{"id":63772,"date":"2013-12-16T12:13:00","date_gmt":"2013-12-16T12:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/12\/16\/mensagem-de-natal-do-bispo-da-guarda-4\/"},"modified":"2013-12-16T12:13:00","modified_gmt":"2013-12-16T12:13:00","slug":"mensagem-de-natal-do-bispo-da-guarda-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-natal-do-bispo-da-guarda-4\/","title":{"rendered":"Mensagem de Natal do bispo da Guarda"},"content":{"rendered":"<p>Vamos viver, de novo, neste Natal a maravilha de Deus que se fez um de n&oacute;s no Menino de Bel&eacute;m, nascido fora da cidade, por n&atilde;o haver lugar para ele numa casa normal. Deus n&atilde;o podia ter encontrado melhor maneira de mostrar que quer estar pr&oacute;ximo de todos, a come&ccedil;ar por aqueles que como ele s&atilde;o exclu&iacute;dos da cidade.<\/p>\n<p>Este Natal convida-nos, por isso, a refor&ccedil;ar a proximidade com todos, a come&ccedil;ar pelos que mais precisam, sobretudo porque lhes falta trabalho.<\/p>\n<p>De facto, s&atilde;o muitos os que entre n&oacute;s n&atilde;o t&ecirc;m trabalho. Outros t&ecirc;m trabalho, mas prec&aacute;rio, ou seja trabalho a prazo, ou em risco de acabar por insustentabilidade das empresas ou ainda porque n&atilde;o lhes garante um sal&aacute;rio justo que permita a sustenta&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prio e das suas fam&iacute;lias. E os jovens, mesmo com diplomas de ensino superior e universit&aacute;rio, s&atilde;o os mais atingidos, o que os obriga, muitas vezes a decidirem-se pelo caminho da emigra&ccedil;&atilde;o, com preju&iacute;zo para todos n&oacute;s.<\/p>\n<p>O trabalho, &eacute; sem d&uacute;vida, um direito fundamental. E do trabalho espera-se que ele seja realizador de riqueza, traduzida ou n&atilde;o em dinheiro; mas espera-se sobretudo que ele seja caminho de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal para quem trabalha. &Eacute; principalmente por esta &uacute;ltima raz&atilde;o que o Papa Francisco insiste em que precisamos de voltar a colocar no centro a pessoa humana e o trabalho. Se, pelo contr&aacute;rio continuarmos a ceder &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de deixar que o dinheiro tenha a primazia, entramos por caminhos que levam &aacute; exclus&atilde;o e &agrave; desigualdade. E quando permitimos que o dinheiro, em vez de servir esteja a governar, continua ele, o ser humano passa a ser considerado como mais um bem de consumo que se pode usar e depois deitar fora. Por isso, &eacute; bom n&atilde;o esquecer que na base da atual crise financeira est&aacute; uma crise antropol&oacute;gica profunda, que &eacute; a nega&ccedil;&atilde;o da primazia e centralidade do ser humano relativamente a todos os processos de organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade, a come&ccedil;ar pela organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho.<\/p>\n<p>Grande dificuldade &eacute; que muitas empresas que deviam garantir aos cidad&atilde;os o direito fundamental ao trabalho com justa remunera&ccedil;&atilde;o passam por grandes dificuldades, que s&atilde;o ainda maiores na nossa regi&atilde;o. Precisamos que sejam criadas as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para que as empresas que temos se mantenham e outras venham preencher vazios que a todos nos preocupam. Entre essas condi&ccedil;&otilde;es est&atilde;o por um lado o financiamento e por outro a responsabiliza&ccedil;&atilde;o tanto de empregadores como de trabalhadores, o que obriga a p&ocirc;r em pr&aacute;tica uma cultura de justi&ccedil;a, onde os trabalhadores d&atilde;o a m&aacute;xima colabora&ccedil;&atilde;o para serem atingidos os resultados desej&aacute;veis e os empregadores pagam, a tempo, os sal&aacute;rios justos a quem trabalha.<\/p>\n<p>Quanto ao financiamento h&aacute; a promessa de que o pr&oacute;ximo quadro comunit&aacute;rio ser&aacute; predominantemente direcionado para a recapitaliza&ccedil;&atilde;o das empresas existentes e a cria&ccedil;&atilde;o de outras. Esperamos que a promessa seja cumprida e que se atenda &agrave;s necessidades acrescidas da nossa regi&atilde;o que tem sido muito desprezada. Aqui os respons&aacute;veis pela nossa governa&ccedil;&atilde;o local t&ecirc;m importante palavra a dizer, incluindo sobre discrimina&ccedil;&atilde;o justa em mat&eacute;ria de impostos.<\/p>\n<p>Sabendo n&oacute;s que a situa&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil de desemprego n&atilde;o vai acabar t&atilde;o depressa quanto desej&aacute;vamos, precisamos de ser criativos e procurar solu&ccedil;&otilde;es que permitam &agrave;s pessoas ter de imediato os recursos indispens&aacute;veis para viver. H&aacute;, felizmente entre n&oacute;s algumas iniciativas de trabalho cooperativo e de atividades tradicionais que, quando devidamente organizadas, podem dar resposta &agrave;s necessidades das pessoas. E para as apoiar tamb&eacute;m h&aacute; alguns instrumentos que &eacute; preciso conhecer e ter a coragem de aplicar, como por exemplo o micro&not;cr&eacute;&not;dito e outras linhas de financiamento com finalidades espec&iacute;ficas. Precisamos de ajudar as pessoas a utilizar estes meios, dando-lhos a conhecer e pondo &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o quem as possa acompanhar e monitorizar nas suas iniciativas.<\/p>\n<p>Finalmente &eacute; de justi&ccedil;a reconhecer que a institui&ccedil;&atilde;o familiar, sobretudo nos nossos meios constitui almofada de grande import&acirc;ncia para ajudar a superar as dificuldades moment&acirc;neas e outras mais duradouras. Neste Natal prestamos homenagem &agrave;s nossas fam&iacute;lias. Elas s&atilde;o, de facto, o santu&aacute;rio da vida e do amor, s&atilde;o as primeiras e as mais aut&ecirc;nticas escolas do verdadeiro humanismo. Com a complementaridade de homem e mulher, do pai e da m&atilde;e e com os afetos, elas s&atilde;o o ambiente indispens&aacute;vel e o caminho seguro para fazer crescer as pessoas na vida. &Eacute;, por isso, leg&iacute;timo pedir a quem governa e tamb&eacute;m aos legisladores que n&atilde;o criem dificuldades &agrave; vida das fam&iacute;lias, mas, pelo contr&aacute;rio, lhes deem os meios indispens&aacute;veis para desempenharem bem fun&ccedil;&otilde;es essenciais que nenhuma sociedade pode dispensar.<\/p>\n<p>Feliz Natal para todos e suas fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Pa&ccedil;o Episcopal, 16 de dezembro de 2013<\/p>\n<p><em>D. Manuel R. Fel&iacute;cio, bispo da Guarda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos viver, de novo, neste Natal a maravilha de Deus que se fez um de n&oacute;s no Menino de Bel&eacute;m, nascido fora da cidade, por n&atilde;o haver lugar para ele numa casa normal. 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