{"id":64711,"date":"2014-02-21T13:02:05","date_gmt":"2014-02-21T13:02:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/02\/21\/cinema-a-grande-beleza\/"},"modified":"2014-02-21T13:02:05","modified_gmt":"2014-02-21T13:02:05","slug":"cinema-a-grande-beleza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-a-grande-beleza\/","title":{"rendered":"Cinema: A grande beleza"},"content":{"rendered":"<p>Jep, sessenta e cinco anos, escreveu um &uacute;nico livro na sua vida, &lsquo;O Aparelho Humano&rsquo;, que lhe granjeou o sucesso e reconhecimento de que vive at&eacute; hoje. Premiado e com estatuto de figura p&uacute;blica, leva desde ent&atilde;o uma vida financeiramente confort&aacute;vel, deambulando por uma certa burguesia que gravita &agrave; sua volta, perdendo-se e achando-se em discuss&otilde;es de alguma superficialidade intelectual em que participa com o seu ar quase sempre complacente.<\/p>\n<p>Do seu terra&ccedil;o, com a dist&acirc;ncia que mant&eacute;m como misantropo que se assume, lan&ccedil;a um olhar sobre Roma. Um olhar que varre a cidade abarcando esplendor e superficialidade, artif&iacute;cio e signific&acirc;ncia. E enquanto &eacute; a cidade que a seus olhos nos desvenda, feita de identidades nem sempre harmoniosas, &eacute; tamb&eacute;m Jep que se busca e se nos revela no seu vazio&hellip; na procura de um sentido para a exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Aos sessenta e cinco anos, um ponto de chegada e uma promessa de partida com o seu qu&ecirc; de encanto e desencanto&hellip;<\/p>\n<p>Paolo Sorrentino, realizador italiano oriundo de N&aacute;poles, desde cedo na sua carreira mereceu a aten&ccedil;&atilde;o particular da cr&iacute;tica, dos profissionais e dos jurados internacionalmente firmados no mundo do cinema. A comprov&aacute;-lo, as cinco nomea&ccedil;&otilde;es para a Palma de Ouro de Cannes desde 2004, as quatro nomea&ccedil;&otilde;es ao Pr&eacute;mio de Cinema Europeu, finalmente arrecadado com &lsquo;Grande Beleza&rsquo;, ou o Pr&eacute;mio do J&uacute;ri Ecum&eacute;nico (em Cannes) em 2011, atribu&iacute;do a &lsquo;Este &eacute; o meu lugar&rsquo;. Longe de ser consensual, o que se estende ao p&uacute;blico, a opini&atilde;o sobre os seus filmes reflete bem a forma peculiar como os cria e nos quais, goste-se ou n&atilde;o da forma e resultado, explora as potencialidades do cinema com a mesma amplitude e destemor, por vezes quase &lsquo;desaforo&rsquo; com que o faz na observa&ccedil;&atilde;o do humano. O mais belo e o mais &lsquo;feio&rsquo;, o mais vazio e o mais significativo, expondo fragilidades que mesmo quando o aparentam n&atilde;o s&atilde;o gratuitas.<\/p>\n<p>&lsquo;A Grande Beleza&rsquo; bebe da fonte de Fellini no seu estilo barroco e imersivo, no seu humor particular e no fasc&iacute;nio com que olha o hedonismo, numa sociedade s&ocirc;frega de eterna juventude. Cinematograficamente complexo, cuidado na escolha dos planos e laboriosamente montado, o filme &eacute; um estudo de personagem bem assumido pelo ator Toni Servillo, na pele de um homem estranho ao mundo que habita, insatisfeito consigo e com os outros, capaz de identificar o que lhe falta mas incapaz de encontrar o sentimento de perten&ccedil;a. A si e aos demais.<\/p>\n<p><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jep, sessenta e cinco anos, escreveu um &uacute;nico livro na sua vida, &lsquo;O Aparelho Humano&rsquo;, que lhe granjeou o sucesso e reconhecimento de que vive at&eacute; hoje. 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