{"id":64630,"date":"2014-02-17T12:39:10","date_gmt":"2014-02-17T12:39:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/02\/17\/d-antonio-ferreira-gomes-um-bispo-conciliar-no-exilio-iv\/"},"modified":"2014-02-17T12:39:10","modified_gmt":"2014-02-17T12:39:10","slug":"d-antonio-ferreira-gomes-um-bispo-conciliar-no-exilio-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-antonio-ferreira-gomes-um-bispo-conciliar-no-exilio-iv\/","title":{"rendered":"D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes: Um bispo conciliar no ex\u00edlio IV"},"content":{"rendered":"<p>O padre e investigador portugu\u00eas, Nuno Vieira, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA revela que durante o per\u00edodo de ex\u00edlio de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, na diocese de Val\u00eancia (Espanha), \u201cningu\u00e9m percebia como se podia exilar um bispo, s\u00f3 se fosse por prepot\u00eancia do poder pol\u00edtico\u201d. <!--more--> <\/p>\n<p>O padre e investigador portugu&ecirc;s, Nuno Vieira, em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA revela que durante o per&iacute;odo de ex&iacute;lio de D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes, na diocese de Val&ecirc;ncia (Espanha), &ldquo;ningu&eacute;m percebia como se podia exilar um bispo, s&oacute; se fosse por prepot&ecirc;ncia do poder pol&iacute;tico&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O clero de Val&ecirc;ncia tinha conhecimento que D. Ant&oacute;nio F. Gomes era um bispo exilado?<br \/><strong>NV <\/strong>&ndash; Tinha conhecimento e comentavam. Os coment&aacute;rios, por norma, eram acolhedores. Ningu&eacute;m percebia como se podia exilar um bispo, s&oacute; se fosse por prepot&ecirc;ncia do poder pol&iacute;tico. Havia um profundo respeito por D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes e, inclusivamente, chegou a ordenar um sacerdote. O bispo portugu&ecirc;s sempre foi muito educado e carinhoso para com as pessoas.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Nas cerca de 180 visitas pastorais que realizou na diocese e naquilo que escreveu d&aacute; para perceber que D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes deu uma aten&ccedil;&atilde;o especial aos mais desfavorecidos.<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; Era o momento p&oacute;s-guerra e havia muita mis&eacute;ria. D. Marcelino Olaechea chegou a fundar 200 congrega&ccedil;&otilde;es religiosas que se dedicavam a apoiar os mais pobres e necessitados. Foi quando come&ccedil;ou a instru&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e havia um &iacute;ndice de analfabetismo tremendo. Encontravam-se casos dram&aacute;ticos.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Sendo D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes um bispo intelectual e que falava para as elites, em Espanha mudou o seu estilo de linguagem?<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; Era um homem mais simples porque tinha uma realidade diferente. Tinha um povo marcado e dividido. &Eacute; conveniente n&atilde;o esquecer que na guerra espanhola houve confrontos entre pais e filhos. Fam&iacute;lias inteiras divididas. Uns no &laquo;bando&raquo; republicano e outros no &laquo;bando&raquo; nacional. Realizaram-se aut&ecirc;nticos massacres e a Igreja contribuiu na restaura&ccedil;&atilde;o da paz social. Esta serviu-se continuamente do apelo ao perd&atilde;o e ao esquecimento.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O bispo do Porto soube compreender a realidade onde estava inserido e ajudou a apaziguar os &oacute;dios.<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; Isso foi not&oacute;rio. Era a grande miss&atilde;o da Igreja, basta ver as cartas pastorais e as homilias dos bispos. Fazia, com frequ&ecirc;ncia, um apelo &agrave; fraternidade e &agrave; unidade.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; N&atilde;o era perigoso falar de pobreza naquela &eacute;poca? Ser-se conotado com os partidos pol&iacute;ticos da esquerda?<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; Quando D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes esteve nas terras levantinas, j&aacute; n&atilde;o era muito perigoso porque havia bispos que tinham essa sensibilidade social.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Alguns bispos estavam na imin&ecirc;ncia de serem desterrados. O caso do bispo de Bilbau, D. Ant&oacute;nio A&ntilde;overos, &eacute; disso um exemplo.<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; Naqueles anos ainda n&atilde;o, mas poucos anos depois sim. Pretenderam expuls&aacute;-lo do pa&iacute;s repetindo na &iacute;ntegra o m&eacute;todo de Salazar, por atrever-se a publicar, em 1973, uma homilia hostil ao governo com a ordem expressa de ser lida pelos sacerdotes em todas as igrejas da sua diocese. No entanto, Franco voltou atr&aacute;s. Apesar da linha ideol&oacute;gica que tinha, Franco era um homem profundamente religioso e respeitador da Igreja.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O sil&ecirc;ncio de Franco em rela&ccedil;&atilde;o ao ex&iacute;lio de D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes pode ser entendido com aprova&ccedil;&atilde;o ao acto de Salazar?<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; N&atilde;o. O sil&ecirc;ncio de Franco significa mais o respeito que ele tinha para com os bispos.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">(&Uacute;ltima parte da entrevista, pode l&ecirc;-la na integra em http:\/\/www.ecclesia.pt\/vaticano2\/50anos.php)<\/span><\/p>\n<p><em>LFS<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O padre e investigador portugu\u00eas, Nuno Vieira, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA revela que durante o per\u00edodo de ex\u00edlio de D. 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