{"id":64496,"date":"2014-02-07T11:57:06","date_gmt":"2014-02-07T11:57:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/02\/07\/mensagem-do-papa-francisco-para-o-xxix-dia-mundial-da-juventude-13-abril-2014\/"},"modified":"2014-02-07T11:57:06","modified_gmt":"2014-02-07T11:57:06","slug":"mensagem-do-papa-francisco-para-o-xxix-dia-mundial-da-juventude-13-abril-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-do-papa-francisco-para-o-xxix-dia-mundial-da-juventude-13-abril-2014\/","title":{"rendered":"Mensagem do Papa Francisco para o XXIX Dia Mundial da Juventude (13 abril 2014)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong>&laquo;<em>Felizes os pobres em esp&iacute;rito, porque deles &eacute; o Reino do C&eacute;u<\/em>&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;5, 3)<\/strong><\/p>\n<p>Queridos jovens,<\/p>\n<p>Permanece gravado na minha mem&oacute;ria o encontro extraordin&aacute;rio que vivemos no Rio de Janeiro, na XXVIII Jornada Mundial da Juventude: uma grande festa da f&eacute; e da fraternidade. A boa gente brasileira acolheu-nos de bra&ccedil;os escancarados, como a est&aacute;tua de Cristo Redentor que domina, do alto do&nbsp;<em>Corcovado<\/em>, o magn&iacute;fico cen&aacute;rio da praia de Copacabana. Nas margens do mar, Jesus fez ouvir de novo a sua chamada para que cada um de n&oacute;s se torne seu disc&iacute;pulo mission&aacute;rio, O descubra como o tesouro mais precioso da pr&oacute;pria vida e partilhe esta riqueza com os outros, pr&oacute;ximos e distantes, at&eacute; &agrave;s extremas periferias geogr&aacute;ficas e existenciais do nosso tempo.<\/p>\n<p>A pr&oacute;xima etapa da peregrina&ccedil;&atilde;o intercontinental dos jovens ser&aacute; em Crac&oacute;via, em 2016. Para cadenciar o nosso caminho, gostaria nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos de reflectir, juntamente convosco, sobre as Bem-aventuran&ccedil;as que lemos no Evangelho de S&atilde;o Mateus (5, 1-12). Come&ccedil;aremos este ano meditando sobre a primeira: &laquo;Felizes os pobres em esp&iacute;rito, porque deles &eacute; o Reino do C&eacute;u&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;5, 3); para 2015, proponho: &laquo;Felizes os puros de cora&ccedil;&atilde;o, porque ver&atilde;o a Deus&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;5, 8); e finalmente, em 2016, o tema ser&aacute;: &laquo;Felizes os misericordiosos, porque alcan&ccedil;ar&atilde;o miseric&oacute;rdia&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;5, 7).<\/p>\n<p>1.&nbsp;<em>A for&ccedil;a revolucion&aacute;ria das Bem-aventuran&ccedil;as<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>&Eacute;-nos sempre muito &uacute;til ler e meditar as Bem-aventuran&ccedil;as! Jesus proclamou-as no seu primeiro grande serm&atilde;o, feito na margem do lago da Galileia. Havia uma multid&atilde;o imensa e Ele, para ensinar os seus disc&iacute;pulos, subiu a um monte; por isso &eacute; chamado o &laquo;serm&atilde;o da montanha&raquo;. Na B&iacute;blia, o monte &eacute; visto como lugar onde Deus Se revela; pregando sobre o monte, Jesus apresenta-Se como mestre divino, como novo Mois&eacute;s. E que prega Ele? Jesus prega o caminho da vida; aquele caminho que Ele mesmo percorre, ou melhor, que&nbsp;<em>&eacute;<\/em>&nbsp;Ele mesmo, e prop&otilde;e-no como&nbsp;<em>caminho da verdadeira felicidade<\/em>. Em toda a sua vida, desde o nascimento na gruta de Bel&eacute;m at&eacute; &agrave; morte na cruz e &agrave; ressurrei&ccedil;&atilde;o, Jesus encarnou as Bem-aventuran&ccedil;as. Todas as promessas do Reino de Deus se cumpriram n&rsquo;Ele.<\/p>\n<p>Ao proclamar as Bem-aventuran&ccedil;as, Jesus convida-nos a segui-Lo, a percorrer com Ele o caminho do amor, o &uacute;nico que conduz &agrave; vida eterna. N&atilde;o &eacute; uma estrada f&aacute;cil, mas o Senhor assegura-nos a sua gra&ccedil;a e nunca nos deixa sozinhos. Na nossa vida, h&aacute; pobreza, afli&ccedil;&otilde;es, humilha&ccedil;&otilde;es, luta pela justi&ccedil;a, esfor&ccedil;o da convers&atilde;o quotidiana, combates para viver a voca&ccedil;&atilde;o &agrave; santidade, persegui&ccedil;&otilde;es e muitos outros desafios. Mas, se abrirmos a porta a Jesus, se deixarmos que Ele esteja dentro da nossa hist&oacute;ria, se partilharmos com Ele as alegrias e os sofrimentos, experimentaremos uma paz e uma alegria que s&oacute; Deus, amor infinito, pode dar.<\/p>\n<p>As Bem-aventuran&ccedil;as de Jesus s&atilde;o portadoras duma novidade revolucion&aacute;ria, dum modelo de felicidade oposto &agrave;quele que habitualmente &eacute; transmitido pelos&nbsp;<em>mass media<\/em>, pelo pensamento dominante. Para a mentalidade do mundo, &eacute; um esc&acirc;ndalo que Deus tenha vindo para Se fazer um de n&oacute;s, que tenha morrido numa cruz. Na l&oacute;gica deste mundo, aqueles que Jesus proclama felizes s&atilde;o considerados &laquo;perdedores&raquo;, fracos. Ao inv&eacute;s, exalta-se o sucesso a todo o custo, o bem-estar, a arrog&acirc;ncia do poder, a afirma&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria em detrimento dos outros.<\/p>\n<p>Queridos jovens, Jesus interpela-nos para que respondamos &agrave; sua proposta de vida, para que decidamos qual estrada queremos seguir a fim de chegar &agrave; verdadeira alegria. Trata-se dum grande desafio de f&eacute;. Jesus n&atilde;o teve medo de perguntar aos seus disc&iacute;pulos se verdadeiramente queriam segui-Lo ou preferiam ir por outros caminhos (cf.&nbsp;<em>Jo<\/em>&nbsp;6, 67). E Sim&atilde;o, denominado Pedro, teve a coragem de responder: &laquo;A quem iremos n&oacute;s, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna&raquo; (<em>Jo<\/em>&nbsp;6, 68). Se souberdes, v&oacute;s tamb&eacute;m, dizer &laquo;sim&raquo; a Jesus, a vossa vida jovem encher-se-&aacute; de significado, e assim ser&aacute; fecunda.<\/p>\n<p>2.&nbsp;<em>A coragem da felicidade<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>O termo grego usado no Evangelho &eacute;&nbsp;<em>makarioi<\/em>, &laquo;bem-aventurados&raquo;. E &laquo;bem-aventurados&raquo; quer dizer felizes. Mas dizei-me: v&oacute;s aspirais deveras &agrave; felicidade? Num tempo em que se &eacute; atra&iacute;do por tantas apar&ecirc;ncias de felicidade, corre-se o risco de contentar-se com pouco, com uma ideia &laquo;pequena&raquo; da vida. V&oacute;s, pelo contr&aacute;rio, aspirai a coisas grandes! Ampliai os vossos cora&ccedil;&otilde;es! Como dizia o Beato Pierjorge Frassati, &laquo;viver sem uma f&eacute;, sem um patrim&oacute;nio a defender, sem sustentar numa luta cont&iacute;nua a verdade, n&atilde;o &eacute; viver, mas ir vivendo. N&atilde;o devemos jamais ir vivendo, mas viver&raquo; (<em>Carta a I. Bonini<\/em>, 27 de Fevereiro de 1925). Em 20 de Maio de 1990, no dia da sua beatifica&ccedil;&atilde;o, Jo&atilde;o Paulo II chamou-lhe &laquo;homem das Bem-aventuran&ccedil;as&raquo; (Homilia na Santa Missa:<em>AAS<\/em>&nbsp;82 [1990], 1518).<\/p>\n<p>Se verdadeiramente fizerdes emergir as aspira&ccedil;&otilde;es mais profundas do vosso cora&ccedil;&atilde;o, dar-vos-eis conta de que, em v&oacute;s, h&aacute; um desejo inextingu&iacute;vel de felicidade, e isto permitir-vos-&aacute; desmascarar e rejeitar as numerosas ofertas &laquo;a baixo pre&ccedil;o&raquo; que encontrais ao vosso redor. Quando procuramos o sucesso, o prazer, a riqueza de modo ego&iacute;sta e idolatrando-os, podemos experimentar tamb&eacute;m momentos de inebriamento, uma falsa sensa&ccedil;&atilde;o de satisfa&ccedil;&atilde;o; mas, no fim de contas, tornamo-nos escravos, nunca estamos satisfeitos, sentimo-nos impelidos a buscar sempre mais. &Eacute; muito triste ver uma juventude &laquo;saciada&raquo;, mas fraca.<\/p>\n<p>Escrevendo aos jovens, S&atilde;o Jo&atilde;o dizia: &laquo;V&oacute;s sois fortes, a palavra de Deus permanece em v&oacute;s e v&oacute;s vencestes o Maligno&raquo; (<em>1 Jo<\/em>2, 14). Os jovens que escolhem Cristo s&atilde;o fortes, nutrem-se da sua Palavra e n&atilde;o se &laquo;empanturram&raquo; com outras coisas. Tende a coragem de ir contra a corrente. Tende a coragem da verdadeira felicidade! Dizei n&atilde;o &agrave; cultura do provis&oacute;rio, da superficialidade e do descart&aacute;vel, que n&atilde;o vos considera capazes de assumir responsabilidades e enfrentar os grandes desafios da vida.<\/p>\n<p>3.&nbsp;<em>Felizes os pobres em esp&iacute;rito&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>A primeira Bem-aventuran&ccedil;a, tema da pr&oacute;xima Jornada Mundial da Juventude, declara felizes&nbsp;<em>os pobres em esp&iacute;rito<\/em>, porque deles &eacute; o Reino do C&eacute;u. Num tempo em que muitas pessoas penam por causa da crise econ&oacute;mica, pode parecer inoportuno acostar pobreza e felicidade. Em que sentido podemos conceber a pobreza como uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, procuremos compreender o que significa &laquo;<em>pobres em esp&iacute;rito<\/em>&raquo;. Quando o Filho de Deus Se fez homem, escolheu um caminho de pobreza, de despojamento. Como diz S&atilde;o Paulo, na Carta aos Filipenses: &laquo;Tende entre v&oacute;s os mesmos sentimentos que est&atilde;o em Cristo Jesus: Ele, que &eacute; de condi&ccedil;&atilde;o divina, n&atilde;o considerou como uma usurpa&ccedil;&atilde;o ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a condi&ccedil;&atilde;o de servo e tornando-Se semelhante aos homens&raquo; (2, 5-7). Jesus &eacute; Deus que Se despoja da sua gl&oacute;ria. Vemos aqui a escolha da pobreza feita por Deus: sendo rico, fez-Se pobre para nos enriquecer com a sua pobreza (cf.&nbsp;<em>2 Cor<\/em>&nbsp;8, 9). &Eacute; o mist&eacute;rio que contemplamos no pres&eacute;pio, vendo o Filho de Deus numa manjedoura; e mais tarde na cruz, onde o despojamento chega ao seu &aacute;pice.<\/p>\n<p>O adjectivo grego<em>&nbsp;ptoch&oacute;s<\/em>&nbsp;(pobre) n&atilde;o tem um significado apenas material, mas quer dizer &laquo;mendigo&raquo;. H&aacute; que o ligar com o conceito hebraico de&nbsp;<em>anawim<\/em>&nbsp;(os &laquo;pobres de Iahweh&raquo;), que evoca humildade, consci&ecirc;ncia dos pr&oacute;prios limites, da pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o existencial de pobreza. Os&nbsp;<em>anawim<\/em>&nbsp;confiam no Senhor, sabem que dependem d&rsquo;Ele.<\/p>\n<p>Como justamente soube ver Santa Teresa do Menino Jesus, Cristo na sua Encarna&ccedil;&atilde;o apresenta-Se como um mendigo, um necessitado em busca de amor. O&nbsp;<em>Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica<\/em>&nbsp;fala do homem como dum &laquo;mendigo de Deus&raquo; (n. 2559) e diz-nos que a ora&ccedil;&atilde;o &eacute; o encontro da sede de Deus com a nossa (n. 2560).<\/p>\n<p>S&atilde;o Francisco de Assis compreendeu muito bem o segredo da Bem-aventuran&ccedil;a dos pobres em esp&iacute;rito. De facto, quando Jesus lhe falou na pessoa do leproso e no Crucifixo, ele reconheceu a grandeza de Deus e a pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de humildade. Na sua ora&ccedil;&atilde;o, o&nbsp;<em>Poverello<\/em>&nbsp;passava horas e horas a perguntar ao Senhor: &laquo;Quem &eacute;s Tu? Quem sou eu?&raquo; Despojou-se duma vida abastada e leviana, para desposar a &laquo;Senhora Pobreza&raquo;, a fim de imitar Jesus e seguir o Evangelho &agrave; letra. Francisco viveu&nbsp;<em>a imita&ccedil;&atilde;o de Cristo pobre e o amor pelos pobres<\/em>&nbsp;de modo indivis&iacute;vel, como as duas faces duma mesma moeda.<\/p>\n<p>Posto isto, poder-me-&iacute;eis perguntar: Mas, em concreto, como &eacute; poss&iacute;vel fazer com que esta&nbsp;<em>pobreza em esp&iacute;rito<\/em>&nbsp;se transforme em estilo de vida, incida concretamente na nossa exist&ecirc;ncia? Respondo-vos em tr&ecirc;s pontos.<\/p>\n<p>Antes de mais nada, procurai&nbsp;<em>ser livres em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s coisas<\/em>. O Senhor chama-nos a um estilo de vida evang&eacute;lico caracterizado pela sobriedade, chama-nos a n&atilde;o ceder &agrave; cultura do consumo. Trata-se de buscar a essencialidade, aprender a despojarmo-nos de tantas coisas sup&eacute;rfluas e in&uacute;teis que nos sufocam. Desprendamo-nos da ambi&ccedil;&atilde;o de possuir, do dinheiro idolatrado e depois esbanjado. No primeiro lugar, coloquemos Jesus. Ele pode libertar-nos das idolatrias que nos tornam escravos. Confiai em Deus, queridos jovens! Ele conhece-nos, ama-nos e nunca se esquece de n&oacute;s. Como prov&ecirc; aos l&iacute;rios do campo (cf.&nbsp;<em>Mt<\/em>&nbsp;6, 28), tamb&eacute;m n&atilde;o deixar&aacute; que nos falte nada! Mesmo para superar a crise econ&oacute;mica, &eacute; preciso estar prontos a mudar o estilo de vida, a evitar tantos desperd&iacute;cios. Como &eacute; necess&aacute;ria a coragem da felicidade, tamb&eacute;m &eacute; precisa a coragem da sobriedade.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, para viver esta Bem-aventuran&ccedil;a todos necessitamos de&nbsp;<em>convers&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos pobres<\/em>. Devemos cuidar deles, ser sens&iacute;veis &agrave;s suas car&ecirc;ncias espirituais e materiais. A v&oacute;s, jovens, confio de modo particular a tarefa de colocar a solidariedade no centro da cultura humana. Perante antigas e novas formas de pobreza &ndash; o desemprego, a emigra&ccedil;&atilde;o, muitas depend&ecirc;ncias dos mais variados tipos &ndash;, temos o dever de permanecer vigilantes e conscientes, vencendo a tenta&ccedil;&atilde;o da indiferen&ccedil;a. Pensemos tamb&eacute;m naqueles que n&atilde;o se sentem amados, n&atilde;o olham com esperan&ccedil;a o futuro, renunciam a comprometer-se na vida porque se sentem desanimados, desiludidos, temerosos. Devemos aprender a estar com os pobres. N&atilde;o nos limitemos a pronunciar belas palavras sobre os pobres! Mas encontremo-los, fixemo-los olhos nos olhos, ou&ccedil;amo-los. Para n&oacute;s, os pobres s&atilde;o uma oportunidade concreta de encontrar o pr&oacute;prio Cristo, de tocar a sua carne sofredora.<\/p>\n<p>Mas &ndash; e chegamos ao terceiro ponto &ndash; os pobres n&atilde;o s&atilde;o pessoas a quem podemos apenas dar qualquer coisa. Eles&nbsp;<em>t&ecirc;m tanto para nos oferecer, para nos ensinar<\/em>. Muito temos n&oacute;s a aprender da sabedoria dos pobres! Pensai que um Santo do s&eacute;culo XVIII, Bento Jos&eacute; Labre &ndash; dormia pelas ruas de Roma e vivia das esmolas da gente &ndash;, tornara-se conselheiro espiritual de muitas pessoas, incluindo nobres e prelados. De certo modo, os pobres s&atilde;o uma esp&eacute;cie de mestres para n&oacute;s. Ensinam-nos que uma pessoa n&atilde;o vale por aquilo que possui, pelo montante que tem na conta banc&aacute;ria. Um pobre, uma pessoa sem bens materiais, conserva sempre a sua dignidade. Os pobres podem ensinar-nos muito tamb&eacute;m sobre a humildade e a confian&ccedil;a em Deus. Na par&aacute;bola do fariseu e do publicano (cf.&nbsp;<em>Lc<\/em>&nbsp;18, 9-14), Jesus prop&otilde;e este &uacute;ltimo como modelo, porque &eacute; humilde e se reconhece pecador. E a pr&oacute;pria vi&uacute;va, que lan&ccedil;a duas moedinhas no tesouro do templo, &eacute; exemplo da generosidade de quem, mesmo tendo pouco ou nada, d&aacute; tudo (<em>Lc<\/em>&nbsp;21, 1-4).<\/p>\n<p>4. &hellip;&nbsp;<em>porque deles &eacute; o Reino do C&eacute;u<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>Tema central no Evangelho de Jesus &eacute; o Reino de Deus. Jesus &eacute; o Reino de Deus em pessoa, &eacute; o Emanuel, Deus connosco. E &eacute; no cora&ccedil;&atilde;o do homem que se estabelece e cresce o Reino, o dom&iacute;nio de Deus. O Reino &eacute;, simultaneamente, dom e promessa. J&aacute; nos foi dado em Jesus, mas deve ainda realizar-se em plenitude. Por isso rezamos ao Pai cada dia: &laquo;Venha a n&oacute;s o vosso Reino&raquo;.<\/p>\n<p>H&aacute; uma liga&ccedil;&atilde;o profunda entre pobreza e evangeliza&ccedil;&atilde;o, entre o tema da &uacute;ltima Jornada Mundial da Juventude &ndash; &laquo;Ide e fazei disc&iacute;pulos entre todas as na&ccedil;&otilde;es&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;28, 19) &ndash; e o tema deste ano: &laquo;Felizes os pobres em esp&iacute;rito, porque deles &eacute; o Reino do C&eacute;u&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;5, 3). O Senhor quer uma Igreja pobre, que evangelize os pobres. Jesus, quando enviou os Doze em miss&atilde;o, disse-lhes: &laquo;N&atilde;o possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos; nem alforge para o caminho, nem duas t&uacute;nicas, nem sand&aacute;lias, nem cajado; pois o trabalhador merece o seu sustento&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;10, 9-10). A pobreza evang&eacute;lica &eacute; condi&ccedil;&atilde;o fundamental para que o Reino de Deus se estenda. As alegrias mais belas e espont&acirc;neas que vi ao longo da minha vida eram de pessoas pobres que tinham pouco a que se agarrar. A evangeliza&ccedil;&atilde;o, no nosso tempo, s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel por cont&aacute;gio de alegria.<\/p>\n<p>Como vimos, a Bem-aventuran&ccedil;a dos pobres em esp&iacute;rito orienta a nossa rela&ccedil;&atilde;o com Deus, com os bens materiais e com os pobres. &Agrave; vista do exemplo e das palavras de Jesus, damo-nos conta da grande necessidade que temos de convers&atilde;o, de fazer com que a l&oacute;gica do&nbsp;<em>ser mais<\/em>&nbsp;prevale&ccedil;a sobre a l&oacute;gica do&nbsp;<em>ter mais<\/em>. Os Santos s&atilde;o quem mais nos pode ajudar a compreender o significado profundo das Bem-aventuran&ccedil;as. Neste sentido, a canoniza&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Paulo II, no segundo domingo de P&aacute;scoa, &eacute; um acontecimento que enche o nosso cora&ccedil;&atilde;o de alegria. Ele ser&aacute; o grande patrono das Jornadas Mundiais da Juventude, de que foi o iniciador e impulsionador. E, na comunh&atilde;o dos Santos, continuar&aacute; a ser, para todos v&oacute;s, um pai e um amigo.<\/p>\n<p>No pr&oacute;ximo m&ecirc;s de Abril, tem lugar tamb&eacute;m o trig&eacute;simo anivers&aacute;rio da entrega aos jovens da Cruz do Jubileu da Reden&ccedil;&atilde;o. Foi precisamente a partir daquele acto simb&oacute;lico de Jo&atilde;o Paulo II que principiou a grande peregrina&ccedil;&atilde;o juvenil que, desde ent&atilde;o, continua a atravessar os cinco continentes. Muitos recordam as palavras com que, no domingo de P&aacute;scoa do ano 1984, o Papa acompanhou o seu gesto: &laquo;Car&iacute;ssimos jovens, no termo do Ano Santo, confio-vos o pr&oacute;prio sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Levai-a ao mundo como sinal do amor do Senhor Jesus pela humanidade, e anunciai a todos que s&oacute; em Cristo morto e ressuscitado h&aacute; salva&ccedil;&atilde;o e reden&ccedil;&atilde;o&raquo;.<\/p>\n<p>Queridos jovens, o&nbsp;<em>Magnificat<\/em>, o c&acirc;ntico de Maria, pobre em esp&iacute;rito, &eacute; tamb&eacute;m o canto de quem vive as Bem-aventuran&ccedil;as. A alegria do Evangelho brota dum cora&ccedil;&atilde;o pobre, que sabe exultar e maravilhar-se com as obras de Deus, como o cora&ccedil;&atilde;o da Virgem, que todas as gera&ccedil;&otilde;es chamam &laquo;bem-aventurada&raquo; (cf.&nbsp;<em>Lc<\/em>&nbsp;1, 48). Que Ela, a m&atilde;e dos pobres e a estrela da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, nos ajude a viver o Evangelho, a encarnar as Bem-aventuran&ccedil;as na nossa vida, a ter a coragem da felicidade.<\/p>\n<p>Vaticano, 21 de Janeiro &ndash; Mem&oacute;ria de Santa In&ecirc;s, virgem e m&aacute;rtir &#8211; de 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>FRANCISCO<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&laquo;Felizes os pobres em esp&iacute;rito, porque deles &eacute; o Reino do C&eacute;u&raquo; (Mt&nbsp;5, 3) Queridos jovens, Permanece gravado na minha mem&oacute;ria o encontro extraordin&aacute;rio que vivemos no Rio de Janeiro, na XXVIII Jornada Mundial da Juventude: uma grande festa da f&eacute; e da fraternidade. 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