{"id":64489,"date":"2014-02-07T10:51:53","date_gmt":"2014-02-07T10:51:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/02\/07\/d-antonio-ferreira-gomes-um-bispo-conciliar-no-exilio-iii\/"},"modified":"2014-02-07T10:51:53","modified_gmt":"2014-02-07T10:51:53","slug":"d-antonio-ferreira-gomes-um-bispo-conciliar-no-exilio-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-antonio-ferreira-gomes-um-bispo-conciliar-no-exilio-iii\/","title":{"rendered":"D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes: Um bispo conciliar no ex\u00edlio III"},"content":{"rendered":"<p>O padre e investigador portugu\u00eas, Nuno Vieira, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA sublinha que durante o per\u00edodo em que D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes esteve em Val\u00eancia (Espanha) \u201ca pol\u00edcia espanhola controlava-o\u201d e passava informa\u00e7\u00f5es \u00e0 cong\u00e9nere portuguesa. Depois da primeira e segunda parte, Nuno Vieira relata epis\u00f3dios do ex\u00edlio do bispo do Porto. <!--more--> <\/p>\n<p>O padre e investigador portugu&ecirc;s, Nuno Vieira, em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA sublinha que durante o per&iacute;odo em que D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes esteve em Val&ecirc;ncia (Espanha) &ldquo;a pol&iacute;cia espanhola controlava-o&rdquo; e passava informa&ccedil;&otilde;es &agrave; cong&eacute;nere portuguesa. Depois da <a href=\"noticia.pl?id=98811\" target=\"_blank\">primeira<\/a> e <a href=\"noticia.pl?id=98876\" target=\"_blank\">segunda parte<\/a>, Nuno Vieira relata epis&oacute;dios do ex&iacute;lio do bispo do Porto.<\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>&ndash; Ele sabia que estava controlado pela pol&iacute;cia pol&iacute;tica de Portugal e Espanha?<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; N&atilde;o h&aacute; conhecimento de agentes da PIDE na diocese de Val&ecirc;ncia, mas sabe-se que a pol&iacute;cia espanhola passava informa&ccedil;&otilde;es &agrave; pol&iacute;cia portuguesa. A pol&iacute;cia espanhola controlava-o.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Mesmo nas visitas pastorais?<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; Algumas sim.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Alguns discursos dele eram proferidos na l&iacute;ngua de Cam&otilde;es com receio de ser mal entendido em castelhano. Ele dominava a l&iacute;ngua de Cervantes?<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; Ele dominava o castelhano, mas sentia-se mais &agrave; vontade a falar portugu&ecirc;s. As testemunhas da &eacute;poca dizem que ele falava um &laquo;portunhol&raquo;, por outro lado seria tamb&eacute;m uma desculpa para n&atilde;o entrar em determinados temas.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Existe alguma raz&atilde;o espec&iacute;fica para que D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes tenha ido viver para uma casa de religiosas e n&atilde;o para a casa episcopal?<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; N&atilde;o h&aacute; tradi&ccedil;&atilde;o em Val&ecirc;ncia que o bispo titular viva com os seus auxiliares. D. Marcelino Olaechea vivia no Pa&ccedil;o Episcopal e o seu auxiliar, D. Rafael Gonz&aacute;lez Moralejo, vivia noutra resid&ecirc;ncia. O bispo titular tinha uma vida aut&oacute;noma.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Apesar de exilado, D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes escreve uma missiva [datada de 27 de novembro de 1961] a Guilherme Braga da Cruz onde sublinha que &ldquo;afinal o desterro &eacute; a liberdade e alguma poss&iacute;vel aspira&ccedil;&atilde;o de verticalidade&rdquo;.<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; Era liberdade porque lutava pela causa da liberdade. Ele continuava a pensar que era poss&iacute;vel a liberdade. Foi um homem com grande liberdade interior e isso ficou demonstrado quando ele voltou a Portugal.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Mas os discursos feitos na diocese levantina n&atilde;o tinham o mesmo teor daqueles que fazia no Porto.<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; N&atilde;o podia faz&ecirc;-los. Primeiro por cortesia com o arcebispo que o recebeu, por outro lado ele tamb&eacute;m sabia a situa&ccedil;&atilde;o delicada em que se encontrava. Teve de ser muito prudente para chegar ao fim.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes nunca pensou em fixar-se, definitivamente, em Val&ecirc;ncia?<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; Suponho que n&atilde;o. Apesar do sucesso que teve e de ser reconhecido &ndash; foi convidado para os grandes actos sociais &#8211; sempre desejou, at&eacute; pelo seu temperamento, voltar ao Porto. Foi homem muito empenhado na diocese &ndash; fazia cerca de 60 visitas pastorais por ano &ndash; mas tamb&eacute;m dedicou muito do seu tempo a preparar as sess&otilde;es do II Conc&iacute;lio do Vaticano.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; No in&iacute;cio, devido &agrave; situa&ccedil;&atilde;o deliciada esteve ausente dos media. Depois, no fim de mostrar o seu valor e de ser conhecido, deu alguma entrevista a algum &oacute;rg&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o social?<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; N&atilde;o existe nenhuma entrevista de D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes. Nas consultas feitas, todos s&atilde;o un&acirc;nimes: o bispo do Porto era um homem muito reservado.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Mas em Portugal concedeu entrevistas.<br \/><strong>NV<\/strong> &ndash; Em Val&ecirc;ncia, a situa&ccedil;&atilde;o era muito comprometedora. Apesar de se considerar livre interiormente, D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes estava muito condicionado na ac&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><em>(Continua na pr&oacute;xima semana)<br \/>LFS&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O padre e investigador portugu\u00eas, Nuno Vieira, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA sublinha que durante o per\u00edodo em que D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes esteve em Val\u00eancia (Espanha) \u201ca pol\u00edcia espanhola controlava-o\u201d e passava informa\u00e7\u00f5es \u00e0 cong\u00e9nere portuguesa. 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