{"id":64713,"date":"2014-02-21T13:24:13","date_gmt":"2014-02-21T13:24:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/02\/21\/concertacao-no-horizonte\/"},"modified":"2014-02-21T13:24:13","modified_gmt":"2014-02-21T13:24:13","slug":"concertacao-no-horizonte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/concertacao-no-horizonte\/","title":{"rendered":"Concerta\u00e7\u00e3o no horizonte"},"content":{"rendered":"<p>Alfredo Teixeira, te\u00f3logo e antrop\u00f3logo, analisa o alcance e as novidades da ausculta\u00e7\u00e3o sobre a fam\u00edlia no contexto do S\u00ednodo dos Bispos. <!--more--> <\/p>\n<p><em>Alfredo Teixeira, te&oacute;logo e antrop&oacute;logo, analisa o alcance e as novidades da ausculta&ccedil;&atilde;o sobre a fam&iacute;lia no contexto do S&iacute;nodo dos Bispos. Mais do que a oportunidade de um s&iacute;nodo, o professor da Universidade Cat&oacute;lica considera que a Igreja dever&aacute; passar a um estado de sinodalidade. O &ldquo;efeito&rdquo; Papa Francisco pode ajudar a essa renova&ccedil;&atilde;o, onde j&aacute; n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel contar com dispositivos como um Conc&iacute;lio e em contextos que personalizam lideran&ccedil;as. Para contar com a fam&iacute;lia, Alfredo Teixeira afirma que um discurso ideol&oacute;gico tem de ser substitu&iacute;do na Igreja por reais investimentos pastorais.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Em todo o processo de ausculta&ccedil;&atilde;o para preparar o S&iacute;nodo dos Bispos sobre a Fam&iacute;lia, o que surge como novidade?<\/em><\/p>\n<p>Alfredo Teixeira (AT) &ndash; O que &eacute; verdadeiramente novo &eacute; a aten&ccedil;&atilde;o que sociedade em geral e em particular os cat&oacute;licos mostraram face a esta inquiri&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O processo de ausculta&ccedil;&atilde;o no contexto de s&iacute;nodos n&atilde;o &eacute; algo novo. Noutros s&iacute;nodos e noutras circunst&acirc;ncias, em mobiliza&ccedil;&otilde;es em torno de determinados interesses pastorais, por exemplo, &eacute; frequente que se fa&ccedil;a algum tipo de ausculta&ccedil;&atilde;o, tendo como objetivo a sensibiliza&ccedil;&atilde;o do terreno eclesial para as quest&otilde;es que v&atilde;o ser debatidas. E normalmente as pessoas que respondem s&atilde;o escolhidas pelas dioceses, como tendo particular interesse por aqueles assuntos.<\/p>\n<p>Esta ausculta&ccedil;&atilde;o ganhou uma dimens&atilde;o que qualquer dispositivo deste g&eacute;nero nunca teve, pelo interesse que as pessoas mostraram. Com uma marca: as pessoas perceberam que o Papa estava genuinamente interessado em ouvi-las.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; E &eacute; essa a marca diferenciadora em rela&ccedil;&atilde;o a outros inqu&eacute;ritos?<\/em><\/p>\n<p>AT &ndash; Sim, &eacute; essencial. As pessoas n&atilde;o se mobilizam para responder se n&atilde;o perceberem que aquilo que v&atilde;o dizer pode ser ouvido. O que gerou um problema: todo este processo foi um pouco ca&oacute;tico. A Igreja, nas suas estruturas locais, n&atilde;o ter&aacute; pensado suficiente no modo de operacionalizar a ausculta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Nalguns pa&iacute;ses o processo de organiza&ccedil;&atilde;o da ausculta&ccedil;&atilde;o foi entregue a institutos sociopastorais, que t&ecirc;m compet&ecirc;ncias nessa &aacute;rea e procuraram recolher essa informa&ccedil;&atilde;o, como aconteceu na Su&iacute;&ccedil;a. Noutros houve metodologias diferentes, por dioceses ou em iniciativas espont&acirc;neas fora dos quadros normalizados da vida eclesial.<\/p>\n<p>Foi um acontecimento in&eacute;dito e por ser in&eacute;dito um pouco desorganizado, sem percebermos totalmente como &eacute; que todo este conjunto de repostas vai poder refluir na estrutura do s&iacute;nodo.<\/p>\n<p>H&aacute; um problema relativo &agrave; gram&aacute;tica da participa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o est&aacute; ainda pensado e operacionalizado, o que n&atilde;o deve esconder a extraordin&aacute;ria ades&atilde;o e a perce&ccedil;&atilde;o dos crist&atilde;os de que havia uma vontade genu&iacute;na de os ouvir sobre os temas da fam&iacute;lia a partir de sensibilidades e experi&ecirc;ncias de vida pr&oacute;prias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Da fic&ccedil;&atilde;o &agrave; realidade<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &ndash; Numa entrevista &agrave;s revistas dos jesu&iacute;tas, o Papa Francisco afirma: &ldquo;Os Consist&oacute;rios e os S&iacute;nodos s&atilde;o, por exemplo, lugares importantes para tornar verdadeira e ativa esta consulta. &Eacute; necess&aacute;rio torn&aacute;-los, no entanto, menos r&iacute;gidos na forma. Quero consultas reais, n&atilde;o formais&rdquo;. &Eacute; isso que j&aacute; est&aacute; a acontecer?<\/em><\/p>\n<p>AT &#8211; Diria at&eacute; que antes eram consultas fict&iacute;cias. Se o dispositivo n&atilde;o se dirigia &agrave; realidade, o reflexo que tinha era de uma certa fic&ccedil;&atilde;o sobre essa realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Quer isso dizer que muitos s&iacute;nodos partiram de pressupostos errados?<\/em><\/p>\n<p>AT &ndash; Muitos s&iacute;nodos n&atilde;o tiveram os dispositivos necess&aacute;rios para fazer uma real ausculta&ccedil;&atilde;o e os problemas foram pensados a partir das experi&ecirc;ncias pastorais que os bispos conhecem. E eles n&atilde;o existem fora da realidade, presidem &agrave; comunh&atilde;o das comunidades, est&atilde;o em contacto com elas&hellip;<\/p>\n<p>&Eacute; nova a possibilidade da comunidade, a partir da iniciativa pessoal dos crist&atilde;os, tomar a palavra desta forma. Os crist&atilde;os perceberam que o Papa tinha uma vontade diferente relativamente a este processo de ausculta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Trata-se de uma determina&ccedil;&atilde;o do Papa ou de uma atitude que contagiou a estrutura do s&iacute;nodo e a pr&oacute;pria Igreja?<\/em><\/p>\n<p>AT &ndash; Acho que contagiou. Mas o s&iacute;nodo &eacute; um dispositivo institucional. E requer canais e modos pr&oacute;prios para que a vida possa chegar at&eacute; a esse dispositivo, existindo uma dificuldade em perceber se essas vias est&atilde;o suficientemente abertas e organizadas.<\/p>\n<p>Que existe um efeito Papa Francisco, quer na cena p&uacute;blica quer no terreno eclesial, isso parece-me evidente! Mesmo em rela&ccedil;&atilde;o a indicadores sociom&eacute;tricos muito simples. Por exemplo, um soci&oacute;logo italiano que tem estudado alguns aspetos da religiosidade em It&aacute;lia, observando com detalhe as flutua&ccedil;&otilde;es da pr&aacute;tica dominical no pa&iacute;s mostrava recentemente que em rela&ccedil;&atilde;o ao indicador da pr&aacute;tica cat&oacute;lica existe na It&aacute;lia um efeito Francisco.<\/p>\n<p>H&aacute; tamb&eacute;m uma reflex&atilde;o que temos de fazer: as din&acirc;micas sociais t&ecirc;m hoje condi&ccedil;&otilde;es para ser relativamente ef&eacute;meras, por estarem associadas ao protagonismo de algu&eacute;m, desaparecendo com esse protagonismo. N&atilde;o me parece, por isso, que um discurso vazio e otimista seja aqui interessante. A Igreja Cat&oacute;lica tem antes de encontrar novas formas de pensar as comunidades, a sua comunica&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o p&uacute;blico. E este Papa abriu claramente a Igreja para esse el&atilde;, sem dizer em muitos casos como &eacute; que isso se tem de fazer.<\/p>\n<p>H&aacute;, assim, uma grande responsabilidade das igrejas locais, enquanto estruturas animadoras e lugares de inscri&ccedil;&atilde;o da vida crist&atilde;, que n&atilde;o est&atilde;o em muitas das suas dimens&otilde;es no mesmo dinamismo. N&atilde;o podemos ter a ilus&atilde;o de que ao entusiasmo da identifica&ccedil;&atilde;o direta do cat&oacute;lico com o Papa corresponde a mesma transforma&ccedil;&atilde;o em todas as outras estruturas eclesiais. Elas s&atilde;o assim mesmo: as transforma&ccedil;&otilde;es, em institui&ccedil;&otilde;es complexas como a Igreja Cat&oacute;lica, n&atilde;o v&atilde;o acontecer &agrave; mesma velocidade em todos os seus espa&ccedil;os&hellip; Come&ccedil;am por um lado!<\/p>\n<p>Temos de olhar para este momento como um tempo oportuno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Como enfrentar esse desafio, no Vaticano e nas igrejas locais? <\/em><\/p>\n<p>AT &ndash; O espa&ccedil;o comunicativo transformou-se muito nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, pelo menos desde Jo&atilde;o Paulo II.<\/p>\n<p>As novas plataformas de comunica&ccedil;&atilde;o permitem que uma lideran&ccedil;a religiosa possa ter um contacto quase direto com a sua base social. Mas temos de ter em conta que essa rela&ccedil;&atilde;o pode subsistir nesse plano comunicativo sem transformar o resto.<\/p>\n<p>No caso do Papa Jo&atilde;o Paulo II, o lugar de inscri&ccedil;&atilde;o foi o espa&ccedil;o &ldquo;massmedi&aacute;tico&rdquo;. Os cat&oacute;licos tinham uma rela&ccedil;&atilde;o com o Papa de muita proximidade, mas mediada pelos mass media, n&atilde;o pelas estruturas eclesiais.<\/p>\n<p>Bento XVI teve de lidar tamb&eacute;m com essa transforma&ccedil;&atilde;o, com as dificuldades geradas pelo seu estilo e pelo percurso intelectual, que n&atilde;o se d&aacute; muito bem com a multid&atilde;o, a &ldquo;massa&rdquo; que o espa&ccedil;o medi&aacute;tico convoca.<\/p>\n<p>Com Francisco encontramos uma realidade nova: a comunica&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o &eacute; com a multid&atilde;o, mas adquire uma dimens&atilde;o personalizado.<\/p>\n<p>Quando observamos as caricaturas, o humor que se constr&oacute;i em torno de uma pessoa, &eacute; poss&iacute;vel perceber o que est&aacute; em causa porque o humor &eacute; um acelerador da mensagem. No caso do Francisco, os humoristas t&ecirc;m explorado o Papa que &eacute; capaz de telefonar a algu&eacute;m atrav&eacute;s do telem&oacute;vel, que &eacute; capaz de responder a um problema concreto que algu&eacute;m lhe coloca.<\/p>\n<p>H&aacute; uma imagem diferente, que privilegia a dimens&atilde;o comunicativa, j&aacute; n&atilde;o na grande pra&ccedil;a de multid&atilde;o, mas afirmando-se numa rela&ccedil;&atilde;o quase pessoal, que pode subsistir de uma forma um pouco paralela ao que s&atilde;o as estruturas eclesiais.<\/p>\n<p>O grande desafio deste pontificado ser&aacute;, assim fazer refluir uma coisa sobre outra: como &eacute; que uma rela&ccedil;&atilde;o nova, um est&iacute;mulo novo que &eacute; dado por um Papa e pela rela&ccedil;&atilde;o que quer ter com os cat&oacute;licos e com o espa&ccedil;o p&uacute;blico em geral pode refluir, pode transformar as estruturas eclesiais que, em todo o caso, s&atilde;o necess&aacute;rias para dar corpo a esta vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Reformar com novos dispositivos: a concerta&ccedil;&atilde;o<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>AE &ndash; Por a&iacute; se ir&aacute; avaliar a capacidade reformista deste pontificado?<\/em><\/p>\n<p>AT &ndash; Uma institui&ccedil;&atilde;o como a Igreja transforma-se na medida em que incorpora din&acirc;micas reformistas. A ideia de reforma &eacute; interior &agrave; sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria.<em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>Neste momento &eacute; necess&aacute;rio perceber at&aacute; que ponto este el&atilde; tem uma dimens&atilde;o reformista. E ainda &eacute; relativamente cedo para tirar conclus&otilde;es, embora haja j&aacute; sinais disso (como o interesse pela reforma da C&uacute;ria Romana), num contexto em que j&aacute; n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel contar com os mesmos meios que outros prop&oacute;sitos reformistas tinham.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o XXIII tinha um Conc&iacute;lio que &eacute; um instrumento de reforma muito importante. Pensar hoje um Conc&iacute;lio requer uma an&aacute;lise da situa&ccedil;&atilde;o muito mais completa e efetiv&aacute;-lo implica pensar a Igreja numa complexifica&ccedil;&atilde;o &agrave; escala mundial. Basta ter presente o simples facto de que h&aacute; um n&uacute;mero muito maior de bispos&hellip;<\/p>\n<p>Um dos desafios deste Papa &eacute; ter de pensar os dispositivos que podem organizar uma reforma. H&aacute; no des&iacute;gnio de Francisco um intuito reformista. Mas ele pr&oacute;prio ter&aacute; algumas dificuldades em perceber que dispositivos podem agir sobre as estruturas eclesiais para os dinamizar nesse impulso reformista<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A reforma do pr&oacute;prio s&iacute;nodo ser&aacute; o meio para desencadear a reforma?<\/em><\/p>\n<p>AT &ndash; Sim, &eacute; poss&iacute;vel. Sobretudo na medida em que seja express&atilde;o e desencadeie uma cultura sinodal mais alargada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Passar da exist&ecirc;ncia de um s&iacute;nodo a uma exist&ecirc;ncia em sinodalidade&hellip;?<\/em><\/p>\n<p>AT &ndash; Exatamente.<\/p>\n<p>Os S&iacute;nodos diocesanos que t&ecirc;m acontecido, em particular no espa&ccedil;o europeu, tiveram impactos muito diferentes. Na Fran&ccedil;a, por exemplo, os dinamismos sinodais introduziram altera&ccedil;&otilde;es significativas na forma de organiza&ccedil;&atilde;o das comunidades, nos dinamismos de evangeliza&ccedil;&atilde;o. Em Portugal, pareceu-me que de uma forma geral os s&iacute;nodos ficaram por uma certa celebra&ccedil;&atilde;o da identidade da pr&oacute;pria Igreja local, uma esp&eacute;cie de encontro fraterno que alimenta a identidade, mas n&atilde;o estavam imbu&iacute;dos de um esp&iacute;rito de transforma&ccedil;&atilde;o. Isso requer dispositivos concretos, meios para introduzir dinamismos novos nas comunidades.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; o simples facto de juntarmos as pessoas que vai produzir efeitos. H&aacute; uma cultura de sinodalidade de participa&ccedil;&atilde;o que &eacute; necess&aacute;rio desenvolver, o que tem de ser feito em diferentes &acirc;mbitos. Um deles pode ser a do pr&oacute;prio S&iacute;nodo dos Bispos, na sua estrutura&ccedil;&atilde;o interna, na forma como as vozes das igrejas locais v&atilde;o ser ouvidas e respeitadas pode conduzir a um alargamento do esp&iacute;rito de sinodalidade.<\/p>\n<p>O termo sinodalidade transcreve o que, num ponto de vista mais neutro, chamar&iacute;amos a concerta&ccedil;&atilde;o. Quando falamos em concerta&ccedil;&atilde;o social, a tentativa chegar a lugares de encontro dos diferentes interesses e sensibilidades em rela&ccedil;&atilde;o a um determinado problema social, &eacute; algo semelhante ao que encontramos no espa&ccedil;o eclesial. Mas o espa&ccedil;o eclesial tem mais compet&ecirc;ncias para o fazer, porque a partir de uma voca&ccedil;&atilde;o comum, de uma miss&atilde;o. Assim, deveria ser mais f&aacute;cil encontrar esses caminhos de sinodalidade.<\/p>\n<p>Seria muito interessante que do pr&oacute;prio s&iacute;nodo sa&iacute;sse um dinamismo que pudesse contagiar as estruturas locais da Igreja sob este impulso da sinodalidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O processo de an&aacute;lise e da elabora&ccedil;&atilde;o de conclus&otilde;es, neste s&iacute;nodo, poder&aacute; ser objeto tamb&eacute;m de mudan&ccedil;as? O Papa permanecer&aacute; como o &uacute;nico a propor conclus&otilde;es de uma reflex&atilde;o abrangente?<\/em><\/p>\n<p>AT &ndash; N&atilde;o tenho conhecimento detalhado dos aspetos organizativos deste s&iacute;nodo. Parece-me que as altera&ccedil;&otilde;es que o Papa j&aacute; fez &agrave; sua din&acirc;mica visam superar o problema de chegarmos ao fim e termos uma esp&eacute;cie de um texto liso, ideal, distanciado da realidade e dos problemas que as pessoas vivem. A linguagem deste Papa n&atilde;o tem sido essa, antes a de procurar uma formula&ccedil;&atilde;o muito simples, direta, dirigida &agrave; vida das pessoas nos seus problemas.<\/p>\n<p>Parece-me, por isso, leg&iacute;timo esperar que a metodologia que o Papa querer&aacute; implementar no s&iacute;nodo facilite a chegada de toda essa sensibilidade aos textos autorizados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O Papa continuar&aacute; a chamar si todo o processo de decis&atilde;o, tamb&eacute;m nesta tem&aacute;tica?<\/em><\/p>\n<p>AT &ndash; Se a sinodalidade envolver todas as dimens&otilde;es do s&iacute;nodo, n&atilde;o podemos ter uma din&acirc;mica caraterizada por uma assembleia que discute diferentes sensibilidades e depois toda essa riqueza &eacute; como que esmagada por um qualquer processo de s&iacute;ntese global, feito por ator, mesmo o protagonista ou um dos atores privilegiados. H&aacute; um problema de metodologia.<\/p>\n<p>Algumas dos grandes desafios eclesiol&oacute;gicos hoje, relativos ao que &eacute; a compreens&atilde;o da Igreja, passam essencialmente pelo saber fazer. E nesse ponto de vista a mem&oacute;ria eclesial &eacute; t&atilde;o rica! Basta pensar na Hist&oacute;ria da Igreja desde as primeiras gera&ccedil;&otilde;es, onde encontramos continuamente a recomposi&ccedil;&atilde;o dos modos de agir e de pensar em comum. A Igreja tem na sua pr&oacute;pria tradi&ccedil;&atilde;o muitos contextos e oportunidades para pensar o que podem ser os modos de fazer. A quest&atilde;o essencial n&atilde;o seria tanto refletir de novo sobre os grandes sentidos da experi&ecirc;ncia eclesial, aprofundada com grande riqueza pelo Conc&iacute;lio Vaticano II e em s&iacute;nodos sobre a sua rece&ccedil;&atilde;o, mas no como fazer. Se este s&iacute;nodo pudesse ser um ponto de partida para uma grande reflex&atilde;o sobre a gram&aacute;tica que organiza a vida das comunidades, nas suas m&uacute;ltiplas rela&ccedil;&otilde;es &#8211; deste a interparoquial, a interdiocesana, &agrave; rela&ccedil;&atilde;o das igrejas locais com Roma, com as outras igrejas &#8211; se encontr&aacute;ssemos um impulso neste s&iacute;nodo para esse &ldquo;como fazer&rdquo;, seria um contributo muito interessante!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um primado social<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &ndash; O pr&oacute;prio conceito do Primado de Pedro pode ser reconsiderado?<\/em><\/p>\n<p>AT &ndash; Essa &eacute; uma quest&atilde;o bastante dif&iacute;cil. Mais uma vez, os contextos de transforma&ccedil;&atilde;o social t&ecirc;m muito mais impacto do que parece sobre uma realidade que poder&iacute;amos considerar apenas pelo car&aacute;cter dogm&aacute;tico, disciplinar ou administrativo.<\/p>\n<p>Os textos do Conc&iacute;lio Vaticano II fornecem-nos uma grande din&acirc;mica da afirma&ccedil;&atilde;o das igrejas locais, contrastando muito com o que tinha sido com o Conc&iacute;lio Vaticano I, onde se afirma com uma intensidade muito grande o Primado de Pedro, do minist&eacute;rio Petrino.<\/p>\n<p>A figura do Papa como aquele que preside &agrave; comunh&atilde;o cat&oacute;lica n&atilde;o tem de todo a mesma preponder&acirc;ncia no Vaticano II, afirmando-se antes as igrejas locais, a centralidade da autoridade episcopal.<\/p>\n<p>No entanto, acontece uma transforma&ccedil;&atilde;o social muito grande que conduz facilmente a um extraordin&aacute;rio protagonismo das diferentes lideran&ccedil;as. Qualquer dos padres conciliares estaria longe de pensar nesta transforma&ccedil;&atilde;o, que j&aacute; &eacute; um pouco vis&iacute;vel no pontificado de Paulo VI e s&ecirc;-lo-&aacute; extraordinariamente no de Jo&atilde;o Paulo II, oferecendo-lhe a possibilidade de se singularizar e de poder estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o personalizada com o espa&ccedil;o cat&oacute;lico.<\/p>\n<p>Se perguntar a um cat&oacute;lico o nome de batismo de algum dos papas anteriores a Jo&atilde;o Paulo II, raros ser&atilde;o os que saber&atilde;o o nome italiano de Paulo VI ou Jo&atilde;o XXIII. Mas muitos saber&atilde;o o nome polaco de Jo&atilde;o Paulo II ou o nome alem&atilde;o de Bento XVI, assim como o nome hispano-italiano do Papa Francisco. Isso significa que o Papa passou a transportar para o seu pr&oacute;prio minist&eacute;rio uma biografia, uma hist&oacute;ria que permite uma identifica&ccedil;&atilde;o pessoal com o Papa.<\/p>\n<p>Assim, o seu primado passou a ter uma outra media&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o &eacute; apenas a eclesiol&oacute;gica e can&oacute;nica. H&aacute; um primado de outra ordem, que &eacute; de reconhecimento e moral, que se viu fortalecido. E n&atilde;o vejo como &eacute; que isso possa ser ultrapassado, como &eacute; que a Igreja, com uma lideran&ccedil;a universal numa pessoa que preside &agrave; comunh&atilde;o (o que n&atilde;o acontece com as Igrejas protestantes) se vai poder dispensar desta centralidade comunicativa.<\/p>\n<p>Ainda n&atilde;o se refletiu convenientemente sobre as novas condi&ccedil;&otilde;es do exerc&iacute;cio do Primado, que n&atilde;o s&oacute; as estritamente can&oacute;nicas e eclesiol&oacute;gicas, mas que s&atilde;o agora de &iacute;ndole social e que tem uma enorme efic&aacute;cia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; E &eacute; a&iacute; que a sociedade se rev&ecirc;?<\/em><\/p>\n<p>AT &ndash; &Eacute; a&iacute; que podemos encontrar um espa&ccedil;o de comunh&atilde;o, com carater&iacute;sticas novas. O pr&oacute;prio Papa pode tamb&eacute;m tornar-se num elo de liga&ccedil;&atilde;o e dinamiza&ccedil;&atilde;o com outras institui&ccedil;&otilde;es, incluindo as eclesiais, de forma diferente.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Paulo II, dentro do seu pontificado, houve claramente o desejo de estabelecer uma alian&ccedil;a com as diferentes lideran&ccedil;as religiosas convocando-as para darem testemunho desse bem essencial que a humanidade precisa, a paz e a reconcilia&ccedil;&atilde;o. Os gestos que promoveu, em torno de Assis, s&atilde;o claramente um testemunho dessa transforma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O primado tem hoje outros significados. A possibilidade de liderar uma certa consci&ecirc;ncia p&uacute;blica acerca dos efeitos perversos de um determinado modelo de organiza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e financeira &eacute; tamb&eacute;m uma forma nova do exerc&iacute;cio do primado. N&atilde;o &eacute; apenas eclesi&aacute;stico, mas tamb&eacute;m moral, passando a ter uma extraordin&aacute;ria import&acirc;ncia na nossa sociedade<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fam&iacute;lia: de um discurso ideol&oacute;gico a investimentos pastorais <\/strong><\/p>\n<p><em>AE &ndash; Que aproxima&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio acontecer para que o discurso normativo e moral sobre a Igreja se adeque &agrave; realidade familiar da atualidade, tornando-a tamb&eacute;m por essa via um espa&ccedil;o de transmiss&atilde;o da identidade crente?<\/em><\/p>\n<p>AT &ndash; Historicamente, a fam&iacute;lia foi o lugar da grande alian&ccedil;a que fez penetrar o cristianismo nas culturas. Nas sociedades do Atl&acirc;ntico-Norte, que fizeram hist&oacute;ria com o cristianismo e constru&iacute;ram um cristianismo hist&oacute;rico que chega at&eacute; n&oacute;s, a religi&atilde;o penetrou culturalmente a partir da centralidade que fam&iacute;lia ocupou nessas sociedades.<\/p>\n<p>Seria muito importante permitir que o que a Igreja diz sobre a fam&iacute;lia n&atilde;o se tornasse facilmente uma arma de luta ideol&oacute;gica.<\/p>\n<p>H&aacute; muitos contrastes ideol&oacute;gicos no discurso sobre a fam&iacute;lia e o seu lugar nas sociedades, independentemente de serem cat&oacute;licos ou n&atilde;o. E h&aacute; um discurso que se afirma como cat&oacute;lico sobre a fam&iacute;lia que em muitos casos se enra&iacute;za muito mais numa determinada conce&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica sobre a fam&iacute;lia, livre de se afirmar no espa&ccedil;o p&uacute;blico, mas que n&atilde;o me parece que possa ter como modelo &uacute;nico o fundamento da tradi&ccedil;&atilde;o eclesial.<\/p>\n<p>Penso que a Igreja se pode claramente refontalizar mais, pensar aquilo que na sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria foi o lugar da fam&iacute;lia nos processos de evangeliza&ccedil;&atilde;o, sem se vincular a um determinado modelo, que chamaria ideol&oacute;gico de fam&iacute;lia. Deve haver um espa&ccedil;o mais alargado para a diversidade das fam&iacute;lias se poderem afirmar.<\/p>\n<p>Por outro lado, parece-me que h&aacute; uma certa contradi&ccedil;&atilde;o nos processos pastorais. Apesar da Igreja ter um discurso muito centrado sobre a fam&iacute;lia, muito presente na cena p&uacute;blica, quando chegamos ao terreno, &agrave; realidade paroquial, n&atilde;o &eacute; de todo claro que a fam&iacute;lia seja um lugar de investimento pastoral. As din&acirc;micas pastorais paroquiais t&ecirc;m estrat&eacute;gias muito centradas na ideia moderna da convers&atilde;o individual, da autenticidade individual da f&eacute;, que leva a desconsiderar o contexto familiar como lugar de experi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Pode exemplo, quando uma fam&iacute;lia chega a uma par&oacute;quia para pedir o batismo para as suas crian&ccedil;as, se disser que o faz porque sente uma obriga&ccedil;&atilde;o familiar, isso ser&aacute; imediatamente desvalorizado. Do outro lado teremos algu&eacute;m que chamar&aacute; a aten&ccedil;&atilde;o para aspetos importantes, como a responsabilidade individual, a consci&ecirc;ncia crente de ades&atilde;o a Jesus Cristo mais do que uma tradi&ccedil;&atilde;o familiar. Mas neste discurso, o que temos tamb&eacute;m &eacute; uma clara desvaloriza&ccedil;&atilde;o do contexto familiar como uma oportunidade de identifica&ccedil;&atilde;o crist&atilde;.<\/p>\n<p>Como &eacute; dif&iacute;cil a uma fam&iacute;lia com crian&ccedil;as pequenas encontrar um espa&ccedil;o dominical para a celebra&ccedil;&atilde;o dominical da eucaristia onde possa estar como fam&iacute;lia, onde as crian&ccedil;as n&atilde;o se tornem um estorvo e possam ter uma imagem da missa que n&atilde;o seja apenas a do horizonte do tronco dos adultos que encontram &agrave; frente&hellip;!<\/p>\n<p>Apesar de discurso muito moralizante sobre a fam&iacute;lia, n&atilde;o &eacute; evidente que nas comunidades elas sejam um interlocutor dos processos pastorais. A catequese, por exemplo, &eacute; dirigida &agrave;s crian&ccedil;as sem a consci&ecirc;ncia de que ela s&oacute; poder&aacute; produzir efeito se for dirigida &agrave;s fam&iacute;lias. Pensar na catequese como um dispositivo de transmiss&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as, como se fosse uma escola da f&eacute;, sem a capacidade de provocar as fam&iacute;lias &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o que tem muito poucos frutos, como o mostram os resultados.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio passar da &ecirc;nfase excessiva acerca de uma norma moral para as condutas familiares para uma l&oacute;gica pastoral em que a fam&iacute;lia, como ela existe, possa ser interlocutor das pr&aacute;ticas pastorais, do que s&atilde;o as l&oacute;gicas da a&ccedil;&atilde;o pastoral nas comunidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; S&oacute; assim poder&aacute; realizar a experi&ecirc;ncia crente?<\/em><\/p>\n<p>AT &ndash; S&oacute; na medida em que se sentir interlocutor pode tornar-se sujeito eclesial. Enquanto a fam&iacute;lia se vir apenas como lugar prec&aacute;rio face a um modelo moral que em muitas dimens&otilde;es pode ser visto como inalcan&ccedil;&aacute;vel, exigente e deixando-as esmagadas com essa exig&ecirc;ncia, &eacute; dif&iacute;cil pensar o lugar da fam&iacute;lia como um contexto de experi&ecirc;ncia eclesial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alfredo Teixeira, te\u00f3logo e antrop\u00f3logo, analisa o alcance e as novidades da ausculta\u00e7\u00e3o sobre a fam\u00edlia no contexto do S\u00ednodo dos Bispos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,127,206,274,311],"class_list":["post-64713","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-familia","tag-papa-francisco","tag-sinodo-dos-bispos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64713","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64713"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64713\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}