{"id":6376,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/e-deus-escolheu-maria-para-ser-mae-de-deus\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"e-deus-escolheu-maria-para-ser-mae-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-deus-escolheu-maria-para-ser-mae-de-deus\/","title":{"rendered":"E Deus escolheu Maria para ser M\u00e3e de Deus"},"content":{"rendered":"<p>Carta pastoral do Arcebispo de Braga <!--more--> E Deus escolheu Maria  para ser M\u00e3e de Deus &#8212; Hoje continua a chamar  \u00c9 frequente ouvir-se falar de crise na cultura crist\u00e3 da Europa. Desencadeiam-se, por isso, variadas iniciativas para lhe restituir a sua verdadeira identidade, a \u00abalma\u00bb que a distingue. Num plano mais amplo, o Papa Jo\u00e3o Paulo II fala duma esp\u00e9cie de \u00abnoite escura\u00bb da f\u00e9 crist\u00e3. Mas, por outro lado, os m\u00edsticos recordam-nos e ensinam-nos a extrair, destas situa\u00e7\u00f5es, novas descobertas capazes de situar a f\u00e9 num mundo diferente. Percorrer os caminhos da Europa, particularmente de Portugal, \u00e9 encontrar-se com Maria que, no seu caracter\u00edstico sil\u00eancio, acompanhou e marcou a cultura e o habitat natural da Europa desde os seus primeiros passos at\u00e9 \u00e0 maior evid\u00eancia das suas express\u00f5es. Ser\u00e1 ju\u00edzo apressado ou errado reconhecer que a sua aus\u00eancia na cultura europeia &#8212; com a marginaliza\u00e7\u00e3o que muitos pretendem de sinais e de devo\u00e7\u00f5es marianas &#8212; \u00e9 um dos sinais desta crise? Possu\u00eddo por esta interroga\u00e7\u00e3o, manifesto a profunda convic\u00e7\u00e3o de que o regressar de Maria, redescobrindo o essencial da sua vida, significar\u00e1 o renovar duma nova cultura europeia renovada e fecundada por um testemunho de vida daqueles e daquelas que, como Ela, querem ser seguidores de Cristo. N\u00e3o pretendemos desconsiderar ou condenar a hist\u00f3ria recente do cristianismo onde ele \u00e9 apresentado, numa perspectiva de carga normativa, um conjunto de \u201cmandamentos\u201d e proibi\u00e7\u00f5es, que desfazem o car\u00e1cter alegre do encontro pessoal, por Cristo, com Deus. O cristianismo \u00e9 a maravilha sempre nova de podermos encontrar e conviver com Deus que fala connosco, que se aproxima de cada um, para estabelecer uma alian\u00e7a de amizade \u00fanica. Maria \u00e9 fundamental para se sentir a necessidade deste n\u00facleo que toca o cora\u00e7\u00e3o, o enche e faz com que tudo o resto se acolha com alegria e sem o sabor de peso ou sobrecarga em contra-moda. O nosso mundo deixou-se possuir por uma mentalidade neo-liberal que d\u00e1 valor ao material e coloca de fora o cora\u00e7\u00e3o que \u00e9 a maneira nobre de conhecer a realidade. Ele \u00abtem raz\u00f5es que a raz\u00e3o desconhece\u00bb e \u00e9 a\u00ed que se pode \u00abver\u00bb Deus para O re-introduzir no trabalho, no com\u00e9rcio, na pol\u00edtica, na justi\u00e7a, na responsabilidade pessoal e moral. Or\u00edgenes fala-nos do \u00abcaminho de Maria\u00bb em n\u00f3s que, concretamente, se centraliza numa vida em Deus e para Deus.  1. Dois \u00abmomentos\u00bb da vida de Maria Fixemos dois pormenores da vida de Maria. Na Anuncia\u00e7\u00e3o, raz\u00e3o \u00faltima do mist\u00e9rio da Imaculada, parecia que o mundo se encontrava numa verdadeira aus\u00eancia de Deus (Lc 1, 26-28). Faltavam os profetas que O acolhessem e O comunicassem. Com a Anuncia\u00e7\u00e3o, Deus desce, dum modo novo, \u00fanico e irrepet\u00edvel na hist\u00f3ria: incarna em Maria para a\u00ed encontrar todo o espa\u00e7o para expressar &#8212; atrav\u00e9s dum sim de acolhimento &#8212; uma presen\u00e7a excepcional na hist\u00f3ria. Deus abre-se porque Maria se deixa conduzir pelo Seu mist\u00e9rio. Trata-se dum Amor acolhido, na humildade, para dar-se \u00e0 humanidade. Deus d\u00e1-se todo a Maria que n\u00e3o colocou reservas e inicia-se um processo de simbiose de duas vidas a tornarem-se \u00abuma\u00bb.  Uma vez experimentado este amor, Maria sente-se impelida a doar-se aos outros, tornando-se instrumento e manifesta\u00e7\u00e3o de Deus. Neste sair de si, ela n\u00e3o fica \u00abfora\u00bb de Deus, compromete-se, activamente, na vida de Deus. O encontro com Isabel, com os noivos em Can\u00e3 da Galileia, com a humanidade aos p\u00e9s da cruz\u2026 s\u00e3o um \u00abeco\u00bb do sim de Maria a Deus que se exprime em notas variadas duma \u00fanica melodia dum cora\u00e7\u00e3o que se deixou enamorar e n\u00e3o consegue fazer outra coisa que proclamar \u00abas maravilhas\u00bb que Deus fez, faz e continuar\u00e1 a fazer. Esta incarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus em Maria faz com que a experi\u00eancia de Deus que ela realizou passe e aconte\u00e7a no Seu Filho Jesus, feito Palavra. Maria encontra-se perante Deus que se faz homem e, a partir desse momento, essa experi\u00eancia de Deus radica-se no quotidiano duma vida repleta de afazeres. A sua rela\u00e7\u00e3o com Deus torna-se nova peregrina\u00e7\u00e3o na \u00absequela christi\u00bb, nas coisas mais concretas e nos acontecimentos mais normais, em casa, nas preocupa\u00e7\u00f5es pela vida dum filho que cresce, nas obriga\u00e7\u00f5es religiosas. Seguir Deus torna-se seguir, dia ap\u00f3s dia, a vontade de Deus que se torna concreta em Cristo, seu Filho. \u00abMaria n\u00e3o s\u00f3 imita Jesus no seu discipulado da f\u00e9, mas neste e atrav\u00e9s deste oferece-se como o \u201c\u00edcone\u201d do Filho Eterno, criatura singular que leva impressa em si, na sua f\u00e9 virginal, a marca do eterno estar do Filho diante do Pai, do eterno estar do Amado diante daquele que \u00e9 o eterno in\u00edcio do Amor\u2026\u00bb (Bruno Forte, Maria, la donna icona del Mistero, Mil\u00e3o 1989, p. 180).  2. Ser disc\u00edpulo de Cristo A experi\u00eancia de disc\u00edpula de Cristo acontece em todos os momentos e, particularmente, nos dif\u00edceis. Jesus parece rejeitar Maria (cfr. Mc 3, 20-35; Mt 13, 53-58; Lc 8, 20-21). Junto da Cruz, pronuncia um \u00absim\u00bb no \u00ababsurdo\u00bb de perder o Filho (cfr. Jo 19, 25-27). Como mensagem repleta de actualidade, verificamos que Maria tudo interpreta regressando \u00e0 escolha essencial, ou seja, vendo tudo a partir de Deus. \u00abEla conservava no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb (Lc 2, 19; 2, 51). Se o cora\u00e7\u00e3o estava repleto de Deus, era \u00e0 luz de Deus que a vida era interpretada. O seu pensamento era o contr\u00e1rio do mundo que v\u00ea pelas influ\u00eancias e pela for\u00e7a. Precisamos de regressar \u00e0 Palavra, como express\u00e3o de tudo quanto Deus fez pelo homem e ver a vida a partir n\u00e3o de n\u00f3s ou dos outros mas de Deus. A doutrina da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o recorda-nos Maria como a nova criatura que, totalmente possu\u00edda por Deus, se torna palavra que exprime o mesmo Deus. S\u00e3o duas vidas distintas que sublinham o mesmo amor de Deus pela humanidade. Como na teofonia a Mois\u00e9s no deserto, o fogo ardia sem queimar a sar\u00e7a (cfr. Ex 3, 2), assim na Incarna\u00e7\u00e3o o Esp\u00edrito Santo encheu Maria, tornando-a toda Deus, mas sem a destruir. Unida a Deus mas sempre distinta e \u00fanica numa personalidade peculiar. A Imaculada \u00e9 o in\u00edcio da economia da Salva\u00e7\u00e3o onde Deus se revela com o intuito de colmatar o cosmos, com a sua divina presen\u00e7a: \u00abCristo tudo em todos\u00bb. \u00c9 o \u00abcaminho\u00bb a peregrinar na f\u00e9 e aceita\u00e7\u00e3o da vida como uma viagem sempre nova em Deus. Deus entra na hist\u00f3ria dum modo novo\u2026 Importa descobrir como o expressar hoje. Se o modo foi novo no cora\u00e7\u00e3o de Maria, hoje, para se tornar cultura, \u00e9 preciso \u00abentrar\u00bb em Deus dum modo absolutamente novo. Maria entrou na \u00abcasa\u00bb de Deus e hoje canta, grita, proclama para que a humanidade inteira se sinta chamada a entrar. A Sua experi\u00eancia \u00e9 a nossa. Maria \u00e9 o modelo da resposta a Deus. Ela \u00e9 Palavra do Evangelho vivida, comunicada, contemplada. A Igreja encontra a figura dum novo falar: menos com as palavras, mais com o sil\u00eancio. Maria fez de \u00abfundo\u00bb para que \u00abdeixasse falar Deus, o qual, no Esp\u00edrito Santo, diz-se a Ele mesmo, a Sua palavra de e sobre Ele Jesus\u00bb. \u00abConhecendo melhor de que todos que s\u00f3 Deus pode \u201cdizer\u201d Deus, Maria faz transparecer Deus no seu ser e no seu agir, mais do que nas suas palavras\u00bb. \u00abSe por um lado, na incarna\u00e7\u00e3o Maria se aniquilou diante da grandeza de Deus, por outra, sendo Ele o Amor, Deus fez-se pequeno para se confiar, Ele o Criador, aos cuidados da criatura. Deus torna Maria grande como Ele, mais, pelo seu amor imenso e gratuito, Deus faz Maria \u201cmaior do que Ele\u201d para que o possa conter\u00bb.  3. Maria, M\u00e3e da Igreja Daqui podemos partir para uma reinterpreta\u00e7\u00e3o da Igreja particular que somos ou devemos ser. No discurso de abertura da segunda sess\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, em 29 de Setembro de 1963, Paulo VI dizia que \u00aba Igreja \u00e9 mist\u00e9rio, isto \u00e9, realidade embebida da divina presen\u00e7a, e por isso sempre capaz de novas e mais profundas descobertas\u00bb. Como mist\u00e9rio, deve caminhar na ades\u00e3o \u00e0 Palavra de Deus e na permanente docilidade \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. Consequ\u00eancia, imediata e repleta de intui\u00e7\u00f5es pastorais, \u00e9 que a dimens\u00e3o institucional e de estruturas devem consciencializar-se da integra\u00e7\u00e3o do elemento humano e do divino, uma vez que sendo Igreja na terra \u00e9 possuidora de bens celestes que nunca se podem separar mas devem ser vistos como realidade \u00fanica. Ela \u00e9 meta-hist\u00f3rica, ou seja incarnada e sujeita \u00e0 lei inevit\u00e1vel da mudan\u00e7a. Ela conhece uma hist\u00f3ria que n\u00e3o acontece independentemente ou ao lado dos acontecimentos. Est\u00e1 neles e compromete-se nas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais e culturais. O Conc\u00edlio Vaticano II veio relembrar tr\u00eas categorias indispens\u00e1veis \u00e0 compreens\u00e3o do mist\u00e9rio da Igreja. Ela \u00e9 Povo de Deus, Corpo de Cristo, Templo do Esp\u00edrito Santo. Como Povo de Deus queremos viver a unicidade do Povo Escolhido e a igualdade fundamental de todos os membros; como Corpo de Cristo aceitamos a ideia da igualdade e da diversidade dos membros (1 Cor 12; Lumen gentium, 10); como Templo todos somos \u00abungidos\u00bb e animados pela diversidade de dons que constitui um apelo a viver a corresponsabilidade na vida eclesial.  4. O Santu\u00e1rio do Sameiro como homenagem Recordemos o passado deste Santu\u00e1rio do Sameiro e tenhamos coragem de rever a sua hist\u00f3ria em termos dum presente com variados desafios. O Padre Martinho Ant\u00f3nio Pereira da Silva, querendo testemunhar a alegria de Braga pela proclama\u00e7\u00e3o do dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, em 8 de Dezembro de 1854, lan\u00e7a a ideia dum monumento a localizar neste espa\u00e7o. Depois de se constituir uma Comiss\u00e3o, a primeira pedra \u00e9 lan\u00e7ada no dia 14 de Junho de 1863 como suporte duma est\u00e1tua de Nossa Senhora com 14 palmos de altura. Foi seu escultor o italiano Em\u00eddio Carlos Amatucci que terminou a obra em 6 de Agosto de 1869, partindo para o alto do Sameiro no dia 12 e sendo benzida em 29 do mesmo m\u00eas pelo Arcebispo Primaz, D. Jos\u00e9 Joaquim de Azevedo e Moura. Este monumento foi o in\u00edcio dum trabalho que o Padre Martinho, quase imediatamente, considerou insuficiente. Era necess\u00e1ria uma pequena Capela e a defini\u00e7\u00e3o do dogma da Infalibilidade Pontif\u00edcia, em 18 de Julho de 1870, foi pretexto a suscitar a coragem deste empreendimento. A primeira pedra \u00e9 lan\u00e7ada em 31 de Agosto de 1873, a capela \u00e9 benzida em 28 de Agosto de 1880 e no dia seguinte \u00e9 a\u00ed colocada a imagem, executada em Roma pelo escultor Eug\u00e9nio Maocegnati e benzida pelo Papa Pio IX, em 22 de Dezembro de 1876. Bem depressa a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Senhora do Sameiro mostrou que a capela deveria ser substitu\u00edda por um santu\u00e1rio que foi iniciado em 31 de Agosto de 1890 e sagrado em 15 de Agosto de 1963 por ocasi\u00e3o das comemora\u00e7\u00f5es do primeiro centen\u00e1rio, embora o altar-mor tenha sido sagrado em 12 de Junho de 1941. O Padre Martinho, fiel ao Esp\u00edrito, deu vida ao primeiro monumento \u00e0 Imaculada, em terras de Santa Maria, \u00e0 semelhan\u00e7a do que havia acontecido em It\u00e1lia, na Coluna da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, inaugurada pelo Papa Pio IX na Pra\u00e7a de Espanha. Tamb\u00e9m em Fran\u00e7a &#8212; Puy, Beziers e Marselha &#8212; se tinham levantado id\u00eanticos sinais de homenagem. A Braga pertenceu a honra de ser a primeira em Portugal. O futuro demonstrou que a primeira pedra e a pequena capela se manifestaram ex\u00edguas para a celebra\u00e7\u00e3o de acontecimento t\u00e3o not\u00e1vel. Nem o Padre Martinho imaginava a vida de renova\u00e7\u00e3o eclesial que a devo\u00e7\u00e3o e a Imagem da Senhora do Sameiro iriam suscitar. Maria, como t\u00e3o bem sintetizou D. Manuel Vieira de Matos, \u00abn\u00e3o apareceu no Sameiro mas est\u00e1 no Sameiro\u00bb e esta sua presen\u00e7a foi interpela\u00e7\u00e3o e convite a variadas iniciativas sempre conduzentes ao encontro com Cristo, na Palavra e na Eucaristia.  5. Desafios para hoje Queremos neste ano de 2004 celebrar um grande acontecimento. Olhamos, novamente, para a defini\u00e7\u00e3o do Dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o e vamos congregar-nos, em manifesta\u00e7\u00e3o solene, no dia 8 de Dezembro, numa peregrina\u00e7\u00e3o de \u00edndole nacional. A entrega da Rosa de Ouro pelo Cardeal Legado do Santo Padre ser\u00e1 paradigm\u00e1tica como reconhecimento, por parte do Santo Padre, da influ\u00eancia que este Santu\u00e1rio tem realizado ao longo da sua hist\u00f3ria. Trata-se dum acontecimento para promover um maior amor a Maria para, como Ela, viver para o triunfo de Cristo e implanta\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Nesta celebra\u00e7\u00e3o nacional queremos, tamb\u00e9m, evocar a grande Peregrina\u00e7\u00e3o, acontecida em 12 de Junho de 1904, e a coroa\u00e7\u00e3o solene de Nossa Senhora pelo Delegado do Papa Pio X, Monsenhor Jos\u00e9 Macebi, N\u00fancio Apost\u00f3lico e Arcebispo de Tessal\u00f3nica, na presen\u00e7a de cerca de 300.000 peregrinos e dum n\u00famero significativo de Bispos onde se destacava o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o Neto. A inscri\u00e7\u00e3o evocativa da coroa\u00e7\u00e3o recorda que a coroa foi realizada a partir das j\u00f3ias oferecidas pelas mulheres portuguesas incluindo a Rainha D. Am\u00e9lia. Estes acontecimentos carregaram um dinamismo que projectou o Sameiro para o lugar que ocupa na devo\u00e7\u00e3o mariana. Como ontem, as nossas celebra\u00e7\u00f5es deste ano devem conter interpela\u00e7\u00f5es capazes de dizer algo de novo e convincente a quem nos procura, agora e no futuro. A beleza natural pode envaidecer-nos. Acontece, por\u00e9m, que a refer\u00eancia deve estar noutra preocupa\u00e7\u00e3o. A beleza \u00e9 express\u00e3o de Deus criador que pela arte e sua articula\u00e7\u00e3o com o ambiente nos enleva. Mas, n\u00e3o \u00e9 suficiente. O Sameiro tem o dever e a obriga\u00e7\u00e3o de ser \u00abmensagem\u00bb que todos entendam. H\u00e1 gente que passa por curiosidade e h\u00e1 pessoas que se sentem atra\u00eddas por algo de indescrit\u00edvel. O cora\u00e7\u00e3o deve deixar-se tocar pelo espiritual.  6. Tr\u00eas \u00abj\u00f3ias\u00bb para marcar este centen\u00e1rio Gostaria de solicitar tr\u00eas \u00abacrescentos\u00bb ao monumento &#8212; natural e religioso &#8212; que estas comemora\u00e7\u00f5es deveriam oferecer. Do alto do monte surge uma mensagem que ecoa no cora\u00e7\u00e3o de todos os crist\u00e3os e das comunidades. N\u00e3o fujamos \u00e0 responsabilidade de a proclamar e n\u00e3o lhe fechemos os ouvidos como quem n\u00e3o pretende ouvir. Sendo, embora, orienta\u00e7\u00f5es pessoais devem encontrar a maior express\u00e3o na vitalidade da Igreja. Os dogmas nunca podem ser verdades abstractas e aceites com maior ou menor compreens\u00e3o. Talvez no sentido de mist\u00e9rio que a raz\u00e3o tem dificuldade em interpretar, a vida acontecer\u00e1 nova se as op\u00e7\u00f5es surgem por parte de cada um e das comunidades. Neste centen\u00e1rio, deixo tr\u00eas interpela\u00e7\u00f5es:  6.1. Urg\u00eancia de regressar \u00e0 interioridade A Imaculada Concei\u00e7\u00e3o entende-se como preserva\u00e7\u00e3o absoluta da mancha do pecado para bem acolher Deus. \u00c9 isto que pretendemos e, para isso, necessitamos do comportamento de Maria capaz de reservar espa\u00e7os para o sil\u00eancio dial\u00f3gico. Calar para que Deus fale e possa pronunciar o Seu Amor para que o manifestemos aos outros. Esta interioridade contemplativa dever\u00e1 conduzir-nos \u00e0 Palavra que a Escritura encerra. O sil\u00eancio acontece em Maria, mas Ela reveste-se da Palavra que acolhe para a viver. Deus continua a proclamar a verdade que deve tornar-se vida. Sem sil\u00eancio o mist\u00e9rio n\u00e3o se encontra nem se compreende na medida do poss\u00edvel. Precisamos, por isso, de muita concentra\u00e7\u00e3o no nosso interior reservando-lhe espa\u00e7os e tempos, em casa e nas comunidades. Infelizmente, a ora\u00e7\u00e3o de louvor e de sil\u00eancio ainda conta pouco e as nossas celebra\u00e7\u00f5es, ainda est\u00e3o cheias de muitas palavras. Necessitam de sil\u00eancio e n\u00f3s devemos procur\u00e1-lo. No sil\u00eancio, para compreender o mist\u00e9rio de Deus, \u00e9 imperioso adorar, tornando as vidas e comunidades contemplativas. A hist\u00f3ria da Igreja recorda-nos que os verdadeiros revolucion\u00e1rios, que marcaram as mudan\u00e7as, foram homens ou mulheres que adoravam e contemplavam. Os retiros, como experi\u00eancia de sil\u00eancio, s\u00e3o momentos a incrementar e desenvolver. Dou gra\u00e7as a Deus por tantas experi\u00eancias maravilhosas entre n\u00f3s verificadas. Precisamos de mais. Este sil\u00eancio contemplativo introduz-nos na consciencializa\u00e7\u00e3o da nossa voca\u00e7\u00e3o de Filhos de Deus. \u00c9 a dignidade a tornar-se responsabilidade, vivendo a voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica como resposta ao dom da filia\u00e7\u00e3o. A crise da Igreja passa por esta crise vocacional que, depois e s\u00f3 depois, se repercute na aus\u00eancia de voca\u00e7\u00f5es. Estas preocupam-nos. Mas, surgir\u00e3o se as comunidades educarem e caminharem ao ritmo da alegria de ser disc\u00edpulo de Cristo que chama e prop\u00f5e. Somos chamados. Esta \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e Deus, com cada um, estabelece uma \u00abplataforma\u00bb de felicidade atrav\u00e9s duma vida em permanente intimidade.  6.2. Com Maria renovar os Sacramentos da Inicia\u00e7\u00e3o Do sil\u00eancio chegamos \u00e0 compreens\u00e3o da realidade dos sacramentos como sinais concretos que significam e oferecem Deus. Para isso, necessitamos duma pastoral capaz de os celebrar e viver. N\u00e3o \u00e9 suficiente a cerim\u00f3nia tradicional. Urge que entremos numa compreens\u00e3o, pessoal e comunit\u00e1ria, destas \u00abcoisas\u00bb sagradas que nunca podem ser interpretadas como meros ritos sociais. A vida crist\u00e3 tem um in\u00edcio que se vai consciencializando para o viver na comunh\u00e3o a oferecer ao mundo. Trata-se da import\u00e2ncia dos Sacramentos de Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3: Baptismo, Confirma\u00e7\u00e3o e Eucaristia. O mist\u00e9rio do Amor de Deus, iniciado na Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, vive-se na compreens\u00e3o destas realidades sacramentais. Dou gra\u00e7as a Deus por eles pertencerem aos \u00abbons costumes\u00bb do nosso quotidiano. Integram o ritmo do nosso crescimento humano. Mas, se no passado, isto era suficiente, hoje j\u00e1 n\u00e3o basta. Neste centen\u00e1rio, preparando-nos para outras propostas, podemos, ao jeito de medita\u00e7\u00e3o pessoal, interrogar-nos sobre o que significa o meu baptismo, a minha confirma\u00e7\u00e3o, a minha eucaristia. Est\u00e3o assimilados e transparecem no viver quotidiano ou mergulharam no esquecimento ou rotina? N\u00e3o poderiam ser motivo de contempla\u00e7\u00e3o interior como gra\u00e7as que marcam a vida? Num dom\u00ednio pastoral e consciente das muitas quest\u00f5es a equacionar, \u00e9 importante reconhecer a redescoberta dos Sacramentos da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 como algo priorit\u00e1rio. Muitas vezes estamos a semear a Palavra de Deus em terreno que n\u00e3o foi minimamente preparado. Outras vezes queremos come\u00e7ar o edif\u00edcio pelo telhado. Isto equivale a dar \u00abp\u00e9rolas\u00bb \u00e0s pessoas, sem a conveniente prepara\u00e7\u00e3o para conhecerem o seu verdadeiro valor.  N\u00e3o h\u00e1 compreens\u00e3o da Imaculada sem a viv\u00eancia destas gra\u00e7as. Sugiro, por isso, uma aposta numa redescoberta da verdadeira inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e dos seus itiner\u00e1rios. Por vezes ou\u00e7o a queixa de que s\u00e3o muitas as propostas pastorais e, por isso, se torna quase insuport\u00e1vel a sua concretiza\u00e7\u00e3o. A comunidade passa por interesses que se repetem permanentemente. Basta dar-lhe um pouco de conte\u00fado e aten\u00e7\u00e3o. Deste modo o caminho vai-se percorrendo.  6.3. N\u00e3o condenar mas evangelizar o mundo  Quando, em imagem, reproduzimos a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, colocamos a \u00abserpente\u00bb que Maria calca, fugindo assim ao seu \u00abdom\u00ednio\u00bb. A serpente identific\u00e1mo-la com a iniquidade, a maldade, a perversidade\u2026 que, tantas vezes, colocamos no contexto do mundo. A\u00ed sublinha-se a ruptura como exist\u00eancia de duas realidades antag\u00f3nicas que parecem inconcili\u00e1veis. O mist\u00e9rio da Incarna\u00e7\u00e3o a partir da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o est\u00e1 a sugerir que a vit\u00f3ria do bem sobre o mal nunca estar\u00e1 na luta mas na autenticidade e profundidade do diferente. S\u00e3o dois mundos mas o bem vive para se impor sobre o mal atrav\u00e9s dum an\u00fancio coerente e duma concretiza\u00e7\u00e3o imediata. A arma \u00e9 a Palavra que, vivida, vai impondo os seus crit\u00e9rios ainda que, por vezes, possa parecer imposs\u00edvel ou dif\u00edcil. A Imaculada apenas sugere que a Palavra seja pura e fiel para ir permeando os conte\u00fados humanos com a sua l\u00f3gica. Trata-se de acolher, no sil\u00eancio contemplativo da realidade sacramental assimilada e desenvolvida, a Evangeliza\u00e7\u00e3o como o caminho a percorrer pelos crist\u00e3os e comunidades. A hist\u00f3ria de Portugal, imbu\u00edda do amor a Maria, colocou os portugueses na itiner\u00e2ncia de comunicar a Boa Nova. Os pain\u00e9is, existentes na Cripta do Santu\u00e1rio alusivos \u00e0 ac\u00e7\u00e3o evangelizadora do povo portugu\u00eas identificando as dioceses que durante cinco s\u00e9culos de evangeliza\u00e7\u00e3o e encontro de culturas surgiram, s\u00e3o uma interpela\u00e7\u00e3o que o Santu\u00e1rio proclama. Com Maria e na devo\u00e7\u00e3o que lhe dedicamos devemos continuar a epopeia de cantar o Magnificat, anunciando as maravilhas que Deus continua a operar em favor do Seu povo. A exist\u00eancia do Centro Apost\u00f3lico, como sinal evocativo do Conc\u00edlio Vaticano II, quer simbolizar a apet\u00eancia por uma forma\u00e7\u00e3o, humana e crist\u00e3, competente e actualizada, para, num contexto secularizado, calcar o grande inimigo da Igreja Cat\u00f3lica: a ignor\u00e2ncia religiosa. Enquanto n\u00e3o nos convencermos desta caracteriza\u00e7\u00e3o do nosso cristianismo que urgentemente teremos de ultrapassar, n\u00e3o estaremos a ser fi\u00e9is \u00e0 miss\u00e3o confiada.  7. Conclus\u00e3o e compromissos Na celebra\u00e7\u00e3o deste duplo acontecimento, sinto de solicitar aos crist\u00e3os bracarenses um amor renovado a Maria. Os antepassados, h\u00e1 cem anos, ofereceram o seu ouro. A actualidade solicita gestos que manifestem como Maria entrou nas nossas \u00abcasas\u00bb e nas \u00abcasas\u00bb da Comunidade. O Santu\u00e1rio do Sameiro, na sua programa\u00e7\u00e3o pastoral, deve corresponder a esta proposta com ofertas que sublinhem a prioridade da espiritualidade orientada para uma consciencializa\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o baptismal capaz de apontar outras voca\u00e7\u00f5es de especial consagra\u00e7\u00e3o e projectos de forma\u00e7\u00e3o integral onde a f\u00e9 se torna pensamento para chegar \u00e0 cultura religiosa e espiritual das nossas gentes. Se o Santu\u00e1rio do Sameiro for capaz de proporcionar esta espiritualidade e forma\u00e7\u00e3o, as comunidades sentir\u00e3o a sua influ\u00eancia e a renova\u00e7\u00e3o acontecer\u00e1. A multiplicidade de celebra\u00e7\u00f5es, indo de encontro a experi\u00eancias humanas, quer simbolizar a alegria de incarnarmos o Evangelho nos ambientes da modernidade. Nada pode ser ocasional e espor\u00e1dico. S\u00e3o momentos que permanecem se assumidos num compromisso de renova\u00e7\u00e3o pessoal e eclesial. A hist\u00f3ria do Sameiro foi feita por todos quantos procuraram este Santu\u00e1rio. Muito encontraram e muito deram. A M\u00e3e do C\u00e9u continua a agradecer cumulando com as suas b\u00ean\u00e7\u00e3os. Tratando-se duma realidade eclesial, importa referir os Irm\u00e3os que comp\u00f5em a Confraria e testemunhar a gratid\u00e3o a quem &#8212; no presente e no passado &#8212; dirigiu o seu destino.  Tamb\u00e9m neste \u00e2mbito a celebra\u00e7\u00e3o de mais um evento comemorativo pode ser um apelo ao rejuvenescimento da Confraria atrav\u00e9s da inscri\u00e7\u00e3o de novos Irm\u00e3os. Muitos refugiam-se nas dificuldades do associativismo e da diminuta vontade de exercer um voluntariado de servi\u00e7o. Semear o amor a Maria, centralizado no essencial, \u00e9 a certeza de que tamb\u00e9m este aspecto encontrar\u00e1 eco no cora\u00e7\u00e3o dos devotos. Saibamos rejuvenescer a Confraria e mostrar que a Igreja dedica carinho e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s associa\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is solicitando-lhes uma vida de harmonia com os Estatutos. A Senhora do Sameiro poder\u00e1 dar-nos for\u00e7a para revitalizar todas as Confrarias para que o sejam de verdade.  As comemora\u00e7\u00f5es dos 150 anos da defini\u00e7\u00e3o do Dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o ganham um brilho especial na Arquidiocese de Braga. Precisamos, por isso, de lhe dedicar uma aten\u00e7\u00e3o particular. Convoco os crist\u00e3os e as comunidades paroquiais e religiosas para a elabora\u00e7\u00e3o dum programa integrado na din\u00e2mica do Ano Vocacional que iremos viver. Cada comunidade deve, em Conselho Pastoral Paroquial, programar. Deixo algumas sugest\u00f5es muito concretas. S\u00e3o ideias a suscitar iniciativas variadas.  7.1. Visita ao Sameiro Quis sublinhar a import\u00e2ncia do peregrinar para fazer sil\u00eancio contemplativo. Reservar tempo para, diante de Maria, discernir, em profundidade, o mist\u00e9rio de Deus. Os lugares s\u00e3o secund\u00e1rios e estes momentos de sil\u00eancio, cada um os deveria integrar no meio das preocupa\u00e7\u00f5es pessoais. Um canto duma igreja ou o sil\u00eancio dum quarto em casa, um momento comunit\u00e1rio ou familiar de interioridade, pode viver-se com facilidade. Se os lugares s\u00e3o secund\u00e1rios, o ambiente ajuda. H\u00e1 pormenores que nos interpelam. Conhecendo a hist\u00f3ria do Sameiro e consciencializando-nos sobre o que queremos celebrar, aqui, diante do enquadramento art\u00edstico e da beleza da imagem de Nossa Senhora do Sameiro, podemos compreender a verdadeira identidade do crist\u00e3o e encontrar ardor para encarar a caminhada do dia-a-dia. Maria encontra-se sempre; o Santu\u00e1rio do Sameiro pode ajudar.  7.2. M\u00eas de Outubro O m\u00eas de Outubro \u00e9, tradicionalmente, o m\u00eas do Ros\u00e1rio cuja riqueza teremos de recuperar. A elabora\u00e7\u00e3o de esquemas apropriados &#8212; integrados na Eucaristia ou separados &#8212; facilitam o encontro e ajudam a compreender-nos como disc\u00edpulos. Um pouco de leitura espiritual, no meio de tantos livros existentes, facilitar\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o dum ambiente especial para a imita\u00e7\u00e3o de Maria. Sugiro temas e leituras vocacionais para que, penetrando na convic\u00e7\u00e3o dum chamamento de todos ao Amor de Deus, cheguemos \u00e0 capacidade de propor a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, religiosa ou mission\u00e1ria.  7.3. Novena da Imaculada H\u00e1 devo\u00e7\u00f5es que foram passando ao esquecimento por causa de m\u00faltiplos afazeres e incapacidade de as organizar com qualidade. As novenas podem ter ca\u00eddo nesta situa\u00e7\u00e3o. Elaboraremos esquemas que permitam a viv\u00eancia desta novena em todos os lugares do culto. A impossibilidade da presen\u00e7a do Sacerdote pode e deve ser seguida pela ac\u00e7\u00e3o dos leigos que s\u00e3o capazes de coisas maravilhosas. Procuraremos que a R\u00e1dio Renascen\u00e7a transmita as celebra\u00e7\u00f5es que iremos preparar. Os doentes e idosos devem ser alertados para esta ajuda.  7.4. Vig\u00edlia da Imaculada Pode e deve ser um momento de viv\u00eancia especial. A criatividade de cada comunidade saber\u00e1 discernir e ver o que conv\u00e9m. Alguma coisa iremos preparar para sintonizar todo o pa\u00eds. Ser\u00e1 um momento de maior contempla\u00e7\u00e3o para agir no mundo atrav\u00e9s dum an\u00fancio e viv\u00eancia dos valores testemunhados por Maria.  7.5. Sinais de festa Houve um tempo em que muitas fam\u00edlias colocavam nas janelas um sinal luminoso com as letras do Av\u00e9 Maria. N\u00e3o ser\u00e1 conveniente empenhar-se neste sinal exterior?   7.6. Festa da Imaculada No Sameiro ou noutro local a celebra\u00e7\u00e3o deve revestir-se duma solenidade especial. Importaria que significasse um momento para deixar espa\u00e7o para Jesus \u00abincarnar\u00bb nas nossas vidas. Os grandes acontecimentos valem pelas marcas e resultados positivos que deixam ficar.  ***  Que Maria, a Senhora Imaculada do Monte do Sameiro, entre em todos os lares e acolha os dramas e as alegrias, tornando o mundo uma experi\u00eancia de fam\u00edlia na solidariedade crist\u00e3.  Senhora do Sameiro ajuda-nos a ser disc\u00edpulos de Cristo e membros vivos da Igreja. \u00abTu podes, \u00e9s M\u00e3e de Deus e deves, \u00e9s nossa m\u00e3e\u00bb.  + Jorge Ortiga Arcebispo Primaz   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta pastoral do Arcebispo de Braga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[144,172,191,199,203,206,221,231,237,294,314,329],"class_list":["post-6376","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-concilio-vaticano-ii","tag-diocese-de-braga","tag-economia","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-familia","tag-historia-da-igreja","tag-imaculada-conceicao","tag-joao-paulo-ii","tag-sacramentos","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6376","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6376"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6376\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}