{"id":64400,"date":"2014-01-31T12:12:16","date_gmt":"2014-01-31T12:12:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/01\/31\/cinema-se-eu-fosse-ladrao-roubava\/"},"modified":"2014-01-31T12:12:16","modified_gmt":"2014-01-31T12:12:16","slug":"cinema-se-eu-fosse-ladrao-roubava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-se-eu-fosse-ladrao-roubava\/","title":{"rendered":"Cinema: Se eu fosse ladr\u00e3o&#8230; roubava"},"content":{"rendered":"<p>Um ano ap&oacute;s a morte do cineasta portugu&ecirc;s Paulo Rocha, a Cinemateca Portuguesa apresenta em antestreia o seu derradeiro filme, &lsquo;Se eu fosse ladr&atilde;o&hellip; roubava&rsquo;. A exibi&ccedil;&atilde;o ocorre no pr&oacute;ximo dia 31 &agrave;s 21h30 e espera-se que percorra outras salas do pa&iacute;s, seja em circuito comercial ou cultural.<\/p>\n<p>Constru&ccedil;&atilde;o complexa com refer&ecirc;ncias autobiogr&aacute;ficas impl&iacute;citas, &lsquo;Se eu fosse ladr&atilde;o&hellip; roubava&rsquo; &eacute;, nas palavras de Jorge Silva Melo, autor do texto que acompanha a divulga&ccedil;&atilde;o oficial do filme a n&iacute;vel internacional, &lsquo;uma imensa despedida, n&atilde;o com arrependimento, mas com vitalidade&rsquo;.<\/p>\n<p>Partindo de uma evoca&ccedil;&atilde;o da inf&acirc;ncia e juventude do seu pai, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, do &iacute;mpeto e do desejo por tantos portugueses partilhado de procurar no Brasil aquilo que Portugal ent&atilde;o n&atilde;o lhes daria, Rocha olha a sua vida, hist&oacute;ria e identidade, como pessoa e cineasta, entrecruzando fam&iacute;lia e obra, com o mesmo desejo de procura de um emigrante. Algu&eacute;m a quem a geografia e biografia terrena n&atilde;o bastaram para se cumprir e se prepara para passar fronteira, deixando para tr&aacute;s o registo do espa&ccedil;o habitado, revisita&ccedil;&atilde;o e reinterpreta&ccedil;&atilde;o da obra cinematogr&aacute;fica inclu&iacute;das, e lan&ccedil;ando adiante uma enorme interroga&ccedil;&atilde;o. Uma interroga&ccedil;&atilde;o tocante e por vezes dolorosa, que destemidamente perscruta a vida, enfrenta a morte, a doen&ccedil;a, n&atilde;o se limitando &agrave; individualiza&ccedil;&atilde;o mas antes ampliando-se ao olhar sobre um pa&iacute;s, o que de resto sempre fez no seu cinema.<\/p>\n<p>Nascido no Porto em 1935, Paulo Rocha iniciou a licenciatura em Direito que abandonaria para se dedicar inteiramente ao cinema. Na d&eacute;cada de cinquenta, anos antes da funda&ccedil;&atilde;o da revista &lsquo;O Tempo e o Modo&rsquo; mas dentro do mesmo esp&iacute;rito n&atilde;o-conformista e progressista que vibrava num grupo significativo de jovens da Ac&atilde;o Cat&oacute;lica de que n&atilde;o fez parte mas de que se aproximou, funda o Cineclube Cat&oacute;lico e o Centro Cultural de Cinema, juntamente com Nuno de Bragan&ccedil;a, Pedro Tamen, Duarte de Almeida e Alberto Vaz da Silva. O cinema pulsa assim em Lisboa como motor vivo de transforma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em 1963, ap&oacute;s concluir os estudos de cinema em Paris e ter participado como assistente na realiza&ccedil;&atilde;o de Jean Renoir em &lsquo;O Cabo de Guerra&rsquo; , realiza &lsquo;Os Verdes Anos&rsquo;, marco do Cinema Novo portugu&ecirc;s e de pelo menos uma gera&ccedil;&atilde;o de p&uacute;blico. Um olhar l&iacute;mpido, corajoso e revolucion&aacute;rio sobre o Portugal de ent&atilde;o.<\/p>\n<p>No entanto, para alguns realizadores nacionais, como Joaquim Sapinho ou Raquel Freire, que assim o expressam em testemunho divulgado no &lsquo;P&uacute;blico&rsquo; aquando da sua morte, &lsquo;Mudar de Vida&rsquo; (1966) &eacute; o seu melhor filme, um dos melhores da cinematografia nacional e o mais inspirador para a sua pr&oacute;pria obra.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Salaviza, o jovem realizador das curtas &lsquo;Arena&rsquo; e &lsquo;Rafa&rsquo; reconhecidas com a Palma de Ouro de Cannes e o Urso de Ouro de Berlim, afirma ter recebido de ambas as obras de Paulo Rocha um legado de cinema como &lsquo;ve&iacute;culo de observa&ccedil;&atilde;o da realidade, apaixonado e comprometido&rsquo;.<\/p>\n<p>Quase cinquenta anos depois, &lsquo;Se eu fosse ladr&atilde;o&hellip; roubava&rsquo; &eacute; um olhar a longe e para longe sobre um Portugal de que todos somos parte.<\/p>\n<p><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um ano ap&oacute;s a morte do cineasta portugu&ecirc;s Paulo Rocha, a Cinemateca Portuguesa apresenta em antestreia o seu derradeiro filme, &lsquo;Se eu fosse ladr&atilde;o&hellip; roubava&rsquo;. 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