{"id":64169,"date":"2014-01-17T00:05:00","date_gmt":"2014-01-17T00:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/01\/17\/igreja-atenta-ao-aumento-da-emigracao\/"},"modified":"2014-01-17T00:05:00","modified_gmt":"2014-01-17T00:05:00","slug":"igreja-atenta-ao-aumento-da-emigracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-atenta-ao-aumento-da-emigracao\/","title":{"rendered":"Igreja atenta ao aumento da emigra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O diretor da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es, frei Francisco Sales Diniz, fala do aumento do n\u00famero de pessoas que deixam o pa\u00eds e assume as preocupa\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica no setor, antecipando o pr\u00f3ximo encontro de forma\u00e7\u00e3o de agentes sociopastorais <!--more--> <\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; <\/em><em>Os n&uacute;mero recentes apontam para um aumento da emigra&ccedil;&atilde;o. Recordando n&uacute;meros recentes avan&ccedil;ados pelo Instituto Nacional de Estat&iacute;stica estima-se que a emigra&ccedil;&atilde;o aumentou 85 por cento. Entre 2000 e 2011 emigraram cerca de 44 mil pessoas, em 2012 o n&uacute;mero ultrapassa os 140 mil. De que forma &eacute; que a Igreja acompanha esta realidade em que as pessoas procuram uma vida melhor fora de Portugal?<\/em><\/p>\n<p><em>Francisco Sales Diniz (FSD) &ndash;<\/em> Estes &uacute;ltimos dados s&atilde;o de alguma forma mais realistas porque agora h&aacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o em ver e analisar os n&uacute;meros, os primeiros 44 mil eu penso que est&atilde;o um bocadinho longe da realidade porque foi nessa altura que come&ccedil;ou a sair bastante gente de Portugal. Portanto, de fato esta nova realidade, esta nova situa&ccedil;&atilde;o da emigra&ccedil;&atilde;o portuguesa &eacute; uma grande interpela&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja, penso que &eacute; um dos grandes sinais dos tempos como diz o Papa Francisco e como j&aacute; dizia o Papa Bento XVI. &Eacute; algo que nos deve questionar porque a realidade da mobilidade humana no mundo hoje &eacute; uma realidade t&atilde;o complexa, t&atilde;o grande, t&atilde;o abrangente que se tornou como eu costumo dizer &ldquo; verdadeira terra de miss&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>A Igreja continua a preocupar-se, porque faz parte da sua identidade, do seu mandato mission&aacute;rio de Cristo de ir e anunciar o Evangelho, e hoje as migra&ccedil;&otilde;es, o campo migrat&oacute;rio, a verdadeira terra de miss&atilde;o. &Eacute; uma obriga&ccedil;&atilde;o moral do pr&oacute;prio carisma da Igreja acompanhar aqueles que saem das suas comunidades e v&atilde;o para outros pa&iacute;ses, para outras zonas geogr&aacute;ficas.<\/p>\n<p>Fazemos um acompanhamento porque &eacute; preciso um processo bastante longo no tempo para que as pessoas depois se integrem nas Igrejas locais das zonas geogr&aacute;ficas para onde emigram. Portanto este &eacute; um grande desafio, que para al&eacute;m de ser um desafio mission&aacute;rio e evang&eacute;lico &eacute; um grande desafio humano, porque o drama das pessoas que est&atilde;o a emigrar hoje deve-se a car&ecirc;ncias econ&oacute;micas com bastantes necessidades; emigram muita vezes sem uma rede social de apoio, uma rede social que os acolha nos destinos para onde v&atilde;o e sem terem a certeza de encontrar trabalho. Por isso precisam de pontos de refer&ecirc;ncia e &eacute; isso que n&oacute;s procuramos fazer nos pa&iacute;ses de emigra&ccedil;&atilde;o: sabem que t&ecirc;m um espa&ccedil;o de acolhimento, um espa&ccedil;o com pessoas que os v&atilde;o escutar, que os v&atilde;o ouvir e que os v&atilde;o tentar ajudar a resolver os problemas e as situa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash;<\/em> <em>H&aacute; pessoas dispon&iacute;veis e preparadas para acolher os emigrantes nas comunidades mission&aacute;rias, nas comunidades dos pa&iacute;ses de forma a acompanhar estas pessoas que se deparam com m&uacute;ltiplos desafios inerentes ao fato de terem de emigrar?<\/em><\/p>\n<p><em>FSD &ndash;<\/em> Nos pa&iacute;ses tradicionalmente de emigra&ccedil;&atilde;o portuguesa temos as nossas miss&otilde;es cat&oacute;licas estruturadas. Na Europa estamos na Alemanha, Fran&ccedil;a, Holanda, Su&iacute;&ccedil;a, Luxemburgo, B&eacute;lgica, Inglaterra (Ilha de Jersey) e tamb&eacute;m no Canad&aacute; e nos Estados Unidos da Am&eacute;rica temos uma rela&ccedil;&atilde;o com as comunidades portuguesas mais de apoio, porque a emigra&ccedil;&atilde;o &eacute; mais antiga e est&aacute; j&aacute; integrada l&aacute;.<\/p>\n<p>As comunidades v&atilde;o ao encontro das necessidades que os emigrantes v&atilde;o apresentando e na maioria dos pa&iacute;ses da Europa o suporte material, digamos, &eacute; dado pela Igreja local, atrav&eacute;s dos servi&ccedil;os nacionais da pastoral dos migrantes. Depois existem muitas parcerias que as miss&otilde;es fazem com as C&aacute;ritas e outras institui&ccedil;&otilde;es civis, para promover o apoio aos nossos emigrantes, porque as situa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o muito dram&aacute;ticas. As pessoas apresentam muitas car&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Essas igrejas locais est&atilde;o preparadas para fazer face a este aumento de emigrantes portugueses?<\/em><\/p>\n<p><em>FSD &ndash;<\/em> Est&atilde;o preparadas para os receber, n&atilde;o est&atilde;o &eacute; preparadas para as situa&ccedil;&otilde;es dram&aacute;ticas que &agrave;s vezes lhes surgem. Muitas vezes quer-se dar resposta a muitas situa&ccedil;&otilde;es de car&ecirc;ncias, mas as pr&oacute;prias miss&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m meios para isso. O que procuram fazer &eacute; encaminhar, serem mediadores para institui&ccedil;&otilde;es dos pa&iacute;ses de acolhimento que possam ajudar a suprir essas car&ecirc;ncias que muitas vezes s&atilde;o materiais mas tamb&eacute;m a n&iacute;vel legal, por exemplo de situa&ccedil;&otilde;es de trabalho de explora&ccedil;&atilde;o laboral e outras tantas situa&ccedil;&otilde;es que os nossos emigrantes hoje est&atilde;o a viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash;<\/em> <em>Uma das miss&otilde;es da Obra Cat&oacute;lica Portuguesa das Migra&ccedil;&otilde;es passa pelo esclarecimento das pessoas que optam por emigrar para n&atilde;o irem nem desinformadas nem &agrave; espera de encontrar um &ldquo;el dorado&rdquo; que depois n&atilde;o corresponde &agrave; realidade. S&atilde;o constantes estes desafios de pessoas que n&atilde;o est&atilde;o preparadas, mas que mesmo assim optam por emigrar?<\/em><\/p>\n<p><em>FSD &#8211;<\/em> Sim, s&atilde;o constantes mas penso que neste momento que a quest&atilde;o est&aacute; um pouco mais debatida. Houve uma altura em que as pessoas se lan&ccedil;aram um bocadinho &agrave; toa, no desespero de se verem sem meios para garantir a sua subsist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O Governo, atrav&eacute;s da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, lan&ccedil;ou uma campanha a que nos associamos com a C&aacute;ritas Portuguesa porque est&aacute;vamos a come&ccedil;ar uma campanha semelhante.<\/p>\n<p>Esta campanha que surtiu algum efeito, porque n&oacute;s vemos que hoje em dia h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o t&ecirc;m sido t&atilde;o dram&aacute;ticas, mas continua a haver pessoas que, digamos, se deixam iludir e &eacute; precisamente por causa disso que no pr&oacute;ximo encontro que vamos ter com as redes sociopastorais das migra&ccedil;&otilde;es, vamos falar precisamente dos desafios, dos encantos e desencantos de toda esta problem&aacute;tica que est&aacute; inerente &agrave; emigra&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m como forma de formar e alertar aqueles que trabalham aqui em Portugal no terreno para poderem digamos sensibilizar as pessoas que pensam emigrar para n&atilde;o se deixarem iludir e n&atilde;o ca&iacute;rem em situa&ccedil;&otilde;es que os ponham se calhar numa situa&ccedil;&atilde;o pior do que aquela que est&atilde;o a viver em Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A crise e os cortes sistem&aacute;ticas nos ordenados das pessoas que est&atilde;o a trabalhar, al&eacute;m do n&uacute;mero de desempregados que tamb&eacute;m pensa em emigrar, n&atilde;o levam a que as pessoas mesmo assim nesse desconhecimento se lancem na mesma no desconhecido?<\/em><\/p>\n<p><em>FSD &#8211;<\/em> As pessoas v&atilde;o continuar a emigrar e cada vez em maior n&uacute;mero. Consoante n&oacute;s vemos os dados em Portugal, e a situa&ccedil;&atilde;o real do nosso pa&iacute;s, percebemos que as pessoas est&atilde;o a viver situa&ccedil;&otilde;es muito dif&iacute;ceis e que as pessoas v&atilde;o procurar emigrar, muita gente vai continuar a emigrar.<\/p>\n<p>Estou confiante que a partir de agora, com aquilo que tem sido feito, com os alertas que t&ecirc;m sido feitas e com as situa&ccedil;&otilde;es dram&aacute;ticas que t&ecirc;m vindo a p&uacute;blico na comunica&ccedil;&atilde;o social, que as pessoas estejam com os olhos mais abertos e n&atilde;o se deixem iludir particularmente por ofertas de trabalho e angariadores de m&atilde;o de obra barata, por promessas de um &ldquo;el dorado&rdquo; que depois se transforma em verdadeiros infernos, onde as pessoas praticamente se tornam escravas e entram num dos maiores crimes da humanidade de hoje, que &eacute; o tr&aacute;fico de pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE- H&aacute; gestos simb&oacute;licos que o Papa Francisco tem vindo a ter, como por exemplo o que aconteceu em Lampedusa, mas tamb&eacute;m palavras fortes que ele tem usado. Podem ajudar a uma mudan&ccedil;a de atitude no tratamento dos migrantes e dos refugiados?<\/em><\/p>\n<p><em>FSD &ndash;<\/em> Penso sim e, no geral, as pessoas come&ccedil;am a tomar uma consci&ecirc;ncia maior da pr&oacute;pria dignidade humana, come&ccedil;am a tomar consci&ecirc;ncia de que o sistema social foi criado centrado exclusivamente na economia, onde a economia e a alta finan&ccedil;a se sobrep&ocirc;s ao valor e a import&acirc;ncia da dignidade humana, e isso vai levar a uma mudan&ccedil;a. O Papa Francisco est&aacute; a ser uma refer&ecirc;ncia, o mundo estava a precisar de sinais, de refer&ecirc;ncias e o Papa desde o in&iacute;cio tornou-se num ponto de refer&ecirc;ncia e eu penso que isso vai ajudar as mentalidades. &Eacute; de facto importante e o Papa Francisco, naquilo que tem dito atrav&eacute;s dos seus gestos aos emigrantes &#8211; ele pr&oacute;prio, filho de emigrantes, tem essa experi&ecirc;ncia de saber o que &eacute; ser emigrante, do que &eacute; ver as fam&iacute;lias desenraizadas por pertencerem a mais do que uma cultura -, tudo o que ele tem afirmado vai ajudar a mudar mentalidades.<\/p>\n<p>O problema da mudan&ccedil;a de mentalidade n&atilde;o est&aacute; na popula&ccedil;&atilde;o em geral, tem a ver mais com os interesses econ&oacute;micos, com a classe pol&iacute;tica que dirige as sociedades no nosso tempo e que tentam defender a economia e a alta finan&ccedil;a como um modelo &ldquo;salvador da humanidade&rdquo;, mas que em vez de estar a salvar est&aacute; se calhar a destruir mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AE &ndash; <em>Na mensagem para o dia mundial do migrante e do refugiado, o Papa Francisco acusa mesmo a exist&ecirc;ncia de uma defesa do medo, que corresponde a um fechamento de fronteiras e apela a uma coopera&ccedil;&atilde;o internacional, uma regula&ccedil;&atilde;o que proteja mais do que propriamente limite. &Eacute; isto que est&aacute; em causa? Uma mudan&ccedil;a de atitude?<\/em><\/p>\n<p><em>FSD &ndash;<\/em> Sim, est&aacute; em causa uma mudan&ccedil;a de atitude. Eu penso que &eacute; justo que as sociedades de alguma forma defendam as suas fronteiras, os seus cidad&atilde;os porque n&oacute;s vemos que h&aacute; uma grande parte da humanidade que vive em situa&ccedil;&otilde;es t&atilde;o dram&aacute;ticas, n&oacute;s vemos este movimento fuga de &Aacute;frica em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Europa que se houvesse uma abertura total, um controlo &Aacute;frica ficaria destru&iacute;da e a Europa tamb&eacute;m cairia. Portanto o que &eacute; preciso, e eu penso que a mudan&ccedil;a passa por a&iacute;, &eacute; que os pol&iacute;ticos principalmente os da Europa e os dos Estados Unidos, aqueles que s&atilde;o chamados de primeiro mundo face aos pa&iacute;ses chamados de terceiro mundo, deixem de apoiar como o fazem governos, pol&iacute;ticos e situa&ccedil;&otilde;es corruptas pura e simplesmente por interesses econ&oacute;micos.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso mudar, &eacute; preciso fazer um trabalho nestes pa&iacute;ses de origem para mudar as situa&ccedil;&otilde;es para que as popula&ccedil;&otilde;es possam ter condi&ccedil;&otilde;es para se fixar nos seus territ&oacute;rios, nos seus pa&iacute;ses, constru&iacute;rem as suas sociedades com os meios necess&aacute;rios para viverem com dignidade. Eu penso que o caminho tem de ser feito por a&iacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AE &ndash; <em>Essa &eacute; uma economia ao servi&ccedil;o das pessoas?<\/em><\/p>\n<p><em>FSD &ndash;<\/em> A economia deve ser sempre ao servi&ccedil;o das pessoas. Eu penso que o que est&aacute; em causa e esta tem de ser a base sempre defendida pela igreja, que o Papa Francisco e todos n&oacute;s defendemos. O mundo foi criado por Deus e foi criado para todos, n&atilde;o s&oacute; para alguns. Infelizmente o que n&oacute;s vemos e este mundo ultraliberal em que vivemos est&aacute; centrado no poder de alguns que a&ccedil;abarcaram a maior parte dos bens que deviam de ser de todos, porque se tudo fosse distribu&iacute;do equitativamente n&atilde;o haveria a mis&eacute;ria, a fome que existe agora. Continuamos a ver as lutas de poder desses grandes interesses que provocam tantas guerras, tantos &oacute;dios, tanta viol&ecirc;ncia, tanta morte no nosso mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O Papa Francisco foca tamb&eacute;m um tri&acirc;ngulo que tem responsabilidade na forma como a atitude perante as migra&ccedil;&otilde;es poderia mudar, nomeadamente a responsabilidade da comunica&ccedil;&atilde;o social, da igreja e da comunidade internacional. Como &eacute; que estes tr&ecirc;s atores, neste jogo de migra&ccedil;&otilde;es, mudando de atitude poderiam ajudar a tornar este fen&oacute;meno migrat&oacute;rio mais pac&iacute;fico e mais equilibrado?<\/em><\/p>\n<p><em>FSD &ndash;<\/em> A n&iacute;vel da comunica&ccedil;&atilde;o social, particularmente no nosso pa&iacute;s, t&ecirc;m-se feito grandes progressos porque hoje os meios em geral tratam as migra&ccedil;&otilde;es de uma forma muito positiva. Hoje em dia quem cria as vis&otilde;es culturais &eacute; a comunica&ccedil;&atilde;o social e em especial a televis&atilde;o, portanto eu penso que a comunica&ccedil;&atilde;o social tem este papel fundamental de mostrar o lado positivo das migra&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o o negativo. Os medos com a criminalidade, com o roubo do trabalho aos aut&oacute;ctones &agrave;s vezes transpareciam nas not&iacute;cias que eram transmitidas, hoje em dia j&aacute; n&atilde;o &eacute; assim e a comunica&ccedil;&atilde;o social tem de dar uma imagem positiva do que &eacute; de facto a emigra&ccedil;&atilde;o porque para cada pa&iacute;s &eacute; uma renova&ccedil;&atilde;o, &eacute; um enriquecimento. Para a Igreja &eacute; um grande enriquecimento e particularmente para a nossa velha Europa, onde a Igreja continua a manter-se como uma igreja de tradi&ccedil;&atilde;o, uma igreja de sacristia, que deixou de ser mission&aacute;ria para ser quase uma igreja prestadora de servi&ccedil;os &agrave; qual as pessoas recorrem. Os emigrantes que v&atilde;o chegando &agrave; igreja na Europa, ao velho mundo, trazem uma nova forma de ser, uma cultura religiosa crist&atilde; diferente e s&atilde;o uma lufada de ar fresco, podem ajudar.H&aacute; um grande trabalho a ser feito, h&aacute; que mudar as mentalidades, porque as nossas comunidades continuam muito fechadas, quer em Portugal, quer mesmo nos pa&iacute;ses de acolhimento dos portugueses, onde as comunidades se fecharam em si mesmas e n&atilde;o d&atilde;o abertura a esta nova realidade, n&atilde;o se deixam transformar por este grande sinal dos tempos.<\/p>\n<p>A comunidade internacional &eacute; fundamental para uma vis&atilde;o positiva da mobilidade humana. Tem de haver um trabalho se calhar a partir das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a partir da Uni&atilde;o Europeia de uma maior abertura, de uma coopera&ccedil;&atilde;o porque o que n&oacute;s vemos por exemplo na Uni&atilde;o Europeia &eacute; que n&atilde;o se fala a uma s&oacute; voz. Se queremos construir uma Europa unida, &eacute; preciso que os governos trabalhem em conjunto: &eacute; preciso uma grande abertura, leis que promovam uma coopera&ccedil;&atilde;o entre os Estados. Estive recentemente num centro de deten&ccedil;&atilde;o de imigrantes clandestinos, na ilha de Malta: s&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es verdadeiramente dram&aacute;ticas, eu chorei ao ver centenas e centenas jovens, cheios de sonhos e de esperan&ccedil;as, que se veem barrados, detidos como se fossem criminosos. Se houver abertura de cora&ccedil;&atilde;o entre as na&ccedil;&otilde;es e se criar uma legisla&ccedil;&atilde;o internacional que promova a dignidade humana, ser&aacute; poss&iacute;vel transformar bastante as coisas.<\/p>\n<p>A Igreja Cat&oacute;lica deve ajudar, em qualquer pa&iacute;s, a criar uma cultura do acolhimento, da abertura, da fraternidade, de respeito pela dignidade e pelos Direitos Humanos, que continuam a n&atilde;o ser respeitados em muitas na&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O 14.&ordm; Encontro de forma&ccedil;&atilde;o de agentes sociopastorais das migra&ccedil;&otilde;es come&ccedil;a com uma confer&ecirc;ncia intitulada &lsquo;Retomar a import&acirc;ncia das Migra&ccedil;&otilde;es para a Pastoral da Igreja&rsquo;. Isso quer dizer que houve coisas que a Igreja poderia ter feito e n&atilde;o fez?<\/em><\/p>\n<p><em>FSD &ndash;<\/em> Mais do que dizer isso, a ideia &eacute; vincar que passamos uma fase em Portugal na qual a emigra&ccedil;&atilde;o estagnou e n&oacute;s voltamo-nos mais para a imigra&ccedil;&atilde;o, esquecendo-nos dos portugueses l&aacute; fora. Ap&oacute;s a recente explos&atilde;o da emigra&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso que a Igreja, que os bispos, que a Confer&ecirc;ncia Episcopal ponha, de facto, esta pastoral dos emigrantes &ndash; a necessidade de os acompanhar, de continuar a disponibilizar agentes pastorais, a dar orienta&ccedil;&otilde;es para este trabalho, como uma das prioridades.<\/p>\n<p>N&oacute;s n&atilde;o temos sentido isso em Portugal e ser&aacute; D. Ant&oacute;nio Francisco dos Santos, bispo de Aveiro, a fazer uma confer&ecirc;ncia sobre este tema, ele que foi um homem que trabalho nas migra&ccedil;&otilde;es e que tem uma maior preocupa&ccedil;&atilde;o com a pastoral dos emigrantes.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O diretor da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es, frei Francisco Sales Diniz, fala do aumento do n\u00famero de pessoas que deixam o pa\u00eds e assume as preocupa\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica no setor, antecipando o pr\u00f3ximo encontro de forma\u00e7\u00e3o de agentes sociopastorais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,170,189,191,203,258,274,291],"class_list":["post-64169","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-aveiro","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-europa","tag-migracoes","tag-papa-francisco","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64169\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}