{"id":6477,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/ir-ao-coracao-da-fe\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"ir-ao-coracao-da-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ir-ao-coracao-da-fe\/","title":{"rendered":"Ir ao cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Ant\u00f3nio Marto, na eucaristia da tomada de posse como bispo de Viseu <!--more--> \u201cTu \u00e9s o Cristo, o Filho de Deus vivo\u201d (Mt 16,6) \u201cCristo \u00e9 tudo para n\u00f3s\u201d (St. Ambr\u00f3sio)  Salv\u00e9, povo santo e amado de Deus, que constituis a querida Igreja Diocesana de Viseu! Eu te sa\u00fado, servindo-me das palavras com que S. Paulo saudava os fi\u00e9is da Igreja de Corinto: \u201c\u00c0 Igreja de Deus que est\u00e1 em Viseu, \u00e0 vener\u00e1vel Igreja viseense, \u00e0queles que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos com todos os que em qualquer lugar invocam o nome de N. S. Jesus Cristo: a v\u00f3s, gra\u00e7a e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Dou continuamente gra\u00e7as ao meu Deus por v\u00f3s, pela gra\u00e7a divina que vos foi dada em Jesus Cristo, porque n\u2019Ele fostes enriquecidos com todos os dons\u201d (1 Cor 1,2-5).  1. &#8211; Tocarei a pedra e rezarei\u2026  Chegou o dia em que o desejo de ver os vossos rostos, desde a data da minha nomea\u00e7\u00e3o, finalmente se realiza.  Chegou o dia em que o novo bispo entra nesta Catedral de Santa Maria para tomar posse da sua c\u00e1tedra de bispo de Viseu.  Juntamente convosco, que para aqui convergistes de todos os \u00e2ngulos da Diocese, sinto-me peregrino, tal como o salmista que converge com o povo para o templo de Jerusal\u00e9m. \u00c0 entrada da vetusta catedral aflorou-me \u00e0 mem\u00f3ria um sugestivo poema de Sofia de Mello Breyner:   \u201cA S\u00e3o Tiago n\u00e3o irei como turista. Irei   \u2013 se puder \u2013 como peregrino.  Tocarei a pedra e rezarei Os padre-nossos da conta como um campesino!\u201d  Tocarei a pedra e rezarei\u2026  Por isso, quis fazer meu um gesto t\u00edpico de Jo\u00e3o Paulo II: ajoelhei-me neste lugar e beijei as pedras do limiar deste templo que, desde h\u00e1 s\u00e9culos, \u00e9 \u201cmorada de Deus com os homens\u201d (Apoc 21, 3): Deus\t\u2013 Salvador com o povo de Viseu.  E com todos v\u00f3s rezo as palavras do Salmo 122, com a forte emo\u00e7\u00e3o e alegria do peregrino que chega \u00e0 meta: \u201cQue alegria quando me disseram: iremos para a casa do Senhor. E agora os nossos p\u00e9s se det\u00eam \u00e0s tuas portas, Jerusal\u00e9m\u2026 Para l\u00e1 sobem as tribos do Senhor, para louvar o nome do Senhor. Pelos meus irm\u00e3os e amigos pedirei \u201ca paz esteja contigo\u201d. Pela casa do Senhor, nosso Deus, pedirei todo o bem  para ti\u201d.  Para ti, Diocese de Viseu,  invoco todas as b\u00ean\u00e7\u00e3os de Paz e de Bem!    Tocarei a pedra e rezarei\u2026  Este gesto convida-nos a fazer mem\u00f3ria da hist\u00f3ria da nossa Igreja, da f\u00e9 que nos foi transmitida ao longo dos s\u00e9culos. Convida-nos a unirmo-nos \u00e0s gera\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is viseenses, aos santos da nossa Igreja, particularmente S. Teot\u00f3nio, seu padroeiro, como tamb\u00e9m \u00e0s gera\u00e7\u00f5es de bispos de Viseu desde o s\u00e9c. VI at\u00e9 hoje. Uno-me a todas estas gera\u00e7\u00f5es como novo bispo de Viseu. Detenho os meus passos no limiar deste templo e pe\u00e7o-vos que me acolhais no nome do Senhor. Acolhei-me tal como acolhestes, ao longo dos s\u00e9culos, os meus predecessores, o \u00faltimo dos quais foi o nosso t\u00e3o amado senhor D. Ant\u00f3nio Monteiro.  Dele quero fazer aqui mem\u00f3ria viva e grata pela sua dedica\u00e7\u00e3o, pelo seu servi\u00e7o incans\u00e1vel, pelo seu testemunho evang\u00e9lico at\u00e9 ao fim. E desde j\u00e1 vos agrade\u00e7o o    caloroso acolhimento que me reservastes e, estou certo, me continuareis a dar.  2. &#8211; Uma sauda\u00e7\u00e3o para todos.  Ao mesmo tempo exprimo a minha sauda\u00e7\u00e3o cordial a todos.  Antes de mais, na pessoa do Sr. N\u00fancio Apost\u00f3lico, sa\u00fado o Santo Padre a quem testemunho o afecto e a plena comunh\u00e3o na f\u00e9 cat\u00f3lica e no minist\u00e9rio apost\u00f3lico.  Sa\u00fado, fraternalmente, Sua Emin\u00eancia o senhor Cardeal Patriarca, Presidente da Confer\u00eancia Episcopal, e os demais irm\u00e3os no episcopado que quiseram participar nesta celebra\u00e7\u00e3o; o Rev.mo Mons. Vig\u00e1rio Geral &#8211; a quem agrade\u00e7o a calorosa sauda\u00e7\u00e3o -, o Il.mo Cabido e os estimados sacerdotes desta minha diocese; os caros seminaristas, os membros dos Institutos seculares e das Ordens Religiosas, a Universidade Cat\u00f3lica, os Movimentos Laicais e os mui dignos representantes das outras Confiss\u00f5es Crist\u00e3s.  Sa\u00fado com defer\u00eancia as Ex.mas Autoridades civis, militares, acad\u00e9micas e administrativas que, com tanta cortesia, responderam ao convite feito e aqui representam todos os cidad\u00e3os do territ\u00f3rio da Diocese. Reitero-lhes o voto de uma leal e generosa colabora\u00e7\u00e3o.  Sa\u00fado ainda os meus familiares e tantas pessoas aqui presentes, que encontrei ao longo do caminho do meu minist\u00e9rio presbiteral e episcopal, com uma recorda\u00e7\u00e3o expl\u00edcita para as Dioceses de Braga, Vila Real e Porto e para o Centro da Universidade Cat\u00f3lica no Porto, de cujo corpo docente fiz parte.  Enfim, sa\u00fado-vos a todos e a cada um em particular. Mesmo se n\u00e3o pronuncio os vossos nomes um a um, \u00e9 minha inten\u00e7\u00e3o saudar cada um de v\u00f3s, chamando-o pelo nome.  3. &#8211; Ir ao cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9: contemplar a Beleza do rosto de Cristo.  Venho at\u00e9 v\u00f3s como o \u00faltimo dos pastores que, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, presidiram e orientaram esta Igreja particular. Hoje, nesta catedral, \u00e9-me dado contemplar e admirar esta entusiasmante Igreja de Viseu, este povo maravilhoso que veio ao meu encontro de cora\u00e7\u00e3o aberto. \u00c9 uma Igreja viva, rica de f\u00e9, herdeira de um patrim\u00f3nio espiritual, enraizada numa tradi\u00e7\u00e3o religiosa secular. \u00c9 para mim uma gra\u00e7a e motivo de s\u00e3o orgulho estar inserido nesta \u00e1rvore frondosa e poder participar da sua linfa vital.  Esta riqueza e vitalidade de f\u00e9 \u00e9, certamente, um dom pelo qual nunca estaremos suficientemente gratos aos que nos precederam. Mas \u00e9 tamb\u00e9m uma tarefa, um patrim\u00f3nio posto nas nossas m\u00e3os, para ser zelosamente guardado e continuamente renovado.  Estamos a assistir ao \u201cfim de um mundo\u201d, isto \u00e9, a uma viragem epocal, marcada por muta\u00e7\u00f5es culturais profundas que levam a viver a f\u00e9 num contexto novo e, nalguns aspectos, in\u00e9dito, como sejam: o pluralismo social, cultural e religioso, a confus\u00e3o de valores, a cultura do vazio e do ef\u00e9mero, a indiferen\u00e7a religiosa, a perda da mem\u00f3ria crist\u00e3, o analfabetismo religioso. Tudo isto tem provocado a eros\u00e3o interna da f\u00e9 de muitos crist\u00e3os, reduzindo- a a uma religiosidade vaga e superficial, a uma realidade repetitiva, sem encanto nem beleza, sem frescura, sem alegria, sem entusiasmo.  O pior que p\u00f4de acontecer ao cristianismo foi ter-se perdido a dimens\u00e3o m\u00edstica da f\u00e9, reduzindo-a a um moralismo, a uma lista de deveres, obriga\u00e7\u00f5es e proibi\u00e7\u00f5es ou a um mero humanismo simp\u00e1tico. Ora, quando se resume a f\u00e9 a coisas ou a um fardo n\u00e3o se lhe encontra beleza nem se lhe descobre encanto.  Esta situa\u00e7\u00e3o nova torna-se para n\u00f3s um desafio, um convite a ir ao cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9, contemplando a beleza do rosto de Cristo. Neste contexto ressoa, aqui e agora, em toda a sua novidade, profundidade e beleza, a primeira confiss\u00e3o de f\u00e9 do ap\u00f3stolo Pedro, referida no evangelho de hoje: \u201cTu \u00e9s o Cristo, o Filho de Deus vivo\u201d.  O seu conte\u00fado abre aos nossos olhos e ao nosso cora\u00e7\u00e3o o mist\u00e9rio do Deus vivo que o Filho conhece e tornou pr\u00f3ximo de n\u00f3s. Ningu\u00e9m o revelou como s\u00f3 Ele o faz enquanto o Filho feito homem: \u201cDeus amou de tal modo o mundo que lhe entregou o Seu Filho \u00fanico,  para que todo o que crer n\u2019 Ele tenha a vida eterna\u201d(Jo.3,14). Estas s\u00e3o as palavras mais belas, mais comoventes e mais importantes para a vida dos homens e do mundo que jamais algu\u00e9m pronunciou como Ele. Jesus Cristo excede tudo quanto a humanidade pode esperar!  \tTu \u00e9s o Cristo, o Filho de Deus vivo! \t Nestas palavras est\u00e1 a Beleza do rosto de Cristo: a Beleza do amor eterno e santo de Deus que se fez carne humana, que tomou rosto humano no rosto de Jesus, cora\u00e7\u00e3o humano no cora\u00e7\u00e3o de Jesus, voz humana na palavra de Jesus para contagiar os nossos cora\u00e7\u00f5es e os nossos dias. Esta \u00e9 a Beleza do amor que salva e embeleza a vida e o mundo dos homens.  Tu \u00e9s o Cristo, o Filho de Deus vivo!  Nestas palavras est\u00e1 a f\u00e9 da Igreja, o cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3, que \u00e9 um encontro sempre novo com Cristo. N\u2019 Ele, Deus vem ao nosso encontro e n\u00f3s encontramos Deus que fala connosco, se aproxima de n\u00f3s, se torna nosso amigo, se faz nosso contempor\u00e2neo para construir connosco uma hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de perdi\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o se realiza este encontro, se este acontecimento de gra\u00e7a n\u00e3o toca o cora\u00e7\u00e3o do homem e o atrai e salva, tudo o resto \u00e9 um peso, um fardo, um absurdo. N\u00e3o se conhece verdadeiramente a Jesus, se n\u00e3o se reconhece Jesus como o Salvador. N\u00e3o \u00e9 uma f\u00f3rmula ou uma doutrina que nos salva, mas a Pessoa viva de Cristo. Sem Jesus Cristo, o cristianismo torna-se uma ideologia, uma gnose.  Tu \u00e9s o Cristo, o Filho de Deus vivo!  \tNestas palavras est\u00e1, enfim, a verdade mais profunda sobre a infinita dignidade de cada homem: filho de Deus vivo e, por isso, irm\u00e3o de todos em Cristo irm\u00e3o. \tDespertar a f\u00e9 viva em Cristo vivo e torn\u00e1-lo inesquec\u00edvel \u00e9 a miss\u00e3o primeira e mais sagrada dum bispo.  Esta \u00e9 a paix\u00e3o que o vosso bispo traz no cora\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a raz\u00e3o do lema do seu minist\u00e9rio: \u201cservidores da vossa alegria\u201d &#8211; a alegria do Evangelho!  \t 4 . &#8211; Confiss\u00e3o de f\u00e9 e de amor  Neste momento, ao contemplar convosco a beleza do rosto de Cristo, sinto a necessidade de proclamar, com todas as for\u00e7as da alma, a minha f\u00e9 n\u2019Ele. Em meu nome e no vosso repito, uma vez mais, as palavras de Pedro: \u201cTu \u00e9s o Cristo, o Filho de Deus vivo\u201d.   Com a f\u00e9 desejo tamb\u00e9m confessar todo o meu amor por Jesus. Ao iniciar o meu minist\u00e9rio no meio de v\u00f3s e para v\u00f3s sinto ressoar em mim as palavras de Cristo ressuscitado a Pedro: \u201cTu amas-me? Amas-me mais do que estes?\u201d (Jo.21,15-17). Que o Senhor me d\u00ea o cora\u00e7\u00e3o penitente, sincero e generoso do Ap\u00f3stolo, para poder fazer minha a sua confiss\u00e3o: \u201cSenhor, Tu sabes tudo; sabes que Te quero bem\u201d.  E creio que, neste momento, as mesmas palavras de Jesus s\u00e3o dirigidas a todos n\u00f3s seus disc\u00edpulos e amigos. Porque esta \u00e9 a quest\u00e3o fundamental que Jesus me coloca a mim, bispo, como tamb\u00e9m a cada presb\u00edtero, a cada pessoa consagrada, a cada homem e mulher, de qualquer idade ou condi\u00e7\u00e3o: \u201cSabes amar? Amas-me? \u00c9s verdadeiramente meu amigo?\u201d N\u00e3o h\u00e1 f\u00e9 sem amor. E, no final, seremos julgados pelo amor, como diz S. Jo\u00e3o da Cruz.  5. &#8211; Igreja, comunidade da Beleza que salva  Na contempla\u00e7\u00e3o da Beleza do rosto de Cristo, a Igreja contempla o seu tesouro e a sua alegria. Toma consci\u00eancia do que ela \u00e9 e da sua miss\u00e3o: a comunidade da Beleza que salva. E sente-se chamada a reflecti-la no mundo, tal como a lua reflecte a luz do sol. Trata-se da beleza da vida com Cristo e em Cristo, beleza da gra\u00e7a divina transfiguradora do humano, que se traduz em cultura de santidade de vida: uma verdadeira santidade popular, oferecida a todos, poss\u00edvel e acess\u00edvel a todo o povo, para todas as idades e para todos os estados e condi\u00e7\u00f5es de vida; uma santidade que impregna e plasma a vida quotidiana e as suas rela\u00e7\u00f5es, que transforma o mundo, a hist\u00f3ria e a cultura, que preserva a humanidade da auto-destrui\u00e7\u00e3o e das guerras e prepara caminhos de justi\u00e7a, de reconcilia\u00e7\u00e3o e de paz.  N\u00e3o s\u00e3o as an\u00e1lises pessimistas que melhoram o mundo. Nem basta um apelo gen\u00e9rico aos valores, \u00e0 legalidade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para a cidadania para fazer com que as coisas corram melhor. \u00c9 preciso uma vis\u00e3o (pro)positiva e uma vida rica de qualidade espiritual para enfrentar com energia e coragem os problemas do quotidiano e as inquieta\u00e7\u00f5es da humanidade no in\u00edcio deste novo mil\u00e9nio.  N\u00e3o h\u00e1 qualidade de vida sem vida espiritual de qualidade. Por isso, a santidade de vida \u00e9 a realidade mais necess\u00e1ria para a qualidade humana da sociedade, das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas e os povos, para uma aut\u00eantica humaniza\u00e7\u00e3o do mundo.  A espiritualidade \u00e9 uma realidade profunda que move a hist\u00f3ria. O homem \u00e9 aquilo que \u00e9 o seu cora\u00e7\u00e3o. E a nossa hist\u00f3ria \u00e9 a projec\u00e7\u00e3o vis\u00edvel do que acontece no \u00edntimo das consci\u00eancias. A pr\u00f3pria sa\u00fade do cristianismo (da f\u00e9 e da Igreja) depende da santidade dos crist\u00e3os. E a sa\u00fade do mundo depende, em boa parte, da sa\u00fade do cristianismo.  O cristianismo do s\u00e9c. XXI n\u00e3o poder\u00e1 ser um moralismo nem um pietismo; ter\u00e1 de ser, antes, o an\u00fancio da gra\u00e7a de Cristo que nos chama a uma santidade criadora de um cora\u00e7\u00e3o novo e de um mundo novo; e, por isso mesmo, an\u00fancio da gra\u00e7a vitoriosa sobre a cultura de morte e o inferno do mal.  A Igreja \u00e9 chamada, hoje, na sua miss\u00e3o, a recome\u00e7ar a partir de Cristo, do Seu Evangelho, da pessoa humana e da sua dignidade e liberdade, tal como fizeram os primeiros crist\u00e3os. Da contempla\u00e7\u00e3o de Cristo Senhor e Salvador \u2013 que \u00e9 tudo para n\u00f3s &#8211; surgem os tra\u00e7os de uma Igreja que h\u00e1 &#8211; de reflectir a beleza do Seu rosto:  &#8211; uma Igreja que vive sob o primado da Gra\u00e7a e da santidade, que se renova e retempera constantemente nas fontes da Palavra que salva e da Eucaristia, a maravilha das maravilhas do Deus &#8211; connosco, em que o cora\u00e7\u00e3o de Cristo se une ao nosso e o nosso ao Seu, para formar um s\u00f3 povo em comunh\u00e3o;  &#8211; uma Igreja que testemunha com entusiasmo e sem complexos de inferioridade o Evangelho de Cristo, esperan\u00e7a da humanidade;  &#8211; uma Igreja casa e escola de comunh\u00e3o, casa do encontro com Deus e com os homens, que acolhe igualmente jovens e idosos, que educa todos os seus filhos na f\u00e9 e na caridade, que deseja valorizar todos os carismas e minist\u00e9rios para viver e servir a alegria da comunh\u00e3o;  &#8211; uma Igreja humilde de cora\u00e7\u00e3o, rica de miseric\u00f3rdia, unida na sua disciplina, em que s\u00f3 Deus tem a primazia; \t  &#8211; uma Igreja que ama o mundo do nosso tempo com as suas belezas e potencialidades e tamb\u00e9m com as suas crises e mis\u00e9rias; uma Igreja que com a luz da f\u00e9, o dinamismo da esperan\u00e7a e o calor da caridade oferece ao mundo aquele \u201dsuplemento de alma\u201d que se torna fonte de nova cultura social e de cidadania respons\u00e1vel, de promo\u00e7\u00e3o da dignidade e dos direitos fundamentais da pessoa, de di\u00e1logo com a cultura e a ci\u00eancia, atrav\u00e9s da presen\u00e7a de leigos qualificados nos v\u00e1rios ambientes e de institui\u00e7\u00f5es apropriadas, como a nossa universidade cat\u00f3lica e outros movimentos e associa\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o laical;  &#8211; uma Igreja pr\u00f3xima do caminho \u00e1rduo e dif\u00edcil das gentes de hoje, dos  sofrimentos quase insuport\u00e1veis de grande parte da humanidade e desejosa de levar a todos a consola\u00e7\u00e3o, a alegria e a paz do Evangelho; &#8211; uma Igreja que aprende a usar a linguagem da beleza como porta de acesso ao mist\u00e9rio de Deus e ao mist\u00e9rio da interioridade do homem; promotora de uma nova civiliza\u00e7\u00e3o da Beleza e do Amor.  Esta \u00e9 a perspectiva em que se deve colocar o nosso caminho pastoral como nos recorda o Santo Padre ao olhar o novo mil\u00e9nio (cf. NMI 30). Nesta linha, uma primeira tarefa que nos deve empenhar a todos \u00e9 renovar e aperfei\u00e7oar a vitalidade da f\u00e9 da nossa Igreja. Igreja de Viseu, renova a vitalidade da tua f\u00e9! N\u00e3o tenhas medo!   Acompanha-nos no caminho, Maria, M\u00e3e do Amor perfeito e belo, a estrela da nova evangeliza\u00e7\u00e3o. Com Maria, contemplemos o rosto de Cristo. \u00c0 sua intercess\u00e3o materna confio o presente e o futuro da nossa Igreja diocesana. E termino com uma bela ora\u00e7\u00e3o de S. Carlos Borromeu pela Igreja, a vinha do Crucificado:  \u00abOlha, Senhor, do c\u00e9u a tua vinha, a santa Igreja plantada, adornada e feita crescer  pelo precios\u00edssimo sangue do Teu Filho para que se torne uma s\u00f3 coisa com a Igreja do c\u00e9u. Olha prop\u00edcio para o Teu servo, o Papa, pastor da Tua Igreja universal E concede-lhe ajud\u00e1-la com a palavra e o exemplo  E chegar, com o rebanho confiado, \u00e0 vida eterna. Olha todos os bispos e sacerdotes e clero Para que amem o seu rebanho como  Cristo nos amou, Para que estejam prontos a oferecer a vida e dar o sangue Pelas almas confiadas \u00e0 sua guarda E se considerem ministros e dispensadores dos Teus mist\u00e9rios. Olha, finalmente, Atrav\u00e9s do rosto, corpo, chagas, sangue e morte de Cristo, Teu Filho unig\u00e9nito, Todos os homens de todo o g\u00e9nero, grau e condi\u00e7\u00e3o, Porque por todos e cada um foi derramado aquele sangue, A fim de que eles n\u00e3o deixem de santificar o Teu nome, Difundir o Teu reino e se fa\u00e7a enfim a Tua vontade no c\u00e9u e na terra\u00bb. Amen! + Ant\u00f3nio Marto, Bispo de Viseu   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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