{"id":63952,"date":"2013-12-31T08:07:00","date_gmt":"2013-12-31T08:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/12\/31\/paz-depende-da-fraternidade-que-exige-reconhecimento-da-mesma-paternidade\/"},"modified":"2013-12-31T08:07:00","modified_gmt":"2013-12-31T08:07:00","slug":"paz-depende-da-fraternidade-que-exige-reconhecimento-da-mesma-paternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/paz-depende-da-fraternidade-que-exige-reconhecimento-da-mesma-paternidade\/","title":{"rendered":"Paz depende da fraternidade, que exige reconhecimento da mesma paternidade"},"content":{"rendered":"<p>Alfredo Bruto da Costa, presidente da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, analisa mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz <!--more--> <\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia &ndash; Na mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco recorda que uma sociedade justa e uma paz firme apenas ser&atilde;o poss&iacute;veis com a fraternidade. Que novidade traz este documento?<\/em><\/p>\n<p>Alfredo Bruto da Costa &#8211; Eu penso que o Papa d&aacute; um passo em frente.<\/p>\n<p>N&oacute;s temos tidos v&aacute;rios temas para o Dia Mundial da Paz tais como a solidariedade, a justi&ccedil;a&hellip; O que o Papa Francisco faz, na mensagem deste ano, &eacute; pegar na no&ccedil;&atilde;o de fraternidade com dois objetivos: Por um lado englobar todos os outros valores que t&ecirc;m sido utilizados em anteriores mensagens, porque n&atilde;o h&aacute; fraternidade sem justi&ccedil;a, n&atilde;o h&aacute; fraternidade sem solidariedade, n&atilde;o h&aacute; fraternidade sem acolhimento do outro, etc. E, por outro lado, d&aacute; um passo em frente na medida em que n&atilde;o se limita &agrave; no&ccedil;&atilde;o da fraternidade meramente &#8220;humana&#8221;, mas desenvolve a tem&aacute;tica da fraternidade com toda a sua riqueza teol&oacute;gica. Em certo sentido o Papa abarca os temas anteriores e d&aacute; um passo em frente.<\/p>\n<p>Francisco considera a problem&aacute;tica humana da paz em toda a sua plenitude: n&atilde;o se limitar &agrave; dimens&atilde;o humana e considera-a, na perspetiva da f&eacute;, &eacute; um elemento fundamental da pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o crist&atilde; de reino de Deus. Por isso, a mensagem tem muito de comum relativamente &agrave;s pessoas que n&atilde;o tenham f&eacute;, ou n&atilde;o a tenham de forma expl&iacute;cita, e permite aos crist&atilde;os ir mais al&eacute;m, aprofundando as implica&ccedil;&otilde;es na linha da f&eacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Nesta refer&ecirc;ncia teol&oacute;gica, o Papa afirma a experi&ecirc;ncia da fraternidade pela refer&ecirc;ncia, entre os crentes, &agrave; filia&ccedil;&atilde;o ao mesmo Pai. Uma dimens&atilde;o que refor&ccedil;a a experi&ecirc;ncia da fraternidade entre a fam&iacute;lia humana?<\/em><\/p>\n<p>ABC &ndash; Exatamente. Francisco come&ccedil;a por dizer que a pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o de fraternidade sem a aceita&ccedil;&atilde;o de um Pai &eacute; &ldquo;manca&rdquo;. At&eacute; em termos l&oacute;gicos, haver irm&atilde;os sem um pai comum &eacute; uma coisa que n&atilde;o faz sentido. Mas acrescenta que esse Pai tem que ser um Pai transcendente.<\/p>\n<p>O Papa avan&ccedil;a, n&atilde;o necessariamente na linha da f&eacute;. Na linha da simples filosofia eventualmente fala de um Pai transcendente. Depois disso, fala do Pai enquanto pessoa da Sant&iacute;ssima Trindade, j&aacute; numa perspetiva crist&atilde; e envolvendo todo o processo de encarna&ccedil;&atilde;o e de salva&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo que necessariamente tem de estar presente na nossa no&ccedil;&atilde;o de construtores da paz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quem &eacute; o meu pr&oacute;ximo?<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Faz tamb&eacute;m esse contraponto da fraternidade diante de um mundo excessivamente marcado pela concorr&ecirc;ncia?<\/em><\/p>\n<p>ABC &#8211; Nessa passagem em que o Papa fala de uma voca&ccedil;&atilde;o humana para a fraternidade, para os sermos irm&atilde;os, exorta a tratarmos o outro n&atilde;o como um rival, um concorrente ou algu&eacute;m a eliminar, mas como um irm&atilde;o de quem devemos cuidar. Portanto n&atilde;o &eacute; s&oacute; aceitar de uma forma neutra, mas devemos cuidar. &Eacute; uma atitude perante o outro e os outros que &eacute; contra corrente com tudo o que se est&aacute; a passar no mundo.<\/p>\n<p>Por outro lado, quando o Papa fala das comunica&ccedil;&otilde;es, das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o que criam maior proximidade com um grande potencial de fraternidade, cita o Papa Bento XVI quando este diz: &#8220;N&atilde;o se esque&ccedil;am, as comunica&ccedil;&otilde;es criam proximidade, tornam-nos vizinhos, mas n&atilde;o tornam o pr&oacute;ximo nosso irm&atilde;o&#8221;. Portanto, h&aacute; uma proximidade f&iacute;sica &agrave; qual nem sempre corresponde uma proximidade humana.<\/p>\n<p>Este Papa tem uma carater&iacute;stica curiosa: Sempre que fala da nossa liga&ccedil;&atilde;o ao outro, nunca fala dessa liga&ccedil;&atilde;o de uma forma neutra. Fala do outro, da doa&ccedil;&atilde;o ao outro, do cuidar do outro, de zelar pelo bem-estar do outro. &Eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-ativa.<\/p>\n<p>Sob esse ponto de vista esta mensagem &eacute; muito rica e n&atilde;o s&oacute; no que diz respeito &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da paz, mas na sua pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o. A paz n&atilde;o &eacute; um simples aceitar os outros.<\/p>\n<p>Curioso tamb&eacute;m, nesta mensagem, &eacute; que Francisco especifica quem &eacute; o outro: pessoa, grupo ou na&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Francisco d&aacute; &agrave; palavra &#8220;outro&#8221; uma amplitude muito maior englobando o outro indiv&iacute;duo, mas tamb&eacute;m outros grupos e outras na&ccedil;&otilde;es, acho isto muito interessante.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; &Eacute; uma no&ccedil;&atilde;o de fraternidade que n&atilde;o se limita a uma simples toler&acirc;ncia, implica envolvimento com outro&hellip;<\/em><\/p>\n<p>ABC &ndash; Francisco dir&aacute; que o modelo que apresenta &eacute; a figura de Jesus Cristo que por amor aos outros consentiu em dar a Sua vida. Para o Papa, o limite dessa doa&ccedil;&atilde;o, dessa d&aacute;diva total, no limite, &eacute; dar a vida!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A par desta refer&ecirc;ncia &agrave; fraternidade, o sermos irm&atilde;os do nosso pr&oacute;ximo por refer&ecirc;ncia a um Pai &uacute;nico que &eacute; carater&iacute;stica dos crist&atilde;os, apresenta tamb&eacute;m a fam&iacute;lia como grande escola de fraternidade?<\/em><\/p>\n<p>ABC &ndash; O Papa come&ccedil;a por dizer que &eacute; na fam&iacute;lia que aprendemos a ser fraternos. Sem desenvolver muito a tem&aacute;tica da fam&iacute;lia, refere-se a ela logo no in&iacute;cio da mensagem quando refere algumas carater&iacute;sticas da fraternidade em sentido humano e coloca a fam&iacute;lia como o meio onde come&ccedil;amos por aprender a no&ccedil;&atilde;o da fraternidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Nesta mensagem o Papa refere que grandes problemas que afetam hoje a humanidade radicam precisamente nesta aus&ecirc;ncia de fraternidade que faz aumentar o interesse pessoal, a gan&acirc;ncia, a aus&ecirc;ncia de escr&uacute;pulos&#8230; Uma realidade que o Papa l&ecirc; tamb&eacute;m na situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica que atravessamos?<\/em><\/p>\n<p>ABC &#8211; &Eacute; curioso que o Papa fala das guerras com armas, mas depois diz que h&aacute; outras guerras mais silenciosas, mas n&atilde;o menos danosas. E exp&otilde;e todo o rol de problemas relacionados com o tr&aacute;fico humano, o ego&iacute;smo do lucro, aspetos financeiros e econ&oacute;micos, e portanto a pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o da paz, afirmando que n&atilde;o &eacute; uma atitude subjetiva de cada pessoa mas, uma organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade, da economia, das finan&ccedil;as, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Caridade exige lutar por novos modelos de sociedade<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como Presidente da Comiss&atilde;o Nacional da Justi&ccedil;a e Paz (CNJP), e j&aacute; que estamos a fazer a leitura deste contributo que o Papa nos d&aacute; para o primeiro dia do ano, como &eacute; que o enquadra na realidade portuguesa, tamb&eacute;m ela muito dilacerada, muito necessitada de solidariedade e de fraternidade entre os membros que comp&otilde;em o tecido social deste pa&iacute;s?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ABC &#8211; Coloca um problema muito importante.<\/p>\n<p>Como sabe, poucas semanas antes da divulga&ccedil;&atilde;o desta mensagem foi publicada a exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica do Papa sobre a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, onde se insere um cap&iacute;tulo muito forte sobre o problema da justi&ccedil;a no mundo, da distribui&ccedil;&atilde;o dos bens, etc.<\/p>\n<p>Quando exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica &ldquo;A Alegria do Evangelho&rdquo; saiu tive a no&ccedil;&atilde;o de que a nossa postura na sociedade portuguesa estava muito aqu&eacute;m daquilo que resultava da exorta&ccedil;&atilde;o. E ent&atilde;o propus &agrave; CNJP que reserv&aacute;ssemos pr&oacute;ximas reuni&otilde;es para refletir sobre o nosso trabalho na Comiss&atilde;o &agrave; luz do documento.<\/p>\n<p>Agora, a mensagem para o Dia Mundial da Paz tamb&eacute;m, muito na linha da exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica no que diz respeito &agrave; justi&ccedil;a e &agrave; paz, tamb&eacute;m far&aacute; parte da nossa an&aacute;lise.<\/p>\n<p>Tenho a sensa&ccedil;&atilde;o que, em Portugal, a comunidade crist&atilde; como um todo est&aacute; a ter uma presen&ccedil;a muito fraca enquanto voz prof&eacute;tica na situa&ccedil;&atilde;o em que nos encontramos.<\/p>\n<p>H&aacute; muitas institui&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s e muitos crist&atilde;os e at&eacute; n&atilde;o crist&atilde;os dedicados aos problemas da fome e da falta de bens essenciais. &Eacute; conhecida a solidariedade geral da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa e o papel das institui&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s neste servi&ccedil;o. Mas h&aacute; qualquer coisa que tem de ser dita sobre o modelo de sociedade que temos, da estrutura de poder que temos. Os documentos do Papa mais recentes d&atilde;o-nos a entender a liga&ccedil;&atilde;o evidente entre o meio econ&oacute;mico e financeiro e as estruturas do poder nas sociedades. E esta &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o se altera quando nos limitamos apenas a ajudar as pessoas a matar a fome, por mais importante que isso seja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Entende que o facto de a Igreja possuir uma vasta rede de estruturas de apoio social vai gerar, nas comunidades crist&atilde;s, um sentimento de desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o, de que j&aacute; nada lhes &eacute; pedido nesse sentido, pois o trabalho social cabe a essas estruturas que j&aacute; pertencem &agrave; Igreja? <\/em><\/p>\n<p>ABC &#8211; O Papa Bento XVI, na primeira enc&iacute;clica que escreveu, <em>Deus Caritas Est<\/em>, fala da responsabilidade da Igreja como comunidade relativamente &agrave; pr&aacute;tica da caridade e diz que, embora a caridade seja um dever dos indiv&iacute;duos, a Igreja enquanto comunidade tamb&eacute;m est&aacute; chamada a praticar a caridade. Disso resulta que aquilo que a Igreja faz neste dom&iacute;nio dever&aacute; ser &#8211; e esta &eacute; j&aacute; uma ila&ccedil;&atilde;o que eu tiro &#8211; express&atilde;o da caridade da comunidade crist&atilde;.<\/p>\n<p>Um Centro Social de uma par&oacute;quia nem sempre &eacute; express&atilde;o da caridade comunit&aacute;ria da comunidade religiosa que pertence &agrave; par&oacute;quia. Por isso eu, por vezes, que o Centro Social &eacute; um centro criado por um prior ajudado por um conjunto de bombeiros volunt&aacute;rios&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Entende que as comunidades crist&atilde;s &#8220;profissionalizaram&#8221; num determinado grupo o exerc&iacute;cio da caridade?<\/em><\/p>\n<p>ABC &#8211; Tem de haver um certo profissionalismo porque hoje os problemas t&ecirc;m um cunho cient&iacute;fico e t&eacute;cnico que se resolvem s&oacute; com boas vontades. Penso, no entanto, que o problema n&atilde;o est&aacute; naquilo que se faz.<\/p>\n<p>O que se est&aacute; a fazer &eacute; bem feito e &eacute; necess&aacute;rio. Mas fica por fazer a componente de mudan&ccedil;a social para ir de encontro &agrave;s causas dos problemas. Essa dimens&atilde;o de mudan&ccedil;a social ainda n&atilde;o est&aacute; assumida pela comunidade crist&atilde; como um aspeto absolutamente insepar&aacute;vel do dever da caridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Ainda na linha econ&oacute;mica, h&aacute; nesta mensagem um apelo muito forte &agrave; justa reparti&ccedil;&atilde;o dos bens cuja concentra&ccedil;&atilde;o excessiva na posse de uns poucos &eacute; uma radical nega&ccedil;&atilde;o da fraternidade entre os homens. Que condena&ccedil;&atilde;o faz o Papa ao facto de alguns recorrem ao seu semelhante e o utilizarem como mero fator de produ&ccedil;&atilde;o e gera&ccedil;&atilde;o de riqueza?<\/em><\/p>\n<p>ABC &#8211; N&atilde;o s&oacute; na perspetiva crist&atilde; mas humana, esse &eacute; um fen&oacute;meno extremamente grave. O que &eacute; curioso &eacute; que o Papa ao propor um determinado tipo de sociedade acrescente que o primeiro dever recai sobre os mais favorecidos. N&atilde;o &eacute; frequente encontrarmos este tipo de refer&ecirc;ncia por duas raz&otilde;es: porque para al&eacute;m da exist&ecirc;ncia dos mais favorecidos e dos que o s&atilde;o menos, h&aacute; o problema do Estado.<\/p>\n<p>Aquilo que compete aos indiv&iacute;duos fazer, a sociedade civil, independentemente daquilo que o Estado fa&ccedil;a, compete primariamente aos mais favorecidos. &Eacute; algo evidente e l&oacute;gico. Aquilo que est&aacute; na m&atilde;o dos mais favorecidos ainda &eacute; muito, mas o problema da distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m o desafio de modificarmos os mecanismos que numa sociedade provocam a desigualdade, a mant&ecirc;m e at&eacute; a alargam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Justi&ccedil;a primeiro<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; V&ecirc; nesta mensagem um desafio aos pr&oacute;prios Estados no sentido de redefinirem o seu papel no apoio aos cidad&atilde;os? O apelo da fraternidade importa ser lido tamb&eacute;m por quem governa?<\/em><\/p>\n<p>ABC &#8211; A grande for&ccedil;a da mensagem &eacute; que pressup&otilde;e que n&atilde;o h&aacute; fraternidade sem solidariedade, sem justi&ccedil;a. N&oacute;s n&atilde;o podemos pensar que o Papa imagina uma fraternidade que seja um mero sentimento. Como disse o Papa Bento XVI, a caridade sem justi&ccedil;a, sem a liga&ccedil;&atilde;o &agrave; verdade, passa a ser um fen&oacute;meno sentimental sem consequ&ecirc;ncia nenhuma. E &eacute; hoje claro que o pensamento da Igreja &eacute; muito exigente nesta mat&eacute;ria: n&oacute;s temos a justi&ccedil;a como o m&iacute;nimo e tudo o resto se constr&oacute;i sobre o pressuposto da justi&ccedil;a. A caridade, a fraternidade, a solidariedade tudo isto pressup&otilde;e a justi&ccedil;a, o que tem de ser assumido como um elemento da nossa cultura. De outro modo n&atilde;o reabilitamos palavras t&atilde;o fortes como a caridade ou fraternidade. S&atilde;o palavras fort&iacute;ssimas que corremos o risco de esvaziar se retirarmos o seu conte&uacute;do e as suas liga&ccedil;&otilde;es &agrave; justi&ccedil;a, verdade e &agrave; no&ccedil;&atilde;o de bem comum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Vivemos dias de austeridade, porventura com a esperan&ccedil;a do regresso &agrave; abund&acirc;ncia de outros tempos, mas o Papa Francisco lembra nesta mensagem, que uma vida s&oacute;bria facilita a fraternidade..<\/em>.<\/p>\n<p>ABC &#8211; &Eacute; curioso que h&aacute; muitos anos eu ouvi da boca de Jacques Delors, na altura presidente da Comiss&atilde;o Europeia, uma proposta para a Europa de um estilo de vida frugal. &ldquo;Frugal&rdquo; foi a palavra que ele usou. E o Papa vem retomar esta no&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>H&aacute; o estilo de vida rico, o estilo de vida pobre, daqueles que fazem o voto de pobreza, e h&aacute; uma coisa que se chama uma certa sobriedade no modo de vida que n&atilde;o corresponde &agrave; pobreza do voto nem est&aacute; na linha do consumismo e do luxo. O que o Papa vem dizer, n&atilde;o s&oacute; para os crist&atilde;os, mas certamente para os crist&atilde;os, &eacute; que h&aacute; um estilo de vida que estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o s&oacute;bria com os bens materiais, com os confortos da vida, que exige preocupa&ccedil;&atilde;o com os limites, com uma vida frugal como forma normal de vida e para a qual n&atilde;o se pedem grandes decis&otilde;es ou voca&ccedil;&otilde;es para seguirmos este modelo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Pela sua riqueza e oportunidade, esta mensagem merece uma reflex&atilde;o especial por parte das comunidades crist&atilde;s?<\/em><\/p>\n<p>ABC &#8211; Sem d&uacute;vida! Tal como a Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica, esta mensagem cont&eacute;m algumas ideias muito fortes que seriam importantes para a vida da comunidade crist&atilde; e da pr&oacute;pria sociedade.<\/p>\n<p><em>HM<\/em><\/p>\n<p><em>[[v,d,,]]<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em> <object width=\"425\" height=\"350\" data=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/jANk-xWlftE&amp;feature<param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/jANk-xWlftE&amp;feature\" \/><\/object> <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alfredo Bruto da Costa, presidente da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, analisa mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,134,165,191,203,274,314],"class_list":["post-63952","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-cnjp","tag-dia-mundial-da-paz","tag-economia","tag-europa","tag-papa-francisco","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63952"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63952\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}