{"id":64600,"date":"2014-02-14T12:14:37","date_gmt":"2014-02-14T12:14:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/02\/14\/cinema-uma-historia-de-amor\/"},"modified":"2014-02-14T12:14:37","modified_gmt":"2014-02-14T12:14:37","slug":"cinema-uma-historia-de-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-uma-historia-de-amor\/","title":{"rendered":"Cinema: Uma hist\u00f3ria de amor"},"content":{"rendered":"<p>Num futuro pr&oacute;ximo, Ted &eacute; um homem que vive em Los Angeles e se debate por fazer o luto do seu casamento, dissolvido ao cabo de um penoso processo. Mergulhado na solid&atilde;o, ganha a vida redigindo, na sombra e por conta da empresa onde trabalha, cartas de amor e carinho personalizadas para os clientes, fabricadas para celebra&ccedil;&atilde;o de ocasi&otilde;es especiais.<\/p>\n<p>Ao passar por um quiosque, cruza-se com Samantha, n&atilde;o uma bela e sedutora mulher mas um sistema operativo de ponta programado para entabular conversa atrav&eacute;s de intelig&ecirc;ncia artificial&hellip; sob uma sensual voz de mulher.<\/p>\n<p>Entusiasmado com a novidade, torna-se cada vez mais ligado e dependente deste novo sistema que se transforma na sua companhia. A intui&ccedil;&atilde;o, sensibilidade e sentido de humor de Samantha s&atilde;o cada vez mais cativantes e a conversa, cada vez mais elaborada e aparentemente mais profunda, cria aos poucos em Ted uma sensa&ccedil;&atilde;o de perten&ccedil;a, de intimidade e cumplicidade que at&eacute; aqui n&atilde;o encontrara em mulher alguma. Em breve, cr&ecirc;-se apaixonado e assume uma ins&oacute;lita rela&ccedil;&atilde;o com esta personagem&hellip;<\/p>\n<p>Quem hoje navegue com destreza e amplitude nas redes sociais, certamente j&aacute; se apercebeu da possibilidade de in&iacute;cio, sobreviv&ecirc;ncia, ou recupera&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es que a virtualidade permite. Seja a conhecer novas pessoas, manter a conex&atilde;o com amigos, a recuperar o contacto com antigos colegas de escola ou at&eacute; mesmo um amor remoto, se n&atilde;o por experi&ecirc;ncia pr&oacute;pria sabe por exemplo de algu&eacute;m da sua rede que esse tipo de relacionamento, sendo virtual&hellip; tem hoje, de alguma forma, exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>N&atilde;o poder&aacute; por isso ser t&atilde;o surpreendente um argumento deste g&eacute;nero criado e trazido ao cinema, no caso por Spike Jonze, mesmo n&atilde;o deixando de nos parecer ins&oacute;lito. Em 2007, num filme que correu acanhadamente nos nossos ecr&atilde;s, &lsquo;Lars e o Verdadeiro Amor&rsquo; (&lsquo;Lars and the Real Girl &lsquo;) contava, pela m&atilde;o do realizador Craig Gillespie, uma hist&oacute;ria semelhante, ternurenta e curiosa, protagonizada por um homem que, padecendo de um s&iacute;ndrome pr&oacute;ximo do Asperger e por isso particularmente vulner&aacute;vel ao imprevisto das rela&ccedil;&otilde;es reais, se apaixona por uma boneca insufl&aacute;vel encomendada na internet que passa a habitar a sua casa e de quem trata, dentro da sua zona de conforto, com todo o carinho respeito e devo&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Aqui, al&eacute;m de um argumento em tudo mais elaborado, constru&iacute;do de forma inteligente e sob uma realiza&ccedil;&atilde;o mais arrojada, outra das grandes diferen&ccedil;as jaz na proximidade do protagonista a um universo mais amplo, por exemplo o da solid&atilde;o &#8211; hoje um s&iacute;ndrome que, se n&atilde;o mora em muitos de n&oacute;s, mora mesmo ao nosso lado, afetando uma vasta percentagem de popula&ccedil;&atilde;o no mundo inteiro. Samantha, como a tal boneca, responde simultaneamente a um desejo e a um temor profundo de rela&ccedil;&atilde;o, que existem numa dimens&atilde;o n&atilde;o corp&oacute;rea, para Ted como para Lars, como proje&ccedil;&atilde;o in&oacute;cua e quase ass&eacute;ptica de si pr&oacute;prios &#8211; do seu anseio, medo e (in)capacidade.<\/p>\n<p>Neste ponto, mesmo sem chegar ao extremo do amor projetado por via virtual, o cruzamento, mais sereno ou conflituoso entre o imagin&aacute;rio e o real que vemos no outro, aquele que d&aacute; sentido &agrave; nossa pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia, &eacute; comum a todos n&oacute;s. E &eacute; pela aten&ccedil;&atilde;o particular &agrave;s fronteiras que estabelecemos ou atravessamos na rela&ccedil;&atilde;o, onde mesmo sem recurso a diminutos aparelhos &lsquo;incrustados&rsquo; nos ouvidos como o que Ted utiliza n&atilde;o estamos por vezes muito longe de manter alojado uma esp&eacute;cie de &lsquo;chip&rsquo; comandado por um controlo remoto, um &lsquo;outro algu&eacute;m&rsquo; que somos n&oacute;s mesmos; pela aten&ccedil;&atilde;o que o filme desperta sobre o sustent&aacute;culo da comunica&ccedil;&atilde;o\/rela&ccedil;&atilde;o virtual, ausente do risco mas tamb&eacute;m do fulgor que a rela&ccedil;&atilde;o materializada, tocada e olhada importa, que este filme, com mais uma bel&iacute;ssima presta&ccedil;&atilde;o do ator Joaquin Phoenix, a todos pode interessar.<\/p>\n<p><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num futuro pr&oacute;ximo, Ted &eacute; um homem que vive em Los Angeles e se debate por fazer o luto do seu casamento, dissolvido ao cabo de um penoso processo. 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