{"id":64394,"date":"2014-01-31T11:34:00","date_gmt":"2014-01-31T11:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/01\/31\/d-gilberto-reis-25-anos-de-ordenacao-episcopal\/"},"modified":"2014-01-31T11:34:00","modified_gmt":"2014-01-31T11:34:00","slug":"d-gilberto-reis-25-anos-de-ordenacao-episcopal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-gilberto-reis-25-anos-de-ordenacao-episcopal\/","title":{"rendered":"D. Gilberto Reis, 25 anos de ordena\u00e7\u00e3o episcopal"},"content":{"rendered":"<p>Bispo de Set\u00fabal quer Igreja nas periferias e pacto pol\u00edtico para atender a \u00abquem mais sofre\u00bb <!--more--> <\/p>\n<p>Aos 73 anos de vida, e ap&oacute;s completar 15 &agrave; frente da Diocese de Set&uacute;bal, D. Gilberto Canavarro Reis olha com desassombro para o que ainda n&atilde;o conseguiu fazer em territ&oacute;rio sadino e lamenta uma &laquo;pastoral de manuten&ccedil;&atilde;o&raquo;. A ECCLESIA conversou com o bispo que completa em fevereiro 25 anos do episcopado e que se recusa a ver a diocese com &laquo;r&eacute;gua e esquadro&raquo;, enaltecendo a diversidade e a entrega de tantos diocesanos na forma&ccedil;&atilde;o, na ajuda social e na liturgia.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia (AE) &#8211; Nascido em Vila Real, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, a sua terra Vreia de Bornes, tem neste momento pouco mais de 600 pessoas. Que marcas guarda na sua personalidade das terras de Tr&aacute;s os Montes? <\/em><\/p>\n<p><em>D. Gilberto Canavarro Reis (GCR) &ndash;<\/em> Vai fazer 16 anos que estou em Set&uacute;bal. Guardo uma consci&ecirc;ncia muito forte da presen&ccedil;a de Deus que envolve o mundo. Isso sempre me acompanhou. Tenho sempre presente a proximidade, o encanto das pessoas que se conheciam, confiavam e se estimavam. As crian&ccedil;as brincavam &agrave; vontade. N&atilde;o &eacute; o ambiente das grandes cidades onde ningu&eacute;m se conhece.<\/p>\n<p>Recordo que quando sa&iacute; dos meus lugares, pouco depois fui para Roma, e ningu&eacute;m se cumprimentava. Isso magoava-me muito e continua. N&atilde;o entendo.<\/p>\n<p>Guardo a frescura da terra e dos rios. Gosto de estar na cidade, mas gosto de ver os campos, as montanhas, os rios e o mar.<\/p>\n<p>Guardo profundamente a f&eacute; que me marcou, da minha fam&iacute;lia, da terra, da Igreja onde celebrava os mist&eacute;rios de Deus. Tenho ainda muito vivo quando, no Natal, os homens cantavam &laquo;alegrem-se os c&eacute;us e a terra&raquo;. Parece que ainda hoje me ecoa no cora&ccedil;&atilde;o. Sei l&aacute;, tantas coisas bonitas&hellip;<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &ndash;H&aacute; poucos dados sobre o seu percurso, sobre a sua pessoa&hellip;.<\/em><\/p>\n<p><em>GCR <\/em>&#8211; Por um lado nunca gostei muito de me expor. J&aacute; desde pequeno. Recordo que no semin&aacute;rio os meus colegas disputavam o protagonismo de presidir &agrave;s ora&ccedil;&otilde;es. Eu sempre que podia deixava que outro o fizesse. Quando todos procuravam ajudar o senhor bispo na missa, eu s&oacute; quando era obrigado. Lembro-me quando pediram para fazer uma homilia, eu l&aacute; fiz &#8211; tinha de fazer &#8211; mas subi ao estrado e desci sem ver ningu&eacute;m. Isso n&atilde;o &eacute; pr&oacute;prio de mim. Gosto de colocar os outros em relevo, n&atilde;o a mim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; &Eacute; timidez ou &eacute; discri&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> &Eacute; mais uma maneira de ser e acho que cada um &eacute; como cada qual. &Eacute; o meu estilo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; &laquo;Ordeno-me para estar onde a Igreja me pede&raquo;, foram as suas palavras no momento de ordena&ccedil;&atilde;o. Continua a seguir este ideal?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> &Eacute; verdade. Tem estado sempre presente no meu cora&ccedil;&atilde;o. Desde sempre fui fiel ao Bispo e dispon&iacute;vel. Em rela&ccedil;&atilde;o ao Santo Padre o mesmo. A disponibilidade de ontem &eacute; a mesma que tenho hoje. Quer para estar onde estiver, mas tamb&eacute;m no sentido de sintonizar e entrar dentro das grandes linhas de renova&ccedil;&atilde;o e abertura da Igreja. Procuro sintonizar essa disponibilidade. Sempre em acompanhou.<\/p>\n<p>J&aacute; os meus pais me deixaram a marca de n&atilde;o ser para mim mas para os outros. A partir do encontro com Jesus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; &Eacute; com essa disponibilidade que em 1988 recebe a nomea&ccedil;&atilde;o para bispo auxiliar do Porto, onde esteve com D. J&uacute;lio Tavares Rebimbas e D. Armindo Lopes Coelho. O que guarda dos nove anos que esteve como bispo auxiliar no Porto? Das pessoas e da miss&atilde;o episcopal? <\/em><\/p>\n<p><em>DGCN &#8211;<\/em> Uma boa recorda&ccedil;&atilde;o. Gostava muito do Senhor D. J&uacute;lio, uma pessoa muito discreta, mas um homem do povo, com um cora&ccedil;&atilde;o muito rico. Havia um grupo de bispos com quem fazia uma equipa cuja amizade permanece.<\/p>\n<p>Na diocese do Porto havia comunidades muito variadas. A zona que me era atribu&iacute;da estendia-se desde o alto da Serra do Mar&atilde;o at&eacute; ao mar, em Vila do Conde. Faziam-se experi&ecirc;ncias muito ricas, de participa&ccedil;&atilde;o. Outras zonas eram muito ricas em juventude, em for&ccedil;a apost&oacute;lica, de dinamismo eclesial em Pa&ccedil;os de Ferreira, Trofa, Santo Tirso.&nbsp; Gostei muito de l&aacute; estar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Essas pessoas e essa miss&atilde;o ensinaram-no a ser bispo em Set&uacute;bal?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Naturalmente que aprendi muito. Perceber como as pessoas, os padres e os problemas s&atilde;o diferentes e exigem diversas respostas. Fez-me sentir que a Igreja &eacute; plural. N&atilde;o se pode fazer a esquadro e r&eacute;gua, mas aceitar a pluralidade. Foi uma boa escola.<\/p>\n<p><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; O que recorda quando o Papa Jo&atilde;o Paulo II o nomeou, em 1998 para bispo de Set&uacute;bal?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Antes disso, recordo que quando fui chamado para ser bispo auxiliar do Porto, era o dia 1 de novembro, Dia de Todos os Santos. Estava a rezar o ter&ccedil;o, na casa paroquial. Tocou o telefone, pediram-me para vir a Lisboa e eu &laquo;rabujei&raquo; porque vir de Chaves a Lisboa era complicado, mas vim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Foi surpreendido pela nomea&ccedil;&atilde;o episcopal para o Porto?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Sim, fui. Quando foi para Set&uacute;bal, foi diferente porque recebi a indica&ccedil;&atilde;o de que estava convidado para vir. E procurei rezar, pensar e ver se realmente Deus me chamava atrav&eacute;s do Santo Padre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A resposta n&atilde;o foi imediata?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR<\/em> &#8211; N&atilde;o, n&atilde;o foi imediata. Ainda pensei um bocadinho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Consultou algu&eacute;m?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &ndash;<\/em> Sim. Procurei rezar primeiro, depois falar com um ou outro amigo que me conhece bem e em quem confiava.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que relev&acirc;ncia tinha vir substituir D. Manuel Martins?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &ndash;<\/em> Por um lado seria f&aacute;cil porque o D. Manuel Martins tinha aberto aqui uma autoestrada e andar numa autoestrada &eacute; muito f&aacute;cil. Por outro lado, ele &eacute; uma figura que enche, continua muito presente no cora&ccedil;&atilde;o das pessoas. Ele p&ocirc;s Set&uacute;bal no mapa. &Eacute; natural que as pessoas o tivessem e o tenham no cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; importante que se conserve este amor ao bispo &#8211; seria mau se o afeto e a aten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o continuassem. Por outro lado &eacute; importante ajudar as pessoas a dar novos passos. Mas acho que o povo &eacute; dispon&iacute;vel e, se &agrave;s vezes n&atilde;o vai mais longe, &eacute; porque eu n&atilde;o tenho a arte de as ajudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Ano e meio depois de ter chegado a Set&uacute;bal, numa entrevista, referiu haver falta de clero, baixa pr&aacute;tica dominical, uma tenta&ccedil;&atilde;o de estar nas sacristias, fraca prepara&ccedil;&atilde;o dos leigos. Este quadro mant&eacute;m-se?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Quanto ao clero, n&atilde;o. O clero aumentou muito nestes anos. Apesar de ser uma diocese pequena quanto a pr&aacute;tica dominical, orden&aacute;mos 26 padres e mais dois v&atilde;o ser ordenados em julho. &Eacute; um grande n&uacute;mero.<\/p>\n<p>Quanto &agrave; sa&iacute;da das sacristias infelizmente n&atilde;o consegui ir mais longe. Sinto que a diocese continua muito fechada dentro em si. Apesar dos esfor&ccedil;os, que me agradam muito, que louvo os leigos e o clero, continua fechada. Continua a gastar muitas energias com o que est&aacute; dentro em vez de ir para fora.<\/p>\n<p>As pessoas s&atilde;o muito boas, mas n&atilde;o basta esta bondade que vem da f&eacute;. &Eacute; preciso conhec&ecirc;-la para um di&aacute;logo com o mundo.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Refere-se a uma f&eacute; mais racional?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Diria mais esclarecida para este di&aacute;logo. Sobre a pr&aacute;tica dominical, continua muito baixa, temos poucos jovens. Julgo que o n&uacute;mero de crian&ccedil;as na catequese diminuiu.<\/p>\n<p>N&atilde;o consegui com o clero, os religiosos, e os mais comprometidos avan&ccedil;ar mais. Quando vou &agrave;s par&oacute;quias, normalmente est&atilde;o cheias. Dizem-me que de facto aparece muita gente. N&atilde;o temos uma forte consci&ecirc;ncia de que precisamos de mobiliza&ccedil;&atilde;o para levar o Evangelho e s&atilde;o muitas as pessoas que esperam o Evangelho. Aqui t&ecirc;m-se batizado muitos adultos. No ano passado crismei 500 pessoas.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; A forma&ccedil;&atilde;o catequ&eacute;tica dos adultos &eacute; uma das suas prioridades. <\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Sim, e n&oacute;s percebemos o encanto das pessoas. O brilho nos olhos de quem n&atilde;o conhecia Jesus. Ficam encantadas. O homem tem necessidade de se encontrar com o rosto de Jesus e quando isso acontece ganha luz e esperan&ccedil;a, transforma-se.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Percebo pelas suas palavras que se tem realizado mais uma pastoral de manuten&ccedil;&atilde;o. O que tem faltado?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> As necessidades dentro das par&oacute;quias s&atilde;o grandes. As pessoas olham para os que est&atilde;o dentro e gastam ali todo o seu tempo. &Eacute; importante cuidar de quem est&aacute; dentro, mas quando se vai ao encontro de quem est&aacute; fora, ganha-se uma nova energia, uma nova luz.<\/p>\n<p>&Eacute; um engano dizer: &laquo;temos pouca gente, vamos cuidar de quem est&aacute; dentro e depois, vamos para fora&raquo;. N&atilde;o. Ainda n&atilde;o consegui ajudar as pessoas a perceber que se t&ecirc;m pouca gente isso n&atilde;o as pode impedir de sair. Por outro lado, tem-se a ideia de que as pessoas est&atilde;o evangelizadas. Naturalmente o conhecimento cultural de Jesus todas as pessoas o t&ecirc;m. Mas o encontro com Jesus, o encontro da f&eacute;, n&atilde;o.<\/p>\n<p>Muitas pessoas fizeram um percurso dentro da Igreja, foram batizadas, casaram, mas n&atilde;o chegou a haver um encontro verdadeiro com Jesus ou n&atilde;o foi aprofundado. Creio que mostra que se gastou tempo e n&atilde;o se saiu ao encontro. Isso tamb&eacute;m me acontece a mim que me deixo agarrar com quem est&aacute; dentro. Penso que passar&aacute; por isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; &laquo;Combater a ideia de um Cristianismo irrelevante&raquo; &eacute; uma predisposi&ccedil;&atilde;o sua. Qual a miss&atilde;o do bispo para combater esta irrelev&acirc;ncia?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> O bispo, tal como diz o Papa, deve ir &agrave; frente. Deve ser o primeiro a mostrar, pela vida e pelas palavras e op&ccedil;&otilde;es pastorais a centralidade de Jesus. Pode pensar-se que Cristo faz parte do passado, mas o encontro com Jesus acontece &agrave; frente, no caminho. Esta &eacute; uma consci&ecirc;ncia que tenho. O bispo dever&aacute; ir &agrave; frente, tendo o cuidado de ficar para tr&aacute;s para agarrar quem fica. E estar no meio das pessoas, rezando, entusiasmando-as e renovando as estruturas. Se as estruturas forem mais leves e adequadas, talvez se possa ir mais longe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Sente o apelo do Papa Francisco de levar a Igreja &agrave;s periferias?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Quando cheguei a Set&uacute;bal, escrevi uma carta aos diocesanos: &laquo;Set&uacute;bal, convoco-te para a miss&atilde;o&raquo;. A Igreja n&atilde;o pode ficar na manuten&ccedil;&atilde;o, a cuidar de si, tem de ir para a rua, aceitar estar mais desarrumada dentro para sair. A grande tenta&ccedil;&atilde;o &eacute; querer arrumar a casa e ir amanh&atilde;. Assim nunca se parte. O desafio &eacute; partir e a casa vai-se arrumando.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; &laquo;Set&uacute;bal, convoco-te para a miss&atilde;o&raquo;, foi a sua primeira carta aos diocesanos, em 2001, para dinamizar os diocesanos. Anos depois, faria sentido propor novamente?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Naturalmente. A enc&iacute;clica que o Papa escreveu &laquo;A Alegria do Evangelho&raquo;, toda ela &eacute; uma provoca&ccedil;&atilde;o para a miss&atilde;o. Ir &agrave;s periferias, fazer-se pr&oacute;ximo, renovar estruturas, ganhar a esperan&ccedil;a nos agentes pastorais. Trabalhar n&atilde;o porque tem de ser mas porque o cora&ccedil;&atilde;o arde por dentro e n&atilde;o h&aacute; outra forma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE- Nestes anos em Set&uacute;bal D. Gilberto procurou formar os leigos, os batizados; lan&ccedil;ou o Tri&eacute;nio dedicado &agrave; Sagrada Escritura (2005 a 2008), o Ano da Eucaristia, o Ano Paulino, Ano Sacerdotal, Ano da f&eacute;; promoveu uma reflex&atilde;o sobre o Conc&iacute;lio Vaticano II. Que frutos s&atilde;o poss&iacute;veis recolher destas propostas? Em pr&aacute;ticas, em voca&ccedil;&atilde;o laical?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Todos andaram &agrave; volta do que me parecia essencial. Procurei ajudar as pessoas a ir ao essencial. Tenho dificuldade em avaliar os frutos. No fim dos anos foi-se avaliando e os ecos foram de participa&ccedil;&atilde;o e beneficio.<\/p>\n<p>Naturalmente sonho sempre mais, mas a Igreja est&aacute; sempre a come&ccedil;ar. Todos os dias tem de ser feita a proposta com novo encanto e nova luz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Referiu haver poucos jovens a participar. De que forma tem a diocese ajudado os jovens a perceber que &laquo;s&atilde;o amados e que a vida de cada um &eacute; irrepet&iacute;vel&raquo;?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211; <\/em>Tem havido um grande trabalho. Queria homenagear o clero e os catequistas. Temos 1500 catequistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; &Eacute; um bom n&uacute;mero para a diocese?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Para o trabalho atual que temos, chega. Naturalmente &eacute; preciso ir mais longe. Mas muitos t&ecirc;m crescido e feito um esfor&ccedil;o de forma&ccedil;&atilde;o. Vejo que h&aacute; entusiasmo e esfor&ccedil;o, preocupa&ccedil;&atilde;o de envolver os pais e fomentar &agrave; participa&ccedil;&atilde;o na eucaristia.<\/p>\n<p>Mas a forma&ccedil;&atilde;o faz-se na experi&ecirc;ncia da Igreja e muitas fam&iacute;lias j&aacute; ser&atilde;o menos Igreja dom&eacute;stica do que foram ontem. A refer&ecirc;ncia da f&eacute; e da Igreja vai-se perdendo. A centralidade da eucaristia na vida crist&atilde; perdeu-se. No entanto, tem sido feito um grande trabalho para ir ao encontro das crian&ccedil;as e, atrav&eacute;s delas, chegar ao cora&ccedil;&atilde;o dos pais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Os pais que se batizaram mas que se afastaram da Igreja. Resgatar esses batizados faz parte do seu caminho.<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> A diocese tem apostado muito e bem. Os pais valorizam o mist&eacute;rio de Deus nos seus filhos e isso abre-os para a experi&ecirc;ncia. Temos muitos casos, ou&ccedil;o relatos semelhantes e imagino que pelo pa&iacute;s aconte&ccedil;a isso tamb&eacute;m.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &ndash; O ir &agrave;s periferias, na sua realidade, revela-se na presen&ccedil;a da Igreja na arte, no contacto com as pessoas sem-abrigo, nos contatos com empres&aacute;rios e empresas?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> &Eacute; preciso levar Jesus a toda a parte. O nosso mundo est&aacute; cheio de pobres. Todos os homens, tenham ou n&atilde;o f&eacute;, deveriam olhar mais para os pobres. N&atilde;o &eacute; digno que se deixem homens viver ao abandono, n&atilde;o honra ningu&eacute;m seja crente ou n&atilde;o, seja culto ou n&atilde;o. Muito mais para a Igreja. Quando na quinta-feira santa lavo os p&eacute;s simbolicamente, interpela-me pelo facto que gostaria de cada vez mais ir ao encontro deles.<\/p>\n<p>A arte &eacute; um lugar de encontro. Muitas pessoas atrav&eacute;s da arte descobrem o raio da beleza e do amor de Deus. Onde h&aacute; brechas a Igreja deve estar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Tamb&eacute;m nos empres&aacute;rios e empresas?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Fiz duas grandes visitas pastorais &agrave;s par&oacute;quias e na primeira tive a grande preocupa&ccedil;&atilde;o de me encontrar com associa&ccedil;&otilde;es, empresas, escolas. Onde estive, procurei dizer que o seu trabalho &eacute; importante e dar esperan&ccedil;a. Dizer tamb&eacute;m que como crente, rezava por eles. Que no meio das suas lutas n&atilde;o estavam sozinhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Criou o Fundo Social de Emerg&ecirc;ncia, que esgotou. As respostas n&atilde;o s&atilde;o suficientes?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> As respostas s&atilde;o rem&eacute;dios. A situa&ccedil;&atilde;o que vivemos precisa que o governo e os partidos fa&ccedil;am um pacto de entendimento para ir ao encontro de quem mais sofre. Esse &eacute; um desafio que os v&aacute;rios partidos t&ecirc;m de assumir. T&ecirc;m de ser respostas mais profundas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; N&atilde;o mostraram ainda essa vontade?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> &Agrave;s vezes d&aacute; impress&atilde;o que sim, mas &eacute; dif&iacute;cil acreditar numa vontade sincera onde todos deem as m&atilde;os, independentemente da cor pol&iacute;tica, olhando para os necessitados, e em vista do bem comum. O di&aacute;logo n&atilde;o &eacute; uma ced&ecirc;ncia, mas uma busca para um ponto de encontro para que o bem comum v&aacute; mais longe.<\/p>\n<p>As par&oacute;quias s&atilde;o chamadas a avan&ccedil;ar mais. Quer dentro das respostas que d&atilde;o, mas tamb&eacute;m colaborando com entidades privadas ou civis. Quanto mais nos juntarmos, melhores solu&ccedil;&otilde;es podemos oferecer. Alguns passos t&ecirc;m sido dados, mas &eacute; preciso continuar a dar as m&atilde;os e a procurar melhores respostas.<\/p>\n<p>Que na sopa e no p&atilde;o que se d&aacute; se ofere&ccedil;a mais. Que se ensine a poupar, a ter esperan&ccedil;a, a aproveitar o tempo. Que ningu&eacute;m se demita. Todos podem dar mais dentro do pouco que t&ecirc;m. Felicito as institui&ccedil;&otilde;es e as pessoas; felicito tamb&eacute;m as institui&ccedil;&otilde;es fora da Igreja, mas penso que precisamos continuar e ir mais longe.<\/p>\n<p>Nesse sentido vou come&ccedil;ar uma visita pastoral tem&aacute;tica, em fevereiro, s&oacute; sobre essa aten&ccedil;&atilde;o social e caritativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; O poder local procura-o?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> N&atilde;o digo que seja a ideal, mas h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o boa com os v&aacute;rios autarcas. Admiro o trabalho conjunto dos autarcas que procuram servir e fazer bem. Noto que est&atilde;o abertos ao di&aacute;logo com a Igreja onde for preciso.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Onde &eacute; preciso servir melhor em Set&uacute;bal?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> H&aacute; muita gente com baixas pens&otilde;es, desempregada, que vive sozinha. Precisamos inventariar as situa&ccedil;&otilde;es e perceber os casos de habitua&ccedil;&atilde;o a subs&iacute;dios. &Eacute; preciso ajudar as pessoas a crescer. Organizar melhor o servi&ccedil;o e apoio a quem vive sozinho e na pobreza envergonhada. Ir mais longe na forma&ccedil;&atilde;o dos agentes no servi&ccedil;o fraterno. N&atilde;o basta ter um cora&ccedil;&atilde;o bom, mas ajudar as pessoas a fazer rede, a olhar para al&eacute;m das necessidades. Depois de ter recebido algum apoio, que eles possam tamb&eacute;m ajudar outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Nos quase 14 anos na diocese, ordenou 26 padres, em breve vai ordenar mais dois. Qual &eacute; o segredo para que as voca&ccedil;&otilde;es surjam na diocese?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Sempre percebi que a diocese tinha essa preocupa&ccedil;&atilde;o. J&aacute; a tinha o D. Manuel e eu mantenho-a. O apelo tem sido feito, mas &eacute; uma gra&ccedil;a de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Era grande o seu desejo de ter uma congrega&ccedil;&atilde;o de vida contemplativa na diocese.<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> N&oacute;s precisamos de sinais. O amor presente numa congrega&ccedil;&atilde;o contemplativa &eacute; muito importante. Quem vai &agrave; Arr&aacute;bida, tenha ou n&atilde;o f&eacute;, fica encantado. Tive oportunidade indiz&iacute;vel de experimentar a alegria daquelas Monjas de Bel&eacute;m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Disse que n&atilde;o queria que o Santu&aacute;rio do Cristo Rei fosse &laquo;um miradouro&raquo;. Que lugar tem o santu&aacute;rio enquanto turismo mas enquanto local congregador da diocese?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> O santu&aacute;rio do Cristo Rei vai sendo descoberto. O reitor, o padre Sezinando Alberto, &eacute; um homem dedicado, tem trabalhado para que o santu&aacute;rio seja cada vez menos um lugar de turismo e antes um lugar de f&eacute;.<\/p>\n<p>&Agrave; medida que o santu&aacute;rio tiver mais condi&ccedil;&otilde;es, mais pessoas o procuram para rezar ou para a forma&ccedil;&atilde;o. Essa centralidade em ordem &agrave; pastoral diocesana cresce, e crescer&aacute; cada vez mais, &agrave; medida que for poss&iacute;vel construir novas estruturas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Sem o esquecer como ponto tur&iacute;stico da diocese. O santu&aacute;rio mas tamb&eacute;m polos como a Arr&aacute;bida, Troia, Comporta. De que forma o turismo desafia a diocese?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Confesso que n&atilde;o temos organizado. Mas sinto que &eacute; importante. H&aacute; muita gente que nos visita no ver&atilde;o e o lugar de turismo &eacute; tamb&eacute;m um lugar de encontro com Deus. Set&uacute;bal tem uma grande potencialidade tur&iacute;stica. Onde estiverem as pessoas ai deve estar uma proposta de evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; A diocese tem muitas geografias: urbana, a ruralidade, o interior e as praias extensas&hellip; <\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Apesar de pequena a diocese &eacute; muito diversa. H&aacute; zonas com um grande aglomerado populacional muito diferente da zona litoral na Arr&aacute;bida e da Comporta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Elas t&ecirc;m tido igual aten&ccedil;&atilde;o por parte do poder local?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211; <\/em>Penso que est&atilde;o pr&oacute;ximos e atentos. Julgo que o conjunto dos autarcas &eacute; dedicado mas h&aacute; muita gente. Set&uacute;bal &eacute; um pouco dormit&oacute;rio e assiste diariamente ao fluxo rumo a Lisboa. Em outros locais a popula&ccedil;&atilde;o diminuiu, mas em Set&uacute;bal cresceu. As necessidades s&atilde;o grandes e os recursos mais dif&iacute;ceis.<\/p>\n<p>O porto de Set&uacute;bal, apesar de estar entre Sines e Lisboa, &eacute; um lugar de movimento &ndash; de carros, de cimento, de ferros &#8211; que mostram a for&ccedil;a presente. Mas tem de ir mais longe, o desemprego &eacute; elevado. Temos menos imigrantes agora, muitos brasileiros regressaram &agrave;s suas terras. Numa vis&atilde;o geral, as condi&ccedil;&otilde;es de vida do pa&iacute;s, pioraram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Mas no conjunto h&aacute; qualidade de vida na diocese?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> No conjunto, penso que h&aacute; qualidade de vida, se a entendermos como condi&ccedil;&otilde;es para uma vida digna. H&aacute; bolsas de pobreza, casas fr&aacute;geis, desemprego, baixas pens&otilde;es, sem d&uacute;vida. Mas posso dizer que h&aacute; qualidade de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Em ordem &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o dos 40 anos da diocese (criada em julho de 1975), est&aacute; em vista uma peregrina&ccedil;&atilde;o diocesana, marcada para 25 de outubro. Que planos existem para esta celebra&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211; <\/em>Estas datas s&atilde;o importantes para celebrar e fazer balan&ccedil;o. Vou ainda fazer a proposta ao conselho de presb&iacute;teros e chegaremos a um consenso. Trata-se de celebrar olhando para tr&aacute;s, percebendo o caminho que se andou, e percebendo como se pode ir mais longe. Queremos fazer isso com Nossa Senhora, que sempre foi modelo para a Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Essa reflex&atilde;o ser&aacute; feita em S&iacute;nodo?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Ser&aacute; feita de forma simples. Set&uacute;bal precisa, penso que qualquer Igreja s&oacute; tem vantagem em fazer um S&iacute;nodo. Mas n&atilde;o tenho agora condi&ccedil;&otilde;es para o fazer. Estou a fazer 75 anos e n&atilde;o &eacute; do meu estilo come&ccedil;ar uma iniciativa que outro teria de continuar. Mas creio que quem vier amanh&atilde; n&atilde;o deixar&aacute; de o fazer, pois &eacute; uma experi&ecirc;ncia rica para a diocese.&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; certo que a reflex&atilde;o a fazer ter&aacute; sempre uma forma sinodal mas veremos entre as sugest&otilde;es a recolher. Gostaria que em cada par&oacute;quia, movimento e servi&ccedil;o se fizesse um exame de consci&ecirc;ncia sobre o que se andou, o que n&atilde;o se fez e que passos se podem dar mais &agrave; frente.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Se continuasse por mais tempo na diocese convocaria um S&iacute;nodo?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Sem d&uacute;vida. Parece-me que um S&iacute;nodo &eacute; um grande momento de crescimento, experi&ecirc;ncia de comunh&atilde;o e de arranque para o futuro.<\/p>\n<p>O Conc&iacute;lio Vaticano II, o grande S&iacute;nodo da Igreja, foi um marco belo para a Igreja e para o mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Foi-o tamb&eacute;m para si enquanto sacerdote?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Eu tive a oportunidade de estar a estar em Roma quando o Conc&iacute;lio aconteceu. &Eacute; uma experi&ecirc;ncia indescrit&iacute;vel. Louvo o Senhor por ela porque pessoalmente s&oacute; me fez bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como j&aacute; indicou, em maio de 2015 vai pedir a sua resigna&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Sim. Disse, no princ&iacute;pio, que me insiro na comunh&atilde;o da Igreja. O Direito Can&oacute;nico &eacute; muito claro e n&atilde;o deixarei de estar atento. Pessoalmente, j&aacute; o disse, se o Santo Padre me perguntasse eu diria que 75 anos &eacute; muito &#8211; se fosse aos 70 ou 72 n&atilde;o se perderia nada. O bispo com essa idade pode fazer outra coisa, pode vir outro com frescura e n&atilde;o h&aacute; mal.<\/p>\n<p>Sempre admirei o Papa Bento XVI e admirei mais ainda quando ele teve a lucidez e a coragem de dizer que &eacute; melhor sair.<\/p>\n<p>As mudan&ccedil;as trazem frescura, din&acirc;mica. Chegamos a um momento que mesmo que se queira, j&aacute; n&atilde;o vemos, n&atilde;o somos capazes. &Eacute; bom ter a capacidade de sair a tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que plano tem para depois dos 75 anos?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Ainda &eacute; muito longe para l&aacute; chegar. N&atilde;o pensei. Gosto de ler, de rezar. Logo se ver&aacute;. Ainda n&atilde;o me ponho esse problema. Penso que &eacute; f&aacute;cil resolver. Os bispos s&atilde;o sempre bem acolhidos, aqui ou noutro local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Em Vila Real, por exemplo?<\/em><\/p>\n<p><em>GCR &#8211;<\/em> Na minha terra ser&aacute; mais dif&iacute;cil porque j&aacute; n&atilde;o tenho ningu&eacute;m de fam&iacute;lia. Sa&iacute; pequeno, mas em Vila Real sim, n&atilde;o faltariam lugares. &Eacute; a minha terra.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo de Set\u00fabal quer Igreja nas periferias e pacto pol\u00edtico para atender a \u00abquem mais sofre\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[108,113,114,120,295,122,127,160,168,181,183,187,246,267,274,320],"class_list":["post-64394","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-ano-da-eucaristia","tag-ano-paulino","tag-ano-sacerdotal","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-brasil","tag-catequese","tag-d-armindo-lopes-coelho","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-setubal","tag-diocese-de-vila-real","tag-diocese-do-porto","tag-liturgia","tag-natal","tag-papa-francisco","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64394","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64394"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64394\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64394"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64394"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64394"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}