja do ponto de vista da Igreja como do ponto de vista da sociedade, do mundo global.<\/p>\n<p>&nbsp;As suas atitudes mostram que o papado est&aacute; ao servi&ccedil;o da Igreja no servi&ccedil;o e na terminologia teol&oacute;gica e pastoral cat&oacute;lica do an&uacute;ncio da Boa Nova de Jesus Cristo, ou seja na perspetiva de servir esse movimento de evangeliza&ccedil;&atilde;o com alegria e com esperan&ccedil;a como ele diz. E, portanto, trazendo logo a&iacute; um olhar mais fresco e atento &agrave;s periferias por um lado e por outro aos dinamismos de humaniza&ccedil;&atilde;o que atravessam a pr&oacute;pria humanidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Que an&aacute;lise faz &agrave; primeira exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica &lsquo;Evangelii Gaudium&rsquo; (A Alegria do Evangelho) deste Papa?<\/em><\/p>\n<p><em>PF &ndash;<\/em> &Eacute; curioso que Francisco v&aacute; buscar refer&ecirc;ncias de v&aacute;rios pontos da tradi&ccedil;&atilde;o da Igreja, citando n&atilde;o apenas por exemplo S&atilde;o Tom&aacute;s de Aquino mas citando tamb&eacute;m a exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica &lsquo;Evangelii nuntiandi&rsquo; de Paulo VI, que se centra muito no tema da evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m muito interessante &eacute; ver a ideia que ele tem sobre qual deve ser o papel da Igreja diante dum mundo cada vez mais global. E a&iacute; a reflex&atilde;o do Papa sobre a economia global, o sistema financeiro internacional e a sua desregula&ccedil;&atilde;o s&atilde;o alvo de palavras muito fortes e contundentes expressas por ele na exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica &lsquo;A Alegria do Evangelho&rsquo;.<\/p>\n<p>E isso criou grandes expetativas na maneira como as Igrejas depois &agrave; escala local v&atilde;o ser capazes de corresponder a esta expetativa de renova&ccedil;&atilde;o em cada lugar, em cada diocese, em cada continente.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Este primeiro ano de pontificado fica tamb&eacute;m marcado pela convoca&ccedil;&atilde;o do S&iacute;nodo dos Bispos para abordar o tema da fam&iacute;lia?<\/em><\/p>\n<p><em>PF &ndash;<\/em> A convoca&ccedil;&atilde;o do S&iacute;nodo dos Bispos sobre o tema da fam&iacute;lia &eacute; outro dos pontos importantes neste ano de pontificado porque veio ao encontro tamb&eacute;m de expetativas porque se essas quest&otilde;es relativas ao entendimento plural e contradit&oacute;rio entre a doutrina e as viv&ecirc;ncias, entre a proposta crist&atilde; e muitas das viv&ecirc;ncias sociais, culturais em geral n&atilde;o existisse n&atilde;o teria havido o movimento de resposta que houve nesta prepara&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;ximo S&iacute;nodos dos Bispos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Um ano depois e analisando os pontos principais do pontificado de Francisco at&eacute; agora, que se pode esperar do futuro?<\/em><\/p>\n<p><em>PF &ndash;<\/em> Resta saber, e penso que essa &eacute; uma quest&atilde;o &eacute; muito cedo ainda para avaliar, como &eacute; que o todo da Igreja, desde cada crist&atilde;o, cada comunidade &agrave; escala local at&eacute; &agrave;s dioceses, aos v&aacute;rios episcopados locais e aos v&aacute;rios organismos da Igreja no seu todo, inclusive a C&uacute;ria Romana que o Papa Francisco pretende reformular e j&aacute; iniciou passos nesse sentido, como &eacute; que v&atilde;o corresponder a este desejo de renova&ccedil;&atilde;o, como &eacute; que isso se vai traduzir na tal necessidade de convers&atilde;o pastoral da Igreja e por outro lado de express&atilde;o numa l&oacute;gica de empenhamento e presen&ccedil;a c&iacute;vica dos crist&atilde;os enquanto crentes na sociedade retomando para hoje uma Teologia chamar&iacute;amos de pol&iacute;tica, de valoriza&ccedil;&atilde;o desse empenho dos crist&atilde;os na cidade para anunciar com alegria e com esperan&ccedil;a a palavra de Jesus Cristo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O historiador e professor universit\u00e1rio Paulo Fontes, da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, afirma que a popularidade do Papa Francisco se inscreve num movimento de grande visibilidade do 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