{"id":64320,"date":"2014-01-27T10:18:09","date_gmt":"2014-01-27T10:18:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/01\/27\/afetividade-integrada-e-madura-e-essencial-na-vida-religiosa\/"},"modified":"2014-01-27T10:18:09","modified_gmt":"2014-01-27T10:18:09","slug":"afetividade-integrada-e-madura-e-essencial-na-vida-religiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/afetividade-integrada-e-madura-e-essencial-na-vida-religiosa\/","title":{"rendered":"Afetividade integrada e madura \u00e9 essencial na vida religiosa"},"content":{"rendered":"<p>Pobreza, castidade e obedi\u00eancia s\u00e3o pilares a propor hoje \u00e0 sociedade que, quando conhece, valoriza o exemplo e o acompanhamento dos religiosos <!--more--> <\/p>\n<p>A ECCLESIA conversa com Margarida Cordo sobre o contexto familiar e as congrega&ccedil;&otilde;es que favorecem o amadurecimento vocacional. Psic&oacute;loga e psicoterapeuta h&aacute; mais de 20 anos, vai estar presente no encontro sobre &laquo;Espiritualidade e afeto na proposta vocacional&raquo;, promovido pela pastoral vocacional dos Institutos da Vida Consagrada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que papel tem a vida religiosa hoje? Conseguimos perceber que os votos de castidade, obedi&ecirc;ncia e pobreza continuam a ser pilares importantes a propor &agrave; sociedade?<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211;<\/em> Creio que sim. Tenho um grande respeito pela voca&ccedil;&atilde;o consagrada. Exige maturidade, uma grande capacidade de entrega e de f&eacute;, uma grande confian&ccedil;a em Deus e de abandono. Isto n&atilde;o tem momento nem tempo de vida. &Eacute; sempre atual.<\/p>\n<p>Sei que, para as pessoas que n&atilde;o se inserem na Igreja, &eacute; dif&iacute;cil de conceber, porque, em geral, olha-se para o que uma voca&ccedil;&atilde;o consagrada representa apenas na perspetiva do que a pessoa tem a perder, ou seja, quais s&atilde;o as coisas da vida que ela n&atilde;o pode viver.<\/p>\n<p>Eu diria de outra forma: o sentido dos pilares que a vida consagrada prop&otilde;e, predisp&otilde;e a um melhor posicionamento na ajuda, na entrega ao outro, no acolhimento ao outro na sua condi&ccedil;&atilde;o total. O desprendimento pelas coisas mais vis&iacute;veis, mais materiais ou f&iacute;sicas, e uma entrega, em f&eacute;, onde as pessoas podem transcender-se e, com isso, estar dispon&iacute;veis para quem as rodeia de uma forma &uacute;nica.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Sendo um sinal contracorrente, s&atilde;o sinais positivamente acolhidos pela sociedade?<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211;<\/em> N&atilde;o sei se positivamente acolhidos por toda a sociedade. Mas tenho a convic&ccedil;&atilde;o que, quem procura e encontra o sentido na vida consagrada &ndash; e n&atilde;o me refiro apenas aos religiosos, mas incluo quem os procura &ndash; valoriza muito.<\/p>\n<p>Talvez eu esteja num meio onde esta dimens&atilde;o de vida seja mais valorizada, mas tenho a no&ccedil;&atilde;o clara de que &eacute; respeitada e valorizada, e n&atilde;o est&aacute; fora de moda.<\/p>\n<p>Outra parte da sociedade, por falta de informa&ccedil;&atilde;o, acesso ou por falta de determinado tipo de viv&ecirc;ncia &ndash; isto sem culpar ningu&eacute;m &ndash; n&atilde;o t&ecirc;m no&ccedil;&atilde;o desta riqueza que adv&eacute;m destes pilares da vida consagrada. Vivida com toda a verdade &eacute; uma riqueza.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Olhando para a sociedade, e para as pessoas que acompanha, como &eacute; que a vida religiosa deve ser proposta?<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211;<\/em> Eu diria atrav&eacute;s do conhecimento &ndash; e nisto refiro-me a saber, o contactar, a perspetivar e a conceber o que pode ser uma rela&ccedil;&atilde;o com Deus &#8211; que &eacute; algo vago para quem n&atilde;o tem um caminho neste &acirc;mbito.<\/p>\n<p>Acima de tudo pela coer&ecirc;ncia e exemplo. Quem tem responsabilidade ou representa determinado papel n&atilde;o se pode compactuar com a incoer&ecirc;ncia. A incoer&ecirc;ncia entre o agir e o dizer &eacute; um perigo. &Eacute; a forma de n&atilde;o propor.<\/p>\n<p>Mas &eacute; uma pergunta dif&iacute;cil porque penso que a voca&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se prop&otilde;e mas ajuda-se o outro a descobrir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; As fam&iacute;lias t&ecirc;m sido esse lugar e demonstram essa compet&ecirc;ncia para acompanhar a descoberta vocacional, seja ela qual for?<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211;<\/em> H&aacute; um conceito, no qual vou refletindo, que aponta para o facto de tantas vezes pensarmos em fam&iacute;lias disfuncionais onde isto n&atilde;o acontece. Quando se fala em &laquo;fam&iacute;lias disfuncionais&raquo; colam-se padr&otilde;es cl&aacute;ssicos que arranjamos: o div&oacute;rcio, o segundo casamento, a monoparentalidade, fam&iacute;lias constitu&iacute;das entre casais do mesmo sexo. Rotulamos que a disfuncionalidade adv&eacute;m daqui.<\/p>\n<p>O meu conceito aponta para outra forma de disfuncionalidade, at&eacute; porque conhe&ccedil;o fam&iacute;lias monoparentais que s&atilde;o lugares de afeto e amor. Eu conhe&ccedil;o mulheres que adotaram crian&ccedil;as, claramente, como fruto de abund&acirc;ncia e do amor que t&ecirc;m e n&atilde;o para receber ou colmatar lacunas afetivas.<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Acho que temos de ter muito cuidado quando rotulamos. As fam&iacute;lias aparentemente funcionais s&atilde;o tamb&eacute;m uma forma de fam&iacute;lias disfuncionais. As fam&iacute;lias onde tudo se faz como parece bem, tudo se faz para que outros validem como sendo bem feito. Essas n&atilde;o s&atilde;o as fam&iacute;lias onde se ajuda a construir e a aderir &agrave; voca&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; neste ambiente que se abre um caminho de Igreja e rumo &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com Deus.<\/p>\n<p>Numa fam&iacute;lia onde os valores e os princ&iacute;pios n&atilde;o s&atilde;o apregoados mas vividos, n&atilde;o s&atilde;o r&oacute;tulos de prest&iacute;gio para os outros mas viv&ecirc;ncias dentro do n&uacute;cleo e exemplo exterior quando &eacute; necess&aacute;rio, onde as pessoas n&atilde;o vivem para se confirmar narcisicamente &#8211; nestas fam&iacute;lias, claramente, h&aacute; lugar para ajudar a despertar para a voca&ccedil;&atilde;o. Seja ela qual for.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Essa carateriza&ccedil;&atilde;o pode ser aplicada &agrave;s congrega&ccedil;&otilde;es religiosas? S&atilde;o lugares de fam&iacute;lia, n&atilde;o de sangue, mas onde a voca&ccedil;&atilde;o deve ser confirmada?<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211;<\/em> Com a experi&ecirc;ncia que tenho de proximidade a algumas congrega&ccedil;&otilde;es religiosas, e sublinhando o devido valor que a minha opini&atilde;o tem, diria que claro, as congrega&ccedil;&otilde;es religiosas e as comunidades devem ser lugares de acolhimento do outro. Por vezes, h&aacute; riscos, porque n&atilde;o s&atilde;o fam&iacute;lias naturais. S&atilde;o pessoas que n&atilde;o se conheceram, n&atilde;o viveram ao longo da vida uma s&eacute;rie de experi&ecirc;ncias e se juntam para integrar uma comunidade.<\/p>\n<p>Entendo que deve ser um lugar de acolhimento mas, se podemos apontar pelo menos uma coisa &ndash; nas v&aacute;rias que deveriam ser apontadas &ndash; h&aacute; uma que a mim me parece muito importante: para que o espa&ccedil;o seja de maturidade e que todos possam ir crescendo e dando o melhor de si ao servi&ccedil;o, a ambi&ccedil;&atilde;o de poder e protagonismo n&atilde;o devem ter lugar nas congrega&ccedil;&otilde;es religiosas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; No encontro da pastoral vocacional dos institutos da vida consagrada, vai aludir &agrave;s &ldquo;Dores e alegrias dos afetos na constru&ccedil;&atilde;o de uma hist&oacute;ria vocacional&raquo;. Pergunto-lhe como &eacute; que o percurso pessoal de um religioso se enquadra para haver essa disponibilidade de abertura e acolhimento ao outro?<\/em><\/p>\n<p><em>MC &ndash;<\/em> N&oacute;s, porque somos humanos e temos um corpo, condi&ccedil;&atilde;o essencial dessa humanidade, temos coisas que resultam do pr&oacute;prio corpo. Experimentamos impulsos. Ou seja, n&atilde;o &eacute; pelo facto de se estar uma comunidade religiosa que uma pessoa deixa de ser integrado, numa perspetiva psicanal&iacute;tica, por <em>id, ego <\/em>e<em> super ego<\/em>, sendo que o <em>id<\/em> corresponde &agrave; impulsividade e mais prim&aacute;ria do eu.<\/p>\n<p>Diria ainda que, se nas fam&iacute;lias temos o desafio de crescer e ser afetivamente maduros, n&atilde;o temer esse crescimento e essa maturidade progressiva, claramente na vida consagrada, o trabalho e o caminho a fazer na perspetiva da afetividade n&atilde;o &eacute; neg&aacute;-la ou inibi-la, porque isso &eacute; parte integrante do homem. Da mesma forma que n&atilde;o &eacute; inibir ou negar o que est&aacute; relacionado com a sexualidade, porque isso adv&eacute;m do facto de termos um corpo.<\/p>\n<p>&Eacute; com certeza a fazer um caminho de progressiva maturidade no dom&iacute;nio da vertente afetiva. Todos temos cogni&ccedil;&atilde;o, afetos e a&ccedil;&atilde;o. E a afetividade tem claramente um papel primordial. Por isso, o caminho da maturidade afetiva tem v&aacute;rios est&aacute;dios, mas tem o objetivo de poder promover o equil&iacute;brio psicol&oacute;gico. Este processo implica alcan&ccedil;ar um estado de bem-estar consigo, com os outros e com a vida.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE &#8211; &Eacute; nessa perspetiva que a obedi&ecirc;ncia, a castidade e a pobreza devem ser entendidos?<\/em><\/p>\n<p><em>MC &#8211;<\/em> Quando se tem de abdicar de coisas fundamentais, claramente estes pilares s&atilde;o um enorme desafio no processo de maturidade afetiva, neste enquadramento, porque se sabe para que &eacute; que este processo &eacute; feito e por que se abdica.<\/p>\n<p>Aten&ccedil;&atilde;o que o abdicar n&atilde;o &eacute; perder; eu perco quando deixo de ter aus&ecirc;ncia de vontade e abdico quando, conscientemente, para atingir algo, abro m&atilde;o de outra coisa e trata-se de abdicar com sentido, n&atilde;o com sofrimento.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pobreza, castidade e obedi\u00eancia s\u00e3o pilares a propor hoje \u00e0 sociedade que, quando 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