{"id":6401,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/futebol-desporto-espectaculo-ou-industria\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"futebol-desporto-espectaculo-ou-industria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/futebol-desporto-espectaculo-ou-industria\/","title":{"rendered":"Futebol:  desporto, espect\u00e1culo ou industria ?"},"content":{"rendered":"<p>Certamente foi desporto. E ainda o pode ser na sua ess\u00eancia  de jogo humano elaborado como competi\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel capaz de desenvolver as virtudes de lealdade, destreza, espirito de equipa&#8230; Mas aquilo a que assistimos (e participamos) j\u00e1 \u00e9 uma \u201carte\u201d pobre desses valores de gratuidade e equil\u00edbrio que transformou o desporto de \u201cd\u00e9port\u201d, actividade \u201csem porte\u201d em ac\u00e7\u00f5es \u201ccom porte\u201d bem pago. E o \u00d3cio, de espa\u00e7o privilegiado de humaniza\u00e7\u00e3o de \u201cmente s\u00e3 em corpo s\u00e3o\u201d, tornou-se neg-\u00f3cio, por vezes obscuro nos seus meios e nos seus fins. O futebol \u00e9, de facto, uma actividade intrigante e fascinante pela sua crescente capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o e envol-vimento emocional de homens e, cada vez mais, mulheres de todas as classes e idades. E o reverso \u2013\u00f3bvio- da medalha? Clubismo agressivo, jornalismo de arrua\u00e7a panflet\u00e1ria, esc\u00e2ndalos financeiros, transa\u00e7\u00f5es suspeitas ordenados sem propor\u00e7\u00e3o&#8230; Est\u00e1 na hora de ler (ou reler) a Nota pastoral \u201c O desporto ao servi\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o da pessoa e do encontro dos povos\u201d que a Confer\u00eancia Episcopal prop\u00f4s \u00e0 nossa reflex\u00e3o, j\u00e1 em Novembro de 2003. \u00c9 que em 2004, al\u00e9m do Euro de futebol teremos as Olimp\u00edadas e, ainda mais importante, o parlamento Europeu determinou que seja \u201cAno da educa\u00e7\u00e3o pelo desporto\u201d. Trata-se, pois, de uma ocasi\u00e3o \u00fanica de proporcionar espa\u00e7os e experi\u00eancias desportivas acompanhadas de sentido cr\u00edtico para que a juventude, sobretudo, descubra o que \u00e9 o verdadeiro desportivismo que pode contribuir n\u00e3o s\u00f3 para o desenvolvimento f\u00edsico mas para criar rela\u00e7\u00f5es de respeito e de paz, indo mais longe na aceita\u00e7\u00e3o dos limites, promove a arte l\u00fadica juntamente com a coragem na luta na obedi\u00eancia \u00e0s regras da vida social, n\u00e3o desligando a festa da corresponsabilidade, o sentido est\u00e9tico do esp\u00edrito de equipa na alegria de participar, como diz o velho ideal Ol\u00edmpico: \u201cmais r\u00e1pido, mais alto, mais forte\u201d. Escola de virtudes e de valores humanos pessoais e colectivos que tanta falta fazem num mundo desencantado e individualista, aprendidos com leveza,  bom humor e companheirismo. Ser\u00e1 este o resultado do euro 2004? Tamb\u00e9m se desejaria promover a educa\u00e7\u00e3o do \u201cdesportistra\u201d de bancada que precisa de aprender a ver e a sofrer e a alegrar-se sem viol\u00eancia, nem ofensa, nem fanatismo. Ali\u00e1s, um bom lema  para esse projecto educativo seria: Saber perder! Quem n\u00e3o sabe perder , n\u00e3o sabe ganhar. Perder com honra, tendo sabido lutar com honestidade \u00e9 uma vit\u00f3ria t\u00e3o grande como Ganhar com respeito pelo advers\u00e1rio, sem humilhar&#8230;  Tudo mais \u00e9 \u201cperder mal\u201d mesmo quando se ganha o jogo, por se ter perdido em humanismo. \u201cPerder bem\u201d prepara para a vida onde h\u00e1 sempre revezes e dificuldades a enfrentar. \u00c9 a atitude de quem aprende com a derrota,  reconhece os erros e recome\u00e7a de novo com esperan\u00e7a, mas sem peneiras, porque na vida, como no jogo, o importante \u00e9 participar. Tristemente, hoje, encaminham-se os jovens numa atitude individualista em busca do \u201cestrelato\u201d que dar\u00e1 dinheiro f\u00e1cil e injecta-se uma mentalidade consumista de \u201c ricos\u201d que pensa que s\u00f3 vale a pena ir a jogo com a equipa mais forte para ganhar. Mais que o jogo buscam-se dividendos e promo\u00e7\u00e3o pessoal. Nessa cultura o desporto perde tamb\u00e9m o seu efeito de relativizar as \u201cguerras\u201d deste mundo transferindo-as para competi\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis, regre-dindo \u00e0s atitudes violentas e mentirosas justificadas pelo dinheiro e os interesses mais mesquinhos de alguns \u201cpatr\u00f5es  da bola\u201d que a coberto do futebol movem uma industria multinacional e complexa que vai da constru\u00e7\u00e3o civil \u00e0 moda e ao jornalismo. Por este caminho, j\u00e1 est\u00e1 perdido o Euro, o Ano e o Futuro. Que assim n\u00e3o seja. Pe. Vasco Pinto de Magalh\u00e3es s.j. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certamente foi desporto. 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